sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

PE CORREIA DA CUNHA E O PATRONATO

--









,,
TEMOS QUE CONHECER A HISTÓRIA, PARA ERROS NÃO REPETIR!






Nem sempre uma história recente tem um princípio, um meio e um fim. Devemos ser nós que a vivemos para dar-lhe coerência. Talvez vá aqui assumir o papel de vencedor, dando testemunho nessa óptica. Este é também um pretexto para avivar a memória de muitos que fizeram parte integrante da História do Patronato Nuno Álvares Pereira.

O Patronato de Nuno Álvares Pereira, fundado nos inícios do Sec. XX (?), por Monsenhor Francisco Esteves, pároco de S. Vicente de Fora até 1959, foi criado com o objectivo de proteger as crianças do sexo masculino, ministrando ensino num ambiente de confiança, camaradagem e ternura. Tentando sempre que possível ser um meio alegre e acolhedor, o Patronato promovia a integração social, ajudando as crianças as enriquecerem a sua experiência da vida pessoal e comunitária. Mais do que isso, o Patronato pretendia formar cidadãos livres, responsáveis, com o máximo de autonomia, solidários e capazes de valorizar a dimensão humana e cristã do trabalho, tomando em consideração as suas necessidades.


Além da escola, havia um lugar de convívio, cooperação, entusiasmo, alegria entre Jovens. Pelo Patronato de Nuno Álvares Pereira passaram centena de jovens, senão mesmo milhares. Nesse espaço desenvolviam-se as mais diversas tarefas lúdicas e desportivas. Havia uma educação tradicional porque ali passavam a maior parte da sua vida.

O Patronato de Nuno Álvares veria a ser suspenso pelo Pe. CORREIA DA CUNHA, em meados dos anos 60. PADRE CORREIA DA CUNHA interpretava os sinais dos tempos e verificava que na época anos sessenta se multiplicavam na sociedade um leque de ofertas muito amplo, desde conferências, sessões de canto, recitais, competições desportivas, excursões, teatro, organização de bailes, que proporcionavam uma aproximação entre rapazes e raparigas. Há uma nova aura e uma nova juventude que busca novas regras de comportamento. A própria reforma do sistema educativo melhorou muito, nessa fase, as condições de bem-estar da sociedade portuguesa.
Havia necessidade de se abrirem novos caminhos para novos tempos…

O Pe. CORREIA DA CUNHA procurava constantemente, melhorar a qualidade das coisas, mantendo uma insatisfação positiva permanentemente, que por vezes era difícil entender.

Ainda hoje há uma condenação implícita desta operação de suspensão do Patronato de D. Nuno Álvares Pereira, que muitos nunca conseguiram apagar da sua memória, tendo-se nos anos oitenta fundado a ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS ALUNOS DO PATRONATO DE NUNO ÁLVARES PEREIRA, reabilitadora do antigo Patronato de Nuno Alvares Pereira.

Considero as antigas amizades como um elo muito importante e fundamental na vida de qualquer pessoa, sobretudo quando há principios e valores que se partilharam em comum.

As minhas boas vindas ao associativismo, mas onde há sentimento de amizade temos de respeitar os outros que eventualmente pensarão diferente de nós. Quando as pessoas se respeitam umas às outras não há nada melhor.






























Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
faz que o ar alto perca
seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
que o Rei Artur te deu.

'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
ergue a luz da tua espada
para a estrada se ver! Nuno Álvares Pereira


Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
faz que o ar alto perca
seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
que o Rei Artur te deu.

'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
ergue a luz da tua espada
para a estrada se ver!




Trinta e um anos decorridos sobre a morte do nosso saudoso e querido Pe. CORREIA DA CUNHA importa acender esta memória histórica. Para que não vença a ignorância e o esquecimento.

Com seu contributo poderemos conhecer melhor a Historia para não corrermos o risco de um dia a virmos repetir… procurando mais aquilo que nos une do que aquilo que nos pode separar.

Temos de prestar uma Homenagem merecida ao Patrono do Patronato : SANTO CONDESTÁVEL!

O Patronato Nuno Alvares Pereira era sedeado na Rua das Escolas Gerais,69 em Lisboa.
Continua…
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

PE CORREIA DA CUNHA E O FADO

..








..
..

"NÃO HÁ PINCÉIS QUE DESCREVAM AQUELE SOBERBO QUADRO."


As raízes do Pe. Correia da Cunha cresceram profundas na cidade de Lisboa, como sabemos era natural de Arroios. Desde a sua infância que adorava Lisboa, não só pelos seus espectaculares monumentos mas sobretudo pelas suas gentes humildes e simples. O Pe Correia falava-nos das cores, cheiros e aromas únicos desta cidade.

O fado era um dos tradicionais cartões de visita desta sua cidade – canção com origens desconhecidas, mas indiscutivelmente de cunho urbano.

Para o Pe. Cunha, o fado não era apenas uma canção acompanhada à guitarra. Era um pouco da própria alma do povo português. O ‘’marinheiro’’ Correia da Cunha sentia a presença do mar nas palavras do fado. A saudade e o infortúnio estão muito presentes na vida dos marinheiros na hora da despedida.

O Pe Correia da Cunha era um frequentador dos recantos de fado em Alfama, entendendo o fado enquanto expressão de música popular característica de Lisboa. O fado era uma manifestação cultural, que ganhou espaço na literatura, adquirindo uma dimensão nova.








A voz do fado, em AMÁLIA RODRIGUES, era tão bela que lhe lembrava a harmonia dos anjos serenos e abençoados ainda que tristes.

VIVER em S.Vicente de Fora, em paredes-meias com os bairros históricos de Lisboa - Alfama e Mouraria, convidava a calar muitas noites o ruído das conversas perante a surpreendente ordem: ‘’Silêncio, que se vai cantar o fado. ‘’

Conheço um local no coração de Alfama, onde o Pe. Correia da Cunha ouvia o fado, com a sua grande companheira a guitarra portuguesa. Juntos, fado e guitarra, contam a essência de uma história simples ligada ao mar.



Era:



“O Cantinho do António”, onde António actuava para os clientes e amigos que o visitavam. Homem afável e simpático, era frequentemente visitado pelos fadistas que faziam questão de o abraçar e cantar no seu recinto.

O fado de António Santos foi lentamente desviando-se para um género único lisboeta, nostálgico e dolente, da balada coimbrã, numa presciente antecipação de um estilo que nos anos sessenta se tornaria importantíssimo.

Aproveito também para evocar, pelo dinamismo e entusiasmo na organização de NOITES DE FADO no adro da igreja de Santo Estêvão – Alfama, onde foi pároco, e onde o Pe. Correia da Cunha era sempre seu convidado, PE. António Emílio, recentemente falecido. A paróquia de S.Vicente teve boas recordações deste seu bom amigo. O Homem e Padre, António Emílio estará sempre vivo nos nossos pensamentos.



O Pe. Correia da Cunha ainda teve possibilidade de escutar o fado moderno que se iniciou nos anos 60 e teve o seu apogeu com Amália Rodrigues. Foi ela quem popularizou fados com letras de grandes poetas, como Luis de Camões, José Régio, Pedro Homem de Mello, Alexandre O'Neill, David Mourão Ferreira entre outros.

Passámos muitas noites em amena cavaqueira em casa do Padre Correia da Cunha, bebendo as nossas cervejinhas e escutando os sublimes fados de Amália Rodrigues. A voz de Amália transformava todo o ambiente, envolvia-nos a todos num estado de elevação e emoção indescritível.

O Pe Correia da Cunha era um grande fã de Amália Rodrigues e exprimia essa sua paixão na seguinte expressão: foi abençoada por Deus...
Mas recordo que quando regressava a sua casa pela madrugada adentro, o fado que trauteava era:














IGREJA DE SANTO ESTÊVÃO


Na igreja de Santo Estêvão
Junto ao cruzeiro do adro
Houve em tempos guitarradas;
Não há pincéis que descrevam
Aquele soberbo quadro
Dessas noites bem passadas

Mal que batiam trindades
Reunia a fadistagem
No adro da santa igreja
Fadistas, quantas saudades
Da velha camaradagem
Que já não há quem a veja


Santo Estêvão, padroeiro
Desse recanto de Alfama
Faz o milagre sagrado
Que voltem ao teu cruzeiro
Esses fadistas de fama
Que sabem cantar o fado


O fado é hoje em dia cantado nas "casas de fado" e com o acompanhamento tradicional. As melhores casas de fado encontram-se nos bairros típicos de Alfama,Mouraria,Bairro Alto e Madragoa. Mantém as características dos primórdios: o cantar com tristeza e com sentimento de mágoas passadas e presentes.


Aos parceiros do fado e das noitadas peço que enviem informação sobre essas noites bem passadas!


















.
..
..

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA E ARTE

.
.
.
.
.





‘’EU NÃO SEI QUE TEM S. VICENTE PARA QUE ELE ME PRENDA TANTO? ‘‘

Pe. José Correia da Cunha


Quando nos anos quarenta chegou ao Mosteiro de São Vicente de Fora, Pe Correia da Cunha ficou apaixonado pelo registo de beleza e de arte manifestada nas paredes daquele espaço conventual e naqueles claustros. A arte dos azulejos era uma bênção. Criaram nele uma relação, tecida de uma maneira intuitiva, provocando-lhe uma enorme e eterna paixão.


O mosteiro de São Vicente de Fora representa alguma da importância desta arte na cultura e arquitectura portuguesa.


Para o Pe. Correia da Cunha, São Vicente de Fora na sua relação com o Tempo, não era um espaço como os outros. Quem viveu naquele espaço procurou o sentimento do ‘’Tempo que se passou’’. Busca naqueles painéis de azulejos, diálogos e sentimentos de nostalgia tão portuguesa.


O azulejo é um elemento que exprime a Cultura Portuguesa, revelando algumas das suas origens mais profundas. O azulejo constituía para Pe. Correia da Cunha uma das manifestações mais populares e mais requintada da arte que se fazia em Portugal. Aqueles painéis representavam a história e a cultura de um povo ou motivos das gentes.





Nalguns daqueles painéis encontramos a representação das fábulas de La Fontaine, onde através daquelas pinturas a azul e branco podemos encontrar o nosso próprio retrato…que iremos abordar posteriormente, com mais detalhe.

Cenas religiosas, marítimas, de caça, mitológicas e satíricas foram transportadas para azulejo por artífices sem formação académica. Pe Correia da Cunha, com uma operação de delicadeza, aproveitava para nos estimular a nossa sensibilidade para com esta arte singela e pobre. Pe. Cunha dizia que o amor à arte do azulejo deve começar por uma postura de espírito aberto; devemos confiar no que nos transmite aquele objecto. Uma consciência crítica à priori não nos permite sair de nós.

Foi com o Pe. Correia da Cunha que aprendi o gosto pelos revestimentos cerâmicos, concebidos em sintonia com o espaço, sagrado ou civil, com belos temas religiosos, cenas campestres, relacionadas com o dia-a-dia de um povo que sabia amar e sofrer.
Pe. Correia da Cunha era consciente que tinha a missão de educar o nosso gosto e despertar principalmente a nossa sensibilidade. A sua implicação era de uma disponibilidade total.



Para o Pe Correia da Cunha, SÃO VICENTE era um pequeno museu arquitectónico e artístico. Tem vários testemunhos temporais, os que marcaram o passado e os que devem fazer o futuro para continuar a ser amado … por tudo o que representa para nós.


Creio que encontramos finalmente a resposta à interrogação: ’EU NÃO SEI QUE TEM S. VICENTE, PARA QUE ELE ME PRENDA TANTO? ‘‘

Os azulejos constituíram uma das suas paixões por serem a expressão mais popular e singela de uma delicada arte.
Felizmente, esta arte continua a fazer-se em Portugal, sendo no azulejo que muitas vezes atestamos a nossa história e a vasta riquíssima cultura portuguesa.


Os azulejos de SÃO VICENTE são do século XVIII onde aparecem representadas cenas de caça ou marítimas, e vida palaciana, históricas, pastoris … com grandes flores, sempre, no entanto, em azul: é o chamado século da grande expansão do azulejo em Portugal.


Visitem o Mosteiro de SÃO VICENTE DE FORA e enviem-nos informações da vossa relação com este espaço e com estes belos exemplares da azulejaria portuguesa.












































































































terça-feira, 27 de janeiro de 2009

PE CORREIA DA CUNHA E A BEIRA-SERRA

...
.

...
.....





O POVO ABANDONOU A ALDEIA
COM TRISTEZA E EMOÇÃO
PROCURARAM OUTRAS TERRAS
PARA TER MELHOR CONDIÇÃO

José Augusto Simões – Pampilhosa da Serra


Em meados do Século XX, Portugal era um país essencialmente rural e relativamente pobre.

Agudizavam-se as tensões entre a sociedade urbana, em vias de industrialização e o mundo rural tradicional e arcaico. Perante este cenário iniciava-se um surto migratório crescente que se dirigia para ‘’ a encosta de’’ São Vicente de Fora e Alfama, oriunda da BEIRA-SERRA (Pampilhosa da Serra, Oliveira do Hospital, Lousã, Arganil, Tábua…).

Em SÃO VICENTE DE FORA eram bem acolhidos e tinham a possibilidade de ganhar dinheiro, arranjar um bom futuro para os seus filhos, sem terem de deixar este seu querido e amado PORTUGAL.

Grande parte desta mão-de-obra era colocada na indústria hoteleira, panificação, estiva, tráfego e carregadores do Porto de Lisboa.


Para que a saudade não matasse e não esquecessem a sua amada ‘’santa terrinha ‘’, toda esta gente voltava regularmente, todos os anos, às suas origens para celebrarem as festas e romarias tradicionais.

PE CORREIA DA CUNHA reconhecia que estas pessoas traziam consigo uma entidade religiosa tradicional mas ao mesmo tempo um grande património cultural.

As suas prioridades na cidade assentavam no duro trabalho, sem nunca perderem a semente cristã que um dia havia sido plantada nos seus corações.

Como referia Padre Correia da Cunha a sua vivência cristã na cidade era como os motores dos automóveis a três tempos: BATISMOS, CASAMENTOS E FUNERAIS.

Como agir?


Em colaboração com os párocos das paróquias vizinhas, Pe. CORREIA DA CUNHA procurava reunir num Encontro de Amizade e Regionalismo, toda esta gente, aproveitando esse momento para evangelizar e mostrar que a comunidade paroquial muito contribuia para o desenvolvimento humano e cristão dos seus filhos. A educação dos filhos era da responsabilidade dos pais, mas a catequese podia cooperar para a uma formação mais plena.




Estes encontros fraternais eram iniciados com uma eucaristia, lembrando todos aqueles que já partiram para o PAI e aproveitando igualmente para orar por todos os presentes que fazem parte desta Igreja peregrina e pecadora.

Após a eucaristia decorria um jantar partilhado nos claustros do convento de São Vicente de Fora.

Estes encontros da BEIRA-SERRA tinham sempre um elevado número de participantes, contando sempre com pessoas ligadas ao movimento associativo, incluindo muitos padres dessa região.



As questões regionalistas agradavam-no em pleno e confessava que sentiu a necessidade de partir na companhia do seu amigo PE. JOSE VICENTE em busca dessas terras, visitando aldeia por aldeia desses concelhos da Beira Serra que muito o engrandeceram.

Depois dessa encantadora viagem, os diálogos abriam espaços, e tornavam mais fácil a relação com todos estes honrados paroquianos, trabalhadores, inteligentes e seus bons amigos.


História:

Um belo dia um Professor Catedrático, muito conhecido num seminário temático, perguntava ao Pe. Correia da Cunha:

- Qual é a paróquia do SR.PADRE CUNHA?

O Padre Correia da Cunha, com a sua habitual serenidade, respondeu:

- Paróquia da Beira-Serra.

O Professor ficou intrigado com a resposta e retorquiu:

- Em LISBOA

- SIM – Na encosta da serra de SÃO VICENTE.

- SÃO VICENTE DE FORA.

- SIM

Perante esta resposta, resta-me apenas dizer que o Pe. Correia da Cunha tinha um grande amor à BEIRA-SERRA.

Acredito que essa boa gente quer perpetuar este homem de carácter, que visitou essas belas terras e continua presente nos seus corações. Creio que os vossos testemunhos eram muito importantes para as gerações mais jovens que não o conheceram, mas terão oportunidade de ler esses sinais. Enviem informação.
.
..
.
.
.
.
.
.

.
.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

PE CORREIA DA CUNHA E O FUTEBOL

.
.










‘’O que finalmente eu mais sei sobre a moral e as obrigações do homem devo ao futebol...’’
ALBERT CAMUS



A paixão dos portugueses pelo futebol não é desta época, vem já do passado.

O futebol faz parte integrante da vida dos portugueses.

Lisboa é a capital do futebol português. Os seus clubes estão entre os maiores do mundo.

Também não é segredo que muitos portugueses peregrinam ao Santuário de Fátima para rezar pelo seu clube ou pela nossa selecção, misturando-se assim a FÉ com o FUTEBOL.



PERGUNTAR-ME-ÃO O QUE O FUTEBOL TEM HAVER COM O PADRE CORREIA DA CUNHA?




Pe. Correia da Cunha até podia considerar o futebol como ‘’ópio do povo’’ e um pouco alienante, especialmente por o futebol desviar atenção dos verdadeiros problemas da comunidade e não ser um grande contributo para o desenvolvimento integral da pessoa humana.




UMA HISTÓRIA




Todos os dias úteis, Pe. Correia da Cunha almoçava nas OGFE - Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento do Exército, com a sua Direcção, na qualidade de Capelão dessa instituição.


Como se compreenderá os temas das conversas, à segunda-feira, eram relacionados com o Futebol Nacional referente à jornada do campeonato nacional.


Pe. Correia da Cunha era dotado de uma cultura aturada, invulgar e de uma grande diplomacia. No domínio do futebol os seus conhecimentos eram completamente nulos.


MAS…






Pe Correia da Cunha, diariamente, após o seu pequeno-almoço, lia os três matutinos da época: Diário de Noticias, Século e Novidades. Curiosamente, comecei aperceber-me que à segunda-feira juntava a estes o Jornal a BOLA E O MUNDO DESPORTIVO. Jornais desportivos que estudava cuidadosamente, tomando anotações sobre os aspectos mais relevantes da jornada.


Durante os diálogos desportivos do almoço de segunda-feira, Pe Correia da Cunha apresentava-se como um especialista, projectando uma imagem dum elevado conhecimento nesta arte.




Segundo informações de Oficiais Superiores, que chegaram ao meu conhecimento, PE. CORREIA DA CUNHA era muito bem sucedido nos almoços de segunda-feira nas OGFE.




Como nos meios mais letrados ou menos letrados se comenta e se festeja os sucessos do futebol, não poderia deixar de fazer algo para participar fraternalmente nessa paixão de muitos dos seus amigos.




CONTUDO NUNCA LHE CONHECI UMA COR CLUBÍSTICA.

.

.

.

.

domingo, 25 de janeiro de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA, O INOVADOR

.

















‘’ FAZEI, SENHOR, QUE O NOSSO PÁROCO SAIBA DAR-NOS SEMPRE, O PÃO DA PALAVRA E O PÃO DA VIDA’’
 

Pe. Correia da Cunha
Pagela da tomada de posse na Paróquia de São Vicente de Fora -1961.




Para o Pe Correia da Cunha, a prática sacramental não podia ser um puro acto de rotina vazio de sentido. Não aceitava práticas sacramentais e litúrgicas sem expressão e vivência cristã. Tudo fazia para que interiorizássemos o verdadeiro conteúdo e compreensão desses actos de alegria do Amor Divino. Infelizmente, vão-se arrastando muitos cultos, nos dias de hoje, sem espírito de vida cristã e sem se medir os seus efeitos negativos num futuro próximo. Só um verdadeiro Deus de Amor e de Compaixão pode ajudar os seres humanos a serem fraternos e compassivos uns com os outros, sobretudo com aqueles com quem vivemos as nossas experiências diariamente: família, escola, emprego e comunidades onde estamos inseridos.

Os encontros diários com PE. Correia da Cunha permitiam sempre abrir novos caminhos para uma educação de virtudes e aprofundamento da nossa vida cristã. Estava sempre de braços abertos para nos ajudar na resolução dos problemas próprios de uma juventude refractária, indicando caminhos …e apontando os perigos. Nunca criticava as más opções nem queria saber quem eram os autores.

RENOVAÇÃO

SÃO VICENTE DE FORA – as celebrações de reconciliação

A prática da confissão não podia ser o despacho de um vasto rol de pecados.
Toda a comunidade era convidada a participar nestas celebrações litúrgicas de reconciliação.
As celebrações penitenciais organizadas, nos tempos fortes Advento e Quaresma, na Paróquia de S.Vicente de Fora, eram ricas em reflexões e de um exame de consciência, onde o livro de registo da nossa consciência era totalmente esgaravatado. Pe Correia da Cunha elaborava um guião muito detalhado onde as nossas vidas eram passada ao detalhe. O Espírito Santo iluminava-nos a termos consciência de quantos pensamentos, quantas palavras, quantas atitudes, quantas acções e quantas omissões teriamos de dar contas :

- A minha relação de rotura com Deus.

- A minha relação de rotura com os outros.

- A minha relação de rotura comigo próprio.

DEUS é PAI e está sempre pronto a perdoar desde que haja arrependimento.

A celebração comunitária da confissão da misericórdia e do perdão terminava num encontro pessoal com o confessor, que no final nos dava a absolvição. Vai em PAZ.

No final havia um espaço de profunda oração pessoal para fortalecer e aumentar a graça Divina.
O Pe. Correia da Cunha procurava no dia-a-dia que os paroquianos se reservassem para essas grandes celebrações comunitárias. Não havia nem defendia as confissões diárias.

RENOVAÇÃO

SÃO VICENTE DE FORA – não havia emolumentos

O Pe. Correia da Cunha entendia que a sua missão era ajudar cada homem a descobrir o amor de Deus, transformador do coração do homem e gerador de uma vida de fraternidade. Os sacramentos (sinais) eram dávidas gratuitas de Deus, que contribuíam para reforçar a nossa vida cristã.

A GRAÇA DE DEUS, nesta conformidade, não podia ser paga por nenhum dinheiro deste mundo. Tem de estar disponível para todos, como o coração de Deus está disponível para todos os seres humanos que o ambicionem.

A Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora tem expensas cada membro deve na sua consciência comparticipar na medida das sua possibilidades para manter viva esta sua casa. No ofertório cada um colocava o que sua consciência indicasse. As missas, os baptizados e casamentos não tinham valores de emolumentos.

Durante os 15 anos que tive o privilégio de ser seu aprendiz nunca o ouvi PE. Correia da
Cunha falar em interesses materiais. Sempre que não tinha dinheiro, apenas lhe ouvia o seguinte comentário: - ‘’Nasci nu e vou morrer nu. ‘’dava liberdade ao Espírito. Foi assim que viveu o honrado homem e o bom padre.

Como é sabido Pe Correia da Cunha veio a falecer nu quando se preparava para tomar o seu banho diário (apareceu morto na sua residência).

O Pe Correia da Cunha traduzia de uma forma muito simples o que era ser cristão:

- SERMOS AMIGOS E SOLIDÁRIOS EM NOME DE JESUS.


O CRISTIANISMO NÃO ERA UM CONJUNTO DE ENSINAMENTOS E PROFUNDOS CONHECIMENTOS MAS UMA VIDA QUE SE VIVE.

O Pe CORREIA DA CUNHA acreditava que o Espírito Santo ensinava a verdade que não se encontra nos livros. O espírito vem sempre em ajuda dos homens simples e humildes e não naqueles que apenas pensam na sua própria utilidade. Daí, o seu obsessivo culto pelo SINGELO.

O Cristianismo deve cultivar a busca dos valores da fraternidade entre os homens, na busca da paz, da justiça e do respeito pela natureza. O Pe Correia da Cunha dizia que só a vivência diária dos ensinamentos do evangelho podiam gerar caminhos para estabelecer estes valores, nunca esquecendo que tudo se inicia no ‘’próximo’’.

















.
.
.
.
.
.
.
.

sábado, 24 de janeiro de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA, O RENOVADOR

















‘’O Seminário dos Olivais transmitiu aos sacerdotes que formou esta convicção basilar: a verdade da Igreja exprime-se na maneira como celebra e reza. ‘’

+ Cardeal Patriarca D. José da Cruz Policarpo



O Pe. JOSÈ CORREIA DA CUNHA foi discípulo de Mons. Pereira dos Reis, grande inovador na área da liturgia em Portugal. O Pe. José Correia da Cunha sempre recordava o seu mestre pela riqueza de dons com que DEUS o tinha dotado – inteligência poderosa, profunda, ao mesmo tempo teórica e prática, dominada pelo bom senso, dons de vontade forte, serena, metódica e de muita sensibilidade e fino gosto. Além disso, Pe. Correia da Cunha passava férias todos os anos na República Federal Alemã. E estava por isso muito atento a tudo o que por lá se ia fazendo no âmbito da renovação litúrgica.


RENOVAÇÃO

Em SÃO VICENTE DE FORA, a comunhão era distribuída na Missa com as partículas consagradas na própria celebração.



A preparação do ofertório (pão) era iniciada 30 minutos antes do início da celebração, com a colocação de uma mesa no cruzeiro da igreja, que disponha de um pequeno cesto coberto com tecido branco com partículas e uma patena, onde cada participante com uma pinça colocava a sua oferenda de pão à medida que ia chegando para o acto litúrgico.

No ofertório eram levados ao altar as oferendas monetárias e a patena com as partículas para a consagração.

Nunca havia pretexto para se recorrer à reserva.































Dava-se início à liturgia da Ceia do Senhor, a refeição.

RENOVAÇÃO


Em SÃO VICENTE DE FORA, todos os dias, na comunhão eram distribuídas duas espécies: pão e vinho.

Segundo as palavras de Cristo: ‘’Tomai e comei, tomai e bebei’’

A comunhão do celebrante era efectuada após terem participado todos neste encontro íntimo com CRISTO.

O Pe Correia da Cunha era um protagonista da renovação Litúrgica na Igreja. O seu esforço era tornar a Liturgia mais vivida e responder às exigências da sua missão de evangelizar, servindo de uma forma mais dinâmica a Igreja e o seu rebanho.


Mediante estes sinais a nossa participação era contemplada com uma maior riqueza e plenitude do amor de Deus pelos homens.

A improvisação, rejeitando as fórmulas instituídas, era utilizada permanentemente pelo PE. Correia da Cunha como forma de transmitir, com maior rapidez e eficácia espiritual, a mensagem aos nossos corações.

As suas relações com outros clérigos eram difíceis, dada a mentalidade tradicionalista.

Era muito autónomo no seu múnus sacerdotal. Apenas lhe conheci dois amigos com quem privava mais profundamente: Pe. José Maria de Freitas, pároco da freguesia do Beato e o Pe. João Perestrelo de Vasconcelos, capelão do Arsenal do Alfeite e muito mais tarde nomeado pároco de Loures.

O Pe Cunha chegou a dizer que o Cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira era um dos prelados mais abertos à renovação litúrgica. Como seu antigo fâmulo, também usufruía de certas liberdades. O apreço e carinho especial que o Cardeal possuía por ele permitiam-no exercitar toda a sua explosão interior de renovação nas práticas litúrgicas.

Passados 30 anos, todas estas mudanças lançadas por ele continuam por implementar, roubando-se assim às celebrações uma maior elevação que os nossos corações buscam.

Pe Correia da Cunha traduzia de uma forma muito simples o que era a missa:

- A REPETIÇÃO DA ULTIMA CEIA DE CRISTO –


Pe Correia da Cunha era um homem que procurava, sem se embrenhar em profundas teologias e tratados litúrgicos, uma forma muito simples traduzir pela vivência da vida quotidiana a festa da celebração eucarística. Uma refeição de família. A dona da casa nunca toma a refeição antes dos convidados. A lavagem da louça não é efectuada na mesa de refeições, logo a purificação dos vasos eucarísticos era realizada na mesa de apoio ao altar.


PE CORREIA DA CUNHA ERA UM CLÉRIGO FORA DO SEU TEMPO…

Continua…















.
.
.
.
.
.
.
.
.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA, O MARINHEIRO

..
-






-

 BOM MARINHEIRO E POETA, DEUS O QUER SEMPRE A CANTAR !




Pelo Despacho Ministerial de 23 de Janeiro de 1943, PE JOSE CORREIA DA CUNHA foi admitido ao serviço da Armada Portuguesa, como Sacerdote da Religião Católica em Ordem da Armada nº2 de 1943.

Em 12 Outubro 1961 ficou incardinado ao Patriarcado de Lisboa por ter terminado o Serviço na Armada onde prestou serviços nas seguintes unidades:

- Aviso Gonçalves Zarco
- Aviso Bartolomeu Dias
- N.E. Sagres I
- Aviso Afonso de Albuquerque
- Corpo de Marinheiros
- Base Naval do Alfeite
- Escola Naval
- Hospital da Marinha
- Escola de Alunos Marinheiros
- Escola de Mecânicos










Como militar, o capelão Pe. Correia da Cunha deixou um rasto de prestígio e de saudade.



Tanto no múnus sacerdotal como em todas as outras actividades que exerceu. Pe. Correia da Cunha deixou bem marcado o seu distinto cunho pessoal, a par de um notabilíssimo desempenho.
Como mestre, era indiscutivelmente o mais sabedor e competente pelos seus dotes intelectuais e de oratória. A sua simples presença impunha um silêncio; com muita atenção absorvíamos os seus sábios conselhos que ainda hoje recordamos com profunda saudade e admiração.



Era possuidor de uma veia poética pouco conhecida. Desse seu dote passo os seguintes versos:.



Meu Portugal Marinheiro




















Meu Portugal marinheiro,
Noivo das ondas do mar.
Tu és no Mundo o primeiro,
Segue o teu rumo a cantar!

Na linda nau catrineta
Portugal se fez ao mar.
Bom marinheiro e poeta,
Deus o quer sempre a cantar!

O seu heróico passado,
É bem digno de memória…
E será por nós honrado,
Com novos feitos de glória.







O Pe. Correia da Cunha merece ser conhecido e recordado. Foi brilhante o seu percurso pessoal. Sem a sua acção muitos de nós estaríamos muito mais pobres… .



Humilde, compassivo e dedicado com seus discípulos, sacrificava o seu tempo sempre na busca de contribuir na sólida formação de homens de bem e futuros obreiros de um mundo onde a amizade e fraternidade fossem perfeitos protótipos de um humanismo cristão.



O estilo de convicção que imprimia na sua linguagem muito simples, a clareza dos pensamentos e os seus profundos conhecimentos de todas as matérias tornava-o com qualidades invulgares. Era comum recorrer a parábolas para expor os seus pensamentos.



Era uma figura cativante de uma voz serena e agradabilíssimos atributos para um bom padre e amigo que desempenhava com muita abnegação o seu ministério evangélico.



O Pe. Correia da Cunha era um homem simples e humilde, sem que deixasse de ter a admiração e a simpatia dos que ocupavam altos cargos na sociedade.

UM HISTÓRIA

No início dos anos 70,  O Pe.  Correia da Cunha e eu descíamos o Campo de Santa Clara quando nos cruzamos com uma distinta personalidade, que afectuosamente o abraçou manifestando-lhe muito carinho e uma profunda amizade.

- Como vai, o meu querido Pe. Correia da  Cunha ?

O Pe. Correia da Cunha  lá começou a falar das suas maleitas … a que o seu amigo lhe respondeu:

- Pe. Correia da Cunha as portas do Hospital da Marinha estão radicalmente abertas , para o Sr. Capelão cuidar da sua saúde…

- Mas V.EXª Senhor  Almirante…, já não faço parte dessa família.

- Meu bom amigo, por tudo o que o Senhor deu à Armada Portuguesa e à formação dos nossos marujos, esta instituição não pode ser ingrata para consigo…

Eu que assisti a este encontro senti naquele momento como nos marinheiros portugueses há um grande Coração.

Após uma semana o Pe Correia da Cunha era internado num quarto de oficial no Hospital da Marinha.

Ao visitá-lo ali, lembro-me do porteiro ter partilhado comigo o seguinte:

- Nunca tive neste Hospital um doente que me desse tanto trabalho. Isto parece uma peregrinação de militares e civis.

É a estes peregrinos, espalhados por este imenso Portugal que lanço o desafio
de contribuírem com os seus testemunhos e documentação sobre o Padre Capelão Correia da Cunha, para que não desapareçam recordações saudosas de um bom e sincero amigo.

Nota: Foto e dados biográficos, cedidos gentilmente pela prestigiosa Revista da Armada. Endereçamos os nossos agradecimentos. Bem hajam

























.
.
..
.




.


-

.



.
.
.
.
.
.
.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

PE.CORREIA DA CUNHA E O DIA DE S.VICENTE

.
.
.

Dia 22 de Janeiro é dia de São Vicente, padroeiro de Lisboa.

PE. CORREIA DA CUNHA não deixaria passar esta data em branco na paróquia de São Vicente de Fora, sem uma grande celebração em honra do seu orago.

Raimundo Serrão* (DR.) foi um dos marcados pelas palavras de sabedoria deste notável mestre que nos ajudava a descobrir os grandes valores, que dão sentido à vida e ao culto das coisas simples e singelas contra o acessório e o superficial.
Em 2004, Raimundo Serrão publicou uma monografia sobre a Vida de SÃO VICENTE, diácono de Saragoça, que foi martirizado em Valência, juntamente com o Bispo Valério. Escrito em forma poética.
Hoje, São Vicente é evocado pelos versos de Raimundo Serrão.


SÃO VICENTE


Excelso, ilustre, forte e piedoso,
Timbrado com o selo do Senhor,
Um jovem de pureza invulgar
Ardendo desde sempre no Amor.


Discípulo dilecto de Valério,
Tantas coisas com ele aprendeste
Que unidas à força do teu eu
Te levaram ao ponto a que ascendeste.



Dominando a palavra, deslumbravas
Na grandeza da tua pregação
E os que estavam longe da Verdade
Chegavam mesmo logo à conversão.


Feroz perseguição contra a Igreja,
Por Daciano, símbolo do mal,
Não respeitou Valério e Vicente
Que enfrentaram a ira imperial.


Levados com algemas p’ra Valência
E até doutros modos afligidos
Não revelaram sombra de fraqueza
Em tão longos quilómetros corridos.



Daciano não pôde acreditar,
Tudo fez para o Bispo convencer
A gozar do repouso da velhice
E Vicente a fé esmorecer.


Dar a vida por Cristo era o seu lema:
Valério foi por isso desterrado
E Vicente, em esgar de crueldade,
A pesado castigo condenado.


Vicente olhava o céu tranquilamente
Perante a colectiva admiração
E o louco pagão nada mais fez
Que mandá-lo para lúgubre prisão.


Uma luz que provinha das Alturas
Se derramou então sobre Vicente
Que sem qualquer vestígio das torturas
Deitou suave aroma de repente.


Passados 31 anos da morte de Padre Correia da Cunha devemos prestar-lhe uma homenagem singela, que passa por esta oração sentida a São Vicente.

Bendito e glorioso São Vicente intercede por Pe. Correia da Cunha, junto do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Lembra-te de nós que fomos seus discípulos junto a Maria.
Ajuda-nos a vivermos sempre como tu, a desprender-nos das coisas supérfluas.
Dá-nos um pouco da coragem, que sentiste e um átomo da força que assumiste.
Que a tua voz seja por todos escutada, a tua mensagem e os bons ensinamentos do nosso saudoso amigo para vivermos a nossa vocação específica identificada no modelo da simplicidade de Jesus Cristo. AMEM



* Nasceu em Santarém, onde fez os estudos primários e liceais.
Frequentou a antiga Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, concluindo a licenciatura em Filologia Germânica e o Curso de Ciências Pedagógicas.
Foi professor durante 34 anos, no Liceu Nacional de Gil Vicente.
No concurso organizado pelos Serviços do Ministério da Educação em 1999, o Júri atribuiu-lhe o 1º prémio de Poesia pela obra "Unidades Poéticas".
Dado o mérito de "Gente Armazenada", esta obra foi apoiada pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e sancionada por despacho de Sua Excelência o Ministro da Cultura.
.

.
.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA - BIOGRAFIA

.






.
.




1917 - Nascimento na Freguesia de Arroios - Lisboa no dia 24 de Setembro.
Filho de José da Cunha e de Maria Amália Mendes Correia da Cunha.


1929 - Entrada no Seminário Menor de Santarém em 3 de Outubro.


1933 – Transitou para o Seminário dos Olivais.


1939 - Curso Teológico em 29 de Junho, no Seminário dos Olivais.


1939 – Administrador do Jornal Diocesano VOZ DA VERDADE.
Num decreto de 1931, o Cardeal Cerejeira referia que o jornal "será um semanário popular de vulgarização religiosa e o porta-voz da Obra das Vocações e dos Seminários, que se vai fundar no Patriarcado, enquanto não tiver boletim próprio. A sua vida e difusão confiamo-la a todos os bons católicos desta vasta diocese".



1939 - Professor de Latim das vocações tardias, no Seminário dos Olivais.


1940 - Ordenação Diaconal em 6 de Janeiro - Na Igreja Paroquial de Arroios.


1940 - Ordenação presbiteral em 14 de Abril pelo – Cardeal Patriarca de Lisboa D. Manuel II Gonçalves Cerejeira. Seminário dos Olivais.



1940 - Missa Nova na Igreja Paroquial de Arroios em Lisboa no dia 23 de Abril.



1940 – Fâmulo de Sua Eminência Cardeal Patriarca de Lisboa, até 1946.



1942 – Director da Revista Novellae Olivarum.



1943 – Capelão da Escola de Pesca



1943 - Admitido como Capelão ao serviço da Armada Portuguesa, em 23 de Janeiro 1943 até 12 de Outubro de 1961.



1946 – Pároco interino da Basílica dos Mártires até 1952.



1946 – Coadjutor de Mons. Francisco Esteves em S.Vicente de Fora até 1959.



1946 – Capelão das Religiosas Dominicanas até 1952.



1946 - Edição do Devocionário de Semana Santa /Pe. Correia da Cunha



1947 – Cerimoniário Adjunto da Sé Patriarcal de Lisboa.



1952 -Liturgia da Vigília Pascal / trad. e comentários Pe. Correia da Cunha. sobre o Novo [de]Orde Sabbati Sancti estabelecido pelo Santo Padre Pio XII.



1954 -Comemoração Vicentina dos Amigos de Lisboa: conferência proferida na sede do grupo no dia do padroeiro da cidade / Pe. Correia da Cunha



1958 - Oremos: livro de oração do marinheiro / Pe. José Correia da Cunha



1960 - O NÃO OU O SIM? de Pe. José Correia da Cunha –
Edições AMC



1960 – Nomeado pároco da Paróquia de S.Vicente de Fora a 10 de Outubro, pelo Cardeal Patriarca de Lisboa , D. Manuel II Gonçalves Cerejeira.



1960 - Tomada de posse da Paróquia de S. Vicente de Fora na festa de Todos os Santos (1 de Novembro) ‘’ Fazei Senhor, que o nosso pároco saiba dar-nos sempre, o PÃO da Palavra e o PÃO da Vida! ‘’Pe. J.Correia da Cunha



1961 – Representação do Auto do Natal de sua autoria, em 24 de Dezembro, nas escadarias da Igreja de São Vicente de Fora, graças ao entusiasmo do povo da freguesia e á valiosíssima colaboração de Catarina Avelar, na voz de Maria, de Álvaro Benamor, na de S. José e de Luís Filipe que fez o papel do Narrador.



A Pedro Lemos se devem preciosas indicações de encenação e os ensaios dos restantes figurantes – gente do povo e à Câmara Municipal de Lisboa o alto patrocínio com que secundou esta representação. O auto foi editado em 1962.



1961 – Teologia e espiritualidade do mistério da Incarnação / Paul Bourgy;
Tradução . Pe. José Correia da Cunha.


1962 - Capelão Civil das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento do Exército até 1977.
1964 - Bodas de Prata sacerdotais do padre José Correia da Cunha, realizadas na Cova da Iria - Fátima, no dia 29 de Junho. '' Alleluia! Alleluia! Bendito seja o Senhor, Pai, Filho e Espírito Santo!Bendito seja também a sempre Virgem Maria. Mãe de Jesus e nossa Mãe!



1972 - Condecorado com as insígnias de comendador da Ordem Militar de Cristo pelo Presidente da República, Alm. Américo Tomaz (21-06-1972). Presidente do Brasil, General Emílio Garrastazu Médici condecora-o com a Ordem do Cruzeiro do Sul.



1977. Faleceu no Mosteiro de  S. Vicente de Fora a 2 de Abril. Repousa no Cemitério do Alto de São João em Lisboa. '' Recebei, Senhor, na Glória do Vosso Reino, o saudoso pároco que sempre alimentou a nossa Fé com o Pão da Palavra e o Pão da Vida! ''



1982 – 4º Centenário da Fundação do Mosteiro de São Vicente de Fora. Sarau Cultural sobre a VIDA SACERDOTAL DO PADRE CORREIA DA CUNHA, pelo Reverendo Pe. Teodoro Marques da Silva.
.
.
2015 – Lançamento do livro: CORREIA DA CUNHA - MESTRE DE VIDA (Padre-Marinheiro-Poeta) da autoria de João Paulo Dias.
.























.
.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

PADRE JOSÉ CORREIA DA CUNHA

.
.



.
..
.

JUSTA HOMENAGEM







O PADRE JOSÉ CORREIA DA CUNHA (1917-1977) foi uma figura digna com uma personalidade requintada, sóbria, simples e de uma vasta cultura que procurava no dia-a-dia dar a todos os seus discípulos, onde estive incluído … uma contribuição para o nosso crescimento de bons cristãos, cidadãos e construtores de um mundo melhor.

Nasceu em Lisboa, na freguesia de Arroios (Rua Rebelo da Silva), terminou o curso de Teologia no seminário dos Olivais (1939), sendo educando do grande génio Mons. Pereira dos Reis, de quem muito nos falava.


Esteve ligado à Armada Portuguesa como capelão nos anos 40, à Associação de Marinheiros Católicos de Portugal, à Escola de Pescas, às Oficinas Gerais Fardamento e Equipamento do Exército e aos Lions. Foi pároco de São Vicente de Fora de 1960 a 1977.

Lanço aqui um desafio: devem existir ainda muitos documentos, cartas e fotografias na posse de vários amigos. Estes têm uma importância muito grande. Aliás muito maior do que aquilo que à primeira vista possam pensar.

A história do Padre José Correia da Cunha é muito rica e quanto mais completa estiver mais interessante se torna.

Era um orador admirado. Um homem de fé, profundamente altruísta e magnânimo de uma grande bondade e honradez. O seu apuradíssimo gosto pelas artes e cultura literária tornaram-no um dos mais brilhantes e cultos clérigos do Patriarcado de Lisboa.

Dada a reconhecida importância do seu pensamento no domínio da Liturgia, como cerimoniário adjunto da Sé Patriarcal, promovia práticas em vista ao progresso da liturgia com experiências inspiradoras para a sua própria renovação.

Está na memória dos seus amigos. O Padre Correia da Cunha mantém-se vivo e actuante na sua acção em prol da educação da juventude só por si suficiente para ser recordado como homem empenhado numa mudança positiva do nosso tempo…

A sua memória deverá continuar viva e a iluminar o caminho de quantos o conheceram, ouviram e leram.











.
.
.
.
.
.