quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

PE. CORREIA DA CUNHA - J.O.C '' NOVA JUVENTUDE'' I












 A NOVA JUVENTUDE


No dia 25 de Julho do ano de 1935 teve lugar na cidade de Bruxelas o I Congresso dos «Jocistas», estando presentes cerca de cem mil membros desta organização católica. Fizeram-se representar neste evento países como França, Canadá, Espanha, Polónia, Inglaterra, Portugal…

Para solenizar esta magna assembleia jocista, Portugal representou um coro falado, idealizado e escrito pelo jovem seminarista Correia da Cunha, que irei aqui postar ao longo dos próximos meses.

A escrita constituiu sempre uma das grandes inclinações do jovem Correia da Cunha. Já no seminário concebia cadernos e práticas de redacção capazes de despertar nos colegas efectivos estímulos na arte de bem escrever.



Este coro falado – A NOVA JUVENTUDE – escrito por si, com apenas 17 anos, para apresentação nesse grande evento da JOC revela uma notável produção intelectual, mas de  grande simplicidade e genialidade.

Como sacerdote viria a revelar-se como um homem de grande amor à vida. Sempre viveu com um enorme afecto à leitura das grandes obras clássicas da literatura, da filosofia e da teologia. Usava a língua portuguesa de forma exemplar, como era próprio da sua competência linguística, comunicativa, discursiva e textual. Foi um notável poeta, teatrólogo, cronista e exímio tradutor dos rituais da liturgia em latim para a língua de Camões, segundo os preceitos do Concilio Vaticano II.



Recordo que o jovem Correia da Cunha ao terminar os seus estudos teológicos com apenas 22 anos, e não tendo a idade canónica para ser ordenado, foi professor de latim no seminário, para os seminaristas de vocação tardia.

Criei-me tendo o privilégio de lhe acompanhar os passos e as imensas conversas informais na paróquia e nos muitos ambientes sociais que frequentava. Faço coro às palavras que ouvi a muitos homens de letras que lhe reconheciam a sua singular inteligência e perspicácia, e uma força indomável na arte de bem-fazer bem, tendo enraizado muitas amizades nos Lions Clube, no Grupo Amigos de Lisboa e Grémio Literário, que assiduamente frequentava.




Na peça escultórica inaugurada no centenário do seu nascimento estão ali representados três símbolos: O corvo simbolizando a astúcia, a cura, a sabedoria, a fertilidade e esperança. A coluna símbolo da verticalidade, solidez, força e energia para sustentar a comunidade dos homens. O cigarro operador da memória retrospectiva, contemplativa herança dos motivos melancólicos do fumo, seu fiel e inseparável turíbulo.



A este clérigo nunca lhe faltou a majestade da figura, a elegância das atitudes e dos gestos. As suas improvisações nas práticas dominicais eram sempre eloquentes, cunhadas em bom estilo literário, cheias de imagens sóbrias e singelas. Como orador sedutor foi um mais perfeitos que já ouvi.








A NOVA JUVENTUDE

(Coro falado)

Introdução

Dirigente Jocista:

Soai trombetas! Ressoai alto e claro!
Cantai a nossa festa!
Cantai a nossa vitória,
A vitória de todos os jocistas do mundo!
(ouve-se o toque festivo de trombetas egípcias)

Dirigente:
- Trombetas, levai a toda a parte,
A saudação de boas vindas!
Levai a saudação fraterna
aos jocistas do mundo inteiro!
(cessam as trombetas)

Dirigente
- Eminências! Excelências!
Os jovens trabalhadores cristãos
Apóstolos e conquistadores da classe operária
acatando a vossa autoridade espiritual
que é a do próprio Cristo Operário e Rei, pedem-vos
licença para inaugurar esta grandiosa manifestação
por uma oração e por um cântico
- a oração Jocista e o hino jocista –
Camaradas da Flandres e da Valónia
Camaradas da Holanda, da França, da Suíça,
Do Canadá, da Itália, de Portugal e da Espanha
que a nossa oração neste dia
suba até ao trono de Deus!
Seja da; ante os representantes da Igreja
numa oferta nova e total
do nosso ser,
do nosso coração
ao operário Divino,
ao Chefe,
ao salvador de todos os jovens operários,
ao verdadeiro  fundador da JOC,
ao Deus de Paz e de Amor
a Nosso Senhor Jesus Cristo!
(a multidão reza em coro rítmico a oração Jocista)

Dirigente

- E agora, camaradas,
Para que se saiba em toda a parte
quanto  vos orgulhais do vosso movimento
e quanto vos sentis felizes
ao celebrar o seu décimo aniversário
aqui a voz, cantai o hino jocista!
Que ele acorde todos os ecos
Deste stadium
da nossa capital,
do nosso país,
da terra inteira!
(a multidão canta em coro o hino jocista)

Dirigente:

- Camaradas, nesta hora solene
Em que nos achamos reunidos
na Paz e na alegria,
Recordemos, antes de tudo,
os milhões de moços operários
para os quais ainda não brilhou,
a encher-lhes o sol da vida
o nosso Ideal.
Recordemos também
Qual era em nossa terra,
antes de existir a JOC
a sorte dos jovens  trabalhadores.
Ignoraram todos eles
as nossas alegrias espirituais.
Ninguém se compadecia
do seu abatimento moral.
Estavam abandonados sem defesa
A todas as sugestões do mal,
A todos os rancores,
A todas as revoltas.
- Nós que fomos salvos…

Coro jocista:

Salvemos os nossos irmãos!














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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

PE. CORREIA DA CUNHA NO ARSENAL DO ALFEITE











«MEMÓRIAS DOS TEMPOS ÁUREOS DO 

ARSENAL DO ALFEITE.»




Foi no dia 17 de Janeiro do ano de 1957, que se realizou no Arsenal do Alfeite, a cerimónia do lançamento à água do patrulha costeiro «Santa Luzia». Para o abençoar foi convidado o reverendíssimo pároco da freguesia de Almada. 


Este patrulha costeiro que foi construído no Arsenal do Alfeite para a Marinha de Guerra Portuguesa, fez parte de um série de cinco navios idênticos, tendo a construção de três deles sido confiada, nos termos de um acordo com o governo dos Estados Unidos da América, que a construção fosse executada em estaleiros navais portugueses (dois nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e um nos Estaleiros Navais do Mondego). 

A construção destes navios patrulha foi realizada segundo os planos da versão francesa dos P.C. (Patrol Craft). O Senhor Eng.º Joaquim Augusto José de Araújo Perestrello de Vasconcelos terá assinado na qualidade de Administrador do Arsenal do Alfeite com a Societé Anonyme Chantiers Dubigeon de Nantes uma convenção segundo a qual a referida Sociedade se obrigava a fornecer os desenhos, cópias, necessárias para que estes navios pudessem ser construídos em Portugal.

Sempre foi desejo do Senhor Engº. Perestrello de Vasconcelos que se construíssem dois navios no Arsenal do Alfeite, o «Santo Antão» e o «Santa Luzia». Este engenheiro era um homem de larga visão e arte. Mérito elevado, o seu, na árdua missão de gerir um grande polo de tecnologia na construção naval. Foi galardoado com a condecoração de grande oficial da classe de mérito industrial.

No dia 8 de Junho de 1956, em solene cerimónia, procedeu-se ao lançamento à água do patrulha «Santo Antão». No dia 17 de Janeiro de 1957 foi lançado o «Santa Luzia». È deste acontecimento que hoje publico uma foto que faz parte do espólio fotográfico do Engº Perestrello de Vasconcelos (1899-1962).




Sem embargo da descrição geral destes navios patrulha, procurarei apresentar as principais características que retirei de uma pequena brochura de Agosto de 1954, data do início dos trabalhos oficinais para a construção do «Santo Antão» no Arsenal do Alfeite.

Características Gerais: 

Comprimento entre perpendiculares – 51,829 m 

Comprimento máximo – 52,947 m 

Boca máxima – 7,046 m 

Pontal – 4,332 m 

Deslocamento leve -330 ton. 

Deslocamento máximo – 400 ton. 

Os navios são de casco metálico, de estrutura longitudinal e construção inteiramente soldada. 

O casco é essencialmente construído de aço próprio para construção naval, sendo também feito uso de laminados de liga leve de alumínio, em divisórias de alojamentos, parte da estrutura do rufo… 

O navio tem quatro motores principais do tipo «Diesel» associados dois a dois, com potência de 875 cavalos cada um a 1250 rpm. Esta potência permite que os navios atinjam uma velocidade superior a 18 nós. 

A energia eléctrica é produzida por dois grupos diesel-dínamo de 60KV. 

Os alojamentos e as suas instalações complementares estão previstos para uma tripulação de um comandante, três oficiais, oito sargentos, cinquenta praças.

Relatada a largos traços, esta pequena memória descritiva, há a referir as palavras do Administrador do Arsenal sobre a inestimável colaboração prestada pelos estaleiros Dubigeon, cuja actuação transcendeu as obrigações assumidas no contrato, tendo colocado ao dispor do Arsenal do Alfeite os seus mais valiosos recursos técnicos e humanos, na construção destes patrulhas.



Tendo em criança conhecido o Senhor Eng.º Perestrello de Vasconcelos, na fase final da sua vida, e das muitas conversas que ao longo dos anos ouvi ao Padre Correia da Cunha sobre esta notável figura que deixou um legado de valor e glória naquele Arsenal da Marinha Portuguesa. Grande figura de português que soube sempre espalhar cordiais relações entre os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e os Estaleiros Navais do Mondego. Foi graças à sua simplicidade e laconismo inovador que esta missão incumbida ao Arsenal de ser o estaleiro-guia para a execução desta empreitada da construção dos navios patrulhas se tornou num verdadeiro êxito. Quero realçar nesta data, em que se celebra 63 anos do Lançamento do «Santa Luzia», a excelente cooperação que era possível entre os principais construtores navais do nosso país.



Nesta cerimónia estiveram presentes como podemos constar pela foto, o ministro da Defesa, o ministro da Marinha, o presidente da administração do Arsenal do Alfeite Senhor Engº Perestrello de Vasconcelos e outros vários membros da administração, o Capelão chefe da Marinha de Guerra Senhor Padre Correia da Cunha, o Capelão do Arsenal Senhor Padre João Perestrello de Vasconcelos…

Na qualidade de anfitrião o Sr. Engenheiro Joaquim Augusto José de Araújo Perestrello de Vasconcelos ofereceu um almoço em honra da Marinha de Guerra Portuguesa a todos os convidados e altos comandos da Armada ali presentes.















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segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

PE. CORREIA DA CUNHA – NATAL 2019















«O VERBO SE FEZ CARNE, HABITOU

 ENTRE NÓS…»





Natal! Os anos vão passando… Uma vez mais lembrando ao mundo cristão, a efeméride lendária do nascimento de um menino que veio à Terra trazer uma mensagem de fraternidade, piedade e compaixão. Foi portador de uma boa notícia de Paz e Amor ao próximo. 

Ninguém sabe quando Jesus de Nazaré nasceu. Há dois mil anos que importância teria, na Palestina, o nascimento do filho de um carpinteiro e duma jovem de nome Maria? 

A natividade de Jesus Cristo simboliza a luz. A data simbólica de 25 de Dezembro estava ligada às celebrações das festas Saturnálias que o Império Romano promovia ao Deus Apolo, considerado como Sol Invicto, ou ainda de Mitra, adorado como Deus-sol. 

Para as comunidades Cristãs primitivas, Jesus Cristo era o único verdadeiro Sol para toda a humanidade. 

Só no séc. IV, as comunidades cristãs tendo como Papa Júlio I adoptaram o dia 25 de Dezembro para se celebrar o dia do nascimento de Jesus Cristo. Festa que os cristãos celebram desde há 1600 anos. 

Esse menino foi exemplo da humildade e da fraternidade. 

Hoje ao debruçarmo-nos sobre a imagem daquele recém-nascido, no presépio iluminado, recordamos que foi S. Francisco de Assis que introduziu no século XIII, este símbolo ao nascimento do Salvador. Referiu Francisco: «Quereria vê-lo com estes meus olhos, exactamente como ele esteve no presépio, deitado a dormir sobre a palha duma manjedoura». 

O Natal é um mistério que continua flutuando no espírito da humanidade. Sendo-se crente ou não, há no coração de cada indivíduo o sentimento de uma festa de família, e nesse abençoado dia há milagres que se concretizam e ideais que se realizam. É um dia de serenidade que desperta nas nossas almas as emoções de paz e amor. E nesse bem-aventurado dia, milhões de lares se identificam na lei: «amai-vos uns aos outros…».




A história da vida desta celebração da natividade perde-se na abundância de acontecimentos de generosidade, misericórdia e partilha que às vezes a nossa imaginação não concebe. Mas a vida é assim. 

Tudo na vida gira em volta de alguma fé. E em cada Natal abraçamos na nossa imaginação a infinita bondade de Jesus Cristo, colocando na consciência de cada um o verdadeiro sentimento de solidariedade. 

O Natal é o dia consagrado ao nascimento de Jesus de Nazaré, mas a maior festa do cristianismo continua a ser a Páscoa, e como recordo bem as palavras do Padre Correia da Cunha: «Nascer todos nascemos. Mas ressuscitar só Ele». A vitória da vida sobre a morte e alegria da vida eterna. 

Envolto nos sentimentos de fé em Jesus Cristo, peço-lhe que venha iluminar os caminhos da fraternidade. 

Termino com um desejo de paz e harmonia para os corações dos meus familiares e amigos do blogue Homenagem a um grande mestre de vida.

Natal. Jesus. Desejos de um Santo Natal.
















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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

PE. CORREIA DA CUNHA – ACÇÃO CATÓLICA XVIII










VIVER PARA A ESPERANÇA…




Inicio este texto a partir de memórias dos meus tempos de adolescência. Como sabemos ninguém nasce com princípios éticos. É preciso que alguém nos ensine o conjunto desses valores. O Padre Correia da Cunha, ao longo da sua vida sempre abraçou essa missão.

Creio que ele tinha a maior simpatia pelos jovens rebeldes  que pelos acomodados, pois para ele educar era perdoar e que cada um dos jovens devia contribuir para a transformação do mundo. O Padre Correia da Cunha lembrava sempre que ao contrário do proclamado por muitos, não devemos esperar que o mundo se transforme para nos transformarmos.

Pergunto – me, passados mais de cinquenta anos, se o Padre Correia da Cunha professava mais o modelo de perdão judaico, ou o da doutrina defendida pelo catolicismo, em que os pecados só são perdoados pela absolvição do sacerdote.

Quando alguém dele se abeirava para a confissão, sempre o advertia para que se dirigisse junto do sacrário e pedisse perdão a Deus pelos pecados cometidos contra Deus, pelos pecados cometidos contra os irmãos, que fosse ao seu encontro e lhe pedisse desculpa. Não era preciso andarmos todos os dias a confessar os pecados.

Os confessionários na comunidade paroquial de São Vicente de Fora, acumulavam camadas de pó, pois para o Padre Correia da Cunha o grande momento de reconciliação era a grande celebração comunitária que se realizava anualmente no período da Quaresma.

Seria para mim uma grande alegria poder resgatar os guiões elaborados pelo punho do Padre Correia da Cunha para essas celebrações que eram uma profunda autópsia às nossas consciências e que nos ajudavam na descoberta do caminho da graça e no pedágio da salvação.

No decorrer destas celebrações havia sempre um tempo em que éramos convidados a abraçar os irmãos que tínhamos ofendido, um amigo ou um vizinho e a reconhecer o nosso erro. Eles tinham o dever de perdoar. O perdão deveria ser uma promessa de esquecimento.

Ninguém é tão pecador que não possa encontrar força, pureza e justiça em Jesus Cristo, que por todos morreu…

À medida que nos aproximamos de Deus em arrependimento e contrição, Ele se aproximava de nós com misericórdia e perdão. O caminho que parecia coberto de trevas tornava-se iluminado pela graça. Foi para salvar os pecadores que Jesus veio ao Mundo.

E falando de perdão não posso deixar de narrar um episódio que li e que me causou uma enorme emoção. Quando Nelson Mandela tomou posse de chefe de estado da Africa do Sul, para essa cerimónia oficial convidou e fez questão de ter a seu lado os dois carcereiros que ao longo dos vinte sete anos de prisão o tinha aprisionado e mal tratado. Não optou por ter nesse dia a seu lado os famosos da política internacional. Este gesto de Nelson Mandela fez-me recordar a crucificação de Jesus Cristo no Calvário ao lado de dois ladrões. Ele quis que o olhassem como um ser humano e só se enobreceu com este gesto de humanidade, à semelhança de Cristo não se rebaixou, antes pelo contrário, se elevou.

A confissão do pecado seja, ela pública ou em privado, deve ser feita de maneira franca e sincera, visando a mudança de atitude e pensamento e com o desejo de se dar inicio a uma nova direcção.

Termino recordando o apóstolo Tiago: ‘’ Confessai, pois os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes perdoados.’’

Confessemos pois os nossos pecados a Deus, o único que pode perdoá-los e as nossas faltas uns aos outros.

O Padre Correia da Cunha ajudava-nos a pensar nos grandes princípios da ética. Estes valores ajudar-nos-iam a contribuir para não mancharmos a nossa história e a não desonrarmos as nossas famílias, pelo que deveríamos cuidar da nossa decência e a termos como regra: um por todos e todos por um! Não nos deixemos arreigar à ideia de cada um por si, Deus por todos, que nos afastará decisivamente de vivermos para a grande esperança.







texto Padre Correia da Cunha

Trabalho positivo do assistente eclesiástico

Não deve encaminhar as almas para a santidade através de um prima difícil e quase impossível apresentando-lhes barreiras como que intransponíveis, mas deve abrir-lhe perspectivas bem como ilimitados horizontes de progressos na intimidade divina acessível a qualquer alma de boa vontade. 

A santidade não é só para religiosos como muitos erradamente pensam, sem autopsiar-se à Acção divina nem passar além das disposições determinadas por Deus, devemos pô-las nas largas avenidas do abandono a Deus que conduzirão as almas à sua inegável união. 

Nos primeiros passos da vida purgativa e mesmo iluminativa devem as almas ter sempre largos horizontes. 

O que é verdade para qualquer alma é o também para os jocistas que não são cristãos de categoria inferior, mas privilegiados. São necessários assistentes sábios mas de experiencia. A nós compete pensar nestas coisas e tornar-lhes fáceis estas ascensões a que eles têm vontade de subir, inculcando-lhes estes dois pensamentos fundamentais: o culto do estado de graça e o rendimento sobrenatural de uma vida de apostolado que é o exercício da caridade para com o próximo. 

Culto do estado de graça. 

Culto significa cultivo, adorno, rodeio de cuidados. 

Implica conhecimentos, estima e aperfeiçoamento daquilo que estamos para desenvolver: o estado de graça. É neste tríplice sentido que empregamos a palavra. Esta palavra estado, aqui não implica possibilidade, nada mais dinâmico que a graça participação incriada da vida incriada que é Deus fonte de toda a vida. Da parte de Deus é um dom definitivo; importa muito apresentar claramente aos jocistas este grande mistério ponto central e culminante da vida cristã para que compreendam, admirem e se torne praticamente o centro da sua vida e fim de seus labores. Não se trata de formar teólogos nem mestres na apologética, mas verdadeiros cristãos que saibam o essencial da sua religião. 

Assim não teremos fiéis por rotura, costume ou tradição, mas cristãos conscientes, orgulhosos da sua fé que conheçam estimem e pratiquem todas as suas exigências porque percebem a sua provação com o fim último. São exigências do Pai que só procura o bem de seus filhos. Assim saberão as razões da sua fé e vivê-la-ão. Não procuraremos espíritos servis melancolicamente envergonhados, mas espíritos ardentes e dedicados ao serviço de Deus. 

O Dogma da graça santificante é Luz 

Buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça. 

A vida eterna é conhecer Deus e a sua graça. Acreditemos no amor de Deus, tais são os grandes sonhos da vida cristã cujo cumprimento tem por prémio a vida eterna. Ora o dogma da graça santificante as pressupõe e as une e beneficia pois é a tradução do amor em que Deus tem a pobre criatura que tirou do nada e elevou à participação da própria natureza divina para um dia associá-la à sua felicidade. 

Este dogma como que envolve em luminosa auréola e coloca no centro da muita fé e da vida o filho unigénito de Deus dado pelo Pai para a nossa restauração espiritual. 

É pois corolário dos mistérios da encarnação e redenção. Este dogma leva-nos ao entendimento da vida de Cristo no seu Corpo Místico que é a Igreja: Ele cabeça, nós os membros. 

Perante o amor que obrigou a entregar-se à morte pela Igreja para a apresentar gloriosa e sem mácula, tornando-se faróis os grandes desígnios da caridade do Senhor. 

O Dogma da graça santificante é calor 

É totalmente verdade que para muitos cristãos os dogmas não passam de definições abstractas e frias que pouco ou nada dizem. Ignoram que todos trazemos o selo do amor que é a própria definição de Deus. 

Este amor é nos revelado infalivelmente por este dogma que nos há-de embelezar pela grandeza que nos faz descobrir em nós e nas esperanças que descortina. Sacia as nobres aspirações da natureza humana e ensina-nos que Deus olha com carinho e mesmo com reverência o mais humilde operário e o enriquece para a eternidade e o tira da miséria e da lama. 

Esta doutrina deve suscitar a admiração e entusiasmo pois é uma grande realidade a única, a que confere a maior dignidade pessoal que se pode imaginar: a dignidade de filhos de Deus, de morrer sob a protecção de Deus que reina em nós e nos convida a penetrar na sua intimidade (conf. Efs. III,18). Assim arraigados na caridade poderemos dar-nos a Cristo e receber D’ele a plenitude da sua graça. 

Eis o que torna suave o jugo do Senhor. Quem ama faz a vontade do amado em tudo. 

Como explicar este dogma.

Hoje a quase totalidade dos cristãos ignora tudo isto ou não compreende. Para tirar esta ignorância orientemos neste sentido as suas leituras, meditações e reflexões. Inculquemos a caridade proferida que dá à vida cristã a contemplação, este mistério para o qual deve convergir tudo. 

- dogma, moral, vida intima e social, oração e vida litúrgica, veremos logo se este ensino é bem assimilado e tem influencia, sobretudo devemos evitar o simples formalismo. 

A lógica diz que seria ilusão pretender para os nossos operários aquisição destas convicções sem que nós sintamos que eles envolvem e enchem a nossa própria vida. Nós havemos de tornarmos-nos tanto mais ricos quanto mais temos de comunicar. 

Como traduzi-lo na vida 

Temos que urgir contra esta ideia que muitos fazem do estado de graça: o não ter pecado mortal na consciência: Não é viver cristãmente. Isto é incompleto. São raras as almas que sabem que o acto de contrição após um pecado mortal nos perdoa o pecado e nos poe logo a viver Cristo contanto que haja o propósito de confissão. O acto de contrição perfeito é a chave do paraíso que havemos de ter sempre na oração para a termos no momento da morte.

Trabalho positivo do assistente eclesiástico 

Não deve encaminhar as almas para a santidade através de um prima difícil e quase impossível apresentando-lhes barreiras como que intransponíveis, mas deve abrir-lhe perspectivas bem como ilimitados horizontes de progressos na intimidade divina acessível a qualquer alma de boa vontade. 

A santidade não é só para religiosos como muitos erradamente pensam, sem autopsiar-se à Acção divina nem passar além das disposições determinadas por Deus, devemos pô-las nas largas avenidas do abandono a Deus que conduzirão as almas à sua inegável união. 

Nos primeiros passos da vida purgativa e mesmo iluminativa devem as almas ter sempre largos horizontes. 

O que é verdade para qualquer alma é o também para os jocistas que não são cristãos de categoria inferior, mas privilegiados. São necessários assistentes sábios mas de experiência. A nós compete pensar nestas coisas e tornar-lhes fáceis estas ascensões a que eles têm vontade de subir, inculcando-lhes estes dois pensamentos fundamentais: o culto do estado de graça e o rendimento sobrenatural de uma vida de apostolado que é o exercício da caridade para com o próximo. 

Culto do estado de graça. 

Culto significa cultivo, adorno, rodeio de cuidados. 

Implica conhecimentos, estima e aperfeiçoamento daquilo que estamos para desenvolver: o estado de graça. É neste tríplice sentido que empregamos a palavra. Esta palavra estado, aqui não implica possibilidade, nada mais dinâmico que a graça participação incriada da vida incriada que é Deus fonte de toda a vida. Da parte de Deus é um dom definitivo; importa muito apresentar claramente aos jocistas este grande mistério ponto central e culminante da vida cristã para que compreendam, admirem e se torne praticamente o centro da sua vida e fim de seus labores. Não se trata de formar teólogos nem mestres na apologética, mas verdadeiros cristãos que saibam o essencial da sua religião. 

Assim não teremos fiéis por rotura, costume ou tradição, mas cristãos conscientes, orgulhosos da sua fé que conheçam estimem e pratiquem todas as suas exigências porque percebem a sua provação com o fim último. São exigências do Pai que só procura o bem de seus filhos. Assim saberão as razões da sua fé e vivê-la-ão. Não procuraremos espíritos servis melancolicamente envergonhados, mas espíritos ardentes e dedicados ao serviço de Deus.









O Dogma da graça santificante é Luz 

Buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça. 

A vida eterna é conhecer Deus e a sua graça. Acreditemos no amor de Deus, tais são os grandes sonhos da vida cristã cujo cumprimento tem por prémio a vida eterna. Ora o dogma da graça santificante as pressupõe e as une e beneficia pois é a tradução do amor em que Deus tem a pobre criatura que tirou do nada e elevou à participação da própria natureza divina para um dia associá-la à sua felicidade. 

Este dogma como que envolve em luminosa auréola e coloca no centro da muita fé e da vida o filho unigénito de Deus dado pelo Pai para a nossa restauração espiritual. 

É pois corolário dos mistérios da encarnação e redenção. Este dogma leva-nos ao entendimento da vida de Cristo no seu Corpo Místico que é a Igreja: Ele cabeça, nós os membros. 

Perante o amor que obrigou a entregar-se à morte pela Igreja para a apresentar gloriosa e sem mácula, tornando-se faróis os grandes desígnios da caridade do Senhor. 

O Dogma da graça santificante é calor 

É totalmente verdade que para muitos cristãos os dogmas não passam de definições abstractas e frias que pouco ou nada dizem. Ignoram que todos trazemos o selo do amor que é a própria definição de Deus. 

Este amor é nos revelado infalivelmente por este dogma que nos há-de embelezar pela grandeza que nos faz descobrir em nós e nas esperanças que descortina. Sacia as nobres aspirações da natureza humana e ensina-nos que Deus olha com carinho e mesmo com reverência o mais humilde operário e o enriquece para a eternidade e o tira da miséria e da lama. 

Esta doutrina deve suscitar a admiração e entusiasmo pois é uma grande realidade a única, a que confere a maior dignidade pessoal que se pode imaginar: a dignidade de filhos de Deus, de morrer sob a protecção de Deus que reina em nós e nos convida a penetrar na sua intimidade (conf. Efs. III,18). Assim arraigados na caridade poderemos dar-nos a Cristo e receber D’ele a plenitude da sua graça. 

Eis o que torna suave o jugo do Senhor. Quem ama faz a vontade do amado em tudo. 

Como explicar este dogma. 

Hoje a quase totalidade dos cristãos ignora tudo isto ou não compreende. Para tirar esta ignorância orientemos neste sentido as suas leituras, meditações e reflexões. Inculquemos a caridade proferida que dá à vida cristã a contemplação, este mistério para o qual deve convergir tudo. 

- dogma, moral, vida intima e social, oração e vida litúrgica, veremos logo se este ensino é bem assimilado e tem influencia, sobretudo devemos evitar o simples formalismo. 

A lógica diz que seria ilusão pretender para os nossos operários aquisição destas convicções sem que nós sintamos que eles envolvem e enchem a nossa própria vida. Nós havemos de tornarmos-nos tanto mais ricos quanto mais temos de comunicar. 

Como traduzi-lo na vida 

Temos que urgir contra esta ideia que muitos fazem do estado de graça: o não ter pecado mortal na consciência: Não é viver cristãmente. Isto é incompleto. São raras as almas que sabem que o acto de contrição após um pecado mortal nos perdoa o pecado e nos poe logo a viver Cristo contanto que haja o propósito de confissão. O acto de contrição perfeito é a chave do paraíso que havemos de ter sempre na oração para a termos no momento da morte.















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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

PE. CORREIA DA CUNHA – ACÇÃO CATÓLICA XVII










«CRIANÇA IMAGEM COLORIDA E 

SAUDOSA.»



Vestíamos a melhor roupa que tínhamos para ir à missa dominical presidida pelo Padre Correia da Cunha, na igreja de São Vicente de Fora, a mais bela e monumental igreja do bairro. Chegados a casa, depois da catequese essa roupa era cuidadosamente guardada até ao próximo domingo.



Naquele tempo o domingo (Dia do Senhor) era o oásis para culminar uma semana de trabalho escolar. A missa dominical revestia-se do maior cerimonial, celebrada no esplendoroso altar-mor sob o monumental baldaquino barroco ricamente decorado com relevos, esculturas e douramentos. 

O senhor prior fazia questão de ter junto de si sempre doze meninos do coro (simbolizavam os 12 apóstolos presentes na última ceia), todos vestidos com alvas brancas com capuz e cíngulo vermelho, simbolizando o martírio do padroeiro, o jovem diácono Vicente.

Nas manhãs de domingo uma vasta multidão de crianças e adolescentes apresentava-se na sacristia do mosteiro para tomarem parte do majestoso cortejo e ajudarem à celebração da Eucaristia. Todos alimentavam o forte desejo de se sentarem no altar-mor e serem vistos pelos paroquianos que enchiam completamente todas as naves do imenso templo. Essa era a ilusão que todos tínhamos mesmo querendo disfarçar esse imenso desejo. Consegui-lo era para cada um de nós uma enorme felicidade.

Ali sentados, em lugar de destaque, ouvíamos em atitude de silêncio os belos cânticos litúrgicos, as grandes prelecções e preces religiosas… que enchiam as almas de todas as piedosas crianças. 

Recordo que à época a catequese paroquial era frequentada por volta de quinhentas crianças de ambos os sexos. 

Todos sonhávamos em participar nessa celebração dominical, mas bem cedo me dei conta que o sacerdote dava primazia aos meninos que durante a semana ajudavam na missa diária das seis e meia. 

Durante a semana o Padre Correia da Cunha apenas podia contar com dois ou três rapazinhos para ajudar à missa. 

A missa diária era celebrada num dos altares do transepto do templo, o dedicado à Nossa Senhora da Conceição e os meninos envergavam uma opa branca coberta com uma romeira de cor azul celeste. Não havia lugar a grande cerimonial. Eu era um dos que não faltava diariamente a uma visita ao Santíssimo Sacramento. Era da praxe pedir da bênção do senhor prior, antes de participar na celebração desse acto de culto envergando a opa mariana.



O padre Correia da Cunha era um respeitador da realidade da vida em harmonia com as leis das coisas. E o mais nobre sentimento humano para ele era desejar ao seu semelhante, aquilo que desejava para si.

Bem cedo aprendi que é mais fácil sermos obedecidos, bastando apenas obedecermos, sem pensar nos nossos direitos… pois era assim; que sempre me era garantido o prémio de conforto na missa dominical. 

O próprio padre Correia da Cunha se encarregava de fazer a entrega das alvas brancas e cíngulos aos rapazes que durante a semana participavam na Eucaristia vespertina.

Não sei porque estou a escrever estas vivências de há mais de cinquenta anos. Mas lembro que foram estes acontecimentos da minha vida de criança que me vieram à memória, depois de ler atentamente este belo texto da autoria do Padre Correia da Cunha, que hoje, com muito prazer publico.

Todas as crianças nos inspiram sempre certos sonhos da nossa infância, de alguma inocência, que ao longo das nossas vidas conservamos para nos ajudarem a meditar na nossa vida espiritual.

Eu era um menino de sete ou oito anos, quando fui encontrar na comunidade paroquial de São Vicente de Fora, um padre que me amparou e se esforçou para me indicar o caminho da perfeição.

Creio que era um menino simpático e esperto e que também não deixava de fazer algumas travessuras. Mas a minha participação activa nos actos de culto e na frequência da catequese que ocorria após a celebração da missa das dez horas de cada domingo, muito me ajudaram na busca de uma vida cristã baseada na oração caritativa e sacramental.







Texto  do Padre Correia da Cunha

FIM DOS EXERCÍCIOS DE PIEDADE 

Já vimos que não passam de meios para alcançar o espirito de oração. Tratando-se de trabalhadores que tem absorvida a actividade toda pelo labor, não lhes é possível muitas vezes a piedade litúrgica…E oxalá que a todos chegasse o tempo para fazer uma visita ao Santíssimo Sacramento todos os dias à tarde. 

Por tal é necessário acabar a solução de como os operários devem praticar os exercícios de piedade a fim de adquirirem o espírito de oração que lhe é indispensável. 

EXERCÍCIOS INDISPENSÁVEIS: ORAÇÃO DA MANHÃ E MISSA DOMINICAL 

Todo o jocista precisa de fazer bem a sua oração da manhã, não propriamente com fórmulas decoradas e talvez complexas e por ele mal compreendido, mas com um movimento espontâneo de fé na presença de Deus juntamente com o oferecimento do dia com a sua actividade toda e a impetração de graças. É muito aconselhável um breve exame de previsão do que lhe pode suceder e do modo como deve reagir. 

Mais importante ainda é a Missa Dominical. 

Um jocista deve sempre participar no sacrifício; deve integrar-se no sentido do ofertório e saber que também deve levar a sua parte de oferenda trabalhos, lutas para em união com Cristo na cabeça, adquirirem todo o valor. Da Missa e Comunhão haverá novas energias para a semana que começa e para bem oferecer aquilo que Deus mandar. 

A intimidade com Jesus progressivamente irá aumentando e, assim o jocista fervoroso sentirá pelo dia adiante necessidade de exprimir a Cristo o entusiasmo de sua fé, a sua confiança o seu amor e o desejo de mais se unir a Ele. 

JACULATÓRIAS 

Os sentimentos diversos do Amor de Deus, a que nos referimos, são muitas vezes traduzidos nessas pequeninas mas penetrantes setas que dirigimos ao Céu e que se chamam: Jaculatórias.





O QUE É A MEDITAÇÃO 

Que a frequência de jaculatórias corresponda a um estado de alma que se eleva a Deus ou se concentra com a beatíssima Trindade que habita nela em estado de graça! 

A prática das jaculatórias conduz à meditação. 

Há vários modos de a fazer; mas ela deve ser sempre um colóquio filial e respeitoso do homem, com o Criador e Redentor, em que reconhecemos a nossa total dependência d’Ele. 

Podem fazer-se por vários métodos, mas a oração mental é acima de tudo uma expressão ordenada da caridade na intimidade com Deus no endireitar todas as potências, não tanto para um tema dado, como para uma pessoa: - Jesus Cristo. 

OUTROS EXERCÍCIOS PIEDOSOS: MISSA DIÁRIA 

Lembramos os exercícios de todos os cristãos: ao Sagrado Coração de Jesus, e por seu amor do salvador, à Santíssima Eucaristia e à participação diária no Sacrifício do Senhor. 

A Nossa Senhora, mãe e medianeira, não deve esquecer a devoção dos jovens, sobretudo para alcançar a pureza; São José modelo de vida de trabalho deve ter um cantinho no coração dos nossos jovens operários católicos. 

Todavia é para a Missa diária e comunhão se possível que o esforço do sacerdote deve tender. 

EDUCAÇÃO SACRAMENTAL 

Sabemos que os dons de Deus por excelência são os sacramentos – sinais corpóreos porque não somos puros espíritos… Mas quanto se não tarda em dar contas dessas expressões que traduzem o amor imenso de Deus às almas. 

Daí devemos ter empenho em completar a educação sacramental (iniciada no Catecismo chamando a atenção e exortando as vontades sobretudo para o Baptismo, Eucaristia e Penitencia, afim de os efeitos «ex opere operato» não fiquem diminuídos pelas deficientes disposições do sujeito.

















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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA








Os amigos que partiram…








IN MEMORIAM


MARINA HELOÍSA ÁLVARES SERRÃO

 (1935-2019)




Marina Heloísa Álvares Serrão  – nasceu na cidade de Santarém, no dia 14 de Janeiro de 1936 e faleceu na cidade de Lisboa, no dia 9 de Setembro de 2019.

Marina Serrão! Nome que é um símbolo!

Era símbolo de crença, de bondade e de quantas boas e indescritíveis qualidades. Era uma mestra! Era uma grande catequista! Os adolescentes procuravam-na, buscando os encantos do seu convívio. A todos recebia de braços abertos a todos auxiliava.

Era uma crente de uma fé esclarecida e sincera, um coração de ouro. Marina tinha uma nobre alma perfumada pelas regras de São Francisco de Assis, o amoroso contemplativo e doce amigo dos humildes. Era muito sensível  a todas as obras de caridade, onde participava no exacto cumprimento dos seus deveres de boa cristã. Era assim, uma verdadeira ‘franciscana’, reflectindo no trato e nas conversas com os seus jovens, esta nobreza de alma.

A esmerada educação, a tolerância e o carinho deviam pertencer à sua família, mas a ‘santidade’ essa era para todos e não herança de pessoa alguma.

Recordações…uma ficará para sempre gravada na minha memória. Aquela tarde do mês de Janeiro de 2009, quando a visitei em sua casa para lhe dar uma agradável surpresa. Mostrei-lhe os meus primeiros escritos de homenagem a um amigo comum: Padre Correia da Cunha (Pároco de São Vicente de Fora 1960-1977). Roguei que me transmitisse a sua qualificada opinião com toda a sinceridade e me dissesse o que sentia. Leu com muita atenção os textos, e no fim, voltando-se para mim, com aquele seu modo acolhedor, um grande sorriso, mas um ar triste: «João Paulo não se pode fugir a um dever, tanto mais quando esse dever corresponde ao sentir da nossa alma. Bem sabes da minha imensa admiração que tinha pela grandeza moral e de carácter do nosso saudoso prior». Depois disse-me: «o Padre Cunha, para mim, continua vivo nesta monumental igreja tão sua, a que tanto a sua alma queria… (pela janela da sala de visitas observa-se toda a panorâmica da igreja)».

Quem, como nós, tivemos a felicidade de gozar da sua convivência, sentimos-nos comovidos ao lermos estes textos.

Nessa tarde, falámos um pouco de tudo. A Marina ousou falar do sacerdote que ela adorava e aproveitou para evocar um passado de recordações de factos e episódios da vida desse amigo comum.

Falava com tanto entusiasmo, tanto calor, tanta vida que me parecia ressurgir no meu espírito toda a energia para levar por diante a missão de homenagear o grande Mestre de Vida. Muitos desses episódios foram inseridos no livro de que sou autor: Correia da Cunha (Padre-Marinheiro-Poeta).

A derradeira vez que a vi estava já prisioneira da cegueira. Festejou-me imenso. O seu imenso talento permitiu-lhe evocar com grande flagrância e singeleza as grandes personalidades do passado da Paróquia de São Vicente de Fora e dos tempos de convivência com o Padre Correia da Cunha. A sua inesquecível Anita Themudo Barata…

A Marina pelo seu primoroso coração, a sua sensibilidade pura e fina delicadeza conquistava os adolescentes e jovens, motivando-os no respeito cristão e humano bem como pelos interesses das suas vidas.

Assim, fecharei esta singela e sentida homenagem a Marina Heloísa Serrão, uma grande amiga da Comunidade Paroquial de São Vicente, onde desenvolveu uma excelente actividade pastoral em prol dos mais jovens.

Dai-lhe Senhor, o eterno descanso e brilhe para ela o esplendor da Luz eterna.

Paz à sua formosa alma!












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