quarta-feira, 19 de maio de 2010

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA

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Os amigos que partiram…


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IN MEMORIAM


Pe. José Diogo d’Orey Mousinho de Albuquerque de Mascarenhas Gaivão

1934-1980




PE. José Diogo d’Orey Mousinho de Albuquerque de Mascarenhas Gaivão nasceu na Praia da Rocha, no dia 11 de Outubro de 1934. Foi acolhido por seu amigo Padre Correia da Cunha na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora onde exerceu as funções de seu coadjutor (de 1969 a 1973).

O Zé Diogo, estudante universitário do último ano do Curso de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, foi educado por uma mãe que ficara viúva com apenas 40 anos mas que possuía uma fé invulgar e entregava toda a sua vida ao serviço dos pobres da sua paróquia. De joelhos, implorava a Deus que lhe concedesse que um dos seus nove filhos tivesse como missão oferecer dignamente sobre o altar, o Santo Sacrifício da Eucaristia – acto que ela tão bem conhecia.

O Zé Diogo foi chamado por vocação (tardia) ao sacerdócio, tendo sido ordenado pelo Reverendíssimo D. Manuel II, Cardeal Patriarca de Lisboa, no dia 15 de Agosto do ano de 1960.

Recordo de um dia lhe ter ouvido: ‘’- Nasci para provocar a mais viva alegria e admiração à minha encantadora mãe ou de lhe gerar o maior desgosto…’’.

Não subiu o Zé Diogo apenas ao altar, com viria a falecer, com apenas 46 anos, como ministro sagrado na sua terra amada Oeiras, no dia 10 de Outubro de 1980.

Padre José Diogo almejava os valores da liberdade política e neles se empenhava com graves sacrifícios para a sua vida. Vivia ao serviço dos oprimidos pelo regime então vigente. Era um homem com elevada cultura política, muito sensível aos problemas dos mais pobres e desprotegidos. Tinha uma caridade enorme, que tudo dava tendo de viver uma vida de ‘’boémio’’.

O Padre Correia da Cunha nunca faltava com a sua palavra de conselho, orientação e carinho a este amigo, tal como nunca lhe recusava ajuda material.
O Padre José Diogo chegou muitas vezes a ser enclausurado nas instalações da Direcção Geral de Segurança, por ‘’ofensas’’ frontais que expressava contra o poder instituído, e o Padre Correia da Cunha sempre corria a ajudá-lo, restituindo-lhe a liberdade através da intervenção de vários dos seus amigos influentes.

O Padre José Diogo tinha uma grande paixão. Era o seu ‘’CASARÃO’’, em Oeiras, onde na companhia dos seus imensos primos, viveu momentos muito gratificantes de muita felicidade e alegria. Sentia-se, que quando se referia aquele local, os seus olhos sorriam e transbordava de imensa felicidade anterior. Creio que aquele local era uma saudável recordação.

A terminar transcrevo as seguintes palavras da sua prima Maria Teresa d’Orey Seabra Pereira de Sacadura Botte, sobre este grande padre.

O Zé Diogo disse:’’ Certamente vocês já se têm interrogado porque é que dentro de todos os primos fui eu, o mais frágil, a ser chamado por Deus, para o seu serviço. Encontrei a resposta e vou-la dar. Penso que o Senhor quer mostrar que apesar de eu ser o mais fraco, a Palavra d’Ele passa. ‘’.

É verdade querido ZÉ DIOGO, A PALAVRA PASSOU ATRAVÉS DE TI E FICOU NO CORAÇÃO DE MUITA GENTE QUE AINDA HOJE A RECORDA.

Deixo aqui, a todos os amigos vivos do Padre Zé Diogo, a oportunidade de prestarem a devida homenagem a este nosso e grande amigo de São Vicente de Fora, que mais do que Padre, teve um importante papel na formação política e cristã de muitos dos jovens da paróquia.

São Vicente de Fora guarda-o em seu coração! Deixou em todos muitas saudades.


RECEBEI, SENHOR, NO REINO DOS JUSTOS O NOSSO IRMÃO.














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segunda-feira, 10 de maio de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E O SEU PAPA

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‘’… Bendito… que vem em nome do Senhor! ’’





Na semana em que o Papa Bento XVI, sucessor de Pedro, visita este nobre povo de Portugal, gostaria de recordar que em 1967 o Papa Paulo VI esteve no Santuário de Fátima onde foi acolhido por uma monumental multidão de fiéis.


Padre Correia da Cunha sentiu-se muito feliz por essa visita que sua Santidade realizou no 50º aniversário das aparições de Fátima, ao seu amado país.


Padre Correia da Cunha tinha uma afeição muito especial por Paulo VI, como muitas vezes lhe ouvi referir: - ‘’Foi o grande homem do início da mudança, após o Concilio Vaticano II. Ainda hoje sentimos a lufada de ar fresco que introduziu na Igreja Católica. ‘’


Reafirmo que o Padre Correia da Cunha, como pároco de São Vicente de Fora, foi um grande inovador. Um homem que não se conformava com as liturgias ocas e sem sentido em latim. Lutava pelas mudanças e tudo fazia para arrastar os fiéis para uma participação activa e dinâmica na vida da Igreja. E sem dúvida Paulo VI era fonte de inspiração para essa nova caminhada da Igreja, numa nova Liturgia mais assimilada e vivida pelos crentes.


Paulo VI foi um homem brilhante de profunda espiritualidade, de trato gentil e reservado e de uma infinita cortesia. Paulo VI foi um dos que mais viajou, antes de João Paulo II, tendo sido o primeiro Papa a visitar os cinco continentes. Contudo sua grande colaboração foi o encaminhamento do Concílio Vaticano II e a profunda Reforma da Igreja e da Cúria Romana que ainda hoje não está concluída…


Homem de seu tempo, demonstra com a sua encíclica Populorum Progressio de 26 de Março de 1967 a sua preocupação com a questão do crescimento populacional no mundo e o modo de evitar desvios morais e doutrinais com relação ao modo como conter tal crescimento. Não menos importante é a sua Octogésima Adveniens de 1971. Destaca-se a sua célebre encíclica Humanae Vitae de 25 de Julho de 1968, sobre a regulação da natalidade e a exortação apostólica Evangelii Nuntiandi de 8 de Dezembro de 1975, em que aclama a salvação para todos os povos.


Papa Paulo VI, o papa da renovação e o peregrino, morreu em 6 de Agosto do ano de 1978. Pediu somente que o seu funeral fosse simples e não se erigisse nada sobre o seu túmulo.


Paulo VI foi efectivamente o grande obreiro da mudança que todos reconhecemos que transformaram profundamente as vivências da Igreja pós conciliar.


Padre Correia da Cunha afirmava que a Igreja precisava dela como de pão para a boca. Também Padre Correia da Cunha terá sido o grande impulsionador e porventura o grande agente que todos os católicos de São Vicente de Fora precisavam para se conciliarem com uma Igreja renovada.

Padre Correia da Cunha reafirmava como muita convicção permanentemente que: O Concílio Vaticano II ainda não foi cumprido, havia muito ainda por fazer… Apesar dos avanços que a Igreja tem feito de uma forma admirável, tem alguma dificuldade em aceitar o pluralismo...


Grande especialista em Liturgia, muito contribuiu para a sua renovação. Padre Correia da Cunha buscava um equilíbrio entre Ritos, procurando dessa forma que o mistério perene da Salvação fosse celebrado na língua portuguesa, com muita dignidade e postura. Aproveitava as celebrações dominicais, cuja participação da comunidade era muito considerável, como força impulsora da sua evangelização nesses tempos de mudanças. A terminar relembraria que Padre Correia da Cunha traduziu para português e comentou muitos livros litúrgicos até ali impressos em latim.

Obrigado Paulo VI pela visita em 1967.

Bem-vindo Bento XVI a Portugal no ano 2010!


A peregrinação do Santo Padre a Fátima é uma interpelação para nós. Maria que o Papa chama ‘’Estrela do Mar’, é aquela que acompanha a viagem de cada um de nós e de toda a Igreja, no mar da vida e da história. A visita do Papa Bento XVI a Portugal serve de estímulo para fortalecer a nossa Fé em comunhão com a nossa Mãe e Mãe da Igreja.

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segunda-feira, 3 de maio de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E OS AFECTOS

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Carlos Jorge,... Pedro, Vitor Soares


"SOMOS FILHOS DAS PALAVRAS E DOS SINAIS QUE SE SENTEM…"


Mais do que uma herança este espaço pretende ser um local de afectos, que deseja partilhar testemunhos emocionados de um tempo inesquecível; um tempo de infância, adolescência e juventude, onde se viviam desventuras e onde muitos de nós acabaram por crescer e se desenvolver envoltos de um espírito de solidariedade fraterna. O pródigo Padre Correia da Cunha ensinava-nos a partilharmos uma verdadeira e sã amizade entre irmãos. A felicidade humana para o Padre Correia da Cunha tinha que começar por aqueles que vivem ou convivem ao nosso lado, no dia-a-dia, e não em dissertações sócio filosóficas ou mudanças radicais do mundo.

Por isso, considero serem muito importantes os testemunhos vividos e sentidos emocionalmente por todos os jovenzinhos que na altura já se moviam por sérios ideais de serviço ao próximo. A estes é pedido que redescubram o encantador ambiente da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, cujo objectivo era a construção de uma sociedade baseada no respeito pela pessoa humana enquanto filha de Deus.



Vítor, João Paulo Dias e Luís



Creio que com a vossa preciosa ajuda, tenho deixado bem patente o amor e a admiração que tínhamos a Padre Correia da Cunha, amigo e mestre empenhado no seu quotidiano e sempre pronto a contribuir para o nosso desenvolvimento de homens honrados e construtores de uma sociedade, onde imperassem os valores éticos e morais. Muitas vezes lhe ouvi comentar: - que ser Padre era estar incondicionalmente ao serviços dos outros, ainda mais do que escrupulosamente cumprir promessas que tolhem a liberdade da realização integral e em plenitude do ser humano. Era um homem livre e apenas prestava submissão a Deus e ao amor dos irmãos…

É por isso, que um homem como o Padre Correia da Cunha estará sempre na memória de todos, não só pelos seus invulgares conhecimentos e saberes como pela argúcia na vida, pela honestidade e integridade. Morreu deixando um imenso património de arte e humano mas sem uma única conta bancária.




João Paulo Dias e Vitor 




A nossa postura de bons cristãos e cidadãos deve-se sem dúvida à observação da sua entrega de vida e dos muitos testemunhos que eram repletos de emoções e de salutares sentimentos humanos e cristãos.

Os inesquecíveis momentos de fraterna confraternização que o Padre Correia da Cunha nos proporcionava nos eventos litúrgicos, nas festas de camaradagem (jogos de futebol e bailaricos), nos passeios, nos arraiais populares, nas idas às praias e piscinas são verdadeiramente reveladores de um tempo de muita comoção, onde a catequese da solidariedade e do respeito pelo próximo estavam sempre muito presentes.

São fotos desses meninos doutrinados na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, conduzida pelo Padre Correia da Cunha, sob a acção do Espírito Santo, que hoje publico neste post. Foram crescendo, entre outras crianças e entre adultos que eram referências, uma vida plena de emoções e de sentimentos. É esse tempo passado que deixou marcas, que não podemos nem queremos apagar. Espero pelo teu testemunho…
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quinta-feira, 22 de abril de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA – FÁBULAS DE LA FONTAINE II

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‘’Deus escreve direito por linhas tortas’’


Nos magníficos claustros inferiores do Mosteiro de São Vicente de Fora, encontrávamos trinta e oito painéis de azulejos com a representação das fábulas de La Fontaine. Padre Correia da Cunha muitas vezes socorria-se desses belos painéis, com pinturas a azul e branco, como instrumentos de aprendizagem para os seus discípulos. Adoptava o velho provérbio que dizia que uma imagem vale mais que mil palavras.



Recentemente Robert Descombes, organista francês, titular do órgão histórico d’Orgelet, recordava uma das expressões muito habitualmente utilizadas por Padre Correia da Cunha: ‘’Deus escreve direito por linhas tortas’’ Prov. Popular.




Hoje irei desvendar a adaptação que Padre Correia da Cunha fazia da fábula de La Fontaine ‘’ A lande e a abóbora’’, que continua alimentar a nossa sabedoria e nos ajuda aguçar o nosso sentido crítico e analítico da moral.



A história começava assim:



Um belo dia, um homem de um vasto conhecimento e sabedoria, que passeava pelo campo, ao admirar uma grande azinheira e uma pequena aboboreira começou a indignar-se e blasfemar contra a obra da criação de Deus. Dizia ele:

- Como é possível Deus ter criado esta imensa árvore e pô-la a dar estes minúsculos frutos (bolotas), enquanto este pequeno arbusto de caules frágeis produz estes enormes e pesados frutos (abóboras). Isto está tudo feito ao contrário. Quem faria tal barbaridade?
Deus devia estar louco quando procedeu à criação destas espécies!

Era uma tarde muito quente e convidava a uma boa sesta à sombra daquela gigantesca árvore. Estando um pouco fatigado, o bom homem aproveitou para fazer um pouco de repouso na invejável sombra da agigantada árvore, tendo-se deixado adormecer na frescura da sua magnífica sombra.

Enquanto dormia, soltaram-se da enorme azinheira dois dos seus pequenos frutos que caíram sobre ele. Dando conta desta ocorrência, o homem ter-se-á interrogado: - E se fossem abóboras?





Padre Correia da Cunha concluía a história com a seguinte expressão: ‘’Deus escreve direito por linhas tortas’’
Deus sempre faz as coisas correctas, nós é que queremos que tudo seja feito à nossa maneira. Esquecemos por vezes que os planos de Deus só são compreendidos após uma pequena paragem para reflectirmos… Há sempre um novo caminho… Eu acredito na sabedoria popular e desde muito cedo ouvi várias vezes a Padre Correia da Cunha: “Deus escreve direito por linhas tortas”.

Não posso porém deixar de proporcionar a verdadeira Fábula de La Fontaine. Convém que todos nós nos continuemos alimentar destas magníficas história de La Fontaine que nos poderão ajudar a corrigir os nossos hábitos no sentido de diferenciarmos o bem do mal.




A lande e a abóbora


Bem faz Deus quanto faz. Sem buscar provas,


Por esse mundo além, acho-as na abóbora.


Contemplava um pastrano


Quanto avultado é o fruto.


E quão delgado o talo: Em que pensava


O autor de tais amanhos? Esta abóbora


Eu ponho-o nesta enzinha,


Arrazoada gancho


Para tal dependura; e vinha a pêlo:


Para pêssego tal, tal pessegueiro.


Foi pena, meu Bieito,

Não te achar’s no Conclave,


Co Criador – do qual te prega o cura.


Tudo iria melhor: Ponhamos caso.


Quando muito, a bolota


Orça co meu meminho .


Porque a pôs numa enzinha ? Deus deu cincas.


Quanto mais cisma nos mal postos frutos,


Mais porfia o Bieito.


Que houve erro ali, nos poisos.


Como esta reflexão lhe dava tratos:


Saber sobejo estorva que se durma.


Para dormir escolhe


A sombra duma enzinha.


Caem bolotas, e o nariz o paga.


Acorda, e logo vai côas mãos ao rosto,


E nos pêlos da barba


Depara inda coa lande.


Fez-lhe mudar de língua o piparote


E o sangue, que lhe escorre dos narizes.
E se em vez de bolotas,

Me chovessem cabaças,


Que as queixadas, caindo, me estroncassem!

Deus, que o não quis assim, andou com juízo.


Agora é que eu atino


Co motivo acertado.


Louvando a Deus do bem que obrara tudo,


Veio de volta a casa o nosso Bieito.


Filinto Elísio

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segunda-feira, 12 de abril de 2010

PADRE CORREIA DA CUNHA – JOGO DA BOLA

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FELIZES QUANDO REINA A PAZ E A ALEGRIA…EM LIBERDADE!!!





Como eu sempre refiro, as nossas infâncias foram muito boas, apesar da escassez de recursos financeiros. Éramos pobres, mas muito simples, humildes, limpinhos…e felizes, muito felizes! O Padre Correia da Cunha sempre nos ensinou a partilharmos e a vivermos como irmãos.


Todas as brincadeiras eram muito básicas mas possuíam uma grande dose de inocência e magia. Entre as inúmeras brincadeiras da época, uma das mais populares era saltar o eixo, lançar o lenço…. Eram brincadeiras inocentes naturalmente, mas bem divertidas. Mas, sem dúvida jogar, à bola no fundo das escadarias da Igreja de São Vicente de Fora era uma felicidade. Era tão boa essa simplicidade. Duas balizas inventadas e uma bola.






As vitórias e conquistas eram tão importantes que as transmitíamos calorosamente ao Padre Correia da Cunha. Por sensibilidade ou medo de alguma bolada, o Padre Correia da Cunha estacionava sempre o seu carro mini longe das balizas imaginárias. E na sua passagem pelo terreno de jogo, de calçada portuguesa, não se arrogava de intervir activamente na jogada, rematando para testar a qualidade do guarda-redes. Ainda hei-de abordar os jogos de futebol entre casados e solteiros organizados por Padre Correia da Cunha nos campos do Seminário dos Olivais.



Por vezes éramos surpreendidos por agentes da polícia que nos interrompiam o emocionante jogo. Ainda hoje não consigo compreender porque praticar desporto ao ar livre era considerada uma ofensa à ordem pública. Quase sempre tínhamos tempo para nos pirarmos e nos acolhermos sob a protecção do local sagrado.



Ao sábado, as condições do campo de futebol para os putos eram substancialmente melhoradas com a cedência da Cerca da Paróquia, por parte do Padre Correia da Cunha, sob a condição dos putos serem acompanhados pelos catequistas. Belas lições de camaradagem se aprenderam nessas tardes de jogatana que se tornaram inesquecíveis. Os jogos eram autênticos trabalhos de grupo. Só poderíamos obter êxito se toda a equipa tivesse bem – consciência do papel que cada um tinha de desempenhar na sua função, nunca esquecendo o objectivo comum que era o golo.



Estas vivências durante a infância foram extremamente importantes e contribuíram de sobeja maneira para o nosso crescimento. Quem não se lembra do Abel, do Quim, do Carvalheira, do Manel, entre outros?




Para muitos, frequentar a catequese e participar na missa era muito chato mas jogar à bola e participar nos jogos de pingue-pongue, snooker, que o Padre Correia da Cunha colocava à disposição dos putos, era assombroso.O Padre Correia da Cunha sabia falar com todos e tocar no coração de cada um mas não me lembro de alguma vez ter obrigado ninguém a tomar parte nas celebrações ou a frequentar a catequese.


Ele sabia que o chamamento partia sempre de Cristo, a ele competia-lhe apresentar-se sempre de coração aberto e tentar pelos seu exemplo penetrar com muito afecto na formação humana e cristã dos seus jovens. Obrigar seria uma adesão que não resultaria… Eram os jovens que deviam querer participar de livre vontade e diga-se que nunca lhe faltaram pequenas multidões de putos nas actividades da pastoral paroquial.


Muito gostaria de contar com testemunhos dos putos, hoje homens, que fizeram parte dessas multidões que ajudaram Padre Correia da Cunha e mantiveram com ele uma relação privilegiada de muita dedicação, afecto e amizade.



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sexta-feira, 2 de abril de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA - 33 ANOS DE SAUDADE!

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‘’Ser Padre é estar incondicionalmente a serviço dos outros…’’PCC








No dia que passam 33 anos que Padre José Correia da Cunha nos deixou, não podemos deixar de evocar esta ilustre figura ímpar da Igreja e da cultura. A sua acção formadora, devido à sua enorme inteligência e vastíssima cultura, permitiu-lhe influenciar e afeiçoar muitos cristãos dos meios intelectuais e populares, lugares que Padre Correia da Cunha frequentava assiduamente.

Exerceu na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora uma imensa renovação, pelo seu espírito aberto e pela sua espontânea adesão ao espírito do Concilio de Vaticano II. A Igreja para si era as comunidades.

Durante os dezassete anos que exerceu o seu magistério de pároco, todos os jovens foram tocados pelo seu exemplo e sobretudo pela riqueza cultural, profundidade do conhecimento filosófico e teológico, rigor e inexcedível sentido de pensamento de abertura a uma liturgia mais próxima do homem comum, através de celebrações emotivamente celebradas e vividas por todos os participantes.

Um pensamento tão extraordinariamente organizado e solidificado que ele num discurso de modo muito simples, claro e directamente acessível, conseguia transmitir aos seus discípulos. Muitas vezes lhe ouvi dizer que os documentos eclesiais deveriam ter uma linguagem acessível e similar às gazetas de grande difusão popular.

Quem teve o privilégio de conhecer Padre Correia da Cunha não pode deixar de recordar a sua frontalidade e as suas eloquentes homilias. Era um homem de sólidas convicções e costumava afirmar que sem convicções não podia haver obra edificada.

Padre Correia da Cunha foi um grande pastor e um príncipe da sabedoria, com quem se podia dialogar de coração aberto. Não era homem de condenar comportamentos. Gostava mais de apontar caminhos…

Se o Padre José Correia da Cunha fosse hoje vivo faria 93 anos, no dia 24 de Setembro. Faleceu abruptamente com apenas 59 anos mas ainda hoje está bem vivo na memória de muitos que tiveram a sorte de conviver e trabalhar com ele, e que dele receberam formação, conselho, orientação e sinais de vida cristã, no amor a Deus e ao próximo.

Tenho a convicção que existe uma enorme herança constituída por muitos testemunhos que muito gostaríamos de deixar patentes neste blogue. Não devemos deixar cair no esquecimento esta figura intelectual que marcou muitas gerações de São Vicente de Fora.

Nesta hora de homenagem, quero agradecer em nome dos seus amigos, ainda vivos, os imensos testemunhos verbais e escritos recebidos. Termino com uma palavra de gratidão, respeito e profunda saudade.






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quinta-feira, 25 de março de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA – PRIOR DA BEIRA SERRA

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O blogue Serrasonline publicou um post dedicado ao prior da Beira Serra. Considero ser a melhor homenagem que os Pampilhosenses poderiam fazer a esta grande figura regionalista, que foi o Padre José Correia da Cunha.


Não cometo injustiça alguma se afirmar que Padre Correia da Cunha foi indiscutivelmente um grande amigo das gentes da Beira-Serra. A sua abundância intelectual era tão grande, que transbordava na influência que exercia positivamente sobre essa tão boa gente.


Muitas vezes lhe presenciei a dar fortes abraços a esses seus paroquianos e onde se saltava naturalmente uma frase que jamais esquecerei: “Como vai a nossa encosta da Serra?” - tratamento em que cerimoniosamente manifestava a sua forte paixão por aquelas terras…sendo ele, como sabemos, um alfacinha de gema, creio que foi adoptado pela Beira-Serra.


Seguidamente transcrevo essa homenagem sincera desse povo singelo e despretensioso que certamente Padre Correia da Cunha levou consigo com muitas saudades!





“Um belo dia um professor, muito conhecido num seminário temático, perguntava ao Padre Correia da Cunha, qual a sua paróquia, ao que este respondeu:

- Paróquia da Beira-Serra.

O Professor indignado terá questionado o padre, pois não conhecia a Beira Serra em Lisboa. O padre em tom esclarecedor terá informado o ilustre académico que a Paróquia da Beira Serra era na encosta da Serra de S. Vicente .”

Há homens, cuja existência, por razões difíceis de explicar, são um marco capaz de fazer o seu nome ser lembrado muito para lá do tempo da sua vida. O Padre Correia da Cunha, é sem dúvida uma dessas almas. O carinho com que cultivava amizades entre as gentes da Beira Serra, merece, de nós Serranos, o respeito que apenas os homens grandes são merecedores.
Segundo João Costa Dias, “ o Padre Correia da Cunha foi um pároco zeloso, e no desempenho desse cargo deixou uma obra tão sólida que ainda hoje perdura. Certamente, em muitos dos seus paroquianos que eram oriundos dessa região (Pampilhosa da Serra). Foi constante no afecto que consagrava aos muitos Pampilhosenses que residiam na sua paróquia de São Vicente de Fora. Particular atenção lhe mereceu a formação dos seus filhos que hoje se encontram dispersos por este país.”




Já Rogério Martins Simões, o poeta “Romasi”, lembra o Padre Correia da Cunha de forma como só mesmo o poeta sente. “Tempos inesquecíveis que a memória não esquece! E tudo terminavam alta madrugada em casa do Padre Correia da Cunha, bebendo uns “cervejinhas” e petiscando o que tinha, enquanto ficava no ar o belo canto perfumado da Amália, ou de uma boa música clássica aqui e além explicada pelo querido e saudoso Padre Correia da Cunha: Agora os fagotes! Agora respondem os violinos, as tubas, os tambores ou os violoncelos.”

Mas quem foi o padre Correia da Cunha? Os dados deste artigo, provenientes do Blogue http://padrecorreiadacunha.blogspot.com, foram gentilmente cedidos por João Paulo Dias, mentor deste inspirado sítio dedicado ao padre.

Em meados do Século XX, Portugal era um país essencialmente rural e relativamente pobre.
Agudizavam-se as tensões entre a sociedade urbana, em vias de industrialização e o mundo rural tradicional e arcaico. Perante este cenário iniciava-se um surto migratório crescente que se dirigia para ‘’a encosta de’’ São Vicente de Fora e Alfama, oriunda da Beira Serra (Pampilhosa da Serra, Oliveira do Hospital, Lousã, Arganil, Tábua…).

Em São Vicente de Fora eram bem acolhidos e tinham a possibilidade de ganhar dinheiro, arranjar um bom futuro para os seus filhos, sem terem de deixar este seu querido e amado Portugal.

Grande parte desta mão-de-obra era colocada na indústria hoteleira, panificação, estiva, tráfego e carregadores do Porto de Lisboa. Para que a saudade não matasse e não esquecessem a sua amada “santa terrinha”, toda esta gente voltava regularmente, todos os anos, às suas origens para celebrarem as festas e romarias tradicionais.

O padre Correia da Cunha, reconhecia que estas pessoas traziam consigo uma identidade religiosa tradicional mas ao mesmo tempo um grande património cultural.

As suas prioridades na cidade assentavam no duro trabalho, sem nunca perderem a semente cristã que um dia havia sido plantada nos seus corações.



Como referia o padre Correia da Cunha a sua vivência cristã na cidade era como os motores dos automóveis a três tempos: Baptismo, casamentos, e funerais.

Em colaboração com os párocos das paróquias vizinhas,  o Pe. Correia da Cunha, procurava reunir num Encontro de Amizade e Regionalismo, toda esta gente, aproveitando esse momento para evangelizar e mostrar que a comunidade paroquial muito contribuía para o desenvolvimento humano e cristão dos seus filhos. A educação dos filhos era da responsabilidade dos pais, mas a catequese podia cooperar para a uma formação mais plena.

Estes encontros fraternais eram iniciados com uma Eucaristia, lembrando todos aqueles que já partiram e aproveitando igualmente para orar por todos os presentes que fazem parte desta Igreja peregrina e pecadora.

Após a Eucaristia decorria um jantar partilhado nos claustros do convento de São Vicente de Fora.

Estes encontros da Beira Serra tinham sempre um elevado número de participantes, contando sempre com pessoas ligadas ao movimento associativo, incluindo muitos padres dessa região.

As questões regionalistas agradavam-no em pleno e confessava que sentiu a necessidade de partir na companhia do seu amigo Padre José Vicente em busca dessas terras, visitando aldeia por aldeia desses concelhos da Beira Serra que muito o engrandeceram.



Depois dessa encantadora viagem, os diálogos abriam espaços, e tornavam mais fácil a relação com todos estes honrados paroquianos, trabalhadores, inteligentes e seus bons amigos.




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quinta-feira, 11 de março de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E O ORGÃO IBÉRICO

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''A nossa igreja enche-nos os olhos... O nosso majestoso órgão eleva-nos a alma e extasia os nossos ouvidos. ''PCC





A igreja de São Vicente de Fora tem um monumental órgão, que se vê através do alto baldaquino, e que muito deslumbrava Padre Correia da Cunha. A bem da verdade deve ser dito que ele possuía um verdadeiro amor e uma encantadora atracção às harmonias desse artístico e precioso órgão ibérico.



Entre o fim do século XVII e meados do XIX, despontou na Europa uma sumptuosa colecção de órgãos de igreja que, até hoje, se distingue pelas dimensões monumentais, pela riqueza de ornamentos e por um som de nitidez incomparável.



De valor inestimável para a arte sacra e a música erudita, tendo sido uma das principais ferramentas de trabalho de muitos compositores, um desses órgãos é o da Igreja de São Vicente de Fora. Ao fundo do templo, e ao alto, assente sobre uma robusta e elegantíssima pianha em conchas de boa escultura doirada, e de exagerado entalhe recobertos de ouro, ostenta-se o famoso órgão de São Vicente de Fora, o mais belo de Lisboa e certamente da Península Ibérica. A construção deste magnifico órgão é do ano 1762, sete anos após o grande terramoto de Lisboa (que como sabemos provocou a queda da imensa cúpula da igreja filipina) e é da autoria do organeiro espanhol João Fontanes de Maqueixa, que , morreria em Mafra no ano 1770.





Este órgão ibérico é o maior de Portugal, obra do século XVIII, doação do Rei D. João V- o Magnânimo, segundo se crê.



‘’Ibérico é um órgão de características regionais relativas ao ideário estético da escola de organaria ibérica, cultivado em Portugal e Espanha desde o séc. XVI. Estes instrumentos possuem apenas um só manual (embora existam instrumentos com dois, mas são raros) que se encontra dividido em duas secções (tiples e baixos). O número de teclas é inferior ao dos órgãos modernos, cifrando-se muitas vezes em 45, 47 ou 54 notas. As trombetas dispostas na horizontal são a principal característica do órgão ibérico.’’


O órgão ibérico de São Vicente de Fora possui 2 manuais e 60 meios-registos, num total de 3.115 tubos. Tem interiormente três andares, e na sua beleza decorativa, avista-se todo o templo através do baldaquino rasgado, que desafoga o quadro de uma equilibrada majestade cénica.






Nenhum instrumento produz, sozinho, acordes tão ricos quanto os órgãos barrocos. O seu princípio de funcionamento é o de um instrumento de sopro, que no lugar do pulmão humano, recorre a foles que enviam o ar para dezenas de tubos que emitem o som. É como se fosse um conjunto de flautas gigantes, com até 10 metros de altura. O que distingue os modelos barrocos dos restantes, é que este permite escutar simultaneamente e com uma nitidez incrível um grande número de acordes. O seu mecanismo garante que o ar chega imediatamente aos tubos quando o teclado é accionado (processo que leva até meio segundo nos demais modelos – suficiente para a perda de limpidez do som). Estes órgãos também se diferenciam pela concentração de finíssimos tubos, de onde saem tons de um agudo extremo.
A partir de meados do século XVIII, o órgão entra num período de esquecimento devido à chegada do período clássico e que é, em grande medida, uma negação dos princípios estéticos do barroco. Com estes novos ventos, o órgão deixa de ter grande interesse enquanto instrumento solístico e praticamente deixa-se de compor repertório que tenha em vista a utilização plena das capacidades do órgão.














Padre Correia da Cunha muito lutou e se envolveu para que se procedesse ao restauro do seu grande tesouro, que era aquele órgão barroco. Lembro-me de no tempo de Padre Correia da Cunha se ter levado a efeito o restauro deste imponente órgão ibérico, pelo organeiro Sampayo, e de grandes reparações na sala dos foles.








Padre Correia da Cunha era um apaixonado pelo seu orgão barroco e promovia grandes concertos com organistas que vinham de toda a Europa para conhecerem este maravilhoso órgão.


Em 1994, no âmbito de LISBOA, capital europeia da cultura, o órgão voltou a sofrer um grande restauro por Claude e Christine Rainolter, de França, uma vez que se trata de um dos melhores exemplares da organaria portuguesa do século XVIII.






Fotos : cedidas por Robert Descombes
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segunda-feira, 1 de março de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA-VIVER EM COMUNIDADE

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Criar novas memórias, novos sorrisos, novos momentos, novas lembranças.




Desde muito novo ouvi a Padre Correia da Cunha que para se viver em comunidade tínhamos que esforçar-nos em superar muitos dos nossos egoísmos e fortalecer a imensa capacidade, que havia no interior de cada um de nós para a partilha e solidariedade…

Não era difícil viver em comunidade, em São Vicente de Fora, quando existia Amor e confiança. Quando amamos e confiamos nos outros, somos capazes de fazer grandes coisas …

Todos sabíamos que os conflitos eram inevitáveis. Eles existiam também na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, mas contribuíam para nos ajudarem a crescer… Só junto com os outros é que aprendemos a falar, a construir ideias e a comunicar. Todos somos aquilo que somos devido ao grupo onde nos integramos. Ter bons amigos era vital para os nossos relacionamentos e desenvolvimento. Há um ditado popular que traduz de uma forma muito simples esta ideia: “Diz-me com quem andas e eu dir-te-ei quem és.”


A paróquia de São Vicente de Fora era o lugar onde podíamos encontrar os nossos melhores amigos. Porquê? Era por iniciativa e chamamento do próprio Cristo que integrávamos aquela comunidade.







Padre Correia da Cunha socorria-se muito da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, do Capitulo 12, que referia: “Que somos um corpo com muitos membros. Todos eles são importantes. Todos dependem uns dos outros. Mas, não são os membros, tais como: mãos, pés, coração, olhos etc., que escolhem o lugar ou os outros membros. Cristo colocou quem quis ao nosso lado e serão essas pessoas que vos ajudarão a crescer e a formar a vossa indulgência.” Na Comunidade de São Vicente todos éramos muito importantes independente das tarefas que cada um desempenhasse… Padre Correia gostava que nos sentíssemos importantes. Era a sua forma discreta de elogio, pois sem ele não poderia haver uma visão positiva e dinâmica.

Jesus Cristo era o centro e o motivo que nos fazia viver felizes e em comunidade. Havia pluralidade de tarefas, mas os objectivos eram comuns: ajudar na construção e expansão do Reino.

Os valores indicados por Padre Correia da Cunha eram os da compreensão, perdão, inter-ajuda… as tensões para ele eram meios naturais de salutar crescimento. Com a sua sábia intervenção, todos os conflitos eram resolvidos numa duradoura e fecunda reconciliação.

Padre Correia da Cunha não era casamenteiro, mas ajudou, assistiu e celebrou imensos matrimónios, cujos amores brotaram daquelas puras amizades cimentadas pelos grandes valores cristãos apreendidos e vividos na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.


Quando escrevo este post não tenho a intenção de matar saudades e falar de memórias. Quero apenas reavivar a memória de muitos que tiveram como guia e inspirador Padre Correia da Cunha e nutriam por ele sentimentos de grande e fraternal amizade. Hoje poderiam a ajudar a construir novos momentos de crescimento e novos momentos de felicidade, gerando novos sorrisos; dando testemunho do que era o companheirismo na Paróquia de São Vicente de Fora. Junte-se a nós!


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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

CARLOS BARRADAS, SAUDADES!

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‘’SAUDADE É AMAR UM PASSADO QUE AINDA NÃO PASSOU…’’


Ao contemplar esta foto da Direcção da Catequese Paroquial de São Vicente de Fora, dos anos 60, recordo com muito carinho esta boa gente que tanta influência teve na nossa educação cristã e tanto contribuiu para a nossa formação como homens. Sinto que tenho saudades. E quem não as tem? Saudade – palavra bem portuguesa e de tão nobres e profundos sentimentos.

Reconheço que todas as coisas passam, mas houve momentos nas nossas vidas que deixaram marcas e que permanecerão para sempre. A existência deste blogue, de homenagem a Padre José Correia da Cunha, é bem o espelho das vivências que nos marcaram e ficaram indeléveis, não as deveremos ocultar pois elas próprias rasgam o véu das nossas almas e deixam transbordar tudo aquilo que ela tem de melhor…

É bom às vezes experimentar as saudades. É bom sentirmos saudades, quando elas são o alimento que contínua a nutrir uma calorosa e honesta amizade.

Aprendi a pensar e a compreender que também é uma boa forma de recordar os bons momentos que partilhámos e vivemos na Comunidade de São Vicente de Fora com Carlos dos Anjos Barradas, no dia que passam dois anos sobre o seu chamamento para junto do PAI.

Queremos agradecer a Carlos Barradas, que foi um grande apóstolo, a sua infinita entrega à sua Paróquia de São Vicente de Fora. Era um incansável servidor do seu grande amigo Padre Correia da Cunha.

Escrevo este post sob a emoção de falar de uma pessoa que é emblemática da história da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora. Como Padre Correia da Cunha era determinado, íntegro, sério, honrado e muito humilde.

Padre Correia da Cunha confiou a Carlos Barradas, Anita Themudo Barata e Teresa Taledo (ver foto), a Catequese Paroquial como seus fortes aliados nessa nobre missão de evangelização: ‘’IDE E ENSINAI…’’

Carlos Barradas, que nesta data quero recordar, era um homem profundamente humano mas com uma elevada espiritualidade, vivendo com grande simplicidade no serviço de entrega às várias missões que desempenhou com toda a sua lealdade na sua amada paróquia, visando sempre o serviço à pessoa humana.

Carlos Barradas deixou em todos que com ele conviveram um sentimento de saudade e agradecimento. Ele esteve sempre presente nos momentos mais marcantes da vida de várias gerações de São Vicente de Fora, quando era pároco Padre Correia da Cunha.


Termino lembrando Pablo Neruda : ‘’ SAUDADE É AMAR UM PASSADO QUE AINDA NÃO PASSOU E INSISTIR EM RESISTIR UM FUTURO QUE SE APROXIMA. ‘‘







Os amigos que partiram…

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IN MEMORIAM

CARLOS DOS ANJOS BARRADAS

1926-2008






Carlos dos Anjos Barradas (1926-2008), natural de Lisboa, freguesia de Santo Estêvão – Alfama, nasceu no dia 8 de Fevereiro de 1926.

Ao longo da sua caminhada, Deus proporcionou-lhe assistir e participar nos mais admiráveis acontecimentos da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, com o seu amigo próximo Padre Correia da Cunha.


Sempre procurou servir com a maior dedicação e lealdade a sua Comunidade Paroquial. Modesto, com uma clareza da Verdade no pensamento, impondo à sua acção o lema de conduta, terá sido um daqueles que possuía na alma o sentido da generosa e genuína voluntariedade.

Bastava-lhe como única riqueza: o consolo moral e espiritual da sua total entrega aquilo que mais amava – servir a sua comunidade paroquial e os muitos fraternos amigos que ali preservava.


A actividade de Carlos Barradas, na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, ajustou-se perfeitamente ao seu temperamento, integrava-se no seu ser e formava um homem completo e estruturalmente sólido de carácter e de uma bondade inexcedível. Com uma formação sólida de ex-seminarista, foi um grande educador da fé, como catequista e presidente da Catequese Paroquial nos anos sessenta e que retomaria após o falecimento da saudosa ANITA THEMUDO BARATA em 1982. A sua vocação inspiradora para servir os mais desprotegidos levou a que assumisse por longos anos a presidência da Conferência de São Vicente de Paulo da Paróquia de São Vicente de Fora. Como cristão empenhado, prestou relevantes serviços na preparação para o matrimónio (CPM) dos jovens noivos da sua comunidade…

A capacidade artística de Carlos Anjos Barradas levava a que Pe. Correia da Cunha não resistisse a pedir-lhe o arranjo dos placares e dos diplomas da Primeira Comunhão, Profissão de Fé e Crisma, com a sua letra tipo “gótica”, a que ninguém ficava indiferente dadas as frequentes exclamações de beleza rara.


Recordando Carlos Barradas, como membro do Conselho Paroquial na sua época, quero testemunhar a simpatia que granjeava a sua colaboração e o seu sentido de responsabilidade no Conselho Paroquial. O carinhoso interesse que manifestava nas suas argumentações eram reveladoras do empenhamento e atenção que lhe mereciam todas as actividades paroquiais. Carlos Barradas deu sempre a medida do seu grande valor, como cristão empenhado e actualizado, atento aos grandes problemas do seu tempo.


Pela sua constância e vontade de bem servir a Comunidade Paroquial de São Vicente, é justo prestar esta homenagem e exprimir em nome de todos os afectuosos amigos um agradecimento à dedicação de longos anos de trabalho de Carlos Barradas à sua paróquia.

Com diria Santo Agostinho: “ Aquele que tem a caridade no coração, tem sempre alguma coisa a dar.” É para mim um enorme prazer escrever estas simples palavras para falar de um homem de grande verticalidade e dignidade. Viveu fervorosamente com elevada paixão. O seu grande fascínio de servir a Deus e a Igreja, num espírito de grande afectividade e amizade com todos os membros de todos os movimentos da paróquia de São Vicente de Fora.


No dia 19 de Fevereiro de 2008, foi repousar na Glória de Deus. Hoje junto do PAI e de seu amigo e pastor Pe. Correia da Cunha, continua a interceder por todos nós que fomos seus amigos.

São Vicente de Fora guarda-o em seu coração! Deixou em todos muitas saudades.

RECEBEI, SENHOR, NA GLÓRIA DO VOSSO REINO O NOSSO IRMÃO.


Publicado no dia 9 de Maio 2009




















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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

UM ANO SEM CASIMIRO FEREIRA

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Santo António de Lisboa um grande pregador do Evangelho e um intercessor poderoso. ...

17 Fevereiro 2009 – 17 Fevereiro 2010




Hoje, dia 17 de Fevereiro, comemoramos um ano de falecimento do nosso querido e estimado amigo Casimiro Nunes Ferreira.

Foram muitos anos de presença na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora. Ali deixou muitas marcas no trabalho pastoral, sobretudo nas actividades caritativas e doutrinais, como zeloso servidor da sua paróquia na companhia do seu grande amigo e Pastor Padre Correia da Cunha. Evoco hoje a sua dedicação e o seu caminho de simplicidade… Para quem conviveu com Casimiro Ferreira, estou seguro que teve a felicidade de ter vivido momentos gratificantes e abençoados e ter podido contar com tão grande amigo.

Ao escrever este post num ambiente de silêncio, fico a pensar: é difícil acreditar que um ano já se passou desde a sua partida do nosso convívio. Tudo aconteceu muito rápido. Soube viver a vida este homem de grandes virtudes, daí ter construído tantas amizades e admiradores…

Legou um enorme testemunho de grande devoção ao seu Santo Protector: Santo António de Lisboa.

Queremos agradecer-lhe os exemplos de vida e fé, mesmo não estando fisicamente entre nós, continua merecedor de todas as nossas orações e homenagens de gratidão.

Casimiro, hoje, junto de São Vicente e do seu protector Santo António de Lisboa, continuará a intensificar em cada um de nós, que somos seus amigos, uma forte amizade.




Os amigos que partiram….
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IN MEMORIAM

CASIMIRO NUNES FERREIRA

1928-2009



Casimiro Nunes Ferreira (1928-2009), natural de Monforte da Beira – Castelo Branco, nasceu no dia 8 de Maio de 1928. Era um homem simples e bom. Frequentou o seminário e chegou a ser colega de curso do Reverendíssimo Sr. D. António Marcelino, bispo emérito da Diocese de Aveiro.

Foi um bom esposo, um bom pai, um bom paroquiano e um cristão exemplar. Morreu depois de algumas semanas de doença grave.

Casimiro Nunes Ferreira, pela sua simplicidade e dedicação, tornava-se de imediato querido e estimado por quem o conhecesse ou lidasse com ele. Foi catequista na Paróquia de São Vicente de Fora e membro do Conselho Paroquial presidido pelo Padre José Correia da Cunha. Membro activo da Conferência de São Vicente de Paulo.

As celebrações do seu funeral, realizaram-se hoje dia 18 de Fevereiro, na Igreja Paroquial da Graça. Foram presididas pelo Reverendo Padre António Carreto, antigo pároco de São Vicente de Fora e contou com a presença do concelebrante Padre João Beato, assim como do nosso Diácono Jorge Campos.

Profundamente sensível, generoso e humano, a maior parte da sua actividade na nossa paróquia dedicou-a ao apostolado da caridade (CVSVP). Para muitos de nós ficará também a recordação da sua dedicação ao serviço da liturgia.

Casimiro Ferreira foi meu Catequista do 4º Volume da Catequese no grupo cujo orago era Santo António de Lisboa, seu protector. Sabia despertar em cada um de nós aquilo que havia de bom.

Celebrou suas Bodas de Ouro em 2003 a 20 de Outubro; Casimiro Nunes Ferreira e Maria Helena da Conceição Ferreira. A comemoração realizou-se na Igreja Paroquial "Senhor dos Passos" da Graça, onde também foi realizado o seu casamento.

O nosso amigo foi ao encontro de Deus, ficando à nossa espera no céu. E, sem dúvida, que ele lá estará com seu pastor e amigo de tantos anos; Padre Correia da Cunha.

São Vicente de Fora guarda-o em seu coração! Deixando em todos muitas saudades.

RECEBEI, SENHOR, NA GLÓRIA DO VOSSO REINO O NOSSO IRMÃO.


Publicado no dia 18 de Fevereiro 2009
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

ROBERT DESCOMBES – TESTEMUNHO III

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ET LE TEMPS N'EST PLUS - DIEU MERCI POUR SES QUALITÉS ET BRAVOURE. PCC.










Robert Descombes é titular e conservador do órgão d'Orgelet, um dos mais antigos instrumentos de Franche Comte, e um dos poucos instrumentos do século XVII, existente em França. Como tal, é uma das grandes jóias da sua cidade.

Pela sua enorme reputação, que vai para além das fronteiras, já recebeu visitas regulares de organistas de todo o mundo. Os organistas são pessoas de grandes e eternas paixões. Este grande organista titular e grande apaixonado pelo maravilhoso órgão ibérico de São Vicente de Fora, enviou-nos um testemunho comovente sobre a sua grande e profunda amizade com o Padre Correia da Cunha, que passo a torná-lo público.









Robert Descombes


Foi uma enorme alegria ter encontrado o Blogue da Justa Homenagem a Padre José Correia da Cunha. Fui um seu grande amigo. Sou organista em França. Travei conhecimento com ele no ano de 1967, quando fui a Portugal para descobrir o extraordinário órgão da Igreja de São Vicente de Fora, na cidade de Lisboa. Passei ir a Lisboa cada ano, especialmente pelas grandes festas litúrgicas: Natal e Páscoa.

O Padre José Correia da Cunha sempre referia que eu era o organista itinerante da Paróquia de São Vicente de Fora, pois à altura não havia organista residente.

Lembro com muita emoção todas as pessoas que ali conheci: a Tia Alice (1906-?), o Senhor Abel Varela (1925-2013) e a muita juventude que frequentava a Comunidade Paroquial, assim como a boa gente desse típico bairro de Lisboa.

Aquela época foi uma das mais felizes da minha vida. Era muito jovem e contava com apenas 25 anos de idade, mas nunca esquecerei o indescritível carácter tão forte das cerimónias celebradas pelo saudoso Padre José Correia da Cunha, especialmente a Vigília Pascal (Sábado-Santo), com o imenso fogo nas escadarias da igreja. Sinceramente, sinto uma grande e profunda saudade…

Recordo aqui ainda o seu carro (mini-cooper), que o Padre José Correia da Cunha conduzia com muita velocidade pelas estreitas ruelas de Alfama…

Lembro-me das casas de fado em Alfama, onde ele me levava e onde ele também cantava, com fervor, um dos seus fados preferidos: ‘’ Igreja de Santo Estevão’’. Ainda me vêm as lágrimas aos olhos quando penso naqueles belos momentos. Fui seu hóspede assíduo até ao ano de 1975.

Desde esse ano, deixei de contactar pessoalmente com o Padre Correia da Cunha e só mais tarde soube da sua morte… foi uma imensa tristeza. Sabia que ele estava muito doente.

Quero também aqui trazer à memória o Padre José Diogo d’Orey Mousinho de Albuquerque de Mascarenhas Gaivão (1934-1980), que era coadjutor em São Vicente de Fora. Nunca mais voltei a Lisboa!!! Tenho 63 anos, sou professor aposentado e desejo sinceramente voltar a Lisboa, sobretudo a São Vicente de Fora para reviver algumas das pessoas que ali conheci.

Deixo aqui o meu e-mail. Termino dizendo que gosto muito de Portugal e da língua portuguesa… Foi uma grande alegria ter encontrado este seu maravilhoso Blogue e assim poder transmitir este meu sincero testemunho sobre a grande amizade que mantinha com esse Saudoso e Querido Padre Correia da Cunha.

Obrigadinho!!!

Cumpre-me agradecer do fundo do coração a Robert Descombes o seu simpático e sentido testemunho sobre o Padre José Correia da Cunha. Era bom que muitos dos seus amigos, ainda vivos, pudessem seguir este nobre gesto, permitindo assim que a memória de Padre Correia da Cunha continue viva e a iluminar o caminho de tantos os quantos que o conheceram, ouviram e foram seus dedicados e zelosos servidores.

Há muitos documentos, cartas e fotografias na posse de vários amigos. Estes têm uma importância muito grande, ao contrário do que possam pensar. Ajudem a manter vivo este blogue.

Obrigadinho!!!


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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E N. SENHORA DO Ó

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… tinha um amor para com a Mãe Celestial!







MARIA tem um templo em cada coração cristão, já que depois de Jesus Cristo Ela é o objecto dos nossos amores. Mas se isto é a verdade de todos os crentes, mais o era de Padre Correia da Cunha, que tinha na sua vida espiritual uma orientação muito especial para com a Nossa Senhora do Ó.


Padre Correia da Cunha demonstrava um singular carinho dirigido à Imagem de Nossa Senhora do Ó, que tinha no seu quarto no Mosteiro de São Vicente de Fora. Esse seu amor para com a Mãe não era só afectivo, mas também, e sobretudo efectivo. Segundo testemunhos de muitos seus amigos, o jovem Padre Capelão da Marinha todos os dias bem cedo conversava com a sua Mãe, pedindo-lhe que o ajudasse a imitar todas as suas virtudes, reproduzir em si mesmo a sua radiosa fisionomia moral: ser humilde, caritativo, generoso, como Ela soube sê-lo durante a sua vida mortal. Era uma longa e privada conversa entre Mãe e filho.


Nos seus momentos mais críticos, nas suas horas mais graves, nas suas necessidades mais prementes, sempre Ela esteve presente na sua vida como farol que o acompanhava nos oceanos tempestuosos, que calcorreou ao longo da sua vida de marujo.


Creio que Padre Correia da Cunha muito se inspirava nessa magnífica imagem de madeira do séc. XVIII, trabalhando infatigavelmente para dilatar o Reino de Jesus Cristo na sua Comunidade.


Quando foi nomeado pároco de São Vicente de Fora, essa imagem foi colocada sobre uma pedestal junto da sacristia e da porta que dava acesso ao templo. Penso que a Mãe de Deus fazia vibrar as fibras mais íntimas do seu coração, quando por SI passava e se dirigia para as celebrações litúrgicas.

Não será Ela, com efeito, depois de Jesus Cristo, o alvo de todos os nossos afectos e nossa suprema esperança?

Colocada no seu pedestal, no centro dos claustros, quantas vezes apareceu vandalizada pela miséria moral e pelas ovelhas desgarradas, que Padre Cunha teimosamente a reabilitava e apresentava renovada. A Virgem era como uma guardiã vigilante e um modelo de humildade e simplicidade, apesar de ter sido excelsa entre todas as criaturas, porque daquele gestante ventre que deu a vida ao Verbo feito carne.

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

ANITA 28 ANOS DE DOCE SAUDADE

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As flores são para si!
27 Janeiro 1982 - 27 Janeiro 2010


Anita é memória sempre viva na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora. Com certeza que deixou muitas saudades em todos que tiveram o privilégio de conviver com ela. Mas é uma saudade doce, pois todos sabemos que tudo o que ela queria e ansiava era: ter a paz e amor eterno do seu Deus, a quem fielmente serviu.

Para Anita a morte não era o fim de tudo. Ela não era senão o fim de uma coisa e o começo de outra. A sua alma tinha sede do absoluto e o absoluto não era deste mundo.

Queremos agradecer do coração, à Anita, que de alguma forma fez parte de muitas vivências e experiências das crianças, adolescentes e jovens da Paróquia de São Vicente de Fora.

Queremos agradecer sinceramente os muitos sábios ensinamentos bem com as inolvidáveis experiências partilhadas, que em tanto enriqueceram as nossas vidas, apoiando-nos e incentivando-nos a prosseguirmos no amor a Deus e ao próximo.

Incansável na entrega ao serviço do seu pároco, Padre Correia da Cunha, como uma grande apostola da catequese sempre a víamos com a grande defensora do que era justo e correcto. Possuía um coração maior do que ela mesma.

Zelosa e verdadeira no seu jeito de tratar todas as pessoas, o que é facto é que todos percebíamos, que através do olhar e das suas atitudes, ela era confiante e extremamente fiel seus sólidos princípios cristãos.

Naturalmente conseguia encantar a todos com a sua personalidade, única e sempre com uma sensatez admirável.
Somos felizes, abençoados e privilegiados por havermos tido a possibilidade de conhecer uma alma tão generosa, sensível e bela como a sua. Eternamente gratos por termos vivido ao lado de uma mulher incomparável e inesquecível.

As flores são para si!





Os amigos que partiram…
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Publicado em 20 de Março 2009 - Ala dos Amigos de Padre Correia da Cunha
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E O PADROEIRO

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Ínclito mártir… Padroeiro do Patriarcado de Lisboa



Na Comunidade de São Vicente de Fora, o dia de São Vicente era feriado paroquial.


Pe. Correia da Cunha, no dia 22 de Janeiro de cada ano, efectivava grandes festas litúrgicas em honra de São Vicente Mártir. As suas homilias realçavam os grandes exemplos de coragem deste jovem no testemunho da fé em Cristo, que continuavam válidos para os jovens cristãos do final do Séc. XX. São Vicente defendeu o Evangelho e a verdade cristã até às ultimas consequências (não fugiu com o rabo à seringa como referia Padre Correia da Cunha), derramando o seu sangue por amor a Jesus Cristo. Era um modelo de vida.

Padre Correia da Cunha sempre nos ensinou a viver a verdade e a humildade nas nossas relações humanas e a praticarmos a solidariedade com o nosso próximo para que pudéssemos usufruirmos da verdadeira liberdade e do amor filial de Deus.


Padre Correia da Cunha sabia que São Vicente continuava a velar pela sua Comunidade Paroquial e particularmente pelos os jovens, ajudando-os no seu crescimento enquanto instrumentos de humanidade e empenhados num generoso serviço à comunidade. Estes contribuíam assim para tornar a nossa sociedade mais humana, justa e fraterna.


Desde a primeira hora, em que sentimos a necessidade de proceder a uma Justa e Merecida Homenagem ao nosso saudoso Pároco, o Dr. Raimundo Serrão (um dos seus afeiçoados discípulos) disponibilizou a sua arrebatadora arte com o intuito de servir a causa. À semelhança do ano passado, aqui deixo alguma dessa arte publicada na sua maravilhosa monografia a São Vicente, editada no ano de 2004.

…/…

Tentaram-no em vão. Não conseguiram.
Não era deste mundo um tal vigor.
Para Santo Agostinho foi milagre
Ultrapassar assim tamanha dor.

Guardaste as Escrituras que estudaste
Não as lançasse ao fogo iniquamente
Aquele Daciano que as tentava
Trocar por vida inocente.

O louco então mandou deitar o Santo
Numa cama de ferro incandescente
Com brasas repartidas sobre o corpo
E sal, sobre as feridas, inclemente.

Vicente olhava o Céu tranquilamente
Perante a colectiva admiração
E o louco pagão nada mais fez
Que mandá-lo para lúgubre prisão.

Uma luz que provinha das Alturas
Se derramou então sobre Vicente
Que sem qualquer vestígio das torturas
Deitou suave aroma de repente.

Aquele espaço escuso e medonho
Tornou-se um recanto angelical.
Nem os guardas deixaram de sentir
A força do Além celestial.

E Daciano deu estranha ordem:
O Santo em leito brando dormiria.
Mal seu corpo, porém, ali foi posto,
Sua alma pura aos Céus se elevaria.

Furibundo, o pagão abominável
Quis o corpo p’ró pântano arrastado
A fim de ser comido pelas feras,
Mas foi por belos corvos bem guardado.

Lançaram-no então ao mar profundo
Para evitar dos fiéis a piedade,
Mas o Senhor à praia quis levá-lo,
Sendo por almas boas sepultado.


Versos dedicados a um dos mais brilhantes e cultos clérigos do Patriarcado de Lisboa do seu tempo, Padre Correia da Cunha.

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