sábado, 24 de setembro de 2011

PE CORREIA DA CUNHA E O 24 DE SETEMBRO

.
-
-
-
-
-.




“Quem tem bons amigos é feliz!”pcc




O aniversário natalício do Padre Correia da Cunha era sempre algo de muito “sagrado”.

Para ele, era celebrar o dom de Deus na sua existência. Hoje, dia 24 de Setembro, o Padre Correia da Cunha (1917-1977), se fosse vivo, completaria a bonita idade de 94 anos da sua vida.

Naquele dia, a Paróquia de São Vicente de Fora apresentava sinais de grande exultação e de enorme felicidade. Nenhum dos seus paroquianos e amigos se esquecia de exprimir as felicitações de feliz aniversário ao querido Padre Correia da Cunha.


O facto do seu desaparecimento físico ter ocorrido, pode-nos causar dor. Porém, Padre Correia da Cunha sempre nos lembrava que o Amor ultrapassa todas as fronteiras e ninguém morre enquanto permanecer gravado na história do coração dos seus amigos.


Esse referencial de verdadeiro Amor era Jesus Cristo, a medida do Amor Eterno. Ele é a pedra fundamental da Sua Igreja e o seu único Chefe. Todos os membros da Igreja são simples e humildes servidores de Jesus Cristo que pelos seus testemunhos devem dá-lo a conhecer, amar e a segui-lo.


O Padre Correia da Cunha celebrava esse dia com um solene jantar, com todos os paroquianos a quem se unia para comunicar a Mensagem do Evangelho, isto é, com todos aqueles que viviam em intensa amizade fraterna e conviviam com ele mais assiduamente. Eram cristãos empenhados nas actividades paroquiais e em quem o Padre Correia da Cunha depositava toda a confiança e amizade.


Mas quem tinha todos os anos um gesto cortês para assinalar a data natalícia do seu estimável e adorável pároco era a Senhora Dona Emília Caldeira Prieto de Bourbon, que lhe oferecia um festivo almoço num dos restaurantes predilectos de Padre Correia da Cunha: A Varanda do Chanceler, que se situava na sua amada Alfama.


No ano passado, um grupo de amigos quiseram homenagear Padre Correia da Cunha nesta importante data. A presença deste grupo junto do seu mausoléu significou um gesto de gratidão e uma excelente oportunidade para recordar a velha amizade vivida na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, nos tempos em que o Padre Correia da Cunha era o seu prior.

É salutar sermos gratos às pessoas a quem amamos. A data do seu aniversário é ocasião certa para o recordarmos e testemunharmos que ele continua a unir homens e mulheres que nunca esquecerão a sua amizade.

É imperioso manter assim, bem vivo um perene relacionamento marcado pela alegria sadia e pelo convívio fraterno, que este grupo de amigos crê ser o seu imenso desejo.

A vida de Padre Correia da Cunha era de uma enorme felicidade, pois como frequentemente citava possuía um elevado círculo de bons amigos: “Quem tem bons amigos é feliz!”.

Partiu afortunado porque não viveu por viver, deixou um rastro de amor construído e cultivado.


Sejamos pessoas alegres e felizes, e continuemos a ser na vida das pessoas, especialmente nas de quem queremos bem, uma luz de esperança para ajudá-las na busca destes ideais que herdámos deste grande sapiente sacerdote.


Estou convicto que essa celebração faz parte do grande património de amor que nos foi legado por este grande Homem. O Padre Correia da Cunha viveu a sua vida como um autêntico hino à amizade.


Passados todos estes anos, independente das convicções de fé, de sentimentos que estejam no coração de cada um de nós, há algo que nos faz ir além… porque conseguimos transmitir o fruto do amor cristão na celebração da vida e da verdadeira liberdade.

O Padre Correia da Cunha serviu a sua paróquia com o seu maior zelo. Era totalmente adverso a tudo que aventasse a beatices ou crendeirices. Não era um teórico de filosofia barata, mas um homem de acção, um organizador, com elevado sentido prático das coisas. Era um exemplo de humildade, dedicação a todos os paroquianos mas sobretudo aqueles que muito gostava de congregar à sua volta no dia do seu aniversário.


E como sempre referia, podia reuni-los no dia 24 de Setembro, dia do seu nascimento ou no dia 26 conforme era atestado nos seus documentos oficiais.
.
.
.
.
.
.
.
.
.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

PE. CORREIA DA CUNHA E A MORTE DE UM AMIGO…

.
.
.
.
.
.

Hernani com castiçal ao fundo Padre Correia da Cunha

ERA UM CORAÇÃO PARA A TERRA E UM ESPÍRITO PARA O CÉU.


O dia 6 de Setembro do ano de 1965 é hoje aqui recordado com imensa tristeza nos corações de muitos amigos, que ainda conservam nas suas memórias as profundas saudades pela perda, em tão lamentável acontecimento, de um jovem egrégio em idade precoce.

A Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora sentiu muito a morte daquele que durante anos serviu o altar como menino de coro e depois como acólito, na companhia dos seus priores e amigos: Mons. Francisco Esteves e Padre Correia da Cunha.

Hernâni era um jovem guiado por ardentes sentimentos cristãos. Era um coração para a Terra e um espírito para o Céu.

No aniversário de tão triste e lamentável acontecimento, pela perda irreparável deste saudoso jovem amigo, transcrevemos do Blogue de Rogério Martins Simões uma sentida homenagem a Hernâni Anunciação Santos (1949-1965) e publicamos um conjunto de fotos inéditas, tiradas ao Nã no exercício das suas funções litúrgicas.


Hernani menino do coro ao fundo 

Memórias dos meus 16 anos de idade
A morte de um amigo.

Já passaram 46 anos?! Que tragédia! Que trauma o foi para todos nós, jovens da mesma idade, amigos inseparáveis, acólitos e catequistas na Igreja Paroquial de São Vicente de Fora.

Eu ia ao seu lado!

Nascemos no mesmo ano, eu a 5 de Julho, e o Hernâni (Nã) a 29 de Setembro de 1949. À data dos acontecimentos tinha completado os meus 16 anos de idade e recordo que nos preparávamos para a grande festa dos 16 anos do Nã.

Recordar esta tragédia é lembrar um dos acontecimentos mais traumatizantes da minha vida e da vida daqueles que presenciaram, incrédulos, o que ali estava a acontecer. Sim, mesmo ao nosso lado.

Regressávamos de mais uma viagem na camioneta do Patronato. Todo o dia fora divertido, porque, nesse tempo, contentavam-nos com pouco – os nossos pais não tinham viatura, e ir numa excursão à praia das Maçãs; ao Guincho, a Vila Viçosa, ou outro local programado, era sempre um motivo para nos fazer feliz. Tudo correra com normalidade e lá estávamos nós amontoados ao fundo da camioneta.
Muito cantámos, mas o artista era o Hernâni.

Recordo o momento em que a camioneta chegou ao Campo de Santa Clara, local onde se faz a feira da ladra.

Lembro-me da viatura começar a entrar por aquele estreito e maldito portão.

Recordo-me de ver os putos pendurados no estribo da camioneta, ali mesmo ao nosso lado, na parte traseira.

Ainda estou a ver o Nã a gesticular para os garotos e a pedir-lhes para que fugissem; para que não ficassem entalados entre a camioneta e o portão que dá acesso à parte inferior do antigo Mosteiro de São Vicente de Fora.

Recordo o momento em que o Hernâni colocou a cabeça de fora tentando com o braço a afastar os putos. A camioneta a entrar lentamente, uma eternidade, arrastando e esmagando a cabeça do Hernâni contra o portão de ferro.

De o ver cair a meu lado o corpo do Hernâni, jorrando sangue.

Vejo-me a chorar e a correr para a Igreja a rezar e a passar em revista os tempos felizes que vivemos e o dia em que nos conhecemos:

“ Desde menino, quando apenas conhecia os anjos, já escutava na telefonia a bela voz da Amália. A minha mãe lavava a roupa no tanque, num saguão de uma casa na freguesia de São Vicente de Fora, e cantava desconhecidas cantigas da Beira Serra.

Fui crescendo e um dia, no início dos anos 60 do século passado, descobri por acaso os caminhos que me conduziram, durante muitos anos, à Igreja de São Vicente de Fora.

A luta pela vida era tremenda! Levantavam-se pelas 4 horas da manhã, apanhavam o eléctrico que os levava à Praça da Ribeira onde se abasteciam de legumes com que governavam a vida no mercado de Santa Clara. Pela primeira vez entrei nos claustros do Mosteiro de São Vicente de Fora.



Andava eu pelos claustros do Mosteiro quando, em cima da 

hora das cerimónias de posse do novo pároco, faltou à 

chamada um menino de coro! Mas… o Padre Correia da 

Cunha fazia questão em ter doze rapazes! Doze eram os 


Apóstolos e ele só tinha 11.

Tudo tinha sido verdadeiramente programado, ensaiado ao 

pequeno detalhe: os mais pequenos à frente! Tudo em 

carreirinha, em duas filas! – Túnicas novas feitas por 

medida!


Sobrava uma! Era grande – como ela tivesse sido feita de 

propósito para mim!


Pois bem! Não é que fui pescado quando por ali andava 

perdido…


Vestiram-me uma túnica braça.


Cingiram-me com um cordão vermelho.


Em poucos minutos ali estava eu, menino do coro 

repescado, a caminho do altar, lado a lado com o meu bom 

e saudoso amigo, Hernâni Anunciação Santos,”


Volto aos acontecimentos desse trágico dia:


Entrei na Igreja em convulsão. Ajoelhei e pedi a Cristo e aos

Santos para salvarem o Nã - e ELES não me quiseram 

ouvir…


A partir daí deixámos de escutar o seu belo canto no átrio da

Igreja de São Vicente de Fora.


Não mais esqueci aquela tragédia – Tinha então 16 anos de 

idade. Talvez por isso, quando nos juntamos, todos 

cantamos a mesma canção. Assim, e enquanto houver 

memória haveremos de cantar, recordando-o, a sua canção: 

“ A fonte da minha aldeia”.


A fonte da minha aldeia


Quando soluça baixinho


Parece até que rodeia


A poeira do Caminho.


Eterna saudade, do teu eterno amigo,


Rogério Martins Simões
.
.
.-
.
,


.
.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

PE. CORREIA DA CUNHA E O DIA DAS OGFE



.
.
.
.
.





“NOBIS HONOR SERVIRE”



No primeiro dia de Setembro do ano de mil novecentos e sessenta e nove, teve lugar a fusão das Oficinas Gerais de Fardamento (OGF) com a Fábrica Militar de Santa Clara (FMSC). Desta união, surgiram as actuais Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento (OGFE).

Foi um acontecimento que orgulhou os colaboradores de ambas as instituições, permitindo partilharem descobertas, conhecimentos e culturas.

Foi um enorme desafio assumido por todos na partilha de artes e engenhos.

Este dia 1 de Setembro era, sem dúvida, a data certa para as OGFE celebrarem com toda a solenidade o seu dia; este dia indelevelmente ligado ao processo de fusão entre estas duas prestigiadas instituições, que sempre souberam trilhar caminhos de sucessos e riquezas para o país.

Era também para a Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora uma enorme honra acolher e colaborar na realização deste tão colossal e nobre evento.

Este dia deveria ser vivido por todos os funcionários das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento com grande inspiração numa jornada de encontro fraterno, comunhão e muita alegria.





 
A ideia de organizar esta solenidade, seguida de festa, na cerca do Mosteiro de São Vicente de Fora, nasceu da casualidade, durante um dos almoços da Direcção das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento, onde Padre Correia da Cunha, na qualidade de Capelão, participava diariamente.

O ano de 1970 foi decisivo para a realização do Dia das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento, que se viria a repetir até 1973.



Por volta das onze horas, na monumental Igreja de São Vicente de Fora, Padre Correia da Cunha celebrava uma eucaristia festiva. Era também aproveitado esse momento para proferir uma homilia de elevado sentido humano e moral.

Estou a vê-lo naquele altar a dirigir a sua prática à família do “Casão”, com todo o seu entusiasmo e afabilidade. As suas palavras, para estes seus companheiros, tinham sempre o calor de uma paixão, a vivacidade de um enamorado e a ternura de um amante, pois ele sabia que era escutado por todos com grande admiração, atenção e entusiasmo.

Imaginação profunda e luminosa dizer-se-ia ao ouvi-lo na melopeia das suas palavras que se escutavam como os versos de um poema!

Padre Correia da Cunha aproveitava para colocar as intenções dos presentes na Oração Universal. Não eram esquecidos os funcionários falecidos que com os seus esforços muito tinham contribuído para o engrandecimento destes estabelecimentos Militares. A finalizar, havia sempre uma palavra para todos aqueles que, por vários motivos, passavam à reforma. Era uma palavra de reconhecimento após muitos anos de trabalho e de convívio, e por isso, muitos destes funcionários se faziam representar neste solene evento.

Terminadas as cerimónias festivas, no interior do templo, todos os presentes se dirigiam para a Cerca do Mosteiro de São Vicente de Fora, onde era servido um almoço volante suculento e variado, onde não faltava nada, desde os deliciosos mariscos, pratos de peixe e carne, agradáveis frutas, deliciosos queijos e imensas doçarias de sabor conventual. Tudo isto era acompanhado dos mais insuperáveis vinhos nacionais. Estes apetecíveis almoços eram encerrados com um saboroso café e digestivos de qualidade superior.


A cerca do Mosteiro era o meio ambiente mais apropriado, estando completamente rodeada de seculares plátanos verdes, que ofereciam uma maravilhosa e fresca sombra. Que majestade!

 




 
Tratando-se de uma festa, não podia deixar de subir ao palco a boa música portuguesa, nas vozes da moda, Simone de Oliveira, Paco Bandeira, Júlia Babo…Obviamente, que a canção nacional também não podia ser esquecida na bela voz da fadista Beatriz da Conceição.

Ao recordar hoje aqui estes acontecimentos, estou certo que eles muito contribuíam para que os funcionários de ambas as instituições se conhecessem e aprofundassem relações de companheirismo, aumentando a grande paixão em projectar a magna divisa daquela casa: “NOBIS HONOR SERVIRE”




Também não podemos deixar de referir a missão altruísta de muitos oficiais superiores das OGFE (Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento), cujas atitudes generosas para com o próximo, sem esperar nada em troca, ficaram bem marcadas nas obras sociais da Paróquia de São Vicente de Fora.

Recordo aqui o Coronel Figueirinhas, o Coronel Veigas Rocha, o Coronel Giro, o Coronel Ferreira Matos, o Coronel Coelho e muitos outros que tiveram a honra de conviver, com o seu apreciado e fiel amigo Capelão, Correia da Cunha.

Eram realmente homens empenhados pelo bem comunitário. Uma das características destes oficiais do exército era a tendência para a filantropia.

Tendo pleno conhecimento dos importantes préstimos realizados pelo Exmº Senhor Coronel Figueirinhas, ao Centro Social e Paroquial de São Vicente de Fora, creio ser imperioso haver um fervoroso reconhecimento de justiça: fazer constar em pedra lavrada, nas paredes desse Centro Social, uma prece de gratidão e memória às excelsas virtudes deste generoso Oficial do Exército Português. Foi um abnegado protector dessa obra paroquial. Ignorantia neminem excusat!
.
-



















.
.
-
--

.
,