terça-feira, 2 de abril de 2019

PE. CORREIA DA CUNHA – ACÇÃO CATÓLICA XI - 42º ANIV. MORTE








IN MEMORIAM 

PADRE CORREIA DA CUNHA 

2 ABRIL 1977-2 ABRIL 2019 

42º ANIVERSÁRIO



No dia em que passam 42 anos sobre a sua morte, devemos recordá-lo com carinho e respeito. O Padre José Correia da Cunha distinguiu-se no exemplo de dedicação à vocação sacerdotal e amor aos operários.








NÃO COMPREENDEMOS TRABALHO SEM VIDA, NÃO COMPREENDEMOS VIDA SEM TRABALHO


Para o Padre Correia da Cunha a evangelização era o alicerce primordial, sobre que assentava a edificação da Comunidade de Fé, mas havia três outros sectores, que também lhe mereciam uma especial atenção da sua parte: a família, o trabalho e a juventude.

Após a leitura atenta do seu texto, intitulado – Os nossos jovens são operários – compreendo hoje o seu espírito de jocista e a sua imensa luta para o reconhecimento fundamental de todos os operários em dignidade e direitos.
A maioria dos operários não compreende o sentido exacto da sua vida. O trabalho tantas vezes é penoso, transformando-os numa contingência triste e dolorosa das suas vidas. Porém   todos os operários trabalham e como sempre ouvi dizer: Quem não trabalha não tem direito à vida e que me faz recordar também o proverbio popular que ouvia dizer tantas vezes ao meu pai: «Quem não trabuca não manduca». Manducare, em latim, é comer com as mãos que me fazia recuar aos longínquos tempos que não se utilizavam talheres.

Ao sacerdote sempre lhe ouvi defender que o empregador e o empregado deveriam unir-se uno para o bem recíproco, porque estas duas classes precisam uma da outra. Uma pode ser a cabeça, mas o operário é o corpo; uma sem a outra não vive. A coisa mais nobre que podíamos fazer era consagrar deliberadamente a vida, desejando aos outros aquilo que não desejamos para nós! É fácil sermos humildes sem nos humilharmos. Somos humanos, iguais pela origem. Filhos do mesmo Pai. A solidariedade e a fraternidade são virtudes que nos dão estímulo na luta pelos nossos ideais cristãos. É, pois, preciso que desapareçam estes antagonismos, estas incompatibilidades desintegrantes que existem entre o capital e o trabalho.

Nos dias de hoje, dada a variedade das funções na vida activa do trabalho, são poucas as pessoas que possuem a verdadeira concepção de que o trabalho é uma acto de cooperação com o Criador.

É preciso colocar o individuo no verdadeiro caminho da sua vocação, fazendo na vida do trabalho um acto de realização pessoal. Todos somos úteis. O trabalho gera em cada destino, um motivo irresistível de anseio espiritual; quem não trabalha vive em desarmonia consigo mesmo, o homem foi criado para colaborar na criação e no engrandecimento do Mundo.

Os sentimentos humanos são, sem dúvida os mistérios do balanço material que abraça e confunde as sensações colocadas geralmente na calma e bondosa saliência das nossas ideias. Sempre queremos o que não podemos obter. E nessa concepção evolutiva de procurar a perfeição, reside toda a teoria prática de trabalhar em busca do trabalho… Quem não trabalha não vive: arrasta a vida…. Trabalhar é merecer a existência. Trabalhar é ser parceiro da grandeza do Mundo. 



OS NOSSOS JOVENS SÃO OPERÁRIOS


Se o assistente se deve preocupar principalmente com a formação cristã do jocista, com a sua vida cristã, sobrenatural, na família, na fábrica, na sociedade; e para isso deve mostrar-lhe as belezas que a vida profundamente cristã tem; não deve contudo esquecer que o jocista é um operário e que em vez de o conduzir a uma vida de alta contemplação preguiçosa o deve levar a uma sobrenaturalizarão do seu trabalho quotidiano. 

Deve mostrar ao jocista que o trabalho mesmo manual, longe de ser um opróbrio é uma honra que o próprio Cristo se dignou santificar. O trabalho manual deve harmonizar-se, com o fim eterno dentro do plano divino, facilitar o convívio humano social. 

Deve o A.C. fazer ver tudo isto ao jocista sem esquecer contudo o destino mesmo temporal da classe operária. 

O SENTIDO E FINALIDADE DO TRABALHO MANUAL 

A grande lei do operário é a que Deus promulgou no paraíso a Adão: «comerás o pão com o suor do teu rosto.»: in sudore vultus tui. Por isso o operário deve ganhar a sua vida e muito embora a sorte o beneficie e o seu trabalho consciencioso o ajude e à conta de grandes sacrifícios que consegue mais tarde com, repouso ou reforma. 

Por enquanto terá de levar uma vida de trabalho na fábrica, na oficina, no escritório despendendo a sua actividade num trabalho, por vezes, duro, fatigante ao serviço de outrem. 

Não poderá entregar-se a estudos intelectuais, nem a problemas de alta cultura, nem a preocupações estéticas. 

Mas longe de ser um revoltado ou de se considerar como tal condenado a terra como amaldiçoado, deve ver em Cristo operário humilde e resignado um exemplo a seguir: Cristo o topo ideal. O trabalho é qualquer coisa de grandioso e nobre ainda mesmo o mais humilde dos trabalhos manuais porque é uma cooperação do homem no progresso e melhor estar dos seus irmãos e uma cooperação na obra divina da Criação. Poe em foco, modifica, embeleza com a ajuda de Deus a matéria inerte e bruta por Ele escondida no seio da terra, e ao mesmo tempo desenvolve as próprias faculdades pondo em jogo as suas energias. 

E se depois do pecado o trabalho reveste um carácter de castigo, é todavia susceptível de iluminação sobrenatural encarando-o como expiação pela aceitação resinada em união com Cristo; completando assim a paixão de Cristo, participa o operário do seu sacrifício e da sua glória. 

Como é grande e belo o ideal cristão do trabalho! Só este ideal pode afastar do operário o fatalismo, o embrutecimento e magnificação da sua actividade alegando por outro lado o operário pelos méritos que alcançou pela Glória infinita (em união com Cristo) que deve a Deus pelo bem que a paz a seus irmãos e pela beleza que, cooperador de Deus, aumentou na obra da Criação. 

O MEIO DO TRABALHO NO SÉCULO XX 

O nosso século é o século da grande industrialização o século do progresso, desconcentrante do maquinismo, o século das oficinas –cidades o século de um liberalismo económico em que já ninguém acredita e que tende a desaparecer, o século da revolta da classe operária que tomou consciência de si, do seu valor, força e direitos, século dominado pelas teorias de Marx e Lenine século da economia internacionalizada, século das grandes crises sociais, século de generosas iniciativas e reacções tenazes, século enfim, que a grande guerra desengonçou dos eixos. 

Não julguemos que a vida operária é um idélio agradável e deleitoso com que o trabalhador mesmo cheio de ideal cristão passa amenamente grande parto da sua vida, não, a vida operária é para o jovem mineiro de extremamente fadiga de um trabalho diário passado em profundas coris sem ar, nem luz ou qualquer outro conforto higiénico ou ao menos moral. 

É passada quase inteiramente pelo jovem tecelão entre o barulho ensurdecedor das teceleiras numa imensa sala de tecelagem numa temperatura quente e húmida, junto de raparigas meio despidas… E para o metalúrgico uma vida embrutecedora numa oficina negra de ferrugem e do execrando sistema de crometragem do trabalho. A vida operária neste século de progresso é brutalizada de um capataz a ausência de ar, é o estado repugnante dos lavabos, dos vestuários… é o salário de fome… é o desemprego. 

O TRABALHO DEVE SER HUMANO E TER JUSTA REMUNERAÇÃO 

Se o operário deve lançar mão do trabalho este deve proporcionar-lhe por uma justa recompensa por um salário suficiente uma vida relativamente cómoda. Sobre este ponto basta recordar os ensinamentos de Leão XIII : « lembra-se os patrões de que entre os seus principais deveres está em primeiro lugar a obrigação de dar a cada um dos seus serviçais um salário justo e conveniente». E mais adiante lembra que defraudar e especular com a pobreza é crime que, brada dos seus, citando em seguida a palavra do apostolo São Tiago. 

O salário que tendes extorquido por fraude aos vossos operários clama contra vós; e o seu clamor subiu até aos ouvidos de Deus. 

Mas o trabalho além de justa e convenientemente remunerado deve ser humano. Não deve o homem e quantas vezes o adolescente? Ser tratado como uma máquina ou uma besta de carga. E quantas vezes se não procedem assim? 

Pode em certos trabalhos desenvolver-se o corpo normalmente? Não comprometem a saúde esforços tão contínuos e prolongados? Perante tais injustiças, opressões e abusos deve o operário porque é cristão curvar humildemente a cabeça? 

Deve aceitar a situação que, uma lei brutal lhe impõe? Deve ser resignado? Ou a sua própria consciência de cristão não lhe pede que se oponha à injustiça e pelas suas forças na medida em que possa a extirpe? Trabalhemos no sentido de proporcionar aos nossos operários o bem estar necessário para que possam dignamente agradar em tudo a Deus. 



O MEIO DO TRABALHO SOB ASPECTO MORAL 

Seria preciso trasladar completamente o capítulo da Encíclica Quadragésimo Omo, em que fala da missão das almas e das suas causas, e sobretudo ter sentido, experimentado da miséria moral que se respira com o ar doentio de quase todas as oficinas para aproximadamente poder pintar o quadro da moral do meio trabalhador. E uma atmosfera de ódio, revolta, irreligiosa e impura é sódio o impulso dos chefes oficinas dos jovens ou donzelas o impudor, à imoralidade, à sadomia etc… 

Ah! É bem verdadeira a frase do Santo Padre felizmente reinante: « Da oficina só a matéria sai enobrecida; os homens, ao contrário corrupiem-se e aviltam-se. 

O QUE INCUMBE AO ASSISTENTE ECLESIÁSTICO PARA REMEDIAR 

Reconduzir os homens a Cristo. Sermos padres. É certo que os operários estão numa ocasião próxima de pecado em que infelizmente não é rara a queda muito pelo contrário; mas eles serão obrigados a deixar de ganhar o pão de cada dia, a fugir do trabalho morrendo de fome? 

Como resolver tamanho problema! Pelo Jocismo – Eis a resposta.


















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terça-feira, 12 de março de 2019

PE. CORREIA DA CUNHA – ACÇÃO CATÓLICA X













SE ALGUÉM PUDER CONVENCER QUE ERREI POR ACTOS, DE BOM GRADO MUDAREI…




Para trabalhar com os jovens que são emocionalmente muito vivos e mentalmente ignorantes em matérias de sexualidade, era necessário educa-los e falar-lhes claramente. O saber nunca faz mal a ninguém, desde que seja administrado de maneira correcta e em tempo certo. A ignorância sobre a temática da sexualidade é muito perigosa. O Padre Correia da Cunha considerava inimaginável que os adolescentes e jovens não fossem instruídos na área da sexualidade na aprendizagem das ciências naturais.

À época, os pais da paróquia de São Vicente de Fora, na maioria não tinham noções sobre este assunto. Os pontos de vista eram tão deformados nas questões da sexualidade que não era possível convencê-los dos erros em que estavam. Era importante que os filhos fossem ajudados de fora, pois também não encontravam encorajamento em casa. Os jovens eram ávidos de conhecimentos e prontos para aprenderem. O prior Correia da Cunha organizava conferências sobre educação sexual nas instalações da paróquia e sempre contava com grande frequência de adolescentes e jovens de ambos os sexos. Estes colóquios eram muito úteis pois que, a despeito da sua vivacidade, o clérigo possuía imensos conhecimentos para lidar com a maior variedade de perguntas que surgiam por parte dos participantes.

A educação sexual estava inteiramente ausente nas famílias e nas escolas, por isso, o Padre Correia da Cunha considerava que seria obrigação da paróquia apresentar à juventude as concepções positivas do sexo, que pudessem servir para reconciliar uma visão mais construtiva da vida. O instinto sexual, se usado legitimamente, torna-se na base da forma mais elevada do amor. Se as relações sexuais advirem da harmonia, aperfeiçoamento, felicidade e paz de espírito, elas são boas. No caso de serem praticadas para mera satisfação física não serão aceitáveis. O sexo é um dom de Deus e por conseguinte um bem. Não existe no Cristianismo nenhum fundamento para considerar o sexo como motivo de vergonha. Era claro para o sacerdote que além de cuidar da vida espiritual dos seus paroquianos não poderia ignorar a vida física. Ninguém como ele conseguia lidar tão acertadamente com as questões sexuais, não só pela sua experiência, profundos conhecimentos, mas sobretudo pelo imenso respeito que estas questões lhe mereciam. Era indispensável uma perfeita união entre a ciência e a religião para poder-se assentar em alicerces sólidos a vida familiar e social.




Nunca esqueço estas suas palavras: «Jesus Cristo ensinava que Deus como Pai amoroso, somente deseja o bem para os seus filhos.». Nunca falava do sexo como uma coisa imunda, antes pelo contrário, pelo sexo a nossa personalidade se podia desenvolver em toda a plenitude da vida, tornando-a mais harmoniosa e repleta de felicidade.

O Padre Correia da Cunha era tão cheio de compreensão que, embora estes problemas do sexo não parecessem preocupá-lo, tudo fazia para ajudar os rapazes a não verem nas raparigas uns belos brinquedos ou objectos de mero prazer. A felicidade só pode ser gerada pelo auto-domínio e no respeito mútuo, e não pelo egoísmo. O amor é muito mais do que o simples desejo sensual; é a completa identificação de dois seres. Se procurais encontrar tal amor – uma tal compreensão – haveis de criar entre os dois um poder, uma força, que vos tornará capazes de fazer obra de Deus no Mundo.



O princípio básico da doutrina cristã é: «Amai-vos uns aos outros…» e a sua aplicação às nossas vidas afectivas resolverá muitas das nossas dificuldades, pelo que o Padre Correia da Cunha sempre concluía: que tudo o que era feito com amor não era pecado. 




Texto autoria do Padre Correia da Cunha


OS NOVOS SÃO MALEAVEIS


Os patinhos e pintainhos quando sentem as asas a crescer, instintivamente as usam e perdem a docilidade que antes tinham para com a ave progenitora.

Do mesmo modo os jovens gostam de se apresentar com um certo ar de independência devido à vigilância mesquinha que tiveram anteriormente bem como a sua acanhada educação. Se porém se insurgem contra a autoridade ou melhor contra o autoritarismo, deixam-se subjugar por explicações certas e singelas.

Não percamos de vista a instintiva repugnância a serem tratados como crianças. Devemos sempre fazer ver ao rapaz que os seus defeitos nos são inteiramente desconhecidos, embora nós os conheçamos todos plenamente. Nunca devemos enganar os novos dando-lhes explicações falsas porque eles depressa conhecerão que nós os enganamos e perante eles perdemos todo ou quase todo o prestigio; mas pelo contrário devemos ilumina-los e esclarecê-los com a lógica da moral cristã. Assim exercemos neles uma salutar influência.

MARQUEMOS A RESPONSABILIDADE DOS NOVOS

Devemos pôr à frente dos jovens a sua vida um conjunto tanto mais os seus deveres a cumprir actualmente como as obrigações da vida futura.

A «sífilis» ou qualquer outra doença transmissível com que há-de contaminar a esposa e a futura prole, em que momento a contraiu? …

Sem dúvida entre os 15 e 20 anos… quando se divertia! Daí a razão por que a raça é fraca e depauperada. Devemos mostrar aos jovens a responsabilidade que lhes acarreta por não se guardarem pois os seus corpos são verdadeiros templos do Espírito Santo.

Devemos mostrar-lhes que a falta não é simplesmente pessoal mas vai mais além, atinge a todos quantos deviam integrar o seu futuro lar.

E que dizer das donzelas, que aos 15 ou 20 anos divertem, dançando horas seguidas e para se tornarem mais elegantes usam trajes apertadíssimos, assim estão pondo obstáculos a um desenvolvimento e para a formação da sua prole?

Devemos mostrar-lhes com suavidade, caridade e carinho que o seu defeito em geral se traduz em ruínas incalculáveis, prejuízos morais, materiais e muitas vezes em prejuízos eternos.






O PAPEL DO ASSISTENTE

Incumbe ao assistente eclesiástico corrigir com bondade e encaminhar os jovens. Não se deve mostrar aos jovens apenas o aspecto negativo das coisas, mas também o positivo.

A juventude é a primavera da vida e por isso é que assim devemos encaminhá-la para que dê muitos e bons frutos no outono ou seja no declinar da vida.

O amor ao trabalho, a boa ordem e a disciplina serão para o jovem, as nascentes da alegria da boa consciência e da prosperidade no futuro lar.

Acima de tudo devemos incutir nos jovens uma vida profundamente cristã criando neles uma mentalidade que tem como base e fundamento o Santo Evangelho e não a onda avassaladora do materialismo.

Devemos ensinar-lhes a terem com Nosso Senhor uma intimidade superior aquela que tem a criancinha para com os seus pais e também aquela que terá um dia para com a futura esposa: mas para isto é necessário que tenhamos uma convicção profunda e mais ainda viver esta intimidade em Cristo.


Acima de tudo deve ser um verdadeiro cristão, isto é: soldado cristão, pedreiro cristão, caixeiro cristão etc…




















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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

PE. CORREIA DA CUNHA – ACÇÃO CATÓLICA IX












A JUVENTUDE É A FASE ÁUREA DA VIDA



No dia em que o teólogo Ismael Sanches, líder (director espiritual) do Grupo de Jovens OBJECTIVO fundado no ano de 1971, na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, pelo Padre Correia da Cunha, promove um debate, na Arte Galeria da Graça, sobre a sua obra: CASA – PONTE DE HONRA em que bem define o Mundo, o Cosmos e o Universo. Tudo isto junto e sabe-se lá mais o quê, é a nossa casa é a habitação de todos nós.


O seu talento como expositor faz do beneditino Ismael Sanches um conferencista que ainda hoje continua abrir largos horizontes, ajudando os jovens a encontrarem os caminhos de plenitude do seu lugar na vida.

No tema que transcrevo neste post da autoria do Padre Correia da Cunha sobre as dificuldades dos jovens, faz-me recuar a um tempo em que o prior de São Vicente de Fora tudo fazia para ganhar a juventude e recuperar os seus muitos carismas.

Não era para ele fácil entender as atitudes e movimentos da juventude, mas nunca deixava de perder a oportunidade de os atrair confiando-os ao jovem Padre Ismael e prestando todo o apoio para o ajudar nessa missão de contribuir para o desenvolvimento do jovem como pessoa e crente.

A juventude é a fase áurea da vida e ser jovem é estar no esplendor do que há de melhor na existência humana. O Padre Correia da Cunha bem o sabia e por isso acolhia com muita amizade e respeito os seus jovens, daí eles sentirem à vontade na sua proximidade. A gente jovem procura e necessita ter a oportunidade de questionar e escutar os bons lideres, pois só a juventude cultiva, desde cedo, a infinita generosidade.







AS DIFICULDADES DOS JOVENS


São inúmeras as dificuldades dos jovens, ninguém tem disso, a mínima duvida. Quantas vezes o director de almas juvenis se verá tentado a desanimar ao ver a inconstância dos que ele queria fazer firmes e fortes na sua vontade. 

O operariado de transição da adolescência para a vida adulta, para a virilidade não é somente um período de crescimento mas também um período de descobertas e portanto de movimento. 

Descobrir supõe anterior ignorância ou inconsciência que agora é iluminada por novas luzes que a inteligência adquire. Mas uma só destas descobertas não revela aos jovens todo o mistério da vida, mas ainda deixa lugares a outras revelações, a outras curiosidades, a novas pesquisas que trarão desilusões quando a realidade substitua a imagem e entusiasmos juvenis ou confirme coisas que já se pressentiam. 

Tudo toma novo sentido e cores mais vivas. 

Descobre-se tudo: A vida que não era bem conhecida nos seus segredos… a consciência que se vai tomando da personalidade…etc 

Muitas vezes é o desenvolvimento físico que poe as primeiras questões: a vida é então abundante a simplicidade do primário da liberdade com os fenómenos fisiológicos e patológicos que lhe são peculiares, perturbam e angustiava os rapazes. Que diferença entre a maneira como o problema da vida se apresenta a um rapaz de 13 anos e a um outro de 18 ou 20!Uma evolução os separa. 

O MISTÉRIO DA VIDA 

O jovem vê-o em tudo, adornado das mais variadas cores…Apesar de mistério desperta no coração melhor disto na inteligência uma irresistível ansiedade de o penetrar. Por isso o jovem olha, compara, reflecte tirando depois as consequências. Interrogando-se a si mesmo de como procederão os companheiros que terão os mesmos fenómenos. 

Tudo o que o rodeia constitui para ele um pavoroso facto extremamente variado e terrivelmente instrutivo. 

Nele se observam sentimentos intrigas e outras coisas mais que nem sequer suspeitava. 

O panorama da vida continua a estender-se, que outras parecia nobre è hoje objecto de riso. 

Por isso novos planos, novos projectos… uma revolução contínua. O jovem não sabe ocupar-se do presente, só o futuro lhe sorri e só no futuro pensa em realizar os sonhos e quimeras de hoje. Com esta descoberta das coisas de que afinal é preciso viver o jovem lança-se na sua conquista caminhando ao acaso e se não tiver um bom livro ou um director que o guie. É então que a AC deve empreender o seu trabalho com a alma do jovem. Estas descobertas não são apenas no campo intelectual por isso não nos deve admirar das contradições que nos apresenta a psicologia do jovem; umas vezes será arrogante, entusiasta e presunçosa outas temoroso, inconsciente e fraco. 




VIRTUDES QUE DEVEM BRILHAR NO DIRECTOR 

É necessário na base duma solida e continuada formação espiritual, completada pela experiência adquirida num ministério zeloso. O director espiritual deve tomar particular empenho por cada alma: Um pouco à maneira do sol que aquece a todos e a cada um em particular. É sabido que para conseguir a confiança das almas é necessário o carinho sobrenatural nutrido no exemplo do coração de Jesus, abismo de amor. Ao caminho deve aliar-se a virtude da paciência para sofrer defeitos e mesmo as impertinencias e para continuar a obrar sem desfalecer, e da humildade que reconhece a verdura da mocidade nas suas pretensões e amor-próprio. 

OS RECURSOS DOS NOVOS: A GENEROSIDADE 

È uma das grandes qualidades da gente moça. 

Por isso, aí de nós se deitamos um balde de água fria de cepticismo ou falta de compreensão por sobre a sua vontade de se dar – virtude que só se apaga quando a luxuria tomar posse de um moço para nele fomentar apenas o egoísmo. 

Os novos tem a sinceridade na fé o ardor generoso de nobres ideias. Diz o Papa: «assim não é de admirar como nos sítios onde a AC dos novos se tem desenvolvido abundam as vocações sacerdotais e religiosas. 

Perdeste essa generosidade os directores de almas devem mostrar a mocidade as grandes necessidades da Igreja no momento presente, pôr-lhes diante dos olhos a imensa “messe” de várias modalidades que hoje se apresenta ao soldado de Cristo. 

VIGOR FÍSICO 

A gente moça possui grande coragem física e moral; é capaz de grandes esforços, tem grandes reservas. 

É certo que às vezes são imprudentes…diz um adágio francês, mas é facto que outros não fariam por calculo as energias dos novos» Diz Pio XI « sem nos comprometermos, vamos aproveitar esses entusiasmos sobretudo quando se trata não de pedir liberdades mas de as tomar.»




















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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA





Os amigos que partiram…





IN MEMORIAM


MANUEL PEDRO SOUTO

1897-1988


122º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO



Manuel Pedro Souto foi sacristão da Paróquia de São Vicente de Fora, entre 1934 e 1967. Nasceu a 28 de Janeiro de 1897, em Pedrogão (Torres Novas), mais conhecido por Pedrógão d’Aire.

Passam hoje cento e vinte e dois anos do seu nascimento. Considero ser um dever relembrar este homem possuidor de uma alma de eleição que foi estimado e admirado por todos que com ele privaram, uma pessoa de inexcedível nobreza de sentimentos e de um cavalheirismo doutros tempos.


Cinquenta e dois anos são decorridos! E, todavia, lembro-me como se fosse hoje daquele ano de 1967, em que o Sr. Manuel, com os seus setenta anos, se retirou para a sua terra natal a fim de gozar do merecido repouso depois de tantos anos de generosa entrega ao serviço da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.



Profundamente crente e austero, era  apreciado pelas muitas senhoras de piedosas virtudes que propositadamente se dirigiam à Igreja de São Vicente de Fora para o visitarem. Para elas, era sempre um confiável conselheiro e um cristão exemplar, o jovem sacristão de sessenta e tal anos. 



Nunca o ouvi dizer mal de ninguém. E tinha um respeito e veneração, diria mesmo, culto pela memória do seu amado prior: Monsenhor Francisco Esteves.

Era de uma pura e fina sensibilidade que lhe conferiam uma intuição especial para o negócio dos artigos religiosos, livros sagrados, pagelas e ceras..., mas contrariamente ao que se afirmava, pelos espaços da paróquia, não soube transformar essa sua arte em rendimento. Por isso morreu pobre. Morreu Santo.

Segundo testemunhos de muitos paroquianos, que ainda o conheceram, o Sr. Manuel Souto era um crente afectuosíssimo; muitas vezes nos falava do notável pastor Monsenhor Francisco Esteves e de outros seus amigos. Ao invocar esse passado de recordações, de factos, de episódios da sua vida e dos que lhe eram queridos, falava com tanto entusiasmo, tanto calor, tanta vida que parecia ressurgir o belo espírito, vigor e entusiasmo de um passado tão preenchido e pleno de felicidade. 

O Padre Correia da Cunha sempre enalteceu o serviço prestado por este seu brioso colaborador; homem honrado, cavalheiro incontestável e sempre muito afectuoso e leal. Pela sua provecta idade era um acérrimo defensor da tradição doutrinária e litúrgica. Não via com bons olhos os ventos de mudança que o jovem pároco Correia da Cunha introduzia na comunidade paroquial. Recordo um texto de 1967, sobre uma celebração litúrgica ocorrida em São Vicente de Fora ao som de música moderna. ''Só o velho sacristão Sr. Manuel Souto, que servia devotamente há mais de trinta e três anos a paróquia, ficou mal-humorado e expressava  toda a sua indignação'': «Não compreendo nem sei o que isto representa. Dizem que é o YÉ-YÉ…».

Ele era crente, profundamente crente; sempre disponível para acolher com todo o carinho no seu lar, que se situava em todo 1º andar da ala este Mosteiro, os familiares oriundos do seu lugar natal. Era um encanto ouvi-lo, expondo as suas ideias e a falar da sua desmedida Fé.

Assim fecho esta singela homenagem a Manuel Souto que soube zelar por todo aquele património do Mosteiro de São Vicente de Fora durante décadas com muito amor e dedicação.

No dia 26 de Fevereiro de 1988, foi repousar na Glória de Deus.

Dai-lhe Senhor, o eterno descanso e brilhe para ele o esplendor da Luz Eterna.


Paz à sua grande alma.

















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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

PE. CORREIA DA CUNHA - HOMENAGEM AO COADJUTOR









A DOMUS DOMESTICA SÓ ATINGE O SEU SENTIDO PLENO QUANDO SE TORNA LUGAR DA PRESENÇA DIVINA.



Estou de volta para vos trazer novas emoções sobre a exposição: “O HOMEM DOMICILIADO”. É uma justa e merecida homenagem ao coadjutor «oficial», do saudoso prior de São Vicente de Fora, durante o período de 1970 a 1974, Ismael Sanches (Pe).

É já no próximo dia 1 de Fevereiro que se procederá à solene inauguração da exposição de pintura do mestre Rui Aço, na galeria Arte Graça. 

Estão de parabéns a Junta de Freguesia de São Vicente, a Oficina do Desenho e o Grupo Objectivo por terem contribuído para a concretização deste evento cultural. É para mim uma enorme alegria poder participar na sua divulgação junto dos amigos do inesquecível prior Correia da Cunha (1960-1977).




Esta exposição foi sonhada de modo a educar o olhar e propor uma visão intelectual sobre a obra literária do teólogo Ismael Sanches (Pe) «A CASA – PONTO DE HONRA». Assim, para esta exposição, optou-se por uma programação com dois tempos:



Primeiro – Dia 1 de Fevereiro ás 18 horas 

Inauguração da exposição com a presença das instituições que se associaram a esta acção cultural, com a presença da curadora a artista plástica e jornalista Marita Moreno Ferreira. 

Segundo – Dia 8 de Fevereiro às 18 horas 

Apresentação do livro «A CASA-PONTO DE HONRA», seguida de uma reflexão filosófica sobre a obra da autoria de Ismael Sanches (Pe), focando os mais diversos pontos de vista, de modo a preparar os participantes para uma reflexão sobre as temáticas abordadas no ensaio e na arte plástica. 

Contará esta sessão com a presença dos Drs. Fernando Machado, Rui Lagartinho, Ismael Sanches e o pintor Rui Aço.


Esta exposição nasce das muitas memórias de um grupo de jovens da Paróquia de São Vicente de Fora, fundado a 31 de Outubro de 1971, pelo Padre Correia da Cunha (1917-1977). Este sacerdote dedicou toda uma vida à formação cristã, cultural e social da juventude, na Armada Portuguesa e na sua amada paróquia. Como referia aos jovens: «Só pode haver uma mudança da sociedade, com base numa ampla formação intelectual que requer o envolvimento das áreas do conhecimento das letras e das artes


O Padre Correia da Cunha, prior da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora (1960-1977) soube escolher o beneditino D. Felix (Ismael Sanches) pelo seu génio, ousadia e pensamento universalista para orientador do Grupo de Jovens «OBJECTIVO», ajudando os jovens a construirem uma cultura e a edificarem uma casa para, no seu interior, se abrigarem e viverem… radicalmente a utopia do cristianismo.

Em inícios do ano de 2016, o filosofo teólogo Ismael Sanches editou o livro – A CASA- PONTO DE HONRA, que seduziria e desafiaria o mestre Rui Aço a pintar imensas obras que hoje compõem esta brilhante exposição. 

Convido-vos pois a participar neste evento de Homenagem ao Ismael Sanches, para educarmos os nossos olhares e a fazermos uma reflexão artística e racional sobre as temáticas desta esplêndida exposição. 


Conto com a vossa presença!


ISMAEL SANCHES foi monge beneditino (1950-1980) com o nome monástico de Frei Félix, no Mosteiro de Singeverga, onde cursou Filosofia e Teologia e onde foi ordenado em 1957.
Iniciou a sua carreira docente na cidade do Porto no Instituto Superior de Estudos Teológicos. Foi nomeado pelo Cardeal António Ribeiro no ano de 1974 para director do Externato Frei Luís de Sousa até 1980. Nos ano 60 cursou na Faculdade de Filosofia e Teologia da Universidade de Munique. Nos anos 90, no Brasil leccionou no Seminário Maior de São Salvador da Baía e Colégio de São Bento em São Paulo a cadeira de Filosofia. Presentemente dedica-se ao estudo e à escrita.
















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