quinta-feira, 1 de setembro de 2011

PE. CORREIA DA CUNHA E O DIA DAS OGFE



.
.
.
.
.





“NOBIS HONOR SERVIRE”



No primeiro dia de Setembro do ano de mil novecentos e sessenta e nove, teve lugar a fusão das Oficinas Gerais de Fardamento (OGF) com a Fábrica Militar de Santa Clara (FMSC). Desta união, surgiram as actuais Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento (OGFE).

Foi um acontecimento que orgulhou os colaboradores de ambas as instituições, permitindo partilharem descobertas, conhecimentos e culturas.

Foi um enorme desafio assumido por todos na partilha de artes e engenhos.

Este dia 1 de Setembro era, sem dúvida, a data certa para as OGFE celebrarem com toda a solenidade o seu dia; este dia indelevelmente ligado ao processo de fusão entre estas duas prestigiadas instituições, que sempre souberam trilhar caminhos de sucessos e riquezas para o país.

Era também para a Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora uma enorme honra acolher e colaborar na realização deste tão colossal e nobre evento.

Este dia deveria ser vivido por todos os funcionários das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento com grande inspiração numa jornada de encontro fraterno, comunhão e muita alegria.





 
A ideia de organizar esta solenidade, seguida de festa, na cerca do Mosteiro de São Vicente de Fora, nasceu da casualidade, durante um dos almoços da Direcção das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento, onde Padre Correia da Cunha, na qualidade de Capelão, participava diariamente.

O ano de 1970 foi decisivo para a realização do Dia das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento, que se viria a repetir até 1973.



Por volta das onze horas, na monumental Igreja de São Vicente de Fora, Padre Correia da Cunha celebrava uma eucaristia festiva. Era também aproveitado esse momento para proferir uma homilia de elevado sentido humano e moral.

Estou a vê-lo naquele altar a dirigir a sua prática à família do “Casão”, com todo o seu entusiasmo e afabilidade. As suas palavras, para estes seus companheiros, tinham sempre o calor de uma paixão, a vivacidade de um enamorado e a ternura de um amante, pois ele sabia que era escutado por todos com grande admiração, atenção e entusiasmo.

Imaginação profunda e luminosa dizer-se-ia ao ouvi-lo na melopeia das suas palavras que se escutavam como os versos de um poema!

Padre Correia da Cunha aproveitava para colocar as intenções dos presentes na Oração Universal. Não eram esquecidos os funcionários falecidos que com os seus esforços muito tinham contribuído para o engrandecimento destes estabelecimentos Militares. A finalizar, havia sempre uma palavra para todos aqueles que, por vários motivos, passavam à reforma. Era uma palavra de reconhecimento após muitos anos de trabalho e de convívio, e por isso, muitos destes funcionários se faziam representar neste solene evento.

Terminadas as cerimónias festivas, no interior do templo, todos os presentes se dirigiam para a Cerca do Mosteiro de São Vicente de Fora, onde era servido um almoço volante suculento e variado, onde não faltava nada, desde os deliciosos mariscos, pratos de peixe e carne, agradáveis frutas, deliciosos queijos e imensas doçarias de sabor conventual. Tudo isto era acompanhado dos mais insuperáveis vinhos nacionais. Estes apetecíveis almoços eram encerrados com um saboroso café e digestivos de qualidade superior.


A cerca do Mosteiro era o meio ambiente mais apropriado, estando completamente rodeada de seculares plátanos verdes, que ofereciam uma maravilhosa e fresca sombra. Que majestade!

 




 
Tratando-se de uma festa, não podia deixar de subir ao palco a boa música portuguesa, nas vozes da moda, Simone de Oliveira, Paco Bandeira, Júlia Babo…Obviamente, que a canção nacional também não podia ser esquecida na bela voz da fadista Beatriz da Conceição.

Ao recordar hoje aqui estes acontecimentos, estou certo que eles muito contribuíam para que os funcionários de ambas as instituições se conhecessem e aprofundassem relações de companheirismo, aumentando a grande paixão em projectar a magna divisa daquela casa: “NOBIS HONOR SERVIRE”




Também não podemos deixar de referir a missão altruísta de muitos oficiais superiores das OGFE (Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento), cujas atitudes generosas para com o próximo, sem esperar nada em troca, ficaram bem marcadas nas obras sociais da Paróquia de São Vicente de Fora.

Recordo aqui o Coronel Figueirinhas, o Coronel Veigas Rocha, o Coronel Giro, o Coronel Ferreira Matos, o Coronel Coelho e muitos outros que tiveram a honra de conviver, com o seu apreciado e fiel amigo Capelão, Correia da Cunha.

Eram realmente homens empenhados pelo bem comunitário. Uma das características destes oficiais do exército era a tendência para a filantropia.

Tendo pleno conhecimento dos importantes préstimos realizados pelo Exmº Senhor Coronel Figueirinhas, ao Centro Social e Paroquial de São Vicente de Fora, creio ser imperioso haver um fervoroso reconhecimento de justiça: fazer constar em pedra lavrada, nas paredes desse Centro Social, uma prece de gratidão e memória às excelsas virtudes deste generoso Oficial do Exército Português. Foi um abnegado protector dessa obra paroquial. Ignorantia neminem excusat!
.
-



















.
.
-
--

.
,

Sem comentários:

Enviar um comentário