sexta-feira, 18 de maio de 2018

PE. CORREIA DA CUNHA E O ALMIRANTE FÉLIX ANTÓNIO















«A POESIA SERÔDIA DUM VELHO 

MARINHEIRO.»





Na passada semana fiquei surpreendido com o convite do Excelentíssimo Senhor Almirante Joaquim dos Santos Félix António, manifestando o desejo de que eu estivesse presente na Academia de Marinha, no dia 15 de Maio, para escutar uma palestra proferida por este académico, intitulada: A POESIA SERÔDIA DUM VELHO MARINHEIRO.






Agradecendo tão delicada atenção não poderia deixar de comparecer, já que o Sr. Almirante foi amigo do Capelão Correia da Cunha, quando desempenhou as funções de director, do Hospital da Marinha, cargo que exerceu com superior competência. O Almirante Félix António marcara presença na Celebração do Centenário do Nascimento do Padre Correia da Cunha, ocorrida em Setembro no passado ano.

O auditório da Academia de Marinha reuniu no mesmo espírito altas personalidades de tão nobres qualidades ligadas à Armada e à Medicina.

Foi para mim um imenso prazer ouvir os poemas da autoria do Sr. Almirante Félix António. Mas todos ficamos sem saber, o que mais admirar, se os poemas e sonetos, se o talento, o saber, a fineza de espírito ou a delicadeza dos seus sentimentos e a inexcedível bondade do seu coração.


Não poderia eu prever aquele belo momento aquando da singela homenagem ao capelão-poeta Correia da Cunha. O Senhor Almirante não deixou de evocar o seu antigo capelão, certamente, por este lhe ter deixado pelo seu grande espírito, algo de herança para a sua alma de poeta.

Com saudade, muito carinho e amor lhe dedicou um belo poema, lembrando que no 40º aniversário da sua morte foi lançado um livro com o título CORREIA DA CUNHA – Mestre de Vida (padre-marinheiro -poeta) da autoria do seu paroquiano João Paulo Dias ali presente no auditório.







Os poemas deste «velho marinheiro» enlevam-nos e atraem-nos, porque tudo nos parece iluminado pelos reflexos da sua bondade, pela fé nos mais altos ideais bem como naquilo que há de mais elevado e nobre. Um guerreiro contra ao grosseiro materialismo em que tantos e tantos se afundam.

Ouvi-o falar de um passado de recordações de factos e episódios de vida quer como médico «João Semana», quer como audaz marinheiro. Através dos seus versos recordava todos aqueles que lhe eram mais queridos. Falava com tanto entusiamo, tanto calor, tanta vida que parecia ver renascer o seu mais belo espírito, vigor e entusiasmo da sua mocidade.


Os poetas têm a imaginação voltada para a doçura das coisas terrenas, para o amor, para as visualidades exuberantes da natureza, para a graciosidade da mulher, para a embriaguez dos sentidos, para os deleites e desgostos da vida.

A Academia de Marinha transformou-se num santuário de poesia em que se respirou sabedoria e bom gosto, naquela atmosfera cheia de muitíssimos honrados médicos e de altas patentes da Armada, para escutarem o distinto Almirante revestido das maiores delicadezas sentimentais.

Finalizou a sessão com tal emoção e expressão que me é impossível descrever por palavras. Os olhos rasos de lágrimas quando leu um poema homenageando o seu querido filho recentemente falecido. Um poema de dor e de amor paternal.

Ao Senhor Almirante Joaquim Félix António a expressão dos meus sentimentos grato pelo honroso convite e pelo poema dedicado ao amigo PADRE CORREIA DA CUNHA.

A POESIA RESTANTE DO VELHO MARINHEIRO
Na sessão cultural de 30 de Abril foi apresentada a comunicação “A poesia restante do velho marinheiro”, pelo Académico Joaquim dos Santos Félix António.





MÉDICO – MARINHEIRO - POETA

A sabedoria, a justiça e a bondade são qualidades só de alguns homens. São pilares cruciais para a ascese na realização dos desígnios divinos. Para retractar o autor do texto que abaixo transcrevo, escrevi em 2015 o livro cujo título sintetizei em PADRE-MARINHEIRO-POETA.

No passado dia 30 de Abril, na Academia de Marinha, no dia em que o Senhor Almirante Joaquim Félix António celebrava o seu 90º aniversário, este oficial-general apresentou uma conferência, o que pensa ser a sua última presença neste órgão cultural da Marinha, intitulada: “A POESIA RESTANTE DO VELHO MARINHEIRO’’

Ao contemplar o bondoso rosto deste brilhante orador que prendia todo o auditório, dei por mim a pensar que melhor título para uma obra literária sobre este afectuoso velho almirante da Marinha de Guerra: MÉDICO-MARINHEIRO-POETA. É um vate de coração sempre jovem que trabalha cada vez com mais cuidados a sua obra poética, toda de arte e de brilhante encanto.

Esta sessão foi adorável pelo conjunto de poesia que perpassou toda a cultura do país que um dia o viu nascer. A política, o fado, a mulher e o amor; a felicidade e o desalento e outros estados de alma. Também mencionou o almirante Gago Coutinho e a tauromaquia, com destaque para os marinheiros ligados à Festa Brava. Não esqueceu os anos de oiro da sua juventude na secular academia de Coimbra.

Naquela tarde senti uma rara marca de arte em todos os seus poemas, pois cada vez mais o poeta afina o seu talento. O médico Félix António não esmorece e constantemente sonha em impregnar a sua poesia de um cunho muito pessoal. A sua poesia canta adoravelmente a sinfonia dos provérbios e adágios do povo português.

Como médico é uma alma de eleição que é estimado e admirado por todos os seus pares, que têm a honra de terem privado e colaborado com esta grande figura de inexcedível bondade, finura de espírito e alta expressão de ternura. A presença de uma vasta multidão de operários da saúde nesta sua conferência é bem testemunho da nobreza de sentimentos que os continuam a unir a este Médico-Marinheiro e Poeta.

Houve também um maravilhoso momento de homenagem ao seu grande amigo o Doutor António Saturnino Sútil Roque (1932-2018), dedicando-lhe um belíssimo poema. Estavam presentes no auditório da Academia a viúva e a filha deste ilustre médico. Foi a forma de compartilhar as suas saudades, emoções e sonhos ao notabilíssimo e grande profissional da medicina. O Doutor Sútil Roque ajudava os outros a recuperar a saúde, seguindo os nobres ditames de uma vocação tão profunda e sublime visando ser útil à humanidade.

Este médico viveu durante muitos anos na paróquia de São Vicente de Fora, tendo como pároco o seu ex-capelão Correia da Cunha de quem era amigo do coração, desde os velhos tempos em que foi médico da Marinha como oficial da reserva naval.

Quando o Padre Correia da Cunha se aproximava de algum paroquiano pobre, precisando de ajuda médica logo recorria ao seu ‘anjo’ Sútil Roque que o tratava sem cobrar quaisquer honorários e ficando os medicamentos a cargo do sacerdote.

A bondade e a dignidade não necessitam de cumprimentos. Eram estes actos simples e realizados no mais profundo silêncio que realmente contavam na vida destes homens.

Foi também desta forma singela a melhor maneira de recordar e agradecer a este Médico-Marinheiro-Cantor tudo o que fez pela gente pobre e humilde da sua paróquia.

Ao terminar a conferência o notabilíssimo Almirante Joaquim dos Santos Félix António entusiasticamente manifestou o seu apaixonado amor à Marinha de Guerra. Ali cumpriu o seu dever com nobre e leal patriotismo. Foi um tributo de gratidão e de despedida com muita saudade, carinho e emoção. A assistência em profundo silêncio e em atitude de grande respeito escutou comovidamente este preito de eterna gratidão à sua grande paixão: a esplendorosa Marinha Portuguesa.















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terça-feira, 8 de maio de 2018

PE. CORREIA DA CUNHA - ACÇÃO CATÓLICA I












«É ESSENCIAL QUE OS JOVENS SEJAM FORMADOS NO AMOR A DEUS E AO PRÓXIMO.»



Não me recordo do Padre Correia da Cunha me ter falado algum dia da sua ligação à Acção Católica Portuguesa e particularmente aos Jocistas. Certamente foi nos seus primeiros anos de sacerdócio.

Irei ao longo dos próximos meses, transcrever as muitas lições por si ministradas aos jovens trabalhadores cristãos, retiradas de um velho caderno amarelecido pelo tempo. Penso que estes escritos sejam dos anos 40 do passado século. Esta associação JOC tinha como missão a libertação dos jovens trabalhadores como verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo e a viverem o Amor a Deus e à Igreja.

Neste primeiro texto e nas palavras do assistente eclesiástico: Os jocistas eram verdadeiros militantes moldados pelos ensinamentos da Igreja e pelos princípios da sua hierarquia.

Não se podia encarar de ânimo leve esta sua tarefa sacerdotal. Esta missão implicava uma completa interiorização e uma fervorosa vida espiritual. Tratando-se de uma população jovem, futuro da Igreja e continuidade da sua obra da Igreja. Através destes escritos fica bem claro que se propõe educar a juventude no Amor a Deus através de uma forte militância e vigilante valorização pessoal que permitisse mais tarde a estes cristãos cumprirem em plenitude as suas missões no seio da comunidade paroquial.





O assistente da Acção Católica, particularmente no movimento Jocista.

Primeira pergunta: Importância capital do papel do assistente nas obras da Acção Católica.
- A grande importância a vital importância do papel do assistente nas obras da Acção Católica, e não nos fora inoculada pela própria natureza e gravidade do assunto, ter-nos-ia sido suficientemente declarada pelas palavras que como lema duma revista: «Assistente Eclesiástico», o Santo Padre Pio XI pelo seu próprio punho escreveu: A Acção Católica é o que for cada um dos seus assistentes na parte que lhe seja confiada: In manibus tuis sortes  mea.

Assim é, o assistente leva em suas mãos a sorte presente e todo o futuro da Acção Católica. Não nos iludamos a este respeito. Se a Acção Católica se desenvolve e próspera, numa palavra se a Acção Católica vive é principalmente e quase unicamente devido ao assistente eclesiástico.



Na verdade, do assistente dependem os militantes que realizarão o apostolado laical que é uma tarefa, e por meio dos militantes depende ainda do assistente a eterna salvação daqueles que esperam no apostolado a actuação da acção dos militantes formados, guiados, e animados pelo assistente. Que grande responsabilidade não é a do assistente… In manibus…







Na Acção Católica o sacerdote não é senão o assistente. Não é presidente, nem tesoureiro, nem maquinista; é pura e simplesmente o assistente ou para empregar as palavras do Papa ao Episcopado colombiano: a alma das associações, fonte de energia, animador do apostolado: representante da autoridade. Deixando aos leigos a direcção e a responsabilidade das associações, deve porém garantir a fiel e constante aplicação dos princípios e directivas estabelecidas pela hierarquia da Igreja. O seu papel é portanto imponderável, insubstituível.

Pertence ao assistente eclesiástico procurar com recato escolher com prudência formar e instruir os apóstolos leigos do meio do trabalho. Por outro lado é grande dever dos prelados escolher esses educadores de todos o que hão-de colaborar com a hierarquia para esses sacerdotes formarem os futuros apóstolos de todas a classes sociais já que a Acção Católica deve ser especializada.


Por mais brilhantes que sejam as qualidades naturais de um sacerdote não bastam: É pois necessário sobrenaturalizá-las no amor do Coração de Jesus. A educação espiritual do Padre deve surgir as qualidades de instruir que lhe faltam, ou aperfeiçoar as que tem. Os encargos da formação dos militantes jovens urge o convencimento a propósito de tudo orai nas horas fixadas. Nas reuniões trata-se de desenvolver a vida sobrenatural de modo a conseguir que a acção cristã junto dos companheiros seja uma exigência da própria personalidade cimentando num contentamento mais perfeito de Deus pela fé e pela caridade.











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