quarta-feira, 15 de novembro de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA - PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO IX














«…UMA SÓ ÁRVORE EM QUE DOIS RAMOS FORAM ENXERTADOS POR DEUS.»



Continuamos a dar seguimento ao Curso de preparação para o sacramento do Matrimónio, que o Padre Correia da Cunha escreveu com a maior alegria e felicidade, visando ajudar os noivos a encontrar realmente com Cristo ressuscitado, através do sacramento do matrimónio, sinal tão belo dos tesouros da Igreja, a tranquilidade e serenidade na vida matrimonial.

Ao optarem pelo sacramento do matrimónio os noivos reconhecem que Deus é a fonte de todo o amor e imploram-lhe que olhe com bondade para eles e os acompanhe na dura caminhada que desejam percorrer para a formação de uma nova família cristã.

Essa caminhada tornar-se-á mais fácil se houver a força que vêm da fé cristã e só assim o amor jurado perante o altar, não poderá nunca ser destruído.

O sacerdote unido a toda a comunidade cristã invoca a Deus para que o Espírito Santo conceda aos que se unem neste sacramento, a sua força e protecção para esta nova etapa das suas vidas.
Era sempre aludido pelo Padre Correia da Cunha que haveria sempre situações difíceis na vida conjugal, mas o sacramento do matrimónio teria de ser sinal de fidelidade ao amor de Deus que os unia até ao dia em que só a morte os poderia separar.


O amor de Deus que uniu os esposos como era lembrado pelo Padre Correia da Cunha: - “Deixam de ser dois corações que se amam, para passarem a ser um só coração!”
























Texto de Padre Correia da Cunha


Para os católicos a união do homem e da mulher em ordem à constituição da família é, como vimos, um sacramento. Mas é também um sacrifício, ou seja, uma doação, uma oferta total, generosa, cheia de amor e sobretudo sagrada.


Com efeito, no casamento não há somente um sinal da graça da união entre o marido e mulher a ponto de serem dois num só; nem simplesmente graças espirituais de compreensão e auxílio mútuos para uma vida em comum e para a criação e educação dos filhos; há mais:
- Há uma doação ou oferta feita pelos próprios nubentes de um ao outro e dos dois a Deus; há o que se chama um sacrifício.


Na verdade, a noiva dá ao noivo a sua alma e o seu corpo; dá-se. E nesta oferta dá tudo o que tem de feminino. Complementar do homem.


Dá a sua integridade física na originalidade; dá aquela faculdade de amar que só os corações femininos têm; dá o seu pudor, a sua virtude, a sua dedicação, a sua graça e alegria a sua capacidade de sacrifício no sentido geralmente conhecido.


O homem, por sua vez, dá também à noiva não só seu corpo e a sua alma, mas ainda tudo o que tem. Dá a sua liberdade, a virilidade fecundante, o seu poder de trabalho, a força do seu braço, as qualidades da sua inteligência e do seu coração.































Na construção do lar, enquanto os dois são os alicerces que se dão e sacrificam para a felicidade dos filhos que, por venturam venham a ter e para a sua própria felicidade.



Tem-se dito e repetido vezes sem conto que o homem só se realiza, só se torna verdadeiramente homem quando se dá a qualquer ideal superior. Pois no casamento, segundo a doutrina católica, o homem e a mulher unidos pela graça sacramental dão-se um ao outro  sob a bênção de Deus, e oferecem-se no altar do Senhor para, nas suas mãos divinas, desempenharem uma missão verdadeiramente superior.


Missão de colaboradores de Deus na obra mais bela e maior que é dado realizar ao homem: - a criação de outros seres humanos e a sua formação cristã, de sorte que eles não só sejam bons cidadãos deste mundo, mas grandes santos no céu. E além desta missão tão bela, os noivos, ligados pela graça sacramental e abençoados com os dons divinos, realizam ainda a missão de se santificarem mutuamente, aperfeiçoando-se na vida espiritual. Quando os noivos têm a noção das exigências do seu casamento cristão, hão-de procurar ser o que Deus deles quer: - Um só corpo e uma só alma. Não pode um ficar indiferente ao destino eterno do outro, os dois têm de se salvar com os filhos, porque todos são uma só família, ou uma só árvore em que dois ramos foram enxertados por Deus e, por Deus, deram frutos que são os filhos.


Mas esta mística exige ainda que ambos, marido e mulher, saibam realizar dia a dia o sacrifício do seu casamento, oferecendo a Deus as penas, cuidados, preocupações e sofrimentos de uma vida em conjunto. É que eles têm de colaborar com a graça de Deus, por esta graça não força a pobre liberdade humana a fazer aquilo que deve.


Cada qual tem de se esforçar por que o dom de Deus encontre terreno bom nos seus corações. Quer dizer cada qual deve trabalhar por aceitar, compreender e sofrer os defeitos, o feitio, a maneira de ser do outro, fazendo nesses pequenos sacrifício o grande sacrifício da sua vida.



Frutos desse grande sacrifício: a Glória de Deus, a Santificação dos esposos, a formação e santificação dos filhos e o exemplo para o mundo do que é uma família cristã, imitação da Sagrada Família!













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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA - PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO VIII
















«O QUE DEUS UNIU, NÃO SEPARE O 

HOMEM!»




O Sacramento do Matrimónio assumido em plena liberdade implica a missão de se construir uma vida a dois, repleta de alegrias e tristezas até à morte. Não se pode resumir apenas aos desejos e vontades de cada um.

O Padre Correia da Cunha fazia questão de referir que o casamento não era «pêra doce», todos os casais se encontrariam e debateriam com muitos sérios problemas…

Era claro, em afirmar que na vida conjugal não era só receber, mas sobretudo doar o amor ao outro. Para ele essa era a verdadeira vocação do casamento, que tão bem expressava nestas imagens: ‘’ Podemos ter as flores mais belas do mundo, mas se não as cuidarmos e regarmos convenientemente, essas flores acabarão por morrer. Assim é com o casamento, deverá ser irrigado permanentemente num partilhado diálogo ao longo de toda a vida. O diálogo é a água que todo o casamento necessita para se desenvolver na plenitude da felicidade.’’

Ao fazer-se padre, o jovem Correia da Cunha possuía a profunda consciência que iria assumir para toda a sua vida, a entrega sem reservas, para ir ao encontro da felicidade dos seus irmãos em Cristo.

A vocação matrimonial ou sacerdotal é para toda a vida. Não se pode desistir a meio do caminho, é preciso chegar ao fim. Muitas vezes a solução não passa pela separação mas pela superação.







A comunhão conjugal caracteriza-se não só pela unidade mas sobretudo pela indissolubilidade.  

É sobre essa insistência inequívoca da indissolubilidade do vínculo matrimonial, que pode parecer como uma exigência impraticável, que o Padre Correia da Cunha nos fala nesta oitava lição do seu Curso de Preparação para o Matrimónio, convidando os noivos a serem fiéis um ao outro para sempre, para além de todas as provas e dificuldades da vida, numa generosa obediência à vontade do Senhor.









Texto do Padre Correia da Cunha


Nas últimas lições abordámos algumas das principais condições da validade de um matrimónio, a saber: - a capacidade física e moral; a liberdade de escolha e de consentimento; e, ainda, a unidade matrimonial. E concluímos que o casamento para ser válido e sério tem de realizar-se livremente entre um só homem e uma só mulher física e moralmente capazes de fundar uma família.

Vamos hoje estudar um outro aspecto fundamental, exigido como condição essencial pela doutrina católica, e posto de parte por certa legislação moderna: - a indissolubilidade.

Indissolubilidade é a característica do casamento entre católicos, e significa que, em caso algum, é permitida a separação, como possibilidade de contrair novo matrimónio, a pessoas validamente casadas.

Por favor, procurem ler com atenção o que aqui vai em letra de forma!

A Igreja Católica admite a separação de pessoas e bens entre casados, mas não permite que eles possam contrair novo casamento. Quer dizer, a Igreja condena absolutamente o divórcio. E porquê?


1º - Porque defende a família. Para a Igreja a família é uma instituição sagrada, mediante a qual o casal humano é chamado a realizar a sua mais bela obra: - a formação de homens. Entre gente civilizada (e mesmo entre selvagens) o homem recém-nascido não é, como grande parte dos animais capaz de se desenvolver e formar não só sob o aspecto físico, com o também e sobretudo na sua vida moral, intelectual e espiritual. Precisa de um meio próprio ao seu desenvolvimento sob qualquer destes aspectos. Esse meio é naturalmente a Família. É ela quem de geração em geração mantém as tradições, a educação e a civilização de um povo e as características de uma raça.
Se os esposos se podem separar, a Família desmorona-se por completo.







- A educação dos filhos exige a união dos pais até à velhice, pois que esses filhos só na roda dos 20 anos atingem uma formação completa (até, por isso, se estabelecem a maioridade por volta daquela data).

Além disso, os pais representam aos olhos dos filhos a unidade e a continuidade da Família. Por consequência devem viver sempre unidos.

Acresce ainda que a união entre os esposos tem ainda como finalidade o auxílio mútuo, tal como ficou dito nas primeiras páginas deste curso que trataram este assunto.
Para que esse auxílio mútuo seja estável e eficaz é necessário não admitir o divórcio.

Em conclusão: - A Instituição – Família, exige para se poder manter que coisa alguma deste mundo, nem interesse algum seja capaz de a destruir, e o divórcio é um atentado contra uma Família constituída.

2º - Porque defende a Sociedade. É uma banalidade dizer-se que a Família é a célula da sociedade. Mas esta banalidade é uma verdade absoluta. Tocar na Família é tocar no ponto vital da sociedade. Destrui-la a ela, a Família, é destruir a sociedade. Nem se diga que um caso ou outro não casos, pois o que importa não são este ou aquele caso de divórcio, mas sim o princípio, o admitir-se que as células (os elementos vitais da sociedade) se podem destruir, porque, se é possível aniquilá-los …adeus sociedade humana!|
Dirão: mas só em casos especiais será admissível o divórcio. Quem assim fala esquece que os casos são todos especiais, pois são sempre passados entre humanos, e cada indivíduo humano é sempre um caso especial, à parte pessoal.

Não há duas pessoas iguais. A razão que este hoje invoca, pode ser invocada por aquele amanhã; e aquilo que para a peixeira pode não ser grave é-o para a duquesa. Por exemplo: um palavrão ou uma bofetada do marido.
- De resto, onde haveria garantia da formação dos homens de amanhã?

E qual o casal que quer dar filhos à Pátria se eles são um empecilho para amanhã os pais possam desligar-se e fazer outra experiencia?
É claro, com o divórcio vamos cair no amor livre e na prostituição geral!

3º - Porque defende a personalidade humana. A pessoa humana é um ser à parte na Criação inteira. Sabe o que é a honra e dever. Tem consciência de si própria, da sua finalidade, e da sua missão.

A Igreja não admitindo o divórcio salva a honra daqueles que prometeram diante de Deus e da Sociedade fidelidade até à morte. Mais ainda, obriga os esposos a serem honrados, guardando, apesar de tudo, a fidelidade jurada. É que o juramento, a promessa é para o homem honrado e civilizado um direito sagrado cujo cumprimento só o honra.




Se um marinheiro quebra o juramento de fidelidade à sua pátria é um traidor; se um comerciante que falta à sua palavra é um pulha, os esposos que se divorciam o que são?


- Não são pessoas de bem, não são honrados, nem sérios. Por isso a Igreja condenando o divórcio salva a honra dos homens, embora muitos deles se esqueçam dos seus deveres honrosos e até queiram fugir cobardemente do seu cumprimento.

- Salva especialmente a mulher que, por via de regra, é a principal vítima do divórcio. Salva a formação dos filhos. Salva o bom nome, a reputação do marido e de todos.

4º - Porque defende e proclama a doutrina de Jesus Cristo.
A palavra de Jesus é clara. Ninguém a pode deturpar: «Todo aquele que expulsar sua mulher e se juntar com outra é adúltero, e toda a mulher que se separar de seu marido e se liga a outro é adúltera!» (Marcos X, 11-12 e Lucas XVI-18).
São Paulo di-lo também claramente nos seguintes termos: «Pela Lei do matrimónio a mulher fica ligada ao seu marido enquanto viver… se, se juntar com outro, deve chamar-se adúltera! (Rom. VII, 2-3). «Aquele que estão casados ordena o Senhor que se não separem.Se, porém, algum deles viver separado, não se case com outro, antes de se reconciliem.» (Cor VII, 10-11).


O ensino da Igreja tem sido fiel a esta doutrina e a tal ponto, que prefere perder um grande povo, como a Inglaterra, a transigir neste ponto. Lembremos Henrique VIII!
















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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA - PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO VII














«… A VIDA MATRIMONIAL É UM 

AUTENTICO SACRIFÍCIO.»





Terminadas as comemorações do centenário do nascimento do Padre Correia da Cunha, que decorreram, com a maior elevação e dignidade, no passado dia 24 de Setembro, retomamos a transcrição do Curso de Preparação para o Matrimónio da sua autoria.

Consciente de que o matrimónio e a família constituíam um dos bens mais preciosos da humanidade, o padre Correia da Cunha dirigia estas notáveis lições aos jovens que encetavam este caminho de preparação para o sacramento do matrimónio, tendo em vista ajudá-los à construção de uma autêntica e verdadeira família cristã. Procurava abri-lhes novos horizontes, ajudando-os a descobrirem a beleza e a grandeza da vocação dos jovens ao amor e ao serviço da vida. Revelava-lhes contudo que essa sadia opção também implicava muitos sacrifícios e partilha de duras responsabilidades.

A felicidade só se alcança numa família que viva em harmoniosa comunhão de vida e no respeito pela doutrina fundada sobre a lei natural, iluminada e enriquecida pela revelação e providência Divina.

A lei natural enuncia os deveres conjugais mais relevantes, assim como vincula reciprocamente os cônjuges a novos comportamentos assumidos com plena responsabilidade da vida familiar que livremente desejam fundar.





Texto Padre Correia da Cunha




Nunca será demais insistir numa verdade que, apesar de ser evidente como a luz do sol, é muito esquecida e até ignorada da maior parte dos noivos e dos cônjuges: - é que a vida matrimonial é um autêntico sacrifício, dando-se a esta palavra sacrifício toda a sua amplitude.

Regra geral, os namorados e os noivos só pensam nas alegrias que o casamento lhes pode trazer e nem sequer lhes passam pela cabeça as responsabilidades e encargos, numa palavra a Cruz que o casamento lhes põe aos ombros.

Muitos consideram o casamento como uma solução legal do problema sexual; outros, como um meio de fugirem ao ambiente da família em que foram criados; outros, mais sentimentais, consideram-no como exigência que todo o coração tem de encontrar uma amizade e apoio moral.

Em qualquer dos casos não vêem o aspecto sacrificial que lhe é próprio.

Passada a lua-de-mel, e, às vezes até, mesmo durante ela, a Cruz aparece com toda a sua grandeza e peso…


Para o homem: a responsabilidade de trabalhar mais para mais ganhar, pois tem de prover as necessidades de um lar com tudo o que o constitui: mulher, filhos e casa; a prisão a que se vê sujeito, não podendo entregar-se a prazeres e devaneios (ainda que lícitos) em virtude das responsabilidades conjugais e familiares, etc.


Para a mulher: geralmente, a desilusão e consequente tristeza perante a brutalidade das relações conjugais que ela punha num plano sentimental mais elevado. Sente-se, tantas vezes, considerada só uma fêmea com obrigações de governante, lavadeira, cozinheira e criadora dos filhos, sem alegria de uma comunhão espiritual dos carinhos e da amizade a que tinha direito.


- a perda da liberdade de que gozava em solteira

- os trabalhos e responsabilidades do lar, etc.




Para ambos igualmente, às vezes, alem de tudo isto a incompreensão e o desentendimento…


- e as ralações, os trabalhos, que a vida oferece até sob o ponto de vista económico…

É tudo sacrifício. E se não há uma grandeza de alma, bem formada e apoiada na Graça de Deus… como é fácil a tentação de alijar a carga ao mar!...

E o problema dos filhos? Ficou propositadamente para ser tratado à parte. É que todos os outros problemas da vida conjugal se resolvem com estes remédios: 1º Graça de Deus procurada e merecida; 2º boa vontade, pronta a todos os sacrifícios; 3º amor fundado em Deus e alimentado por uma grande amizade que une a ambos numa profunda comunhão de ideias, de sentimentos e de interesses espirituais, morais e económicos.

Para o problema dos filhos é necessário, além dos remédios apontados, o conhecimento de certas leis fisiológicas e morais quanto ao seu nascimento e de certas normas educativas quanto à sua formação. Não nos esqueçamos nunca de que ser pai e ser mãe, não é só fazer filhos, é acima de tudo, formar homens e cristãos!

Mas vamos à primeira parte deste problema tão sério, isto é, procuremos conhecer os aspectos morais e fisiológicos do nascimento dos filhos.


II– A primeira verdade, a mais importante, a procriação: gerar novos seres. Já está dito e redito, é escusado insistir neste ponto, basta só lembrá-lo.

Embora a vida conjugal traga aos cônjuges prazeres especiais, estes só são estímulos e uma compensação para as responsabilidades da paternidade. Não é lícito, portanto, só procurar o prazer pelo prazer, sem querer aceitar as suas honrosas consequências naturais, Quem só quer prazer e nada mais, terá o castigo certo do seu pecado.

Quem assim procede transforma o lar numa casa de prostituição privada, despreza a honra de ser pai ou mãe, afronta o instinto de paternidade, especialmente da mulher, mas também do homem, acarreta graves perturbações quer sob o ponto de vista moral quer sob o aspecto fisiológico, e finalmente arrisca a felicidade do lar.

Não há ninguém, desde o sacerdote ao médico, que não esteja de acordo com o que fica exposto. Todos, crentes e ateus, que estudam estes problemas são unânimes em dizer que o crime de não querer ter filhos é vingado pela natureza.


E a Igreja considera nulo, inválido, todo o casamento que seja realizado com essa maldita condição.

II - Segunda verdade (esta especialmente para os cristãos) embora o seja também para todo homem que acredita num Deus que tudo governa e dirige): - Há uma Providência Divina que veste os lírios do campo e sustenta as aves do céu.


Por outras palavras, Deus não dorme, e, desde que as pessoas humanas por Ele criadas cumpram os seus deveres guiando-se pelas leis que Ele estabeleceu e pela luz de uma recta e bem formada razão, esse Deus obrigatoriamente cuida e trata amorosamente de todos os que aparecem neste vale de lágrimas. O que é preciso, repito, é cumprir as suas leis e guiar-se pela razão bem formada e recta.

Creio que as condições que dão direito à protecção da Divina Providência estão bem clara, mas não será demais explica-las um pouco em assunto tão importante.





A) – Cumprir as leis Divinas, isto obriga os cônjuges a praticarem na sua vida toda e especialmente nas suas relações sexuais as leis da natureza criadas por Deus e os preceitos Divinos da Religião. Querer ter direitos aos favores de Deus sem cumprir os deveres poe Ele impostos é absurdo e estupidez.


B) Guiar-se pela razão bem formada e recta, quer dizer que o homem não é como um bicho qualquer. Não pode obedecer cegamente aos instintos do animal. Neste ponto é impossível ao homem fazer o que faz o animal, pois embora o animal embora o animal sinta a a força dos instintos tem também o instinto bastante para saber limitar-se segundo a conveniência da sua espécie e da sua vida. Os homens, pelo contrario, sentem os instintos mas não têm o instinto de os limitar, tem uma faculdade mais nobre e importante que se chama razão. Esta, porém, tem de formar-se pela educação e pela instrução. Ninguém nasce ensinado. Todo o animal nasce já o que há-de ser; só o homem tem de fazer-se para chegar a ser o que deve! Isto exige de cada um de nós um trabalho constante de educação e de instrução; temos de desenvolver em nós qualidades morais e cívicas, e temos de adquirir os conhecimentos necessários para bem vivermos (em todos os sentidos) e para nos multiplicarmos segundo a espécie. 


C) Satisfeitas estas condições, todo o homem pode e deve confiar na Providência Divina, tendo a certeza da verdade que assiste ao rifão popular: - Deus dá o frio conforme a roupa!


III – Postas estas duas grandes verdades, vem agora terceira que se formula negativamente:


Nunca é permitido aos cônjuges fazerem seja o que for contra as leis Sagradas da natureza, leis essas que Deus estabeleceu sabiamente!

Levados quer pelo egoísmo nojento de só quererem os prazeres do matrimónio, ou pelas dificuldades (quantas vezes fingidas) de saúde ou de meios económicos, muitos casais há que usam nas relações sexuais processos criminosos e degradantes que os prostituem e profanam a santidade desses actos que Deus quer que sejam actos de colaboração na sua acção criadora! Malditos serão de Deus e dos homens todos aqueles que assim procedem roubando à Pátria cidadãos e ao céu, santos.

Geralmente, podem catalogar-se em duas classes esses crimes:


- Crimes de onanismo

- Crimes de aborto

Onanismo é todo o acto sexual que não se realiza segundo as leis naturais para impedir a concepção. Quer seja por meios de processos artificiais, como preservativos, por exemplo, quer não (derramando fora o sémen etc), o onanismo é sempre um crime porque contraria a finalidade de um acto, desrespeita a lei Divina e natural, profana as relações sexuais e prostitui a mulher e até o homem.


O aborto ou qualquer prática abortiva é sempre um assassínio. É matar uma vida humana, quer seja no primeiro dia de gravidez quer no último, pouco importa, o crime é o mesmo.















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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA – 100º ANIVERSÁRIO











CERIMÓNIAS COMEMORATIVAS DO

CENTENÁRIO NASCIMENTO DO PADRE 


CORREIA DA CUNHA





O  “RASTO DE LUZ” DEIXADO PELO SACERDOTE QUE FOI CAPELÃO CHEFE DA  ARMADA E PÁROCO DE SÃO VICENTE DE FORA, EM LISBOA, FOI RECORDADO COM INAUGURAÇÃO  DE UMA ESTÁTUA.






No passado dia 24 de Setembro, no dia que passaram 100 anos do nascimento do Padre Correia da Cunha (24 de Setembro de 1917), a Igreja do Mosteiro de São Vicente de Fora, acolheu imensos amigos, antigos paroquianos e várias personalidades das mais diversas áreas, politicas, militares, regionalistas… O grupo de jovens OBJECTIVO, fundado em 31 de Outubro de 1971 pelo Padre Correia da Cunha  esteve bem representado nesta homenagem ao homem que teve uma vida coerente de fé e de fraterna amizade.







  



Transcrevo um belo texto, extraído do Jornal Voz da Verdade sobre esta efeméride.





‘’No centenário do nascimento do padre Correia da Cunha e nos 40 anos da sua morte, um grupo de amigos decidiu homenagear o sacerdote do Patriarcado de Lisboa que foi Capelão Chefe da Armada  Portuguesa, entre 1943 e 1961, e pároco de São Vicente de Fora, entre 1961 e 1977. No passado Domingo, 24 de Setembro, a efeméride foi assinalada com a inauguração de uma estátua, junto do Mosteiro de São Vicente de Fora e com uma Missa presidida por D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa.











Na celebração, o Bispo Auxiliar de Lisboa assinalou o ‘’rasto de luz’’ deixado pelo sacerdote, através do ‘’amor à liturgia, aos jovens e aos jovens casais; às famílias; à Marinha e aos Marinheiros, à sua cidade de Lisboa’’. ‘’Foi um inovador e renovador, um percursor da recepção do Concílio Vaticano II, Um construtor de pontes de amizade e comunhão com pessoas e Instituições que na cidade se empenhavam na construção do bem comum’’, salientou D. Joaquim Mendes.








Na inauguração da estátua e descerramento da placa evocativa do centenário do nascimento do padre Correia da Cunha, também estiveram presentes vários representantes de entidades civis e militares. No discurso, D. Joaquim Mendes salientou a valorização da ‘’cultura do encontro da proximidade, da familiaridade’’ por parte do sacerdote homenageado.





‘’Nele estava muito presente a ideia de Igreja família e família das famílias, por isso cuidava muito da preparação dos noivos para o matrimónio, do acompanhamento dos casais novos e das famílias’’. apontou. 


Transcrevo um belo texto, extraído do Ordinariato Castrense sobre esta efeméride.






LISBOA RECORDOU UM DOS «PAIS FUNDADORES » DA ASSISTÊNCIA RELIGIOSA À MARINHA



A 24 de Setembro, no preciso dia em que se comemorava os 100 anos do nascimento do Padre José Correia da Cunha (1917-2017), Lisboa homenageou-o. 



O programa foi delineado e promovido por um grupo de amigos ligados ao antigo grupo de jovens OBJECTIVO, fundado em 31 de Outubro de 1971 por esse ilustre sacerdote. Começou pela celebração da Missa em São Vicente de Fora, sede da Paróquia que o Padre Correia da Cunha pastoreou. Foi presidida por D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa que assinalou o “rasto de luz deixado por este sacerdote, particularmente no amor à liturgia, aos jovens, às famílias, à Marinha e aos Marinheiros, à sua cidade de Lisboa. Foi um inovador e renovador, um precursor da recepção do Concílio Vaticano II, um construtor de pontes de amizade e comunhão com pessoas e Instituições que na cidade se empenhavam na edificação do bem comum”.


SR CAPELÃO JOSE ILIDIO E O ESCULTOR JOSE CARLOS COELHO




De seguida, a comitiva dirigiu-se para o local da inauguração da estátua, acompanhada pela Banda da Armada. Já no local, após discursos, o Secretário de Estado da Defesa Nacional, Dr. Marcos Perestrello colocou uma coroa de flores no busto do homenageado, na presença de representantes de várias instituições, mormente o Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante António da Silva Ribeiro, o Presidente da Direcção dos Amigos de Lisboa, o Presidente da Direcção do Clube de Sargentos, o Presidente da Casa da Comarca da Pampilhosa da Serra, etc. 

O Ordinariato fez-se representar pelo seu Vigário Geral. Padre José Ilídio Costa.
Capelão Correia da Cunha



O capelão Correia da Cunha foi admitido na Armada em Janeiro de 1943, onde prestou serviço até Outubro de 1961. Fundador da Associação de Marinheiros Católicos, muito contribuiu para a formação humana e cristã dos marujos portugueses. Desempenhou relevantes serviços na esplendorosa Marinha de Portugal, na qualidade de Capelão Chefe da Armada, tendo participado nas várias Conferências de Capelães dos países da NATO e prestado serviço nas seguintes unidades: Navio Gonçalves Zarco, Navio Bartolomeu Dias, Navio Escola Sagres I, Navio Afonso de Albuquerque, Corpo de Marinheiros, Base Naval do Alfeite, Escola Naval, Hospital da Marinha, Escola de Alunos Marinheiros e Escola de Mecânicos. 

Homem culto, distinguia-se pela participação nos círculos culturais e eventos realizados em Lisboa; sacerdote dedicado, prestava muita atenção à pobreza da zona onde viria a ser pároco (São Vicente de Fora) e deu corpo a obras de cariz promocional.
















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