domingo, 18 de outubro de 2015

IN MEMORIAM - PADRE MANUEL COSTA AMORIM












IN MEMORIAM


PADRE MANUEL DA COSTA AMORIM


31/01/1952 – 16/10/2015





É voz comum ouvir dizer que os portugueses não cultivam a memória, tão pouco conhecem a sua História e se esquecem muitas vezes dos seus heróis. Se isto é verdade, para além de ser uma injustiça para com todos aqueles que fizeram tudo por nós no passado, seria uma injustiça para aquele que aqui se pretende homenagear.

É uma grande ameaça ao nosso futuro. Só conhecendo bem o passado poderemos compreender o presente e viver melhor o futuro.

Move-me pois o desejo de deixar registado para o amanhã, singelo testemunho sobre o esforço exemplar do Padre Manuel da Costa Amorim, que foi a realização de uma obra imensurável, que D. Manuel Linda, Ordinário Militar para Portugal, assim expressou:

"Detentor de um temperamento jovial, polido, afectuoso e humilde, relacionou-se com todos com a maior simplicidade e forte espírito conciliador. Sem jamais ceder na sua ligação à fé e à sua condição de sacerdote, nunca a sua pertença à Igreja constituiu motivo de segregação ou de inimizade com alguém. Pastoralmente sempre muito empenhado…”

Quando em 2009 iniciei a missão de escrever a biografia do Capelão da Armada: Correia da Cunha, buscando preencher uma grave lacuna e resgatar a memória de um antigo capelão que merecia ser lembrado pela muita obra realizada na Armada Portuguesa, considerei ser necessário obter a recomendação do Padre Manuel Costa Amorim – Capelão Chefe do Serviço de Assistência das Forças Armadas e que ele próprio fosse autor do prefácio da obra no capítulo: o marinheiro.

Foi através de um amigo comum, o Senhor Eng.º Eugénio Ramos (CMG), que conheci este Padre Contra Almirante e lhe entreguei uma prova final da obra para sua apreciação.

Recordo o agradável sorriso com que nos cumprimentou  e nos levou para o seu gabinete de trabalho. Ali, examinou o livro e fez os maiores elogios. Disse-nos que já tinha ouvido falar muito do Capelão Correia da Cunha e mostrou-se muito feliz em receber o livro: CORREIA DA CUNHA – MESTRE DE VIDA (Padre-Marinheiro-Poeta).

O capelão Manuel Amorim, como referiu naquele encontro, não tivera a grata oportunidade de conviver com o Capelão Correia da Cunha, que teria procedido à inauguração do templo de Nossa Senhora do Mar que nos acolhia naquela magnifica manhã. No entanto, chegaram-lhe imensos testemunhos: «o Padre Correia da Cunha fora uma das mais fortes inteligências que passaram pela Capelania da Armada.»

A minha solicitação, da feitura do prefácio a este dedicado Capelão, fora encaminhada para a quem no entender do Padre Amorim deveria ser o autor do prefácio. A recomendação do Padre Amorim não fora bem acolhida…

Mas uma sã amizade nasceu naquela manhã entre mim e o Padre Amorim e que viria a perpetuar-se por um muito tempo. O Padre Manuel Costa Amorim era dotado de muitos talentos mas o maior dom era a simpatia e a sua enorme facilidade para fazer amizades.

Um trágico acontecimento interrompeu bruscamente a actividade que vínhamos planeando para a divulgação da minha obra: CORREIA DA CUNHA – MESTRE DE VIDA, nas mais relevantes instâncias da Marinha

Vítima de uma cruel enfermidade em poucos meses deixou-nos. O Manuel Amorim partiu da mesma forma como sempre viveu, humilde e fiel ao Senhor. Após o seu alento, adormeceu mansamente nos braços do seu Salvador. O seu corpo não foi descansar nas profundezas do mar azul que durante tão longos anos calcarreou ao serviço da Marinha Portuguesa. Foi repousar nas verdejantes terras do Minho, no lugar de Belinho – Esposende donde era natural.


Tendo-se espalhada a notícia do seu falecimento,  a Capela de Nossa Senhora do Mar na Base Naval de Lisboa ficou literalmente cheia de pessoas de todas as idades e condições sociais: desde os velhos de cabelos brancos até os meninos… também não deixaram de se representar os  mais altos dignitários da hierarquia militar, religiosa e civil.

Tinha fixado residência na Base Naval de Lisboa, onde nunca deixou de exercer uma dupla função, Capelão da Armada e Pároco () da Comunidade Paroquial de Nossa Senhora do Mar. Como sacerdote, procurava transmitir a mensagem evangélica  e praticar os seus ensinamentos.

O Reverendo Manuel Amorim era um lutador e um  empreendedor.  Ele não somente beneficiou o templo como organizou uma serie de acções no domínio da educação cristã para crianças, jovens e adultos… angariando grande respeito e prestígio junto da comunidade militar e pastoral.

Termino descortinando um  sacerdote que soube rodear-se de um corpo de cooperadores, amigos e educadores, que sobre o seu comando  foram desbravando terrenos para a sementeira… Era um homem de oração, de fé e coragem nas causas em que se empenhava.  Por este desaparecimento irreparável, pela falta que sentimos, e nos comove angustiosamente, da sua presença amável e franca, da sua palavra serena e confortante, da sua bondade que nos foi lema...





AMAR ALGUÉM É DIZER-LHE: TU NÃO MORRERÁS JAMAIS. 

Gabriel Marcel

À família enlutada, à Marinha, à Arquidiocese de Braga, à Paroquia da Senhora do Mar e aos muitos amigos expresso as condolências. A todos peço uma oração por alma do saudoso e querido Padre Manuel da Costa Amorim,rogando a Deus que o acolha na sua infinita misericórdia!

Notas:

Foi o 1.º capelão a quem foi imposta a Boina de Fuzileiro e do seu pródigo múnus sacerdotal relevam-se, entre outras distinções: o facto de ser o único capelão que ostentou o distintivo de horas de Embarque, devido às horas que andou embarcado; o único capelão português nomeado capelão honorário do Santuário de Lourdes (França); o único capelão em toda a história do Serviço de Assistência Religiosa a ser graduado em Oficial General com o posto de Contra Almirante; e o único capelão condecorado com a Medalha da Defesa Nacional.










PADRE MANUEL DA COSTA AMORIM


31/01/1952 – 31/01/2016



O Padre Manuel Amorim foi um exemplo edificante. Quantos momentos, gratificantes proporcionou a milhares de pessoas, ora com a palavra confortante e estimulante, ora com a caridade que emanava daquele seu bondoso coração.


Tive o privilégio e a felicidade de conviver com ele alguns dias. Foram momentos inesquecíveis. Na sua presença sentíamos uma imensa alegria. Por muito que falemos do Padre Manuel Amorim é sempre pouco diante do que foi a sua trajectória terrena e a grandeza da sua alma.


Se fosse vivo, hoje dia 31 de Janeiro 2016, o 


Padre Manuel Amorim completaria 64 anos.


Fazendo memória viva deste aniversário, o primeiro a ser comemorado no Céu, por impossibilidade do senhor D. Manuel Linda, que participará, em Viseu, na Ordenação Episcopal do Bispo Auxiliar de Braga, D. Nuno Almeida, o Capelão da igreja da Memória, Padre Carlos Catarino, celebra a Missa por alma do Padre. Amorim. 

Será às 10 horas, no Domingo na Igreja da Memória.















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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

PADRE CORREIA DA CUNHA - 98º ANIVERSÁRIO








PE. JOSÉ CORREIA DA CUNHA
Mestre de Vida

24 Setembro 1917 – 24 Setembro 2015

PADRE – MARINHEIRO - POETA



Neste dia, em que passam 98 anos da data do nascimento do Padre José Correia da Cunha, quero recordar que foi finalmente editado, este ano, o livro: CORREIA DA CUNHA – MESTRE DE VIDA (Padre-Marinheiro-Poeta) da autoria de João Paulo Dias, com prefácio do Cónego Doutor Manuel Lourenço e chancela da editora Althum.com.


O seu lançamento ocorreu no passado dia 2 de Abril, na Messe dos Oficiais do Exército, no Campo de Santa Clara, dia que se celebravam 38 anos do seu falecimento, contando com a privilegiada presença de vários discípulos como oradores: Dr.ª. Natalina Moura, Eng.º Marques da Silva, Eng.º Carlos Gonçalves Pereira, Rui Aço e Zélia Nunes. Não deixaram também de marcar presença antigos paroquianos, oficiais superiores da Armada, Exército e familiares.


Este livro biográfico apresenta a vivência de um homem que não gostava de meias palavras e ousava essa frontalidade para incomodar muita gente, permanecendo actuais muitas das suas posições. Era um homem à frente do seu tempo, cujo perfil marcou uma geração e influenciou de forma indelével a formação de todos os que com ele conviveram.


Por isso a sugestão aqui fica de uma leitura desta obra, escrita entre 2009 e 2015 que apresenta um pároco servidor da Comunidade, a tempo inteiro, o seu animador que não vai á frente nem atrás da mesma, mas ao lado de todos e que faz com que a Paróquia caminhe por seu pé… O padre José Correia da Cunha foi pároco da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora de 1960 a 1977. Esteve ligado à Armada Portuguesa de 1943 a 1960 como capelão, à Associação de Marinheiros Católicos Portugueses, à Escola de Pescas, à Messe de Oficiais do Exército, às OGFE – Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento e aos Lions Clube.


A coragem e frontalidade deste sacerdote, o agudo sentido de justiça e o amor ao próximo tornaram-no «numa personalidade que não se esquece!» como tão bem referiu o comandante Marques da Silva na sua prelecção. 


A terminar comunico que poderão adquirir esta obra através do meu email (joaopaulo.costadias@gmail.com. No meu escritório em Alvalade – Rua Teixeira de Pascoais, 17 B 1700-364 LISBOA onde com imenso prazer o autografarei dedicatória.
Na Igreja do Mosteiro de São Vicente de Fora.





...DEIXOU MARCAS NA ARMADA





...DEIXOU MARCAS NOS LIONS







...DEIXOU MARCAS NA PARÓQUIA DE SÃO VICENTE DE FORA 


































quarta-feira, 6 de maio de 2015

LANÇAMENTO DO LIVRO – CORREIA DA CUNHA/MESTRE DE VIDA «O POETA»









“MESTRE MARINHEIRO TUA MÃO NÃO TREME.”
Rogério Martins Simões





Naquela suave tarde de primavera, no mercado de Santa Clara, vi gente muito agradável. Era um encontro de família de três gerações de amigos do Padre Correia da Cunha.



Passados 38 anos da morte do Padre Correia da Cunha, muitos oficiais da Armada e do Exército marcaram a sua presença na cerimónia de lançamento do livro: Correia da Cunha – Mestre de Vida (Padre – Marinheiro e Poeta).



Estes seus camaradas da Armada Portuguesa e do Exército quiseram desta forma manter bem viva a memória deste Capelão de dimensão rara. O Correia da Cunha era um homem de grandes convicções, sólidos valores e um elevado sentido de cumprimento dos seus deveres. Sempre gozou de uma enorme simpatia e carinho nas instituições militares que lealmente serviu: Armada, Messe dos Oficiais e Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento.



POETA ROGÉRIO MARTINS COM LIVRO DO PE. CORREIA DA CUNHA




Também esteve presente uma segunda geração de jovens que muito cooperou com o recém pároco chegado à Comunidade Paroquial de São Vicente, no ano de 1960. O Padre Correia da Cunha apostava numa Igreja que evangelizasse com eficácia e que ajudasse o homem a ser humano e a viver com liberdade na sua condição de filho de Deus. Para este pároco só era possível professar a fé em Deus com uma praxis evangelizadora que fosse a boa nova para o seu semelhante. Não se deixava perder em elaboradas doutrinas teológicas. A sua missão era viver o Amor Divino, promovendo a união e a amizade entre todos.

Nessa geração posso colocar o poeta Rogério Martins Simões que não quis deixar passar esta oportunidade para, com a sua arte, escrever um belo poema de homenagem ao seu amigo Padre Correia da Cunha:



Autoria: MANUEL JOSÉ COELHO

MESTRE E MARINHEIRO


Descias o Tejo e olhavas Lisboa,

Chinelas aos pés da Madragoa,

Blusa de chita, corpo de gazela;

Sempre tão bonita; sempre tão bela.



O mastro altaneiro vai engalanado.

Sobe o gajeiro na letra dum fado.

Sorriso malandro, calha ou não calha,

Assim fui passando: que Deus nos valha.



Pinga a maresia, ardem os joanetes.

Contam-se os anos, restam alfinetes.

Dos desenganos não tenho mais pressa:

Vão os verdes anos, assim, tão depressa.



Mestre marinheiro tua mão não treme.

Teu timoneiro é São Vicente ao leme.

Quero ir à Bica com corvos à proa,

Comer fava-rica a dentes de broa…



Meco, 22/04/2015 23:56


(Ao Meu Mestre – Padre José Correia da Cunha)


Sem dúvida não há melhor ilustração para este poema que a de Manuel José Coelho. Neste quadro, o autor homenageia o grande amante da arte e de Lisboa. Esta cidade que o viu nascer foi a sua eterna feiticeira.



O Rogério Martins Simões iniciou a sua militância cristã na Paróquia de São Vicente de Fora no dia 1 de Novembro de 1960 (Dia da tomada de posse do Padre Correia da Cunha como Pároco de São Vicente de Fora).

O poeta possui obra editada (Golpe de Asa no Sequeiro da Chiado Editora) mas é em bela prosa que nos descreve a sua história na Paróquia, tendo como orientador o seu obreiro de almas: Padre José Correia da Cunha: 




«VESTIRAM-ME UMA TÚNICA BRANCA E CINGIRAM-ME COM UM CORDÃO VERMELHO»


Desde menino, quando apenas conhecia os anjos, já escutava na telefonia a bela voz da Amália. A minha mãe lavava a roupa no tanque, num saguão de uma casa na freguesia de São Vicente de Fora, e cantarolava desconhecidas cantigas da Beira Serra.

Foi crescendo e um dia, no início dos anos 60 do século passado, descobri, por acaso, os caminhos que me conduziram, durante muitos anos, à Igreja de São Vicente de Fora.

Tinha então onze anos! Meus pais, com raízes cristãs. Não frequentavam a igreja nem obrigavam os filhos a irem à missa.

A luta pela vida era tremenda! Levantava-se pelas 4 horas da manhã, apanhavam o eléctrico que os levava à praça da ribeira, onde se abasteciam de legumes com que governavam a vida no mercado de Santa Clara (local elegido por João Paulo Dias para o lançamento do livro referido acima). Era um tempo em que aqueles mercados pululavam de gente; em que os espaços reservados aos pequenos comerciantes (lugares de pedra) eram disputados e bem pagos nos leilões do Município de Lisboa.

- Antes carregar duas sacas de batata cruzadas à cabeça que andar com um molho de mato e passar fome! – Dizia minha mãe.
Recordo que trabalhavam durante toda a semana e o único dia que lhes restava para descansarem era o Domingo. (Talvez aqui esteja a explicação para não serem assíduos frequentadores da igreja). Volto aos meus 11 anos.

Frequentava, então, o Liceu Nacional de Gil Vicente, quando pela primeira vez entrei nos claustros do Mosteiro de São Vicente de Fora.

Nesse tempo as portas estavam abertas e, tirando o Panteão da Dinastia de Bragança que tinha segurança, tudo aparentava um completo abandono e desleixo.

Foi assim que conheci o Mosteiro de São Vicente de Fora.

Comecei a caminhar para lá – até que um dia quando frequentava a escola comercial, Deus colocou no meu caminho para a Igreja Católica. Por coincidência, ou não, era o dia em que o Padre Correia da Cunha tomava posse como pároco de São Vicente de Fora.

A história conta-se assim:

Andava eu pelos claustros do Mosteiro quando, em cima da hora das cerimónias de posse do novo pároco, faltou à chamada um menino do coro. Mas…o Padre Correia da Cunha fazia questão em ter doze rapazes! Doze eram os Apóstolos e ele só tinha 11.

Tudo tinha sido verdadeiramente programado, ensaiado ao mais pequeno detalhe: os mais pequenos à frente! Tudo em carreirinha, em duas filas! – Túnicas novas feitas por medida! Sobrava uma! Era grande como ela tivesse sido feita de propósito para mim!

O Padre José Alcobia meu professor de Religião e Moral do Liceu de Gil Vicente que ia concelebrar na missa, porém, foi ele que aconselhou o Padre Correia da Cunha: O Rogério, seu antigo aluno, podia substituir o 12º menino do coro.

Pois bem! Não é que fui pescado, por ali andava perdido…
Vestiram-me uma túnica branca. Cingiram-me com um cordão vermelho. (símbolo da cor do martírio de São Vicente)

Em poucos minutos ali estava eu, menino do coro repescado, a caminho do altar, lado a lado como o meu bom e saudoso António Melo e Faro, ocupando um lugar na última de duas filas.

- Faz o que eu faço – Dizia o Melo e Faro. E fiz!

Foi assim que Deus chamou por mim! Foi a minha primeira ida voluntária à missa, tendo sido o único menino do coro a não comungar nesse dia…
Bem! A história já vai longa e ainda a procissão vai no adro… a partir desse dia tornei-me um efectivo membro daquela comunidade! 

A partir desse dia comecei a frequentar a catequese. Fui bem cedo catequista e até dirigente diocesano da JOC.

A partir desse dia passei a apreciar ainda mais a bela voz da Amália no gravador de fita do bom Padre Correia da Cunha!
A partir desse dia comecei a escutar e a gostar de música de órgão tocada no grande e extraordinário órgão de São Vicente de Fora!

A partir daí, e nos tempos livres, passei a ser cicerone do Panteão da Casa de Bragança e, com as "gorjetas", adquiri os meus primeiros livros dispensando pedir dinheiro a meus pais para os meus gastos:

A partir daí tomei o gosto pela história, nomeadamente, pela vida e obra dos Monarcas que ali repousam: desde D. João IV até ao rei D. Manuel II. 
A partir desse dia comecei a aperfeiçoar a minha formação moral e tudo graças a um Homem extraordinário – polémico, certamente, para muitos.

Obrigado Padre José Correia da Cunha.


Rogério Martins Simões

Termino com uma terceira geração, com uma forte presença neste evento, que compreende o período dos anos setenta. Surge na Comunidade Paroquial, num contexto sócio-político e cultural, um vasto grupo de jovens com uma formação abundantemente sólida. A sua profissão de fé é num Deus libertador que exige o seguimento de um Jesus Cristo que transforma a sociedade radicalmente. Nasce o sonho de se construir um MUNDO MAIS HUMANO, MAIS JUSTO E MAIS FRATERNO. Quem não recorda este Grupo de Jovens de São Vicente de Fora? Passados 44 anos, os amigos deste Grupo só têm um OBJECTIVO: quer ressurgir para testemunhar os princípios ali apreendidos e transmiti-los os seus sucessores. Quanta alegria teria o Padre Correia da Cunha em verificar que os seus ensinamentos de MESTRE DE VIDA continuarão a ser alavancas para a transformação positiva do nosso tempo…






Este livro pode ser adquirido também na



 IGREJA DO MOSTEIRO DE SÃO VICENTE 

DE FORA

























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domingo, 26 de abril de 2015

LANÇAMENTO DO LIVRO – CORREIA DA CUNHA/MESTRE DE VIDA «O MARINHEIRO»












«… UMA PERSONALIDADE QUE NÃO SE 

ESQUECE!»

Marques da Silva



As portas do Mercado e Messe dos Oficiais do Exército de Santa Clara abriram-se, de par em par, para acolher uma imensa família de Oficiais da Marinha, que tiveram elevadas funções de comando e que se mantêm ainda hoje ligados a uma profunda amizade nascida na época em que Correia da Cunha – Mestre de Vida exercia as funções de Capelão da Armada (1943-1961).



Na data de 2 de Abril de 2015, em que passaram 38 anos da morte do Padre José Correia da Cunha, uma pequena multidão constituída de tão ilustres personalidades das mais diversas áreas, políticas, militares, universitárias, sociais… e muitos amigos do Grupo de Jovens OBJECTIVO reuniram-se num evento de Homenagem a CORREIA DA CUNHA, que teve uma vida coerente de fé e de fraterna amizade. Orgulho-me de através do lançamento do meu LIVRO: MESTRE DE VIDA (Padre-Marinheiro e Poeta) tornar mais conhecida a figura deste erudito líder eclesiástico às novas gerações. Exorto todos a lerem esta obra sobre o Padre Correia da Cunha.







Para este Comandante da NRP Sirius, a amizade deve ser uma alegria gratuita como a que oferece a arte e a vida dos grandes Homens, como o Capelão Correia da Cunha. Ele sempre referia que a Amizade não se busca, não se sonha, não se deseja, ela exerce-se é uma virtude.


É com muita alegria e emoção que transcrevo o rico texto da autoria do Eng.º Marques da Silva. Trata-se de um testemunho de um homem com uma grande alma e um enorme e generoso coração e que respondeu ao meu convite (já estava convocado pelo seu grande amigo capelão), que surgiu de um encontro casual para lhe comunicar apenas que seria o mensageiro dos valores e património que acumulou no seu convívio, de muitos anos com o Grande Mestre de Vida, onde imperou sempre um grande afecto, um enorme respeito e uma perene amizade.


Deliciei-me com a leitura desta comunicação e espero que possam adquirir o Livro CORREIA DA CUNHA – MESTRE DE VIDA para descobrirem ainda mais sobre este Capelão solidário e que foi um Hino à AMIZADE.

Eng o MANUEL JOSÉ MARQUES DA SILVA




Para este Comandante da NRP Sirius, a amizade deve ser uma alegria gratuita como a que oferece a arte e a vida dos grandes Homens, como o Capelão Correia da Cunha. Ele sempre referia que a Amizade não se busca, não se sonha, não se deseja, ela exerce-se é uma virtude.



É com muita alegria e emoção que transcrevo o rico texto da autoria do Eng.º Marques da Silva. Trata-se de um testemunho de um homem com uma grande alma e um enorme e generoso coração e que respondeu ao meu convite (já estava convocado pelo seu grande amigo capelão), que surgiu de um encontro casual para lhe comunicar apenas que seria o mensageiro dos valores e património que acumulou no seu convívio, de muitos anos com o Grande Mestre de Vida, onde imperou sempre um grande afecto, um enorme respeito e uma perene amizade.


Deliciei-me com a leitura desta comunicação e espero que possam adquirir o Livro CORREIA DA CUNHA – MESTRE DE VIDA para descobrirem ainda mais sobre este Capelão solidário e que foi um Hino à AMIZADE.






Caríssimos e Distintos Membros da Mesa e Convidados ao Lançamento do Livro CORREIA DA CUNHA – MESTRE DE VIDA (Padre-Marinheiro-Poeta) da autoria de João Paulo Dias


Hesitei e reflecti muito antes de aceitar o amabilíssimo convite para participar, com uma curta intervenção, no lançamento deste livro e obra do João Paulo Dias.

Conheci o autor João Paulo Dias há uns bons anos atrás, quando ambos navegávamos nas mesmas águas da electrotecnia. Deixei de o ver e, passado todo este tempo, foi pela mão de um amigo comum, meu camarada de curso da Escola Naval (Eugénio Duarte Ramos) que por coincidência, nos voltámos a encontrar.


Apercebi-me que para o João Paulo Dias não se tratou de uma mera coincidência mas sim o resultado de uma palavra de recomendação e de conselho que terá recebido do Capelão Correia da Cunha. A sua crença e a sua fé, que respeito, ultrapassam o que a mim me leva a designar estes pequenos factos como coincidências humanas, aleatórias, referências, enfim, de quem não consegue ver para além do horizonte finito que o rodeia.


Mas aceitei o desafio por três razões essenciais: a primeira, pela simpatia e genuinidade do convite do autor; a segunda, pelo respeito à memória que conservo de um período de convívio na Marinha com o Capelão Correia da Cunha; e finalmente pelo meu convencimento de que muito iria aprender sobre a vida deste Homem-Padre, com quem me relacionei num trajecto muito singular.







Aqui estou, pois. Não me arrependi. E não sendo, nem de longe, o prelector mais competente ou recomendado para relembrar o Capelão Correia da Cunha no nosso trajecto comum na Marinha, facto de que, estou certo, todos me perdoarão, vim a verificar após a consulta em primeira mão do livro do João Paulo Dias, que o pressentimento era completamente razoável.


E pouco sabia da vida do Capelão Correia da Cunha. O que o autor conseguiu investigar, reunir e contextualizar ao longo dos últimos seis anos da sua vida é um trabalho que merece, de todos nós, uma enorme palavra de louvor.


Só alguém como ele, que conheceu desde tenra idade o Padre Correia da Cunha e o acompanhou praticamente toda a vida, teria a capacidade e a sabedoria para deitar mãos a esta obra. E fê-lo com seriedade, com paixão por um sacerdote de quem foi muito amigo e que lhe costumava dizer (a ele e a muitos dos seus fiéis) que «não gostava de homens pequenos. Os homens têm que ser grandes». E o João Paulo, num momento difícil e de desânimo da sua vida, olhando para um retracto do seu amigo sacerdote ouviu-o pronunciar essa frase lapidar.


Sentiu-se útil, de novo, a sua família ajudou-o e, ao fim de seis anos de trabalho intenso, confronta-nos com esta obra arrepiante de realismo e de incontornável rigor.


Conheceu muito bem o Padre Correia da Cunha, as facetas da sua imensa vida e foi capaz de, com subtilezas, reparti-la em capítulos. O que faz deste livro não um simples documento alegórico ou reconstitutivo mas, sim, uma obra sobre um clérigo que soube ser um Homem à frente da sua época. Como, no fundo, todos nós desejamos.


O mundo em que vivemos exige, cada vez mais, este tipo de pessoas, frontais, solidárias, amigas, tolerantes, inteligentes, cultas, que saibam apaixonar-se e que nos levem, a todos, a apaixonarmo-nos pelo BOM e pelo BELO.







Foi essa, talvez com muita antecipação para o seu tempo, a vida do Capelão Correia da Cunha que o autor tão bem transmite nas páginas densas desta obra que se lê sem interrupção e, para quem guarda do retracto uma imagem ainda que parcial da vida, o revê e o relembra em todo o seu realismo.

Deixem-me dizer-vos, antes de vos retirar alguns pormenores do meu encontro na vida com o Padre Correia da Cunha, que ele faz parte de um pequeno grupo de sacerdotes com quem tive o privilégio de me relacionar, por diferentes razões, ao longo da vida e deles guardar excelentes recordações.


Sempre fui, em termos de fé, um homem de dúvidas e, talvez por isso, pela fraqueza com que o dizia, esses sacerdotes me tivessem dedicado algum do seu tempo.


E digo-vos resumidamente. Relembro o Padre Queiroz que nos assistiu durante todo o curso no Liceu Passos Manuel, o Capelão Militar António dos Reis Rodrigues, na minha passagem pelo Curso Preparatório Militar na Amadora, com quem não convivi mas que nos surpreendia, na idade ingrata do 18/19 anos, com o seu discurso brilhante ao discutir os temas sociais mais difíceis que se põem à juventude e que envolviam os menos ou mais tocados pela fé. Depois, na Escola Naval, os Capelães João Cabeçadas (que me casou e a um dos meus filhos) por ser familiar próximo da minha Mulher, e João Perestrello de Vasconcelos com quem andei embarcado e que, durante toda a sua vida, foi grande amigo do Capelão Correia da Cunha.


Faço estas referências não por razões de natureza curricular ( facto que poderia não abonar as diligências por eles efectuadas) mas por terem ficado como balizas ou marcas de água daquilo que, ao longo da minha vida, vim a decidir e a praticar.


 O Padre Correia da Cunha nasceu em Lisboa a 24 de Setembro de 1917 e foi admitido como Capelão ao Serviço da Armada Portuguesa em 23 de Janeiro de 1943, até Outubro de 1961. Veio a falecer a 2 de Abril de 1977.



Constituiu, com colaboração do Capelão João Perestrello de Vasconcelos, a Associação dos Marinheiros Católicos, através a qual teve oportunidades de apoiar muitos dos militares da Armada com quem se cruzou ao longo dos anos.


Encontrei-me, e todo o meu curso Duarte de Almeida da Escola Naval, com o Capelão Correia da Cunha na nossa viagem de guardas-marinhas, em 1958, a bordo da NE Sagres, durante a regata Brest- Las Palmas.


O nosso curso tinha iniciado a sua viagem de guardas-marinhas em Lisboa, a bordo de duas fragatas: o Nuno Tristão e a NRP Diogo Gomes. Pelo facto de já termos participado na regata anterior de Grandes Veleiros, em 1956, fomos de novo transferidos para a NE-SAGRES, também para participar nas provas desportivas em terra, que precediam a largada para a regata, onde, em diversas disciplinas desportivas (vela, remo, natação) conseguíamos resultados interessantes em confronto com guarnições dos outros veleiros.
Foi, portanto, em Brest, que embarcados na Sagres, passámos a conviver com a nova guarnição de oficiais, sob o comando do Capitão – Tenente António Tengarrinha Pires e tendo, como imediato, o 1º Tenente Henrique Afonso da Silva Horta.








O capelão Correia da Cunha tinha, portanto, na altura, 41 anos e viveu com grande entusiasmo a espantosa aventura da regata em que todos nos vimos envolvidos.


A nossa condição de alunos em viagem de instrução não nos permitia conviver mais intimamente com a oficialidade, para além dos trabalhos de navegação a que estávamos obrigados ou de circunstanciais deslocações a terra, em que o convívio era mais desinibido.


Nessa viagem, o Capelão Correia da Cunha encontrou-se com o seu amigo também Capelão, Perestrello de Vasconcelos, que tinha vindo embarcado na fragata NRP Nuno Tristão e com quem teve oportunidade de visitar alguns locais da Bretanha.


A regata, para além de uma experiência náutica inesquecível, foi um marco muito relevante para a Armada Portuguesa pelo facto de a Sagres ter ganho a regata na sua classe de veleiros. A experiência não podia ter sido mais aliciante e marcante para todos os que nela participamos. O autor relata muito bem, neste livro, as emoções e descrições do Capelão Correia da Cunha.


Voltei a encontrar-me com ele nos finais de 1959 quando, regressado de uma comissão de serviço nos Açores, fui destacado, como oficial, para a guarnição da NE Sagres. Nela funcionava a Escola de Marinharia da Armada e tive, durante todo o ano de 1960 e grande parte de 1961, oportunidade de conviver com o Capelão Correia da Cunha. As nossas conversas eram longas e variadas e foi, nessa época, que me apercebi das qualidades do Homem Correia da Cunha. Era, na realidade, um homem inteligente, com argumentos a favor ou contraditórios nas nossas discussões, sempre de grande agudeza e de grande bondade.



Encontrando-se a NE Sagres muitas vezes atracada ao cais em Xabregas, quando ficava de serviço, convidava, por vezes, a minha namorada da altura para ir jantar a bordo. Aí, o nosso capelão dizia-me, às vezes, que jantava connosco para nos “proteger” mas, na realidade, nunca tal aconteceu para não nos perturbar. Mas ficava satisfeito por saber que a minha namorada ia sempre acompanhada por um familiar. O capelão ficava mais descansado. Bom, e deve ter dado resultado, porque essa namorada está aqui presente e ainda é a minha Mulher.


Fizemos viagens de instrução de Cursos da Escola Naval a seguir ao meu e tivemos, também aí, oportunidade de falar durante os quartos nocturnos.


Nos finais de 1960 disse-lhe que ia casar em Janeiro de 1961. Ficou satisfeitíssimo e convidou-me, a mim e à minha noiva, a irmos visitá-lo a São Vicente de Fora, onde era Pároco, para combinar a prenda que nos queria oferecer.


Assim fizemos. Uma longa visita, uma longa e amável conversa e a concretização de uma belíssima prenda. Conservamo-la ainda hoje.

Em Outubro/Novembro de 1961 fui destacado para a India onde vivi os incidentes da invasão de Goa, a 18 de Dezembro. Foram muitas as peripécias que me acompanharam na vida a partir daí. (1)

Não voltei a ver o Padre Correia da Cunha até saber, pelos meus camaradas de curso e pelas notícias de jornal, da sua morte no dia 2 de Abril de 1977.


Como verificam, o meu testemunho é indiscutivelmente curto e incompleto. Mas, em minha opinião, suficientemente marcante para me recordar do espírito de um Homem solidário, atento, frontal na sua FÉ, desafiante nos seus princípios. Uma personalidade que não se esquece.

Uma faceta de que sempre me tinha apercebido mas que vim agora, com esta obra, a ajuizar com mais desenvolvimento, foi a sua intensa ligação à cultura. E isso não é de menos no espírito de um Homem livre. Grupos de canto e de música, em associações populares da sua paróquia, são bem o testemunho do seu espírito evangélico e ecuménico. A sua luta de tantos anos para a recuperação do órgão de São Vicente. Construído em 1765 e posto de novo a funcionar nos anos 60 do século passado espelha bem como a cultura pode mobilizar os espíritos e divulgar ensinamentos. No dia 14 de Setembro de 2013, como se relata no livro, o organista convidado Robert Descombes executou um inesquecível concerto de homenagem à memória do seu grande amigo Padre Correia da Cunha que, em vida havia possibilitado a recuperação da peça que é actualmente, um ex-libris da majestosa Igreja de São Vicente de Fora.


Tudo isto me levou a apreciar, de forma muito especial, todos os contos, as histórias as descrições incluídas, sobre Correia da Cunha, no livro de João Paulo Dias.

O pouquíssimo que eu sabia completou-se com o imenso que fiquei a conhecer depois de ter esta obra que, por muito que o Autor se esforçasse, não conseguiria decifrar, neste testemunho tão valioso, o enigma místico e extensíssimo da vida de um Homem que foi sacerdote de uma fé e que tão bem soube transmiti-la a todos que o conheceram.


O Autor cumpriu, portanto, a recomendação antiga do Padre Correia da Cunha de que os «HOMENS DEVEM SER GRANDES».


Parabéns ao autor e a todos os que ajudaram neste portentoso trabalho.


Manuel José Marques da Silva

2. IV.2015

(1) – Recomendo a todos a leitura do livro: A ÚLTIMA HISTÓRIA DE GOA da autoria do Eng.º Marques da Silva. Um testemunho vivido na primeira pessoa sobre as experiências e angústias sofridas em 18 de Dezembro de 1961. É uma verdadeira lição de dignidade. Só poderíamos esperar esta sua posição ética, cívica e de insuperável amor pela liberdade. 































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