domingo, 31 de outubro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA - MUNDO JUSTO, FRATERNO E HUMANO

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‘’ O GRUPO DE JOVENS OBJECTIVO ERA UM FAROL …’’


"São elementos do Grupo Objectivo numa das muitas e importantíssimas sacrossantas andanças na procura do crescer de dentro para fora em comunidade. Hoje, estando cada um no seu sítio, creio que temos o Objectivo como objectivo de vida.

Ontem 29 de Outubro recebi um telefonema do Carlos Pereira, há mais de cinco anos que não sabíamos um do outro. Já marcámos encontro para breve para trocar e por testemunhos em dia e falar, falar muito dos nossos netos!!!

Meu Caro Alexandre, eras um menino de 8-9 anos à data da fotografia, lembro-me bem de ti!
Não peças desculpa pelo "lamento", lembrar com o misto alegria/saudade os que partiram para junto do Pai é um modo de os acomodar carinhosamente nos nossos corações.

De um modo muito especial o Padre Correia da Cunha, o nosso grande Prior e o teu pai foram importantíssimos na formação moral, cívica e pelo testemunho inequívoco de Fé com que envolveram fraternal e sabiamente os jovens do Grupo Objectivo de São Vicente de Fora.

Eu beneficiei, benefício com o testemunho destes dois santos homens. ‘’

Rui Aço



A leitura deste emocionante testemunho de Rui Sequeira Aço, um dos responsáveis da pastoral juvenil da Paróquia, chamou a minha atenção para esse Grupo de Jovens OBJECTIVO, da Comunidade de São Vicente de Fora, nos anos 60/70, que se esforçou para superar os egoísmos, fortalecendo a capacidade para a partilha e a solidariedade.

Quando amamos incondicionalmente, somos capazes de fazer grandes coisas pela comunidade. Foi isto que pelo menos Padre Correia da Cunha nos ensinou e que contribui para o nosso verdadeiro crescimento na vida comunitária, ajudando-nos a superar e a descobrir quem somos nós.

“Dizem que Adão e Eva não tinham espelhos. Adão era forçado a perguntar a Eva: Como é a minha cara? Qual é a cor dos meus olhos? Como sou eu? E Eva ia lhe mostrando quem e como ele era. Eva teria feito o mesmo com Adão. “

Também nós, só descobrimos quem somos em comunidade. Só juntos com os outros é que podemos crescer e viver em plena liberdade, mas para isso é importante que hajam bons amigos e bons mestres… o Grupo de Jovens Objectivo da Paróquia de São Vicente de Fora foi, nesse plano, uma Graça, um Capitólio e uma Responsabilidade.

Uma Graça singular, pois ali se aprendeu a sermos bons cristãos e cidadãos integérrimos, muito felizes pela escolha de Jesus Cristo na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e humana.

Um Capitólio imenso, pois Padre Correia da Cunha e os seus colaboradores foram insignes educadores, contribuindo para a formação de gerações de jovens que hoje servem com toda a dedicação a comunidade, honrando-a com os valores ali adquiridos.

Uma Responsabilidade imensurável, pois a formação que ali recebemos para a vida, nos obriga a aplicar com testemunhos vivenciais essa preciosa herança e a tornámo-nos solidários com a complexa transformação do mundo com mais Amor, Justiça e Paz.

Todos reconhecemos hoje que somos beneficiados por termos tido ao nosso lado tantas pessoas eruditas e piedosas como: Padre Correia da Cunha, Ana Themudo Barata, Carlos Barradas, Casimiro Ferreira… que brilhantemente nos ajudaram a crescer e por isso são dignos de serem perenemente recordados.

E nós hoje, homens livres e dignos continuaremos a ser arautos envolvidos nas nossas comunidades, dando continuidade aos valores que ali nos foram transmitidos, na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e humana: partilha e solidariedade.



Esta foto foi tirada no Seminário dos Olivais, no ano de 1972. Participantes da Paróquia de São Vicente de Fora na Conferência: A SEGUNDA VINDA DE JESUS CRISTO AO MUNDO.























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domingo, 24 de outubro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E A VIDA

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‘’ Eu vim para que todos tenham vida plenamente. ‘’


Existem certas pessoas que nascem para viverem plenamente.

Padre Correia da Cunha, com toda a sua grandeza de alma, foi uma dessas criaturas.

Homem dotado de raríssimas qualidades, de inteligência e de coração, deu provas de uma piedade profunda e de um amor ardente para com os seus semelhantes.

Como Pároco foi constante no afecto consagrado aos seus paroquianos… e no zelo com que contribuía para a promoção e desenvolvimento intelectual deles. Particular atenção lhe merecia toda a juventude e todos aqueles que o rodeavam: catequistas, cantores, apostolizados... Padre Correia da Cunha não gostava de estar só. Já passaram 33 anos que nos deixou e ainda hoje é recordado pelos seus muitos amigos que com ele viveram aqueles saudosos tempos.




Todos lhe reconheciam a sua contagiosa cordialidade, que irradiava do seu brilhante senso de humor e irreverência espirituosa e que era sem dúvida o seu modo de arrastar a vida.

Na Paróquia de São Vicente de Fora, constituída de simplórios, habituados à claridade intensa e singela de algum provincianismo, entregávamo-nos no supremo prazer de servir a comunidade paroquial. Em comunhão com Padre Correia da Cunha, e segundo a vocação de cada um, experimentávamos o valor do trabalho transcendental de servir a igreja assim como os nossos irmãos.

A sua vasta cultura cristã e humanista era uma excelente forma de tratar com cortesia os seus semelhantes e de simultaneamente criar naturalmente dedicadas amizades.

A esta distância do seu desaparecimento terreno parece-nos a todos que Padre Correia da Cunha era uma criatura fugida das páginas romanescas de certos livros.



Se não é, pelo menos foi uma destas criaturas que nasceu para viver plenamente na passagem da sua vida, ocultando a mentira dos preconceitos na realidade intensa das coisas… humanas e espirituais.

De entre todos os dons, dados por Deus para a vida da Igreja, existe um que de todos sobressai. Este dom é o Sacerdócio, através do qual Cristo se oferece na Eucaristia. É através dela que auferirmos força e confiança.
Recordo que Padre Correia da Cunha referia que comungando, se tinha o entusiasmo para ser um bom cristão, amar o próximo e através disto alcançar a vida plena.
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA

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Os amigos que partiram...




IN MEMORIAM

JOÃO PAULO MARQUES DIAS(JP)
10 ANOS DE SAUDADE
1952-2000




JOÃO PAULO MARQUES DIAS (1952-2000) nasceu em Lisboa, na Freguesia de Santa Engrácia, no dia 21 de Outubro de 1952. Encostado na simplicidade dos seus gestos, ele procurava esconder nas sombras da sua modéstia, a evidência que o seu espírito superior conquistava nos grupos dos seus muitos amigos da Paróquia de São Vicente de Fora e mais tarde nas Associações Lúdicas do típico bairro de Alcântara.


Alma nobre, João Paulo trazia a bondade estampada no semblante calmo de criatura nascida para o bem. Soube há pouco tempo, por testemunhos de alguns dos seus mais leais amigos, que na intimidade dos seus parceiros era carinhosamente chamado por: (JP) Joãozinho.



Tranquilo e discreto, trazia qualquer coisa de espiritual nas suas atitudes que nos lembravam serem heranças dos seus bondosos e saudosos pais, Patrocínia Marques Dias (1929-1989) – catequista e vicentina na Comunidade de São Vicente de Fora e António Dias (1919-2003). Muito fervorosos na sua fé cristã e grandes defensores das causas justas dos seus semelhantes, os pais de João Paulo estavam sempre dispostos a orientar os que sentiam qualquer embaraço nas atribuições da vida.



Padre Correia da Cunha reconhecia neste seu discípulo o espírito iluminado. As suas cultas e inteligentes ideias tinham o reflexo das coisas puras e simples. Nas suas poucas palavras, havia sempre um brilho que lhe permitia granjear uma enorme legião de admiradores e amigos.



João Paulo Marques Dias, no dia que celebrava o seu aniversário, ao dirigir-se para o comemorar com a sua família, foi atraiçoado pela violência de um acidente rodoviário que lhe retirou a vida. Ninguém aguardava que a morte, desta forma tão cruel e terrivelmente silenciosa, o viesse retirar do convívio dos seus familiares e amigos, onde ele irradiava tanta e serena alegria. Ainda hoje é recordado pela sua imensa bondade e esperança, numa vida de verdadeira harmonia e paz.



Hoje, no dia do seu aniversário, é o momento certo para agradecermos toda a beleza que ele demonstrou por onde passou… Muitos parabéns, JP!

Deixou-nos a todos a missão de espalhar as sementes responsáveis pela construção de uma verdadeira e sã amizade, enquanto não formos chamados pelo insondável designo de Deus.


É mais que justo, agora que passaram 10 anos, prestar uma sentida homenagem ao João Paulo Marques Dias, em nome de todos os amigos de Pe. Correia da Cunha.


Foi no dia 21 de Outubro de 2000, que ele nos deixou privados da sua querida e amável presença. Fica-nos a sua memória, ele foi repousar na Glória de Deus. Hoje, junto do Pai e de seu grande amigo Pe. Correia da Cunha e dos seus familiares está à nossa espera e entretanto continuará a interceder por todos nós que não queremos nem podemos esquecer a sua lembrança.


Deixo aqui este testemunho com a convicção que muitos dos seus amigos vivos o comentarão, prestando a merecida homenagem à memória deste nosso saudoso e grande amigo de São Vicente de Fora…, que teve um coração do tamanho das infindáveis estradas europeias, que ele tantas vezes calcorreou.


São Vicente de Fora guarda-o em seu coração! Deixou em todos muitas saudades.


RECEBEI, SENHOR, NO REINO DOS JUSTOS O NOSSO IRMÃO.
















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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E AS MASCOTES

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‘’…mantiveram o seu secular papel de guardiãs de S. Vicente.’’





‘’Uma das mais conhecidas lendas é a dos Corvos de S. Vicente. Está historicamente registado que o diácono Vicente “sofreu suplício até à morte em Valência” quando pregava o cristianismo. Os cristãos daquela cidade espanhola quiseram pôr a salvo o corpo do mártir e fugiram pelo mar. A viagem decorreu sem incidentes até chegarem a um promontório no Atlântico, altura em que uma tempestade os arrastou até às assustadoras “junto a uma terra muito bela com um grande promontório”.


O mestre do barco disse-lhes que a terra se chamava Algarve e que o cabo se chamava promontório Sacro, antigo nome de Sagres.


Devido aos estragos da tempestade, o barco encalhou entre Sagres e o Cabo de S. Vicente. Para fugir a embarcações piratas, os devotos desembarcaram a sua preciosa relíquia. O comandante do navio prometera-lhe continuar a viagem depois de passado o perigo dos corsários, mas nunca mais apareceu, pelo que decidiram construir na falésia uma ermida e um mosteiro em memória de S. Vicente.


Será possível imaginar, sem dificuldade, o pequeno barco a percorrer toda a costa algarvia, as falésias douradas sucedendo-se a praias de areais claros, até chegar ao imponente promontório de Sagres, logo seguido do Cabo de São Vicente. Ainda hoje, muitos séculos volvidos, a natureza do lugar mantém-se impoluta e cheia de encanto.


Continuando a lenda, o primeiro rei de Portugal D. Afonso Henriques, soube de um “lugar santo” a Sul onde estariam relíquias sagradas.


Logo ordenou uma expedição, para as trazer para Lisboa, pois nessa altura o Algarve era ainda terra de mouros e não pertencia ao reino de Portugal.


Todavia, o tempo apagara os vestígios da primitiva ermida e os cristãos que a construíram não se destrinçavam da população árabe.


Porém, o capitão do navio ao navegar junto da falésia foi surpreendido por um bando corvos, e seguindo-os, o enviado do Rei encontrou o esconderijo onde estava o sepulcro. Extraordinariamente as aves, mantiveram o seu secular papel de guardiãs de S. Vicente, e nos mastros do navio seguiram até Lisboa. Em honra desta lenda, os corvos figuram nas armas da capital.


Curiosamente, os corvos são das aves que se podem encontrar entre a avifauna da costa Sagres, marca desde sempre a história de Portugal, como um lugar de sonho e de Descoberta.’’


Padre Correia da Cunha, durante longos anos, possuía nos claustros do Mosteiro de São Vicente de Fora, dois bonitos corvos negros, os quais eram considerados as suas mascotes.

Estes corvos foram ‘’ baptizados’’ pelo Pe. Correia da Cunha com os nomes de: VALÉRIO E VICENTE.

Rogério Simões, que conheceu bem estes dois maravilhosos corvos, hoje partilha connosco uma bela história sobre tão ilustres personagens:






Era um vez um menino traquina, de seu nome Rogério, que foi fotografado nos claustros da Igreja de S. Vicente de Fora a "fazer festinhas" ao espertalhão do corvo Vicente.

Faz muito tempo! O corvo era a mascote do Padre José Correia da Cunha e o menino ‘’desconfiado’’ colocava a mão a medo.

O Vicente quando se sentia protegido, pelo Prior, tornava-se altivo e ao mínimo descuido bicava ‘’ na canalha’’- nos putos.

Ao lado do Panteão Real da Casa de Bragança fica o Pátio dos Corvos, onde vivia desterrado o outro corvo – o Valério.


O Valério que era amigo dos jovens cicerones – dos putos – e por não ter o mesmo estatuto do corvo Vicente tinha sido desterrado. Mas os putos gostavam do Valério! E para o Valério demonstrar a sua lealdade pelos meninos, e rapazolas, saltava para cima dos nossos sapatos desfazendo o laço dos atacadores. Era uma atracção p’ro turista, enquanto, o corvo Vicente ficava-se pela sala paroquial, a petiscar do pequeno-almoço, na companhia de Padre Correia da Cunha.


No dia da foto o Vicente apareceu nos claustros. Teve sorte: ficou na fotografia.
Certo dia, o corvo Vicente, apareceu afogado nos claustros do primitivo convento
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Texto de Rogério Martins Simões
(Retratos da alma e do poeta – São Vicente de Fora)
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