sexta-feira, 30 de outubro de 2009

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA

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IN MEMORIAM



MONSENHOR FRANCISCO ESTEVES DE JESUS

1871-1959


50 ANOS DE SAUDADE





Monsenhor Francisco Esteves de Jesus (1871-1959) foi pároco de São Vicente de Fora (1900-1959).Nasceu em Vila de Viçosa no ano de 1871.

Passa este ano cinquenta anos da sua morte. Considero ser um dever relembrar esta majestosa figura possuidora de uma alta grandeza interior de ânimo, bem como de um espírito verdadeiramente superior, inteligente e grande carisma. Homem dotado de uma grande Fé e Amor a Deus e ao próximo.

Segundo testemunhos de muitos paroquianos ainda hoje vivos, Mons. Esteves encantou sucessivas gerações de jovens a quem proporcionou educação literária e religiosa, não tendo deixado de transmitir o seu testemunho de homem de uma grande FÉ. Mons. Esteves foi um insigne pedagogo e formador, utilizando métodos pedagógicos pioneiros no campo dos audiovisuais e produzindo ele próprio slides em chapa de vidro, para projecção nas sessões de Doutrina Cristã.

Mons. Francisco Esteves foi um grande lutador, inquebrantável e pertinaz, muito atento aos problemas dos mais desfavorecidos. Levou a efeito muitas obras no domínio do apostolado social. Destaco a criação das escolas primárias, com cantinas sem custo para os seus utilizadores. Porém, a jóia de Mons. Francisco Esteves era o Patronato Nuno Álvares Pereira, onde acolhia muitos jovens, proporcionando-lhes a prática do desporto, acções teatrais e musicais, assim como passeios educativos e religiosos.

Ainda hoje há quem recorde com grande emoção o seu imenso trabalho pedagógico de instrução, catequético e de formação moral e cívica, no Patronato de Nuno Alvares Pereira, fundado por ele no ano 1905.

Dotado de grande sensibilidade musical criou vários agrupamentos dedicados à música e ao canto religioso e profano. Saliento aqui a Schola Cantorum dedicada ao canto gregoriano e que teve uma imensa repercussão na época, sendo muito solicitada para participar em actos litúrgicos nas várias dioceses do país.

Pelos relevantes serviços prestados em prol dos mais necessitados, foi reconhecido pelo Governo Português ao condecorá-lo com a Ordem de Benemerência (Diário da Republica nº 173 de 27 de Julho de 1959)

Maior atributo recebeu ao ser acolhido por Deus, que servira com total entrega e bondade, no dia 28 de Dezembro de 1959, onde hoje continuará a interceder por todos os servidores da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.

Foi este notável pastor que Padre Correia da Cunha substituiu ao tomar posse como Pároco de São Vicente de Fora, no ano de 1960. Por testamento herdaria todo o seu património material mas creio que igualmente Padre Correia da Cunha condignamente soube perpetuar e desenvolver o seu grande património moral e espiritual.
Penso, sinceramente que se deveria começar a pensar numa homenagem pública a estas duas importantes figuras que honrosamente serviram a Freguesia de São Vicente de Fora em Lisboa.


Para quem pretenda aprofundar a figura de uma época da Paróquia de São Vicente de Fora – Mons. Francisco Esteves - poderá fazê-lo através da consulta da Revista Olisipo de Dez.1999, que apresenta um magnifico trabalho do Prof. Dr. J. Gomes da Silva e António Geraldes Simões.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA E O EXAME DE CONSCIÊNCIA

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VINDE ESPÍRITO SANTO…




Advirto desde já que uma reflexão em torno do tema da liberdade deverá ser prudente. Já o Padre Correia da Cunha nos alertava que não havia ninguém mais livre e com maior soberano respeito à liberdade que o próprio Deus, que nos criou sem nos obrigar sequer a acreditar NELE. Deus era a própria Liberdade. Os seus filhos eram totalmente livres. Todos os homens nascem livres! Onde existir inteligência há liberdade.

O Padre Correia da Cunha não nos aprisionava em longas orações papagueadas… cada um era convidado a fazer a sua oração diária no serviço desinteressado e em plena alegria cristã ao seu irmão mais carenciado e desprotegido… na sua total liberdade!

Dizia ele que não havia mais bela oração… Orar tinha que ser uma participação de liberdade na oração colectiva da assembleia eucarística.


Recordo que o Padre Correia da Cunha na recitação do terço sempre afirmava que as Ave-Marias eram rosas perfumadas que íamos lançando para o regaço da Mãe de Jesus e também nossa mãe. Este desfiar de rosas suavizava este monótono rosário e aumentava o nosso amor à Rainha dos Anjos e dos homens.

A oração para o Padre Correia da Cunha tinha de ser uma admirável sinfonia, saída do fundo do coração de cada um de nós e um pouco perfumada pelas deslumbrantes e belas rosas que íamos lançando na nossa peregrinação humana. Tudo o que era tagarelado dizia Padre Correia da Cunha não subiria ao Céu. Viver Jesus Cristo com a força da nossa paixão era a suprema necessidade que desejava para a então juventude da sua Paróquia de São Vicente de Fora num ambiente onde fosse respeitada a dignidade e a liberdade.



CONSTRUÇÃO DA ESCOLA NAVAL ANOS 30


Orações e formulário


Antes da confissão, pede ao Divino Espírito Santo que te ilumine para teres a consciência das tuas faltas e da gravidade delas, e roga-lhe a graça de as saber chorar, como Pedro, amargamente…

Evocação e oração

Vinde, Espírito Santo!
Enchei os corações dos vossos fiéis
e ateai neles o fogo do vosso amor!

V – Enviai o vosso Espírito e tudo será criado:

R - E renovareis a face da terra.

Oremos.

Ó Deus, que iluminastes os corações dos fiéis com as luzes do Espírito Santo,
- Concedei-nos a graça de termos gosto pelos verdadeiros bens, que Ele nos mostra e de gozarmos sempre a sua consoladora assistência.
Nós Vo-lo rogamos por Nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo Deus, convosco vive e reina, na unidade do mesmo Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
R – Ámen

Outra oração

Vinde Espírito Santo!
Iluminai a minha consciência, para que veja com possível exactidão, a desgraça do mal que eu cometi;
Fortalecei a minha vontade, para que daqui em diante não torne a ofender-vos a Vós, que com o Eterno Pai, meu criador, e com o Filho, meu Redentor, viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

R – Ámen

Exame de consciência

Aqui tens dois modelos de exame de consciência, que estão longe de ser completos, mas que podem servir-te de guia e dar-te ideias para te examinares como é preciso.

Podes seguir qualquer deles ou teres um método teu. O importante é que te examines e arrependas.  



PRIMEIRO MÉTODO


Confronto da minha vida com os Mandamentos da Lei de Deus, com os Mandamentos da Santa Madre Igreja, com elenco dos pecados mortais e com deveres do nosso estado.

1º - Mandamento – Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas.  


- Tenho amado a Deus sobre todas as coisas e tenho-lhe provado esse amor, rezando e invocando com frequência o Seu auxílio?
- Rezo só para pedir, ou também para adorar, dar graças e reparar pelo mal que se faz?
- Tenho rezado as orações da manhã e da noite? Tenho-as rezado com devoção’
- Acredito inteiramente na doutrina que a Santa Igreja nos ensina, ou tenho consentido em dúvidas contra a Fé?
- Fiz com frequência actos de Fé, Esperança e Caridade?
- Desesperei de alcançar a salvação ou presumi de a ganhar sem merecimentos?
- Recalcitrei contra a Divina Providência?
- Faltei ao respeito às coisas santas e aos ministros da Igreja?
- Recebi em devido tempo os Santos Sacramentos da Confissão e da Eucaristia?
- Recebi os nas devidas disposições ou cometi algum sacrilégio?
- Nas confissões feitas omiti algum pecado mortal, por vergonha ou malícia, ou apenas por esquecimento?
- Assisti a espectáculos contrários à doutrina e moral cristãs? Li, escrevi, ou dei a ler, publicações contrárias à Religião?
- Acreditei em superstições, agouros ou bruxedos? Consultei bruxos, hipnotizadores, ou assisti a sessões de espiritismo ou semelhantes?
- Filiei-me em sociedades secretas condenadas pela Santa Igreja?
- Profanei algum lugar, coisa ou pessoa sagrada?

2º - Mandamento – Não invocar o Santo Nome de Deus em vão.


- Fiz algum juramento falso, ou mesmo inútil? Fiz algum com desejo de me vingar de alguém?
- Roguei pragas? Respeitei o Nome de Deus, não o misturando com palavras e conversas loucas? Se tenho esse mau hábito, procurei emendar me?
- Faltei, sem graves motivos, a algum voto ou promessa? Procurei obter licença do Confessor no caso de não poder cumprir algum voto?
- Disse ou pensei dizer alguma blasfémia contra Deus e os Seus Santos?

3º - Mandamento – Santificar o domingo e as festas de guarda.


- Faltei à Missa algum domingo ou dia de preceito? Porquê?
- Cheguei tarde sem razões bastantes para isso?
- Estive desatento, por culpa minha, durante a celebração?
- Fiz trabalhos pesados em dia Santificado, sem grave necessidade ou sem ser para auxiliar o próximo aflito?
- Favoreci aos meus subordinados o cumprimento dos preceitos dominicais, isto é , de ouvir a missa e de se abster em trabalhos pesados nos dias santos?
- Obriguei-os a trabalhos pesados e desnecessários nesses dias?
- Procurei passar os dias santos em espírito de piedade?
- Fiz leituras proveitosas para a minha alma?
- Visitei os doentes, presos ou pobrezinhos?
- Assisti a outros actos de piedade além da missa?
- Proporcionei aos que estão sob minhas ordens as facilidades necessárias para também santificassem o Dia do Senhor?



Texto de : Padre José Correia da Cunha





















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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA E A CONFISSÃO

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… simples, humilde, discreta…



Ganham cada vez mais uma maior nitidez as excepcionais qualidades deste grande homem que viveu num entrega genuína à sua amada Paróquia de São Vicente de Fora. Padre Correia da Cunha na sua passagem por essa Comunidade Paroquial exerceu efectivamente o ministério de pároco, todos ainda o recordamos pela imensa multidão que se juntava todos os domingos à sua volta para participarem na Missa das 10 horas, onde habitualmente pregava eloquentes homilias que deixavam estupefactas as elites pela sua frontalidade e linguagem belicosa, que era uma autêntica ‘’farpa’’ aos comportamentos impostores de alguns ditos cristãos.

Pela sua vida social em todos os meios populares e intelectuais da época, o seu carácter afável e a sua acção de grande pensador junto dos seus dedicados paroquianos e amigos, tudo lhe era permitido dizer. Lembro hoje algumas das suas aguerridas expressões, que deixava alguns participantes da assembleia boquiaberta. Era o fruto genuíno da sua cultura de ''vaidoso'' marinheiro: ‘’ Meus queridos irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo… ser cristão sem caridade vivencial é uma intrujice. Andamos a embrulhar-nos uns aos outros… assim não. É melhor irmos todos badamerda… Jesus Cristo não se deixa embarrilar…’’

Ganhou fama pela sua ‘‘depravada’’ linguagem. Mas quero referir que granjeava de imediato a simpatia e admiração de todos aqueles que tinham a oportunidade de o contactarem e tornarem-se seus amigos.

Foram os seus paroquianos e amigos que mais sentiram a perda deste grande homem de cultura, mestre, sacerdote e marujo, do qual todos ambicionavam receber sempre uma palavra de fraternal amizade!








A RECONCILIAÇÃO:

Que mais é preciso?



- Apenas a tua confissão arrependida ou contrita. Nada mais.
O propósito de emenda, o cumprimento da penitência, a declaração dos pecados ao confessor não são mais do que consequências do teu arrependimento. É que o teu SIM tem de ser autêntico, consciente, decidido e também continuado pela vida fora; tem de ser um SIM total.
Para melhor entenderes as condições do teu SIM, aí vão umas explicações, à maneira do Catecismo, que provavelmente já esqueceste…
Para fazeres uma Confissão bem feita (caso contrário, não vale a pena; antes te é sumamente prejudicial) é preciso:




1. Fazeres um sério exame de consciência, ou seja, relembrares cuidadosamente as faltas cometidas, para delas te arrependeres;
2. Excitares a tua alma a uma contrição sincera, isto é, a uma sentida dor ou mágoa de teres ofendido a Deus e de teres ofendido tantas vezes e tão gravemente, por pensamentos, palavras, obras e omissões;
3. Quereres decididamente emendar a tua vida, tendo o firme propósito ou vontade de não tornares a pecar e de evitares tudo o que possa ser ocasião próxima de pecado.

Por exemplo: Se, por triste experiência, sabes que, ao passar por certa casa, podes ter fortes tentações de pecar, o teu propósito de emenda tem de formular a vontade de não passar por lá sem séria necessidade.

4. Acusares os teus pecados perante o confessor. Esta acusação ou confissão tem de ser:

a) – inteira ou completa, enumerando todos os pecados mortais de que tenhas lembrança e ainda não tivessem sido confessados, e acusando-te também dos pecados veniais que mais te pesem na consciência;



b) _ circunstancial, no sentido de confessares também as circunstancias que afectem a gravidade da falta ou constituam até outro pecado.


Por exemplo: Qualquer pecado de um homem solteiro com uma mulher solteira é pecado mortal. Mas, se esse pecado for com um parente, constitui outra falta mortal. Se além de serem parentes, um deles for casado, haverá três pecados graves num só acto, pois um deles foi infiel ao seu cônjuge. E se os dois forem casados, haverá pela mesma razão quatro pecados mortais. Deles terá que se arrepender sinceramente se quiser obter o perdão divino.

c) – Simples, humilde, discreta e feita com recta intenção.
Simples, evitando complicações ou explicações desnecessárias;
Humilde, sem afectações e desculpas mais ou menos sofismadas;
Discreta, usando palavras honestas;
Feita com recta intenção, isto é, sem ser por motivos humanos, como por exemplo, para agradar a alguém, mas unicamente para pedir perdão de Deus.

5. Reparares a ofensa feita a Deus e os danos causados ao próximo, por meio da satisfação da penitência que te for imposta pelo Confessor.

De três modos se repara a ofensa feita a Deus:

a) – cumprindo a penitência que o Confessor deu e que, por via de regra, é reza de umas orações ou a oferta de alguma esmola;
b) – levando com paciência os trabalhos da vida que constituem a nossa participação na Cruz de Cristo,
c) – praticando boas obras que provem a Deus o nosso sincero desejo de emenda e o nosso arrependimento.

A ofensa feita ao próximo satisfaz-se:




a) – restituindo-lhe o que for seu e esteja em nossas mãos injustamente,
b) – indemnizando-o dos prejuízos causados;
c) – usando de caridade, generosidade e paciência para com ele.

Como vês, a Confissão não se deve fazer de ânimo leve ou sem as devidas disposições. Seria abusar da infinita misericórdia de Deus e cometer uma nova falta que poderia ser até um sacrilégio.

No entanto, não é nenhuma complicação.
Basta leres com atenção os parágrafos anteriores, para veres que tudo é claro e simples, desde que haja verdadeiro arrependimento. É mais difícil explicar o que é a Reconciliação e quais as condições de a fazer bem do que fazê-la bem feita.

Texto Padre José Correia da Cunha


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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA E O SIM…

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AVISO AFONSO DE ALBUQUERQUE




A MAIOR PROVA DE AMOR: - O SIM. DO ARREPENDIMENTO E DO PERDÃO!




Que seria, de uma sociedade sem arautos da esperança e do amor, como o capelão Padre Correia da Cunha? Esta brochura por si elaborada, estava cheia de emoções e ensinamentos evangélicos. Numa linguagem simples que proporcionava momentos de profunda paz nas celebrações penitenciais com a família da Armada.

Procurava que os marujos se mantivessem bem atentos ao Mundo à sua volta, procurando que o PERDÃO eternizasse o verdadeiro AMOR..


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“DEUS É PAI e está sempre pronto a perdoar, pois se até se fez Homem, na pessoa de Jesus, precisamente para perdoar, para restabelecer o Amor, a Verdade e a Justiça; para que os homens pecadores pudessem ligar-se a Ele de uma maneira viva e, por Ele, com Ele e n’Ele darem ao PAI o abraço da reconciliação e da paz, no Amor do próprio Espírito de Deus!...


Foi Ele, Jesus, Quem carregou com o peso dos nossos pecados, como diz a palavra de Isaías, e se ofereceu como um cordeiro em sacrifício por nós todos.

São Paulo tem uma palavra directa: «Ele amou-te e entregou-se à morte por ti!»
E não é o discípulo Amado, São João Evangelista quem diz: «De tal modo Deus amou o mundo que lhe deu o Seu Filho Unigénito?»

E São João Baptista exclama: «Eis o Cordeiro de DEUS! Eis o que tira os pecados do mundo!»


Todo o Evangelho não é mais do que a História do Perdão Divino, do SIM de Deus que responde ao SIM do Homem que se arrepende.
Vejamo-lo resumidamente…


Jesus declara categoricamente que não veio tanto por causa dos justos como por causa dos pecadores. Ele próprio se compara ao Bom Pastor que vai por toda a parte e se expõe a todos os riscos para encontrar e trazer ao redil a ovelha tresmalhada; e também à mulher que varre a casa toda à procura da moeda perdida…

Era até conhecido como « o homem que acolhe os pecadores, come com eles à mesa chega ao ponto de se hospedar em casa deles»…Os fariseus atrevem-se a dizer que Ele tinha uma especial preferência pelos pecadores. E era verdade. Ou não são da Sua boca estas palavras: «Não são os que gozam de boa saúde que precisam de médico, mas os doentes. Aprendei o que significa esta palavra: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores?» E noutras ocasiões: «O Filho do Homem veio, não para perder os homens, mas para salva-los» e ainda: «O Filho do Homem veio salvar o que estava perdido».



Mas não é só a palavra de Jesus, são os seus actos também que traduzem o SIM do perdão.

Quantas vezes, ao restituir a saúde do corpo, não restituía também a da alma?

- «Vai em paz e não tornes a pecar!» «Tem confiança! Os teus pecados te são perdoados!» - São constantes que se encontram a cada passo nos Evangelhos.


Lembremos apenas alguns episódios em que a misericórdia Divina escuta com amor o SIM do arrependimento.


- Certo dia, trazem-lhe um paralítico e pedem-lhe que o cure. E Jesus diz: «Tem confiança! Os teus pecados te são perdoados!». Ouvem-se protestos: - Quem, senão Deus, tem o poder de perdoar os pecados?


E o Divino Mestre apenas diz: - «Que é mais fácil? Dizer a este homem: - Levanta-te e anda! Ou dizer-lhe: - Os teus pecados te são perdoados!? Pois para que o Filho do Homem tem o poder de perdoar os pecados…


- Levanta-te! Pega no teu catre e anda! (disse ao paralítico)».


- De outra vez, é Zaqueu, publicamente conhecido como pecador. Este homem arde em desejos de ver Jesus. Como é baixo de estatura, sobe a um sicómoro. O Mestre vê-o e diz-lhe que desça depressa, corra para casa, porque Ele, Jesus, quer ir lá fazer-lhe uma visita.


Depois…Zaqueu confessa-se pecador arrependido, diz o SIM, e logo o Senhor lhe responde: «Hoje entrou a salvação nesta casa!»
Era o perdão.


- Noutra ocasião … - «Aqui está uma mulher apanhada em flagrante adultério!» gritam os fariseus. A Lei mandava que a mulher adúltera fosse apedrejada. Os doutores da Lei julgam ter armado uma emboscada infalível à bondade de Jesus e aguardam ansiosos a sua sentença. Esquecem-se de que o Amor de Deus acolhe sempre o SIM do arrependimento.


Jesus apenas lhe diz, a fariseus e doutores: «Aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra!» e pôs-se a escrever no chão…


Todos se retiraram cabisbaixos. Ficou só a pecadora, dizendo com suas lágrimas o SIM do arrependimento, e Jesus pronto a perdoar: - «Mulher, que é feito dos teus acusadores?» Ela nem teve coragem de responder.


- «Ninguém te condenou? Pois também eu te não condeno. Vai em paz e não tornes a pecar!»

- Noutra altura, estava Jesus à mesa de Simão quando aparece uma mulher de todos conhecidos como pecadora publica. Decidida a dizer o SIM do seu arrependimento, olhos rasos de água, traz nas mãos rico vaso de alabastro cheio de perfume requintado e muito caro. É Maria de Magdala – a Madalena.


Todos os olhos se fixam nela. Só Jesus parece não ter dado por nada. Eis senão quando, a pecadora se lança aos pés do Mestre, quebra o vaso precioso, lava-lhe os pés com as próprias lágrimas misturadas ao perfume, enxuga-lhes com os seus cabelos: Estátua viva do SIM do arrependimento sincero.


A mulher sai. E as últimas palavras do Senhor ficam ainda a ecoar na sala e nas consciências de todos: - «Vai em paz e não tornes a pecar!»


- Na noite da Paixão, Pedro, o que tinha sido escolhido para chefe de todos, nega e renega o Divino Mestre à voz de uma criada e de outros serviçais de Caifás. Jesus passa, preso, escarnecido e maltratado. Basta uma troca de olhares … E Pedro sai a chorar amargamente. É o SIM do arrependimento!


Mais tarde, quando o Senhor lhe pergunta se O ama, Pedro balbucia com a voz e com as lágrimas do mesmo SIM. - «Oh Senhor! Tu sabes que te amo!»


Naquela tarde, da crucificação…Os algozes acabam de o pregar na cruz. Levantam o madeiro infamante, fixam-no no buraco aberto de ante mão. E mal está terminado aquele trabalho, Jesus, suspenso entre o Céu e terra, traduz o SIM da aceitação, do Amor e do Perdão, não só pela atitude, mas até pela palavra: «Pai, perdoai-lhes, que não sabem o que fazem!»


- Nesta mesma ocasião, um dos ladrões, que com Ele tinham sido crucificados, reconhece a sua inocência, confessa as suas culpas e profere o SIM do arrependimento: - Senhor, lembra-te de mim!...


Logo Jesus lhe responde com o SIM do Seu perdão: Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso!»


Assim é o Coração do PAI.
Irmão, ainda hesitas?


Para que tu pudesses correr ao Seu encontro a lançar-te nos Seus braços, é que Jesus deu aos Apóstolos, e por eles aos seus sucessores, o divino poder de perdoar pecados.


Já leste essas palavras com que Deus responde com o SIM da Sua misericórdia ao SIM do teu arrependimento. Mas não será demais repeti-las para que não esqueças o Seu amor, por ti. Ei-las:




«RECEBEI O ESPÍRITO SANTO. AQUELES A QUEM VÓS PERDOARDES OS PECADOS, FICAR-LHES-ÃO PERDOADOS; AQUELES A QUEM OS RETIVERDES, FICARÃO RETIDOS!»"













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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PADRE CORREIA DA CUNHA – 92º ANIVERSÁRIO

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P A R A B E N S!



Passam hoje 92 anos do seu nascimento, que como todos sabemos era o dia 24 de Setembro 1917 e  não a 26 de Setembro, como consta nos documentos oficiais de identificação.

Hoje publico um documento preenchido pelo seu próprio punho onde fica claro que era o dia 24 de Setembro que Padre Correia da Cunha celebrava o seu aniversário.

A data era marcada com a realização de um jantar de confraternização no elegantíssimo restaurante Varanda do Chanceler, situado na sua querida Alfama, com uma magnífica vista sobre o Tejo, com todos os seus amigos mais próximos onde Padre Correia da Cunha se apresentava sempre em óptima forma e uma galante boa disposição, dialogando com todos os convidados durante a tão encantadora e aprazível refeição.

O Padre Correia da Cunha recebia muitas cartas de felicitações e também muitos presentes. Entre estes, os que lhe davam mais prazer eram os bons livros. A comemoração do seu aniversário ganhava contornos religiosos com a celebração de uma missa no final da tarde pelas suas intenções e com desejos de que: ''Fazei Senhor, que o nosso pároco saiba dar-nos sempre, o PÃO da Palavra e o PÃO da Vida! ‘’ por muitos longos anos''.
Fazer uma pequena memória não só é justo como, sobretudo, um dever de gratidão.

Recordar o grande Homem que foi Padre Correia da Cunha em vida, uma personagem controversa, de rupturas (certamente), mas de uma inteligência e cultura invulgares, brilhante conversador, frequentador dos meios intelectuais do país … O seu talento de improvisador tornaram-no um grande inovador na área da liturgia pastoral. Dotado de uma fina sensibilidade dominava com grande profundidade todas as artes clássicas. Conservou até ao seu último dia de vida o culto muito especial pela leitura. Como já referi, no post Padre Correia Cunha e os livros, este tinha uma biblioteca impressionante de livros sobre as mais variadas temáticas.

O Padre Correia da Cunha, pároco da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, celebraria hoje 92 anos de vida. Já não está connosco, mas nesta data, queremos aproveitar para agradecer a Deus ter-nos concedido este grande zeloso prior que no desempenho dessa sua nobre missão deixou uma obra tão sólida que ainda hoje perdura, tão vasta que provoca a tantos anos de distância, os nossos quentes aplausos de PARABÉNS!







Referia Santo Agostinho que: ‘’a memória é o presente do passado’’, quer isto dizer que ao fazermos memória não somos nós que recuamos no tempo e no espaço para outros lugares e tempos, mas o passado que é trazido até nós para se actualizar no nosso presente. É precisamente esta dimensão de memória que nós queremos dar a esta breve evocação. Foi curta a sua vida de cinquenta e nove anos, mas tão densa e preenchida… Que ela sirva pois, para nos ajudar a viver com intensidade e coragem a nossa vida de cristãos, iniciada na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora e hoje membros da sociedade a quem muito podemos dar o muito que recebemos e aprendemos com o saudoso Padre Correia da Cunha.

Em nome de todos os seus amigos… Bem-haja Padre Correia da Cunha.













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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

PE CORREIA DA CUNHA E O NÃO…

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 NAVIO ESCOLA SAGRES

O PECADO É O NÃO A DEUS, AOS OUTROS E NÓS PRÓPRIOS…




Pároco da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora de 1960 a 1977, o Padre Correia da Cunha deu provas de uma piedade profunda e de um amor ardente, pelos marinheiros portugueses e muito em particular pelos doentes do seu Hospital da Marinha, também ele localizado na Paróquia de São Vicente de Fora. Creio ter sido ali mesmo a primeira oportunidade de dar largas às suas excelentes qualidades humanistas e de serviço de entrega aos outros.

Na paróquia, o Padre Correia da Cunha foi constante no afecto consagrado aos seus paroquianos e no zelo com que promoveu o seu bem espiritual. Particular atenção lhe mereceu a formação humana e cristã da juventude, a assistência aos doentes e aos mais necessitados, flagrantemente oportuna numa paróquia tão pobre e indigente como a sua.

O seu trabalho foi de um grande dinamismo e de inesgotável generosidade, sem paragens nem descanso. Dotado de raríssimas qualidades de inteligência e de coração, singular eloquência de palavra, infatigável zelo na evangelização, perfeito espírito de trabalho, real generosidade na caridade e fina gentileza no trato, bem depressa e sempre fez tudo para todos.

A todos os jovens nunca faltava a sua palavra de conselho e orientação, e um apontar de caminho que ia sempre ao encontro de todos os sofrimentos, crises e necessidades… Em boa verdade Padre Correia gostava mais que nos identificássemos com o SIM do que o NÃO. Nestes textos iremos entender a errada opção pelo NÃO…













O grande mal… - O NÃO!

Para haver perdão, é claro, tem de haver falta ou pecado. Esta é uma daquelas verdades tão evidentes que até parece impossível vir escrita em letra de forma. Mas é que há muita gente que tem desfaçatez de dizer:«’ Eu cá não mato nem roubo, portanto não tenho pecados!».

Faz pena ouvi-los…
Mas Tu … tu não tens dúvidas a esse respeito. Tu sabes bem que há pecado, que tens cometido pecados. Nem será preciso esgravatar muito a consciência, não é verdade? Quantos pensamentos, quantas palavras, quantas atitudes, quantas acções quantas omissões não gostaríamos Tu desaparecessem do Livro de Registo da tua Consciência?! Se neste momento tivesses que dar contas ao PAI, como o réu perante o JUIZ, ficarias realmente descansado?

Responde a sério. Lembra-te de que estás a falar com a tua consciência, perante DEUS, e acerca dos mais importantes problemas da tua vida!

Portanto, Tu sabes bem, infelizmente, o que é o pecado. Ou melhor, não sabes bem. Sabes apenas que é mal, que não está certo pecar. Mas daí a saberes o que ele é em todas as suas dimensões… vai um passo, melhor, vão uns passos… - os passos de toda a Vida, Paixão e Morte de Jesus!

Só Ele sabe ao certo o que é o pecado. Se Tu o soubesses, não terias pecado tanto.

O pecado é o NÃO, quando se devia dizer SIM a DEUS, á Igreja, à Sociedade e a nós mesmos!

O pecado não é só a falta de cumprimento de uma regra ou de um mandamento. É, sobretudo, o rompimento, a quebra do Amor que ligava Deus a nós e nos ligava a Deus. O Amor manifesta-se fazendo-se a vontade de quem se ama. Não a fazer é matar o Amor.

O Pecado é, portanto:
- Uma rotura com Deus, uma revolta contra Ele e contra a sua autoridade, é uma infidelidade, ao Amor, à verdade, à justiça, que tudo isso é DEUS;

- É uma desagregação dentro da família dentro da Família Humana, que, tendo sido criada para realizar a vontade de Deus, vê ou sente (pois todos somos solidários) seus membros a quererem fazer as suas vontadezinhas…

- É uma desunião no Corpo Místico de Cristo, ou seja, na Cristandade de que fazem parte integrante todos os que pelo Baptismo receberam a Vida Divina. Pelo Pecado os membros deste Corpo Místico ficam doentes e até mortos…

- É uma destruição, uma ruína, uma morte espiritual, moral e até , por vezes física…

Pelo Pecado, separamo-nos da Fonte da Vida, que é Deus e, por isso, se morrermos em pecado mortal, nós próprios (porque não há pecado sem deliberação da nossa parte), nós próprios nos condenaremos á morte eterna. È até por isso que se dá tal nome a toda a desobediência plenamente consciente e voluntária a uma ordem grave de Deus.

Se, porém, a desobediência não foi plenamente consciente, inteiramente voluntária, ou se a matéria do preceito divino não for grave, o pecado será apenas venial; e, embora não tenha a consequência de nos separar completamente de DEUS por toda a eternidade, afecta a Vida da Graça em nós, ofende a Deus e, portanto, tem de ser reparado neste mundo ou no Purgatório.

Sem nos embrenharmos em profundas teologias,  já podemos ver que o Pecado é coisa muito séria…


Texto de Padre José Correia da Cunha




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sábado, 12 de setembro de 2009

PE CORREIA DA CUNHA, VERDADES ABSOLUTAS

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DÓI-ME A ALMA …FELIZES PARA SEMPRE…




Para Padre Correia da Cunha existiam três verdades absolutas que não podíamos entender na sua total plenitude: a imperfeição humana, o tempo que nos domina e a Ressurreição fonte de uma vida nova.


Todos fomos estigmatizados com a marca do pecado da origem que nos impede de atingir a perfeição e nos atrapalha na percepção da desejada felicidade plena.


As surpresas desagradáveis que Deus nos prepara não são compreensíveis, dadas a nossas incapacidades e impotências para as conseguir alterar, não as dominamos… Mais ainda, não sabemos onde, como, quando ou porquê apenas enxergamos a nossa fatalidade, que nos inferniza nesta curta etapa da nossa existência.


Herdei desse grande sábio apóstolo e homem de fé a crença na jubilosa esperança de uma Vida Nova e eterna, que me dá uma visão de um mundo perfeito no qual todos viveremos as experiências de uma vida arquétipo e seguramente melhor …


Padre Correia da Cunha na liturgia das exéquias socorria-se da vida do bicho-da-seda para explicar a Ressurreição: ao longo da sua vida vai alimentando-se das frescas e saborosas folhas das amoreiras, dando início à sua magnífica obra de tecedura de finíssimos fios de rica seda, que tanto admiramos e que constituem o seu casulo. Depois de construído arduamente, o casulo torna-se a sepultura de renascimento, onde se dá a continuação do processo degenerativo necessário à existência de uma vida nova - a borboleta.


Também nós nascemos, fomos alimentados, labutamos na vida, criando fios agradáveis que possam permanecer como herança para os nossos sucessores, mas um dia seremos chamados à sepultura (casulo) para que possa haver uma Vida Nova. Sem a morte não poderá haver Ressurreição, nem Vida Nova. A garantia da Ressurreição não era dada por ele, Padre Correia da Cunha, mas pelas serenas palavras do próprio Jesus Cristo: ‘’Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá’’ João 11,25.



Escrevo este post com uma amargura que cobre a minha alma, com a notícia da privação dos pais e irmã de um bom amigo (JCC), aquém me cabe transmitir uma palavra sentida de lenitivo. Há momentos que é impossível coordenar tanto livre pensamento, que para além de cair nas próprias emoções, por vezes também nos assalta mil interrogações (?), a que não sabemos dar uma cabal resposta.

O nosso destino é partir ao encontro do Pai, mas à semelhança do bicho-da-seda, é tornarmos obreiros de fios de amor, amizade, honra, dignidade enquanto vivermos neste mundo, que como Padre Correia da Cunha referia era a antecâmara do Reino de Felicidade.

Há semelhança do que certamente diria Padre Correia da Cunha: no mínimo devemos confiar pela convicção da esperança na Nova Vida e com isto contribuir para uma vida ainda mais repleta de FÉ, que nos leve a uma existência mais sábia, mais livre e acima de tudo de maior felicidade. Este despretensioso texto é um pequeno contributo para ajudar na peregrinação da busca incessante na compreensão insondável de uma das verdades absolutas.

Não poderia terminar sem a publicação deste belíssimo poema de José Carlos Cruz, onde para haver girassol é necessário que a semente morra na terra. Para haver Vida Nova é necessário que sejamos lançados à terra…


ADIVINHA DA CHUVA

Filha de nuvens e ares,
ordeno rios e mares…
Eu sou essa que começa,
Ai começa quando cai…

Dizem que sou de São Pedro,
dos humores, a face escura;
em seu próprio pranto o rosto
da tristeza e da doçura…

Atrás de mim vem sol,
juntos fazemos verde…
Beijei terra – e a fiz mole!,
Vi romper um girassol
e lhe dou muita ternura…


Desconhecido Expresso de José Carlos Cruz – Esquina Editores

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA

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Os amigos que partiram...






IN MEMORIAM


JOÃO AUGUSTO DA COSTA PERESTRELLO DE VASCONCELOS


(PE)

1929-2009




JOÃO AUGUSTO DA COSTA PERESTRELLO DE VASCONCELOS (1929-2009), natural da freguesia da Lapa em Lisboa, nasceu no dia 20 de Dezembro de 1929.


Uma das maiores certezas é que um dia vamos partir ao encontro do Pai mas as muitas recordações, momentos e acontecimentos que marcaram a vida deste grande amigo de Padre Correia da Cunha, ficarão indeléveis nos corações de todos aqueles que tiveram o grato prazer de o conhecer.


João Perestrello era um grande homem e um bom padre, sonhava com os valores da liberdade, fraternidade e da justiça. João Perestrello concluiu o curso superior de filosofia e teologia no ano de 1952, no seminário de Cristo Rei, nos Olivais. Foi ordenado padre em 1953, tendo de imediato sido nomeado Capelão da Marinha de Guerra, no Arsenal do Alfeite, onde era administrador o senhor seu pai; Eng.º Joaquim Augusto José de Araújo Perestrello de Vasconcelos. Até ao ano 1958, João Perestrello exerceu as funções igualmente de Pároco da Paróquia da Cova da Piedade (Diocese de Lisboa).


Era fundador da Associação dos Marinheiros católicos, sediada na Sé de Lisboa, quando entreviu na chamada «Revolta da Sé», no ano 1959, contra o regime salazarista e, como consequência, esteve preso sendo desterrado para a Alemanha – Munique onde foi, entretanto, autorizado pelo Cardeal D. Manuel II Gonçalves Cerejeira a frequentar um curso de teologia pastoral, que concluiu com elevada distinção.



Exilado no Brasil, por motivos políticos, João Perestrello foi coadjutor na Paróquia de Santa Teresinha, em Natal, nos anos 1964-1967. Motivado pelas ideias sociais do grande Papa João XXIII, desenvolveu um imenso trabalho de promoção social em Mãe Luísa, com a criação do Centro Social João XXIII, com o apoio dos católicos do Brasil e da Alemanha.


Recordo com um sorriso, de ajudar  o Pe. João Perestrello nas missas que celebrava em São Vicente de Fora, com profundas e frontais admoestações às beatices que ocorriam durante o acto litúrgico por parte de muitos fiéis. Era o Pe. João Perestrello que substituía o seu amigo, Pe Correia da Cunha, durante as férias no final dos anos sessenta, quando já era pároco da Paróquia de Loures (1967-1970). Era um colaborador e assíduo jornalista no famoso Diário de Lisboa.


Deixou de exercer actividade pastoral em 1970, mas manteve uma forte militância cristã, cívica e política. Foi fundador da Santa Casa da Misericórdia de Loures, sendo provedor da Irmandade até 2002. Conservou a presidência da mesa da assembleia-geral até aos seus últimos dias.


Pelos relevantes serviços prestados, a Câmara Municipal de Loures agraciou-o com a Medalha Municipal de Mérito e Dedicação. Lembro que a partir de 1970 João Perestrello desenvolveu altos cargos no sector empresarial até ao ano de 1997.


A relação de amizade, entre Padre José Coreia da Cunha e João Perestrello de Vasconcelos, era tão forte que lhes permitia entre ambos a revelação de encapelados segredos, de receios profundos assim como de pensamentos mais íntimos e reservados. Ambos se conheciam profundamente e se apoiavam nas missões de guias espirituais e conselheiros para as grandes decisões que ambos tiveram de tomar ao longo das suas vidas veneráveis. Como referi no post ‘’ Padre Correia da Cunha, o renovador’’, era muito autónomo no seu múnus sacerdotal. Apenas lhe conheci dois padres com quem privava mais profundamente: Padre José Maria de Freitas, pároco da freguesia do Beato e o Padre João Perestrello de Vasconcelos.



No passado dia 2 de Março 2009, partiu para descansar em Deus junto do seu amigo Padre Correia da Cunha. Hoje que já não estão connosco, terão a companhia eterna daquele que serviram com total entrega e generosidade, pedindo a bênção para todos os seus amigos que tão gratificantes momentos de partilha cristã viveram em suas afáveis companhias.
São Vicente de Fora guarda a sua memória com muitas e profundas saudades.


RECEBEI, SENHOR, NA GLÓRIA DO VOSSO REINO O NOSSO IRMÃO.

João Perestrello dorme hoje um sono sagrado… uma vez que os bons homens nunca morrem.


Termino com as palavras de João Perestrello proferidas em Maio de 1969: “Posso e devo usar da minha liberdade de filho de Deus para lutar, por todos os meios legítimos, por uma Igreja mais conforme ao Evangelho; ao serviço da Humanidade e não em busca de ser servida; em busca da Verdade e não monopolizadora da Verdade que a transcende; missionária da conversão do Mundo e,  por isso mesmo, cuidando de se converter a si mesma.  Pe. João Perestrello – Maio 69”





















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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA E A RECONCILIAÇÃO

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AVISO BARTOLOMEU DIAS



IRMÃO! LEVANTA-TE E VAI!...



Todos éramos convidados pelo Padre Correia da Cunha, nos tempos fortes do calendário litúrgico, a entrarmos no ‘’castelo’’ das nossas consciências, em ambiente de profundo silêncio, para sublimarmos as nossas debilidades.

Desta forma buscávamos renovar e fortalecer a nossa dignidade de filhos de Deus.
Estes belos momentos eram agarrados por todos nós, para que se operassem mudanças, naquilo que eram fraquezas e submissões.

Renovadas as nossas vidas e lançados diferentes desafios, depois de reconciliados com DEUS, as nossas vivências de liberdade, amizade e fraternidade cristã era mais genuínas.


Fortalecidos, na nossa fé em Jesus Cristo, nascido num curral em Belém, que Padre Correia da Cunha bem lembrava, que tendo nascido e vivido na maior pobreza material, dispunha da maior e fascinante riqueza do coração. Ela era inspiradora para o nosso empenhamento contra as injustiças e desigualdades que assistíamos naquela época, na nossa sociedade.

Nestas para-litúrgias levadas a cabo por Padre Correia da Cunha, sentíamos o sorriso de Deus que nos pedia para prosseguirmos na luta contra todos os egoísmos e a misérias, e aceitarmos a tolerância e a justiça. Neste espírito de pluralismo éramos verdadeiros construtores de uma sociedade de liberdade de filhos de Deus e assim participávamos já no reino de homens e mulheres livres.


As nossas vidas de jovens empenhados … tinham todo o sentido…


O encontro pessoal com o sacerdote era para a absolvição e ouvirmos:
Levanta-te e vai!
Esta era a forma de buscar, renovar e fortalecer a nossa dignidade de filhos livres de Deus.




























O NÃO OU O SIM?


Sabes Quem é aquele PAI…


Sabes quem é aquele filho mais novo…



- Sabes o que é aquele PAI te deu, não é verdade?


D'ELE recebeste a vida, a saúde, a inteligência, a vontade, a sensibilidade…
D’ELE recebeste os carinhos de teus pais, a educação, a instrução…
D’ELE recebeste os dons, as bênçãos e as graças sobrenaturais…
D’ELE recebeste TUDO o que tens de bom…

E TU o que fizeste?

…Ausentaste-te para uma região longínqua; foste para longe da sua casa, da sua convivência, da sua amizade.

…Por lá andaste, ou tens andado, a esbanjar os bens que ELE te deu, vivendo dissipada mente, levando uma vida desregrada.

… Gastaste tudo!

A tua inteligência obscureceu-se com erros que admitiste, para justificar as tuas faltas; a tua vontade enfraqueceu-se com abdicações desonrosas; a tua sensibilidade estonteou-se com vergonhosas atitudes; a tua alma manchou-se com o pecado; a tua consciência embotou…

E até a tua saúde foi afectada pelo grande mal: - O pecado…

Esbanjaste Tudo! Gastaste TUDO!

Até TU próprio estás gasto!...

Mas repara, Irmão, que apesar de todo este descalabro, nem tudo está perdido.

Uma vez que foste capaz de ler esta parábola, ficaste a saber que ELE é PAI, está sempre à espera que Tu voltes.

Será hoje?... Será amanhã?...
E porque não há-de ser já?...

Tens a certeza de que amanhã ainda tens tempo?...

Acaso tens a vida nas tuas mãos?...

Aprende a lição do Filho Pródigo; põe-na em prática.

Vamos, Irmão! Levanta-te! Vai ter com o PAI!

Diz-lhe: Pai, pequei! Já não sou digno de ser chamado vosso filho!

O resto já TU sabes… Haverá festa!

Há mais alegria no Céu por um pecador que se converte do que por noventa e nove justos que perseveram!

A festa será grande para toda a família, é certo. Mas para TI… Para TI será uma festa nunca vista que te encherá de ALEGRIA, de PAZ, de LUZ e de RESSURREIÇÃO!

Vamos, Irmão! Levanta-te e vai!...

Não te deixes amarrar com as algemas da vergonha, do que dirão os outros, do que será depois.
Vergonha é viver como tens vivido: andar roto, descalço, esfomeado – pés feridos de tanta andança por maus caminhos, sem a veste da Graça do Senhor, cheio de fome da PAZ de consciência… Isto é que é vergonha!

Porém, levantar-se, ir ter com o Pai e pedir-lhe perdão…são atitudes que só honram um homem!

O que dirão os outros? Mas que outros?
- Os companheiros dos maus caminhos? Esses que poderão dizer?… São cegos a quererem que também o sejas e a pretenderem depois conduzir-te…É claro: Só poderão levar-te a cair no fosso. Cautela! Mas talvez que algum deles em sua consciência, reconheçam o teu carácter e a tua superioridade, pois foste capaz de fazer o que eles não têm coragem de fazer… Quem sabe?

Se te disserem que a Confissão foi inventada pelos padres, diz-lhes que a parábola que leste vem no Evangelho de S. Lucas, que foi o próprio Cristo quem a contou; diz-lhes que foi ainda Jesus que disse aos Apóstolos: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficar-lhes-ão perdoados; aqueles a quem os retiverdes ficar-lhes-ão retidos! Estas palavras são do Evangelho escrito por S. João.

O que será depois? Depois… (já o sabes), será uma vida nova, na convivência da Família Cristã e na Amizade do Pai que está nos céus.

Poderás abeirar-te da Sua Mesa e alimentar-te do Pão Divino. Assim fortalecido e ajudado ainda com a Oração e o Sacrifício, poderás correr todos os caminhos sem magoar os pés.

É claro que ainda haverá riscos… Ainda podes repetir façanha de te ausentares para regiões longínquas… Mas confiemos na força que o Pai te vai dar, na decisão da tua vontade, pronta a todos os sacrifícios, e até nas tristes recordações que ainda conservas dos maus passos que deste.

Vamos, Irmão! Levanta-te e parte!...

Queres saber como é que hás-de ir ter com o PAI e onde é a Casa em que Ele te espera?
- Continua a leitura.

Texto de Padre Correia da Cunha
























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