quarta-feira, 22 de abril de 2009

PE CORREIA DA CUNHA E OS ADOLESCENTES









DINÂMICAS PARA GRUPOS DE ADOLESCENTES




A Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora apresentava um sério problema: o afastamento dos adolescentes das suas práticas cristãs, depois de concluída a Profissão de Fé.

O Padre Correia da Cunha sabia que havia adolescentes sérios, aplicados, com práticas de oração e movidos por grandes ideais. Era urgente e necessário tomar medidas para solucionar este enigma.

Estes adolescentes representavam, para o Padre Correia da Cunha, os grandes continuadores da nova Igreja pelo que era essencial comprometê-los de uma maneira diferente de agirem, pensarem e de manifestarem a sua fé.

Para essa função de serviço e dedicação em prol da educação humana e cristã dos adolescentes de São Vicente de Fora, o Padre Correia da Cunha confiava na elevada experiência de um seu grande ‘’protegido’’ e fiel discípulo, com provas dadas, Manuel Taledo de Sousa e de sua esposa Teresa Lobo Moura. Com este apoio, o Padre Correia da Cunha ajudava assim os adolescentes a conquistarem novos espaços na paróquia e na sociedade.




Os adolescentes, independentemente da sua rebeldia e alguma inconsciência, pensavam e manifestavam uma fé amadurecida e preenchiam uma acção extremamente relevante para a Comunidade Paroquial nas funções de acólitos e leitores nas celebrações litúrgicas.

Sob a liderança deste Jovem Casal era dada aos adolescentes a oportunidade de se conhecerem melhor, de exporem o que pensavam e como viviam as suas experiências. Nas reuniões semanais de adolescentes, estes eram ajudados nas dificuldades próprias da idade e a descobrirem valores importantes assim como a estabelecer relações com todas as gerações que contribuíam para a dinâmica da vida da paróquia.

Os adolescentes, ao participarem nestes grupos, desenvolviam um trabalho que contribuía para um respeito mútuo, ganhando confiança para um maior compromisso com a Igreja e a sociedade.
Para o Padre Correia da Cunha trabalhar com os adolescentes era acreditar que era possível a sua mudança como agentes participativos, criativos, curiosos, implicados e responsáveis pela sua qualidade de vida, e requeria dos educadores maiores comprometimentos, generosidade e disponibilidade para os escutarem e dialogarem.

A principal meta do Padre Correia da Cunha era oferecer aos educadores, todas as condições para a realização de actividades em que os adolescentes pudessem dialogar, duvidar, discutir, questionar e compartilhar conhecimentos, bem como certificar-se que havia espaços para as práticas de desportos, passeios e festas lúdicas para o desenvolvimento da cooperação e criatividade destes adolescentes.





Hoje edito fotos de uma actividade de representação deste grupo de adolescentes, de que fiz parte, em São Vicente de Fora. São memórias de um tempo vivido onde éramos todos muitos felizes.

Tempo inolvidável que a memória não esquece. Formávamos um grupo não só de amigos, mas também de irmãos que professavam a mesma fé e que creio ser meu dever dar testemunho. Recordo igualmente o diálogo franco e aberto, onde eram abordados temas como a puberdade, a sexualidade na adolescência e a amizade nos anos turbulentos da adolescência.

Manter sempre um fraterno diálogo e uma sã amizade, mostrando os erros e acertos da caminhada do grupo, eram os emblemas deste grupo de adolescentes dos anos sessenta da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.

Espero receber contributos de outros grupos de adolescentes que frequentaram os espaços de São Vicente de Fora, quando o Padre Correia da Cunha era o seu grande pastor e mestre.





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sábado, 18 de abril de 2009

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA

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Os amigos que partiram…





IN MEMORIAM

IR.GINA MAGAGNOTTI – RELIGIOSA SALESIANA

1920 - 1989



No dia que passam vinte anos da sua morte, não podíamos deixar de prestar uma singela homenagem de gratidão a IR.GINA MAGAGNOTTI – RELIGIOSA SALESIANA (1920-1989), uma apaixonada catequista que entrou no coração de muitos adolescentes e jovens da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.


Pe Correia da Cunha sempre viu na Ir. Gina uma grande apóstola e uma generosa missionária de Jesus Cristo.


Seguidamente passo uma Biografia desta grande evangelizadora que ajudou com a sua mensagem de grande força espiritual a construir uma comunidade de vivência cristã, seduzindo os seus catequizandos a um encontro íntimo com Jesus Cristo, modelo de autenticidade, simplicidade, de fraternidade: único que salva e liberta …BEM HAJA! IRMÃ GINA.
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A Ir. Gina Magagnotti nasceu a 20 de Março de 1920 em Sornio, a pouco mais de 10Km da cidade de Trento – Itália. Seu pai, após ter morrido a primeira esposa de quem tivera sete filhos, casou em segundas núpcias com aquela que viria a ser a mãe da Ir. Gina. Deste segundo matrimónio nasceram três filhas das quais Gina era a do meio. O ambiente familiar, bem como o da aldeia, era de profunda religiosidade como o comprovam as numerosas vocações tanto masculinas como femininas. Foi neste ambiente de profunda vivência cristã que a jovem adolescente sentiu o irresistível chamamento de se consagrar totalmente a Deus. Respondeu com todo o entusiasmo da sua juventude ardente, disposta a qualquer sacrifício desde que se tratasse de cumprir a vontade de Deus.Com sete anos fez a primeira comunhão e já então dizia que queria ser missionária para falar de Jesus a toda a gente. Interpelada pelo Pároco sobre o rumo a dar à vida, Gina disse que queria dar-se toda a Deus. A escolha do Instituto foi-lhe sugerida pelo Pároco uma vez que as Irmãs Salesianas também tinham missões.




Em Agosto de 1937, com 17 anos de idade entrou no Noviciado. Manifestando Gina o desejo de ser missionária, fez o pedido por escrito dizendo que gostava de trabalhar nos leprosários da India. Após a profissão religiosa e devida preparação missionária a Ir. Gina foi destinada a Portugal, com grande admiração sua. Depois de 46 anos de trabalho indefeso pela causa do Reino, deixou escrito. “Em Portugal encontrei um vasto campo de apostolado, muitos sacrifícios mas também muito carinho e muita alegria espiritual. Senti-me sempre totalmente realizada”.
Em 1947 a Ir. Gina foi nomeada Directora da Casa de Santa Ana que se abriu nessa altura em Setúbal. Os princípios foram difíceis mas a sua jovialidade e alegria sabiam tornar agradáveis as privações e sacrifícios e fazer crescer o espírito de família que transmitiu às Irmãs e alunas.




Uma das suas características foi a dedicação ao ensino catequístico: onde quer que estivesse dinamizava a catequese. Mais tarde, sendo directora na casa de Santa Clara, aprofundou os conhecimentos teológicos e dispendeu os seus esforços em prol do Secretariado Diocesano da Catequese do Patriarcado de Lisboa e colaborando em cursos de formação catequística. O Pe. Henrique Policarpo Canas, director do Secretariado, felicitou-a várias vezes, expressando o reconhecimento da Diocese pela sua magnífica e dedicada colaboração no apostolado catequético.

São inumeráveis os testemunhos acerca do ardor apostólico da Ir. Gina:
“À noite reunia com frequência as catequistas, orientava-lhes o trabalho de catequese dos sábados e domingos, para que resultasse mais eficaz”. “Eram tantos os pedidos que faziam à Ir. Gina para que assumisse mais compromissos de catequese e de preparação de catequistas, que não conseguia satisfazê-los na totalidade”. “A Ir. Gina era uma catequista inata, dotada de uma criatividade inesgotável; sempre optimista em relação ao seu trabalho; bem relacionada com todos e sempre bem disposta e alegre”.

“Sacerdotes, Bispos e até o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, apreciavam o seu trabalho na Igreja e pela Igreja. Consideravam-na uma mulher forte, persistente: dons que transmitia com toda a naturalidade”.

A doença que lhe bateu à porta (esclerose lateral atrófica) ao completar os 60 anos de idade veio reduzir-lhe aos poucos a possibilidade de se deslocar, mas continuou a dar catequese e a orientar catequistas e jovens quase até ao fim da vida. Bendito seja o Senhor que a visitou mas lhe deixou a mente lúcida para continuar a anunciar a Boa Nova até ao limiar do Paraíso. Confidenciava: “Nosso Senhor pensou em mim… Viu que eu andava a correr demais, sempre de um lado para o outro e achou por bem fazer-me parar para melhor me preparar para o encontro com Ele”.



D. António Marcelino, Bispo de Aveiro, assim escreveu no “Correio do Vouga” de 21 de Março de 1986: “Não havia no Patriarcado de Lisboa uma catequista que não a conhecesse, que não tivesse aprendido com ela a dar melhor catequese mas, sobretudo, a crescer na paixão e no amor pela missão de catequista. Rica de natureza cantava, desenhava, animava jogos, expunha com vida, comunicava vida, mas mais rica ainda de fé, de amor à Igreja, de apreço pela sua vocação de consagrada, da encarnação da urgência de evangelizar e de catequizar… Numa cadeira de rodas, com talas nos braços e nas mãos, numa paralisia crescente… mas o mesmo sorriso, o mesmo entusiasmo, a mesma fé. Tolhidos os ossos mas não o coração. Diminuído o corpo mas engrandecida a alma. A mesma dos bairros das crianças pobres de Setúbal, das catequeses, cursos e assembleias de catequistas do Patriarcado. A mesma. Dando razão do seu amor ao Pai”.

A Ir. Gina, religiosa salesiana, italiana pelo nascimento, portuguesa pelo coração, sem fronteiras pela fé e pelo ardor apostólico… Como vela que se apaga depois de se ter consumido inteiramente, fechou os olhos mortais no Monte Estoril para entrar no gozo d’Aquele que desde há anos a vinha purificando. Eram as primeiras horas do dia 18 de Abril de 1989.

Texto da biografia : Ir. Mª das Dores Rodrigues

A Comunidade de São Vicente de Fora guarda-a em seu coração! Deixou em todos muitas e profundas saudades. Mas recordamos com muita alegria e gratidão os bons frutos que deixou nos corações dos adolescentes e jovens de São Vicente de Fora, onde estive incluído. Irmã Gina trabalhou com uma indescritível e intensa paixão a sua vocação de uma grande evangelizadora e servidora do reino, onde continua a interceder por nós.


O SENHOR JÁ RECEBEU NA SUA GLÓRIA ESTA NOSSA QUERIDA IRMÃ.
Bendito seja o Senhor, Pai, Filho e Espírito Santo! Bendito seja também a sempre Maria Auxiliadora. Mãe de Jesus e nossa Mãe!


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terça-feira, 14 de abril de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA - HOMENAGEM PASCAL

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HOMENAGEM DE ROGÉRIO MARTINS SIMÕES
A PADRE CORREIA DA CUNHA




Estamos em tempo verdadeiramente Pascal, o verdadeiro discípulo e afectuoso amigo Rogério Martins Simões dedica ao seu grande mestre e educador, Padre Correia da Cunha, que muito contribuiu para a sua formação cristã e humana, um belo e emocionante poema que transcrevo do seu blogue.
Com o mesma alegria pascal, que este nosso irmão de grande coração e coragem espelha neste poema de Luz e Paz, gostaríamos de lhe desejar um suave alívio na terrível luta que enfrenta todos os dias...estamos contigo!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!






JESUS


Rogério Martins Simões

Na terra nasceu.
Na terra brincou.
Na terra aprendeu.
Na terra ensinou.

A terra lhe cedeu
Os frutos e o mel.
O homem lhe deu
O vinagre e o fel.

Alguém o viu
Carregar a cruz.
De branco se vestiu
Seu nome era Luz.

Era poeta.
Era sonhador.
Filho e profeta.
Deus do amor.

Cordeiro imolado:
Quem tanto amou!
Da morte libertado
Ressuscitou.


Voltou! Da luz:
De luz revestido
De branco cingido,
Seu nome, Jesus.


Meco sexta-feira, 10 de Abril de 2009



(Dedicado ao saudoso Padre José Correia da Cunha)
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

PE.CORREIA DA CUNHA E OS PASTEIS DE BACALHAU

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Idolatrava os tradicionais e bem portugueses pastéis de bacalhau.




O Pe. Correia da Cunha achava que não havia nada de comparável a um bom jantar entre queridos amigos. Por essa mesma razão, fazia questão de muitas vezes se juntar para jantar em casa dos seus paroquianos mais próximos. Avisava sempre de forma antecipada pedindo que a dona da casa juntasse um pouco mais de água à sopa….todos estes amigos o recebiam calorosamente de braços abertos e para todos eles era um enorme prazer a companhia do seu prior, Pe. Correia da Cunha.



Receber o Pe Correia da Cunha era garantia de um jantar em amena cavaqueira, sem pressas e repleto daquele seu supremo talento que era transformar banalidades em coisas inteligentes (aprendia-se sempre muito com as singelas conversas de Pe. Correia da Cunha). Ainda hoje me confidenciam que recordam com muitas saudades esses jantares familiares com Pe. Correia da Cunha.









Hoje quero aqui compartilhar convosco a ‘’ameaça’’ que era receber Pe. Correia da Cunha quando lhe dava o cheiro a pastéis de bacalhau.



A entrada para a sala da mesa de refeições só era efectuada após uma arrebatada invasão à cozinha, onde se fritavam esses deliciosos e esmerados bolos de bacalhau. Pe Correia da Cunha era um insaciável por esse manjar, um verdadeiro glutão. Adorava pastéis de bacalhau, mas os da mãe de uma sua paroquiana eram sempre os melhores. Creio mesmo que desde miúdo era um fanático e devorador de pastéis de bacalhau, iguaria tão ao seu gosto e ao dos portugueses. Estou certo, se os pudesse acompanhar por um bom copo de vinho periquita, o jantar determinaria por ali na cozinha.



Por consideração e respeito aos anfitriões, lá passava à sala de refeições e as conversas seguiam alegres durante o jantar em espírito de grande amizade e fraterno convívio.



Estes frequentes jantares, nas casas de seus amigos paroquianos mais próximos, não só permitiam manter o prazer de uma apetitosa refeição, como satisfazer a necessidade de um ambiente familiar que o sacerdócio não facilitava, e que as amizades completavam.



Pe Correia da Cunha era um excelente conversador e após o jantar deixava-se levar pelos mais variados assuntos das actualidades desde a política até à religião. No final das suas longas prosas estavam todos intimamente convencidos daquilo que ele lhes transmita, e que consideravam profundos ensinamentos. Ele obrigava-os a pensar, o que era muito importante. Todos os jantares com Pe, Correia da Cunha contribuíam para aumentar os conhecimentos e abordar temas que jamais se havia pensado. Era uma fonte de sabedoria nas mais variadas temáticas.



Deixava-se levar pela noite dentro mas sempre antes de se despedir, apresentava os parabéns à excelente cozinheira e os seus mais sentidos e profundos agradecimentos ao casal anfitrião, que o recebiam sempre muitíssimo bem e com um belíssimo jantar.



Todos eles procuravam tê-lo de novo na sua casa só pelo gosto de o ouvir falar…mas em troca ficava a promessa de um nova entrada de pastéis de bacalhau.


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sábado, 11 de abril de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA E A PASCOA

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A Ressurreição é a resposta amorosa do Pai a Jesus na sua entrega filial.



Para os cristãos da Paróquia de São Vicente de Fora, o Domingo de Páscoa era o dia mais importante e incomparável do Calendário Litúrgico. Para o Padre Correia da Cunha esse domingo era muito peculiar: comemorar o nascimento e feitos da vida de uma pessoa era bastante comum e rotineiro mas celebrar a ressurreição de Jesus Cristo era algo sublime e transcendente. Um verdadeiro e autêntico acto de fé. Como Ele ressuscitou também nós havemos garantidamente de ressuscitar.



Cristo Ressuscitou! Aleluia, Aleluia, Aleluia! era a calorosa e sentida saudação pascal de Padre Correia da Cunha.

O Padre Correia da Cunha dizia que nos reuníamos na Comunidade Paroquial no domingo porque foi num domingo que Jesus Cristo ressuscitou. Era o dia mais importante da semana. Os cristãos não podiam viver sem o domingo.

Era no domingo que as famílias cristãs da Comunidade de São Vicente de Fora se reuniam na sua igreja.



Porque se reuniam os cristãos, todos os domingos na igreja da sua paróquia?

Para participarem na celebração eucarística, repetição da última Ceia de Jesus Cristo, a que Ele convidava permanentemente. A festa era muito importante e indispensável para a fé de cada um e de todos, em conjunto.








Nos anos sessenta, quem presidia quase sempre à missa paroquial das dez horas, em cada domingo, era o Padre Jose Michel. O Padre Correia da Cunha explicava toda a Liturgia, dinamizava e dirigia a grandiosa celebração.

Os sinos das torres tocavam autenticamente a lembrar às pessoas essa hora, tocando meia hora antes. A assembleia reunia, ouvia a palavra de Deus, cantava, orava e levava o pão e o vinho ao altar. Repetia-se, assim, o que Jesus fez na Última Ceia: dava-se a comungar o pão e o vinho consagrado que era o Corpo e Sangue de Cristo. Conforme já havia referido, em São Vicente de Fora, a comunhão era sempre consumada nas duas espécies.

Por fim, as pessoas regressavam às suas casas e procuravam viver cada vez mais de acordo com os ensinamentos que Deus lhes transmitia na sua Palavra, e sobretudo não esquecendo as eloquentes palavras de muita frontalidade por vezes cortantes do Padre Correia da Cunha: ‘’Celebrar a Páscoa implica dar testemunho na nossa vida da Ressurreição de Cristo. Os cristãos não podem fugir com o rabo à seringa…’’

E se recordar é viver, oxalá que revendo, em fotos a igreja completamente numa enchente para estas celebrações que marcavam bem a vida da Paróquia de São Vicente de Fora, sejamos também capazes de trazer à ribalta da nossa vida, os belos momentos que então celebrávamos e vivíamos!

O Padre Correia da Cunha, no Domingo de Festa desejava a todos uma Santa e Feliz Páscoa e a sua absoluta convicção na RESSURREIÇÃO, que o Espírito Santo lhe tinha segredado no seu coração.




VOTOS DE BOA PÁSCOA PARA TODOS! Alleluia, Allelluia, Alleluia!


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terça-feira, 7 de abril de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA – A NOSSA IGREJA

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No seguimento à publicação dos textos da autoria do Pe. Correia da Cunha, denominados Lisboa Antiga e Voto do Primeiro Rei de Portugal , é chegada a hora de proceder à edição do último intitulado, A NOSSA IGREJA.
Conforme foi referido, os seus originais destes textos estão redigidos em língua francesa. Só graças à prestável e amável colaboração da Drª. Maria Luísa Trincão de Paiva Boléo é possível tornar visíveis estes textos inéditos na língua de Camões.






São Vicente de Fora é um dos mais grandiosos e nobres monumentos religiosos de Lisboa.





No Largo de São Vicente, as fachadas da Igreja e do antigo Mosteiro dos Agostinhos, formam um imponente conjunto. A grande escadaria central conduz aos três pórticos simétricos da igreja, encimados por nichos emoldurados que são coroados por outros maiores, contendo as estátuas de Santo Agostinho, ladeado por S. Sebastião e S. Vicente.

Entra-se no Santuário por um pórtico rectangular o qual, passada uma porta de colunas caneladas, se abre para a nave da igreja, com mais de 70 metros de comprimento. A abóbada em berço é realçada por caixotões de pedra branca e cinzenta num fundo de estuque cor-de-rosa. No transepto, uma cúpula altiva que abateu em 1755. O transepto do lado esquerdo conduz a uma capela revestida de mármore e mosaicos florentinos, o da direita a uma capela ornamentada de talha dourada.










Numa balaustrada de mármore separa a nave do altar-mor de duas faces, encimado por um altíssimo baldaquino de quatro colunas de madeira, cujo desenho se deve a Joaquim Machado de Castro. As bases das colunas estão rodeadas por oito grandes estátuas barrocas de madeira, obras dos discípulos de Machado de Castro, Alexandre Gomes e António dos Santos. Duas estátuas ainda maiores, da autoria de Manuel Vieira, erguem-se por cima do arco das portas que dão acesso ao coro dos cónegos, onde se encontra – majestoso, face á nave da igreja – o órgão de S. Vicente. A galeria que o sustenta tem três mísulas a maior delas dominada por três pequenas estátuas de figuras femininas. Toda a fachada do órgão é ricamente ornamentada com talha dourada, as almofadas pintadas de verde com filetes de ouro, segundo o gosto da época.


Há ainda a considerar o claustro duplo onde se podem admirar azulejos do Sec. XVIII. Trinta e quatro dos painéis reproduzem as fábulas de La Fontaine.
Não se pode também esquecer o Panteão da Dinastia de Bragança, a portaria com seus quadros, os seus azulejos, a sua balaustrada de mármore e de jacarandá, nem a Sacristia, com os seus mármores policromos embutidos, os seus móveis de jacarandá e de bronze dourado.

São Vicente constitui um incomparável museu do azulejo, quer pelos claustros quer pelas escadarias e dependência das antigas residências dos patriarcas.

Texto de Pe. José Correia da Cunha





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sábado, 4 de abril de 2009

PE CUNHA E OS HOMENS PEQUENINOS

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Empenhava-se no nosso desenvolvimento com profundidade num trabalho que projectava os nossos ideais para o futuro.





O tempo passa por nós e nem damos conta...


Lembro-me de termos sete anos e de andarmos nas escolas primárias…, de ajudarmos à missa ao Padre Correia da Cunha na paróquia de São Vicente de Fora e de frequentarmos os catecismos nacionais.

Lembro-me dos miúdos que nós éramos. Putos com ares de reguilas à solta nos imensos claustros do Mosteiro de São Vicente de Fora, rompendo em arrebatadas gritarias aquele silêncio sepulcral.

Lembro-me das longas repreensões de Pe. Correia da Cunha. Quando chegava era sentido o” medo ‘’ digo respeito pois, como crianças, não lhe sabíamos ler o olhar. Só depois de pedida a bênção vinha a carícia para os garotos, que sempre ajudava a crescer física e intelectualmente. A sua convicção era a de que seríamos GRANDES HOMENS.

Os porquês dos afectos são incógnitas constantes que nos acompanham durante toda a nossa vida. Não sabemos porque razões se gostam das coisas, das pessoas e dos lugares. Gostamos e pronto... Sem mais explicações... Sem mais perguntas. Não vale a pena tentarmos encontrar razões para o que não as tem.

Como referia Pe. Correia da Cunha, há que sabermos viver e reviver os momentos a cada momento. Mas a sua grande meta a conquistar era tornar-nos GRANDES HOMENS.




As fotografias que hoje publico mostram como a memória é mágica e tem a capacidade de trazer até nós os tempos que já passaram. Espero que através delas possamos aprender que a amizade era algo que Pe. Correia da Cunha nos ajudou a cultivar e a desenvolver, e que hoje, continuamos a viver porque somos todos GRANDES HOMENS.












Temos saudades daqueles putos reguilas. Temos saudades do tempo em que tudo era possível...



Daqueles tempos em que bastava fecharmos os olhos e sonharmos... Temos saudades das palavras de grande mestria e sabedoria do Padre Correia da Cunha, que nos passavam a certeza que todos seríamos GRANDES HOMENS, não aceitava uns homens pequeninos.

Gostávamos todos de ter outra vez sete anos e voltar a entrar na escola...e aprender tudo outra vez...e a crescer outra vez...
Sabemos que o tempo não volta para trás…e o que não vamos voltar a ser é homens pequeninos!
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quinta-feira, 2 de abril de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA – TRINTA E DOIS ANOS

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IN MEMORIAM




Pe. JOSÉ CORREIA DA CUNHA

1917-1977



Faz hoje precisamente trinta e dois anos que, em 2 de Abril de 1977, se apagou o brilho de uma grande estrela: Pe. Correia da Cunha. Nesse ano, acabou por não celebrar a Grandiosa Festa da Páscoa que ele tão alegremente engrandecia e bem expressava nas suas instintivas e calorosas saudações de: Aleluia! Aleluia! Aleluia!



A sua passagem para junto do Pai Celestial ocorreu no sábado anterior ao Domingo de Ramos. Padre Correia da Cunha deixou em todos uma dor no coração. Privados de um grande e Querido Amigo, ardia nos nossos peitos o amor que ele nos transmitiu.

A sua grandiosa obra ficará para sempre e por muitas e muitas gerações. Cada pequeno espaço de São Vicente de Fora respira um pouco do Pe. Correia da Cunha.

A bondade, sinceridade e frontalidade deste grande homem de fé, de elevada cultura, e grande sabedoria litúrgica contagiava todos os que tiveram o privilégio de o conhecer.



A Igreja de Lisboa perdia um dos seus mais cultos clérigos, disse-o Cardeal Patriarca D. António Ribeiro, ao ser-lhe transmitida a triste noticia. A Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora ficou despojada de um grande pastor que marcou indelevelmente um tempo e várias gerações.

Porém temos uma certeza, a que ele foi e será hoje o inspirador do nosso empenhamento na nossa vida em sociedade e na nossa acção ao serviço da Igreja.


Padre Correia da Cunha era uma pessoa que estava presente em todos os grandes acontecimentos das nossas vidas. Sempre com uma inteligência brilhante e penetrante e de uma sábia mestria, se tinha a criticar fazia-o de uma forma muito velada. Gostava mais de apontar caminhos que reprovar ou julgar atitudes.

Sempre actualizado sobre a vida da Igreja, passava as noites lendo e estudando todas as novidades editoriais na área da teologia, liturgia e sagrada escritura, fazendo-o por puro amor aos seus paroquianos e à Igreja. Era um homem extremamente culto e gostava de estar actualizado.

Lembramos com muito afecto as celebrações da Semana Santa, que enchiam a igreja com cristãos vindos de todas as paróquias de Lisboa, e em que Pe. Correia da Cunha colocava na liturgia uma grande vivência: o sofrimento humano comparado ao de Jesus Cristo que continua a sofrer por nós. Tudo o que fazia era marcado pelo seu grande entusiasmo, apontando uma espiritualidade que a todos comovia.

Pouco se preocupava com a gestão material da igreja, o seu pensamento estava nas pessoas, e a razão era simples, o Cristianismo não era uma doutrina mas um encontro com uma Pessoa de onde brotava uma amizade. Vale a pena recordar hoje a vivência cristã de Pe. Correia da Cunha, pois nela pode estar o segredo da nossa actual humanidade: Viver a vida profundamente segundo os ensinamentos de Jesus Cristo e solidários com o nosso próximo.


Mais do que espalhar aquela que considerava a vivência cristã, Pe. Correia da Cunha construi à sua volta uma verdadeira comunidade de voluntários que se apaixonaram pelo trabalho aos mais necessitados dado o empenhamento e paixão, que era imprimido pelo seu mestre. Como ele dizia: - Vivemos hoje a palavra de Deus na prática. Aprendemos a amar a nossa Igreja pela transmissão do seu amor por ela.


Assim foi a vida desse magnífico sacerdote de uma enorme generosidade ao serviço dos seus paroquianos.


Jesus recebeu-o no céu com os coros dos anjos. Está em paz o nosso saudoso e querido amigo, sacerdote, pai espiritual e companheiro de muitas jornadas.


O Funeral de Pe Correia da Cunha congregou uma enorme multidão que se estendeu da Igreja de S. Vicente de Fora até ao Cemitério de Alto de São João. Era muito apreciado, mesmo por gente que não era muito frequentadora da Igreja, mas que acabou por ser muito marcada pela inteligência, frontalidade e invulgar cultura deste homem, que durante 17 anos serviu a Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.


Ajudem-nos a manter a sua memória viva com envio de testemunhos e documentos.





Repousam no Cemitério do Alto de S. João os restos mortais de Padre José Correia da Cunha, no ossário n.º 36831 localizado na Rua 57A.

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quinta-feira, 26 de março de 2009

PE CORREIA DA CUNHA E A "PROFISSÃO DA MISÉRIA’’

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A «pobreza envergonhada» sofre de alma apertada.




A Igreja Paroquial de São Vicente de Fora estava localizada num zona privilegiada do centro urbano de Lisboa. Era também um local com história, lugar de abrigo e de paragem de muitos pobres oriundos da província, nos anos cinquenta e sessenta. O ponto obrigatório dessa rota era a Estação de Santa Apolónia. Muitos pedintes subiam à Igreja Paroquial de São Vicente de Fora para se socorrem da caridade cristã.



Pe. Correia da Cunha era diariamente interpelado e solicitado por estes novos desgraçados da cidade, com vidas de dor e sofrimento, sem eira nem beira, procedendo à entrega de roupa através do roupeiro da Conferência de São Vicente de Paulo e convidando-os a almoçarem.



Sob o seu comando, lá se deslocava com esses seus irmãos para o Campo de Santa Clara. Na casa de pasto do seu amigo Salgado e sua esposa Glória Salgado, Pe. Cunha transmitia a seguinte ordem:



- Podem comer tudo o que quiserem, mas começando com uma boa sopa e no tocante à bebida apenas um copo de vinho (penalty), sem direito a repetição.



Quando regressava do seu almoço diário, com a direcção das OGFE, encarregava-se de proceder à liquidação das refeições desses seus convidados, para quem o mundo era tão injusto, e evitava sempre a entrega de numerário por não saber o fim a que se destinava.


Recordo que um dia um casal de meia-idade se dirigiu ao Cartório Paroquial de São Vicente de Fora rogando a caridade de Pe. Correia da Cunha, com a seguinte história:

- Eram de uma pequena aldeia junto de Braga. Tinham vindo para Lisboa à procura de melhor vida. O dinheiro que tinham amealhado para esta aventura, com tanto sacrifício, esforço e dor já se tinha acabado e perante a frustração da grande cidade, desejavam regressar à sua terra natal, onde por certo viveriam melhor. A sua grande aflição era que não tinham dinheiro para o fazerem.

Pe. Correia da Cunha, deveras sensibilizado com tão lamentável situação, pediu que aguardassem que ele celebrasse a missa da tarde e depois cuidaria das suas necessidades.

Assim, depois das 19 horas pediu ao casal que nos (a mim e a ele) acompanhassem e lá nos dirigimos para a Estação de Santa Apolónia. Pelo caminho, Pe. Cunha perguntava ao casal qual a estação de comboio mais próxima da sua terra de origem, ao qual eles responderam prontamente.

Eu, que os acompanhava, não sabia onde seria a invasão. Dentro de algum tempo estávamos nas bilheteiras da Estação de Santa Apolónia, onde Pe. Correia da Cunha procedeu à aquisição de dois bilhetes para o destino indicado pelo casal.





Quando se preparava para lhes abonar os referidos bilhetes, transmitiram a Pe. Correia da Cunha que era mentira e não desejavam regressar à sua origem. Pe. Cunha, que na outra mão tinha escondida uma nota de cinquenta escudos para lhes proporcionar o jantar e alguma outra despesa, ficou furioso.



Perante esta nova informação e completamente decepcionado, Pe. Correia da Cunha agarrou no indivíduo pelas golas do casaco e disse-lhe com toda a frontalidade:

- Seu pulha, ganhe vergonha nessa cara e deixe de enganar as pessoas! Há quem seja realmente necessitado e precise de ajuda! Já pensou nisso seu safardanas?!

Por especial favor e delicadeza do funcionário da CP, foi possível reaver o dinheiro contra a entrega dos bilhetes, o que não era habitual nessa época.

- Isto é inconcebível e vergonhoso! Espero que, pelo menos, fique com problemas na consciência. Nunca devemos enganar a boa fé do nosso semelhante.



Na subida para São Vicente, Pe. Correia da Cunha confidenciava-me que tinha muito mais tristeza e pena dos que se escondem na vergonha de pedir ajuda ao seu próximo, e que não sabemos onde se encontram, e cujo a solidão os ataca sem remorsos sofrendo no oculto a sua dramática vida… do que daqueles que fazem profissão da sua miséria…
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segunda-feira, 23 de março de 2009

PE. CUNHA - O VOTO DO PRIMEIRO REI

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D. AFONSO I - PAINEL AZULEJOS  SALA PORTARIA S.VICENTE DE FORA

TEMPLUM SANCTI VICENTI MARTYRIS




No seguimento à publicação do primeiro texto da autoria do Pe. Correia da Cunha, denominado Lisboa Antiga, é chegada a hora de proceder à edição do segundo, intitulado O VOTO DO PRIMEIRO REI DE PORTUGAL.

Conforme foi referido, os seus originais estão redigidos em língua francesa. Só graças à prestável e amável colaboração da Drª. Maria Luísa Trincão de Paiva Boléo é possível tornar visíveis estes textos inéditos na língua de Camões.



Em Junho de 1147, o Rei D. Afonso Henriques cerca Lisboa dos árabes que se circunscrevia ao actual Castelo. Os cruzados ingleses, gascões e bretões colocam-se a oeste do Castelo, numa colina que deveria ser o Monte dos Mártires; os Flamengos e os de Colónia a leste no actual Campo de São Vicente e os Portugueses instalam-se um pouco mais a norte, junto dos Alemães, no local onde se encontra hoje a Graça. Perante os prelados do Porto e de Braga, ali presentes, o rei faz o voto de construir, depois da vitória, dois templos à glória dos cavaleiros mortos pela Fé e pela Nação Portuguesa.


O cerco de Lisboa durou quatro meses, a 24 de Outubro de 1147, o primeiro rei português, a quem os mouros chamavam IBN ERIC tomava o Castelo e dava logo execução ao seu voto. A capela dos Mártires foi construída na colina ocidental e desapareceu com o terramoto de 1755, a leste, foram erguidos a igreja e o mosteiro de São Vicente. No Sec. XVI foi descoberta uma pedra com uma inscrição latina, a qual consideradas as diferenças entre os calendários juliano e gregoriano – fixa em 21 de Novembro de 1147 a consagração:








HOC TEMPLUM AEDIFICAVIT REX PORTGALIAE
ALPHONSUS I IN HONOREM BEATAE VIRGINIS ET
SANCTI VICENTI MARTYRIS X CALEND
DECEMBRIS SUB ERA MCXXXV…





A igreja e o mosteiro situavam-se, pois, no exterior das muralhas árabes: daí a designação de São Vicente de Fora que persistiu até aos nossos dias. A designação também lhe deve vir do facto da paróquia desde o início estar fora da jurisdição episcopal.

O primeiro administrador do minúsculo templo de São Vicente que, a pouco e pouco, se construía sobre a parte oriental do cemitério dos cruzados vitoriosos, foi um alemão chamado D. Vivario, enquanto D. Gilberto, cruzado inglês era Bispo de Lisboa desde a conquista. O primeiro abade do mosteiro foi um flamengo, D.Gualtero, vindo da abadia Premonstratense, na Picardia, da Ordem de Stº Agostinho à qual o Rei D. Afonso Henriques tinha confiado o mosteiro.

Os Agostinhos ficaram em S.Vicente até ao Sec. XVIII, ocasião em que D. José I transferiu a ordem para o Convento de Mafra.











O primeiro edifício parecia-se mais com uma fortaleza do que com um templo. Embora os reis da primeira dinastia o tenham contemplado sempre com benefícios e D. João III tivesse ordenado obras de uma certa amplitude, S.Vicente estava em estado bastante deplorável na época de D. Sebastião.

Talvez por Portugal se ter voltado para ‘’novos mundos…’’.
D. Sebastião alimentava simultaneamente uma dedicação profunda á igreja e ao convento fundados pelo primeiro Rei Português e uma devoção muito particular ao seu santo patrono, o mártir S. Sebastião, invocado contra a peste.


Esse flagelo dizimava Lisboa em 1569: o rei fez então o voto de construir um templo importante em honra de S. Sebastião. Mas, terminada a peste, tardou em escolher o local para o novo templo até resolver que este fosse erguido no Terreiro do Paço, a actual Praça do Comércio: a primeira pedra foi colocada em 1571. Em 1573, quando o rei embarcou para a África do Norte, as obras estavam ainda muito atrasadas, a derrota de Alcácer-Quibir, em 1578, tendo como resultado a anexação de Portugal pela Espanha, interrompeu definitivamente a construção.

Atribui-se a D. Sebastião o projecto de uma completa reedificação de S.Vicente. Quem a havia de realizar, seria o ‘’usurpador ‘’ Filipe II de Espanha: interessava-lhe tanto agradar aos habitantes de Lisboa que, logicamente não o tinham em grande apreço como manifestar todo o esplendor do seu poder. A ordem real chegou de Madrid a 16 de Novembro de 1590 e os trabalhos começaram, embora com alguma lentidão: desmancharam-se primeiro as construções medievais, nos fundamentos das quais foi encontrada a pedra com a inscrição latina (actualmente perdida), foram utilizados os materiais utilizados ou previstos para a igreja de S. Sebastião iniciada no Terreiro do Paço.



O arquitecto designado por Filipe II era um bolonhês, Filippo Terzi, que vivia em Portugal desde 1577. Tinha tomado parte na batalha de Alcácer Quibir, entre as fileiras do exército português, fora ferido, feito prisioneiro e depois da intercessão a seu favor do Cardeal D. Henrique, fugiu de Marrocos, regressando a Portugal.


Em 1590, foi nomeado ‘’mestre das obras reais e encarregado da reconstrução de S.Vicente, na qual deve ter trabalhado juntamente com vários discípulos, pois os dois planos de reedificação que se conhecem são assinados pelo arquitecto português João Nunes Tinoco.


É provável que os trabalhos não tenham atingido grandes proporções senão por volta de 1598-99, apesar de Filipe II ter vindo a Lisboa inaugurar os fundamentos do novo mosteiro a 15 de Agosto de 1582.

Felipe Terzi, artista famoso, morreu em 1599, sucedendo-lhe Leonardo Turriano. Os verdadeiros arquitectos foram, pois, Turriano, Tinoco (que já trabalhavam na obra) e Baltazar Álvares, o autor do projecto da igreja de S. Sebastião do Terreiro do Paço. O plano original de Terzi, concebido num estilo Renascença muito italianizado, foi parcialmente alterado para adaptação aos materiais destinados inicialmente á Igreja de S.Sebastião.

As obras prosseguiram durante todo o início do Sec. XVII, ou seja, durante quase cinquenta anos. Metade da Igreja estava construída em 1605 e pôde-se assim transportar a custódia da igreja antiga para o altar-mor da nova.


A inauguração teve lugar a 28 de Agosto de 1629, festa de Santo Agostinho.


Quanto ao mosteiro, as obras continuaram ao longo desse século e até princípio do Sec. XVIII. O imponente conjunto só devia ter sido completamente acabado há poucas décadas quando o terramoto de 1755 fez desabar a cúpula, uma parte da fachada e a ala sul do transepto, provocando, além disso, prejuízos consideráveis em quase todo o templo (1), o que exigiu longos trabalhos de reconstrução: de facto, só foram mais ou menos poupadas a Capela-Mor e as salas contíguas.


(1) – Toda a igreja ‘’ se pôs a dançar como fazem os barcos em cima das ondas’’, diz um manuscrito da época.

S. Vicente de Fora é, pois, um monumento do Sec. XVI, animado pelo espírito clássico.
Pela majestade da sua arquitectura é - mais ainda do que a Sé Catedral – o edifício religioso mais importante de Lisboa. Entre, os historiadores da Renascença Portuguesa, Albrecht Haupt coloca-o entre as mais relevantes construções do país, ou mesmo da Europa, e Walter Watson comenta que o interior da igreja produz uma magnífica sensação de esplendor e grandeza, constituindo um dos templos clássicos mais maravilhosos que existem.

A fachada e as duas torres de calcário, extraído das pedreiras de Alcântara e do próprio local de S. Vicente dominam – frente a encosta do Castelo – a cidade antiga e o estuário do Tejo.


Texto de Pe. José Correia da Cunha


























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sexta-feira, 20 de março de 2009

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA

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Os amigos que partiram…
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IN MEMORIAM

ANA AUGUSTA MARIA THEMUDO BARATA



1922-1982





Ana Augusta Maria Themudo Barata (1922-1982), natural de Aveiro, nasceu no dia 6 de Fevereiro de 1922.


Grande mestra e educadora de infância e adolescência na Comunidade de São Vicente de Fora, Anita Themudo Barata foi uma excelente catequista. Dotada com os dons da fé e de serviço aos outros que Deus lhe conferiu, e que tão sabiamente soube trabalhar e desenvolver, Anita deixou um grande legado. Este fala, por si, através dos tempos e gerações que com ela conviveram e aprenderam a servir a Igreja. Testemunho convictamente que Anita, em vida, muito se empenhou na vivência e transmissão destas suas excepcionais e nobres qualidades. Foi uma grande mulher de Deus e do serviço à catequese.


Quando a conheci admirava a sua sobriedade, o seu jeito tranquilo, passando boa parte da minha adolescência e juventude compartilhando, com enorme prazer e apanágio, a sua convivência. É lembrando os bons frutos que plantou em mim e em milhares de crianças e adolescentes, da Paróquia de São Vicente de Fora, que em nome de todos quero prestar esta singela homenagem a essa brilhante educadora da fé cristã.

Tenho uma doce lembrança que nunca se apagará da minha memória. Em 1970, sendo a Anita presidente da Catequese Paroquial de São Vicente de Fora e tendo eu apenas quinze anos, manifestei-lhe o meu profundo desejo de ser catequista. Com muita ternura, amor e carinho, disse-me que iria fazer eco dessa minha vontade junto de Pe. Correia da Cunha.


Dias depois, Anita contagiava-me com o seu sorriso. Senti um aperto e ela rompeu o silêncio para me transmitir que seria catequista do pré-catecismo no próximo ano catequístico. Que noticia mais feliz! Com as suas ajudas, incentivos e ensinamentos elegi essa minha vocação durante mais de 25 anos ao serviço da Comunidade de São Vicente de Fora. Lembro que apenas com quinze anos, Pe. Correia da Cunha reconhecia que a minha postura e pensamentos eram já muito amadurecidos para essa nova missão que me confiavam.


Anita Themudo Barata nunca iniciava uma sessão de catequese ou de trabalho sem passar, antes e depois, pela Capela do Santíssimo a pedir a Luz de Deus e dar-lhe Graças.


Como membro do Conselho Paroquial, Anita foi um exemplo de dignidade nos ensinamentos, conversas e gestos que apresentava para a defesa da união e construção de uma comunidade mais fraterna, humana e solidária sobretudo com a infância e adolescência, que à época alguma enfrentava muitas privações.


No final da década de 60 foi a primeira funcionária nomeada da Universidade Católica Portuguesa, cuja biblioteca fundou ainda no edifício do Mosteiro de São Vicente de Fora e que mais tarde ajudou a transitar para as instalações da Universidade Católica Portuguesa, na Calçada da Palma de Baixo, onde posteriormente se responsabilizou pela mesma. Trabalhou a partir de 1980 no Patriarcado de Lisboa onde foi assessora da Conferência Episcopal Portuguesa.

Não posso deixar de publicar estas suaves e doces palavras de ANITA THEMUDO BARATA.




… E O MUNDO PODE MUDAR!



Às vezes basta um sorriso,
um simples gesto, um olhar,
um pouquinho de ternura…
e o mundo pode mudar!

Às vezes saber ouvir,
estar atento, dialogar,
um pouco de compreensão,
e o mundo pode mudar!

Às vezes darmos a mão
e sabermos perdoar,
um pouco de confiança,
e o mundo pode mudar!

Às vezes sermos capazes,
de em nós tudo calar,
para ouvir o coração…
e o mundo pode mudar!

Às vezes saber agir,
quando apetece parar,
pondo em tudo harmonia,
e o mundo pode mudar!

Às vezes erguer as mãos,
quando é preciso rezar,
sabermos dizer o ‘’sim’’…
e o mundo pode mudar!




No dia 27 de Janeiro de 1982, foi repousar na Glória de Deus. Hoje é um anjo no céu, olhando por todos nós que fomos seus dedicados amigos e que partilhámos, com ela e seu amigo e Pastor Padre Correia da Cunha, tão gratificantes e fraterno momentos de partilha cristã na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.
São Vicente de Fora guarda-a em seu coração! Deixou em todos muitas e profundas
Saudades.


E não podemos nunca esquecer as suas últimas palavras antes de partir para o Pai:

- SINTO-ME COMO UMA BARCA QUE PARTE PARA A OUTRA MARGEM!


O SENHOR JÁ RECEBEU NA SUA GLÓRIA ESTA NOSSA QUERIDA IRMÃ.









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quinta-feira, 19 de março de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA E A 1ª COMUNHÃO

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O VERDADEIRO AMOR É UMA DÁDIVA DE DEUS. O AMOR NÃO SE DEFINE, SENTE-SE.




Bem doutrinados ao longo de três anos de catequese, chegava o tão esperado Dia da Primeira Comunhão. Dia de grande Festa! Aquela quinta-feira santa era importante para todos. Não só se celebrava a primeira comunhão como se comemorava a primeira missa, repetição da Última Ceia em que Jesus instituiu este sacramento.

O Padre Correia da Cunha escolhia sempre esta data para esse grandioso evento na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.


A cerimónia ocorria durante a parte da tarde, na Igreja Paroquial de São Vicente de Fora, completamente lotada, em tempo de semana santa. A doutrina estava bem sabida, sem falhas. O Padre Correia da Cunha, que a todos dedicava um grande afecto, queria-nos distinguir naquele dia, preparando-nos uma pequena oração para lermos durante a oração universal.


Muito cedo chegávamos à igreja com os nossos fatos brancos, sapatos novos e as meninas nos seus vestidos alvos, parecendo umas autênticas noivas. Alinhados à direita e à esquerda do altar, ao longo da nave, os avós, os pais, os tios e os primos tinham os olhos postos nas princesas e príncipes desta grande festa.



Começava a bonita cerimónia e a festa lá ia decorrendo em harmonia com os ritos, e em esplêndido cerimonial. Antes do importante discurso e de recebermos pela primeira vez o Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, o Padre Correia da Cunha ajoelhava-se diante de 12 dos seus pobres e começava a lavar-lhes os pés, numa atitude de humilhação, fragilidade, súplica e submissão.



"Jesus pegou uma toalha e cingiu-se com ela. Depois colocou água numa bacia, e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido"(Jo 13, 4-5).


Em todas estas festas da semana santa eram habitualmente escutados extensos sermões de Padre Correia da Cunha, autênticas peças admiráveis da oratória sagrada e que o povo, em respeitoso silêncio, ouvia com muito agrado. Estas eram as maiores oportunidades que o povo tinha de ouvir o seu estimado pároco.





  






Grande especialista em Liturgia da Semana Santa,  o Padre Correia da Cunha buscava um equilíbrio entre Ritos, procurando dessa forma que o mistério perene da Salvação fosse celebrado com muita dignidade e postura. Aproveitava as celebrações da Semana Santa, cuja participação da comunidade era muito considerável, como força impulsora a da sua evangelização nesses tempos fortes.

Finalmente chegava a temida hora do discurso. Subíamos então ao alto de um banco, transformado em púlpito, e fazia-se um silêncio profundo. Numas vozitas trémulas e receosas, os discursos começavam empolados em estilo de retórica sacra.


Para todos, aquelas palavras assumiam desde logo o aspecto de um "importante" discurso pois eram ditas no decurso de uma relevante cerimónia.


O cerimonial da Quinta-Feira-Semana era muito longo e lembro-me da imensa paciência para guardar o rigoroso jejum, como era de regra antes do Concílio Vaticano II. Nessa altura, comer fosse o que fosse, antes de receber a Sagrada Comunhão, era considerado pecado.





PADRE CORREIA DA CUNHA, ACOL. REIS E VALENTINA





Em fila indiana lá nos dirigíamos ao altar para receber, naquela divina hora, o pão e o vinho (para o Padre Correia da Cunha a comunhão era sempre nas duas espécies). Quando os tomávamos, sentíamos descer o bálsamo inspirador do próprio Espírito Santo que enchia, de um amor muito profundo, o nosso coração. E em profundo recolhimento agradecíamos:

- Obrigado, Jesus, por teres querido fazer do meu coração a casa onde Tu queres habitar. Eu gosto de receber-te, Jesus.


Entretanto, nos Claustros da Paróquia, havia uma grande azáfama. Era dia de grande festança e preparavam-se por ali várias qualidades de doces, saborosas sandes e não era esquecido o delicioso leite com chocolate.O  Padre Correia da Cunha gostava de proporcionar a todas estas crianças um excelente lanche que comiam lambareiramente num grande ambiente de convívio e de muita alegria fraterna.


Eram assim os dias da Primeira Comunhão nos anos sessenta, que todos revivemos com uma imensa saudade.


Também eu sinto nostalgia desse dia único. Gostaria que todos os que possuam crónicas e fotos do seu dia de Primeira Comunhão, com o Padre Correia da Cunha, as divulgassem através deste blogue. Seria muito reconfortante para todos revisitarem esses doces momentos.

No próximo texto deste blogue irei prestar uma singela homenagem à nossa querida ANA THEMUDO BARATA (ANITA), presidente da Catequese Paroquial de São Vicente de Fora, desde finais dos anos sessenta até inícios dos anos oitenta e com quem tive o privilégio de trabalhar em perfeita simultaneidade como representante da Comunidade de Catequista, junto da Vigararia I do Patriarcado de Lisboa. 

Recordo com muita saudade esta querida amiga.

















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segunda-feira, 16 de março de 2009

PE CUNHA E O SACRAMENTO DO MATRIMÓNIO

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‘’ Eles já não são dois mas um só…’’



Um casamento era sempre uma grande e jubilosa notícia numa Comunidade Paroquial como a de São Vicente de Fora. Era um verdadeiro acontecimento de emoções. Ouviam-se os sinos da Igreja tocarem. Que alegria! Era um dia festivo para os noivos e uma oportunidade de reencontros tantas vezes adiados para os convidados. O casamento da Guida, responsável pelo Cartório Paroquial de São Vicente de Fora nos anos sessenta, valoriza imenso a colecção autêntica deste blogue, não só pela representatividade do acto mas pela excelência que este registo encerra.



A Guida marcou muitos dos paroquianos de São Vicente de Fora pela sua brilhante dedicação ao serviço da Comunidade Paroquial. Era aquela amiga que sempre tinha um brilho nos olhos e um sorriso na boca para contagiar as pessoas que a envolviam. Ela encontrava-se totalmente disponível para ajudar e apoiar os que dela precisavam. A sua postura era de uma elevada sensibilidade e possuidora das mais refinadas e caridosas emoções.

O tempo completa as nossas memórias a um ritmo constantemente imparável. Sempre na sua evolução, hábitos se alteraram, comportamentos se modificaram e até formas de apresentação em sociedade se actualizaram. No entanto, há uns quantos eventos sociais em que os princípios vão teimosamente perdurando inalteráveis no tempo, independentemente das evoluções naturais que sempre as transições geracionais produzem socialmente. É o caso dos casamentos canónicos, onde noivos e convidados sempre se fazem mostrar com o que de melhor têm no guarda-roupa para estas ocasiões solenes.

E nesse já longínquo ano de 1966, a regra se acatava, podendo-se ver nesta foto os nossos saudosos e queridos amigos: Anita Themudo Barata e Carlos Barradas, todos aperaltados com todo o imprescindível rigor cerimonioso.


O casamento da Guida, presidido pelo seu grande amigo Pe Correia da Cunha, será o primeiro a publicar neste blogue. É nos casamentos que acontecem os grandes encontros familiares e de uma forma geral, a reunião das pessoas consideradas mais chegadas por laços de amizade. Os catequistas de São Vicente não fugiam a esta prática, fazendo parte integrante da família da formosa noiva.





Por tradição, todo o envolvimento é registado fotograficamente, mas há um momento sempre indispensável neste tipo de cerimónia: o retrato de grupo. Utilizando essa enorme possibilidade de podermos recordar, de uma forma mais abrangente, os casamentos de muitos amigos de Pe. Correia da Cunha e dos amigos de São Vicente de Fora de várias gerações, ocorreu-me a ideia de dirigir a todos estes, um aliciante desafio, o de contribuírem para a publicação, aqui no blogue de Pe. Correia da Cunha, com esses testemunhos tão especiais para todos os que amam São Vicente de Fora desde a sua infância e ali fizeram questão de celebrar esse importante e memorável evento. Aguardo as vossas contribuições.


A Guida foi viver com o seu marido para o Alentejo, pelo que após a sua partida se sentiu muito a sua falta e uma enorme saudade. Mas nem a distância cessou essa enorme amizade. Pe. Correia da Cunha, quando organizava viagens com os seus paroquianos e catequistas às sublimes vilas e cidades deste nosso belo Alentejo, lançava sempre o desafio à Guida e família para se encontrarem com os seus antigos e fiéis amigos da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora. A ideia era, acima de tudo, compartilharem recordações comuns porque a amizade nunca acaba mesmo que o espaço nos possa separar.

Mesmo que as pessoas reorganizem as suas vidas, os amigos devem ser amigos para sempre, e era sempre um enorme prazer e felicidade partilhar as memórias de São Vicente de Fora, com a Guida, quando Pe. Correia da Cunha era seu prior.



PORQUE A AMIZADE NÃO SE EXPLICA ELA SIMPLESMENTE ACONTECE!!!!







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