quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA E ARTE

.
.
.
.
.





‘’EU NÃO SEI QUE TEM S. VICENTE PARA QUE ELE ME PRENDA TANTO? ‘‘

Pe. José Correia da Cunha


Quando nos anos quarenta chegou ao Mosteiro de São Vicente de Fora, Pe Correia da Cunha ficou apaixonado pelo registo de beleza e de arte manifestada nas paredes daquele espaço conventual e naqueles claustros. A arte dos azulejos era uma bênção. Criaram nele uma relação, tecida de uma maneira intuitiva, provocando-lhe uma enorme e eterna paixão.


O mosteiro de São Vicente de Fora representa alguma da importância desta arte na cultura e arquitectura portuguesa.


Para o Pe. Correia da Cunha, São Vicente de Fora na sua relação com o Tempo, não era um espaço como os outros. Quem viveu naquele espaço procurou o sentimento do ‘’Tempo que se passou’’. Busca naqueles painéis de azulejos, diálogos e sentimentos de nostalgia tão portuguesa.


O azulejo é um elemento que exprime a Cultura Portuguesa, revelando algumas das suas origens mais profundas. O azulejo constituía para Pe. Correia da Cunha uma das manifestações mais populares e mais requintada da arte que se fazia em Portugal. Aqueles painéis representavam a história e a cultura de um povo ou motivos das gentes.





Nalguns daqueles painéis encontramos a representação das fábulas de La Fontaine, onde através daquelas pinturas a azul e branco podemos encontrar o nosso próprio retrato…que iremos abordar posteriormente, com mais detalhe.

Cenas religiosas, marítimas, de caça, mitológicas e satíricas foram transportadas para azulejo por artífices sem formação académica. Pe Correia da Cunha, com uma operação de delicadeza, aproveitava para nos estimular a nossa sensibilidade para com esta arte singela e pobre. Pe. Cunha dizia que o amor à arte do azulejo deve começar por uma postura de espírito aberto; devemos confiar no que nos transmite aquele objecto. Uma consciência crítica à priori não nos permite sair de nós.

Foi com o Pe. Correia da Cunha que aprendi o gosto pelos revestimentos cerâmicos, concebidos em sintonia com o espaço, sagrado ou civil, com belos temas religiosos, cenas campestres, relacionadas com o dia-a-dia de um povo que sabia amar e sofrer.
Pe. Correia da Cunha era consciente que tinha a missão de educar o nosso gosto e despertar principalmente a nossa sensibilidade. A sua implicação era de uma disponibilidade total.



Para o Pe Correia da Cunha, SÃO VICENTE era um pequeno museu arquitectónico e artístico. Tem vários testemunhos temporais, os que marcaram o passado e os que devem fazer o futuro para continuar a ser amado … por tudo o que representa para nós.


Creio que encontramos finalmente a resposta à interrogação: ’EU NÃO SEI QUE TEM S. VICENTE, PARA QUE ELE ME PRENDA TANTO? ‘‘

Os azulejos constituíram uma das suas paixões por serem a expressão mais popular e singela de uma delicada arte.
Felizmente, esta arte continua a fazer-se em Portugal, sendo no azulejo que muitas vezes atestamos a nossa história e a vasta riquíssima cultura portuguesa.


Os azulejos de SÃO VICENTE são do século XVIII onde aparecem representadas cenas de caça ou marítimas, e vida palaciana, históricas, pastoris … com grandes flores, sempre, no entanto, em azul: é o chamado século da grande expansão do azulejo em Portugal.


Visitem o Mosteiro de SÃO VICENTE DE FORA e enviem-nos informações da vossa relação com este espaço e com estes belos exemplares da azulejaria portuguesa.












































































































Sem comentários:

Enviar um comentário