terça-feira, 28 de abril de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA-OFICIAL DA MARINHA






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MENÇÃO DE APREÇO E LOUVOR CAPELÃO JOSÉ CORREIA DA CUNHA




Ao serviço da Marinha, durante 18 anos, o Capelão Pe. José Correia da Cunha viu os seus excelentes serviços reconhecidos ao ser-lhe atribuída uma Menção de Apreço e um Louvor, que aqui orgulhosamente transcrevemos:


Transcrição do Louvor da Ordem da Armada Nº 12, em 6 de Junho. O.D.A. nº 116 de 17 de Junho de 1955.



Confirmado por S.Ex.ª o Almirante Superintendente dos Serviços da Armada em 16 do corrente, publica-se o seguinte louvor, dado pelo Director do Hospital da Marinha, Comodoro Médico António Telmo Augusto Cardoso Correia, ao seguinte oficial:




O capelão equiparado a primeiro-tenente Padre José Correia da Cunha vem desempenhando as suas funções no Hospital da Marinha desde 1943 com elevada dignidade, são critério e inexcedível dedicação.



Dotado de superior inteligência, grande cultura, bondade, dinamismo e espírito de colaboração, além de excelente camarada, tem o Padre José Correia da Cunha visão perfeita do valor da acção social que o capelão de marinha pode e deve exercer. A sua actuação neste Hospital, em estreita cooperação com a direcção, tem sido altamente benéfica, não só pela assistência religiosa que presta, mas ainda pela incessante acção social que tem desenvolvido no sentido de proporcionar aos doentes o bem-estar e o conforto moral de que tanto carecem. Assim, usando da faculdade que me confere o artigo 122º do Regulamento de Disciplina Militar, louvo o capelão equiparado a primeiro-tenente Padre José Correia da Cunha pelas suas brilhantes qualidades que tem desenvolvido a bem dos doentes deste Hospital.






Menção de apreço dada, em 26 de Maio de 1961, pelo Director e 1º Comandante da Escola Naval, Contra-Almirante Manoel Maria Sarmento Rodrigues, e mandada averbar pelo Comodoro Intendente:


‘’ Gostaria de significar que foi apreciada a sua actuação na importante missão que lhe competia na Escola Naval e os sacrifícios que teve de fazer para conseguir prestar aos cadetes a assistência religiosa e educativa que era requerida, pois que ao mesmo tempo tinha a seu cargo grandes responsabilidades, de idêntica natureza, fora da Escola. No entanto, ficou-se a dever ao seu conselho e experiência o esclarecimento de situação no campo espiritual, o que certamente, muito poderá concorrer para encontrar uma situação satisfatória para tão importante problema. ‘’




Ao longo da sua carreira na Armada Portuguesa, o Capelão Pe. José Correia da Cunha prestou serviços nas seguintes unidades:



- Aviso Gonçalves Zarco
- Aviso Bartolomeu Dias
- N.E. Sagres I
- Aviso Afonso de Albuquerque
- Corpo de Marinheiros
- Base Naval do Alfeite
- Escola Naval
- Hospital da Marinha
- Escola de Alunos Marinheiros
- Escola de Mecânicos



Para quem teve o orgulho bem como o prazer de conhecer e conviver com o Pe. Correia da Cunha sentia que este era um homem realizado pelos relevantes serviços prestados à Marinha Portuguesa e que manifestava muita altivez, e mesmo uma certa vaidade desta grande Força Militar. Ali adquiriu forte experiência nas suas várias missões em que se empenhou e com grande brio participou.


Hoje vou aqui recordar um velho marujo e amigo de Pe. Correia da Cunha - António dos Santos (1919-1993), fadista.


 O Pe. Correia da Cunha passou muitas noites na companhia deste afável e simpático homem, ouvindo as suas histórias de marujo e poemas cantados, que este com uma voz terna e profunda entoava. O fado fazia parte da cultura de Pe. Correia da Cunha. Quero teimosamente recordar e transmitir às novas gerações de marujos que deverão manter vivas estas antigas tradições de tertúlias onde o companheirismo de velhos marinheiros com a sua linguagem de frontalidade arrebatadora vivia momentos do verdadeiro espírito de marujada.




Quero hoje aqui, nesta balada, recordar o velho marujo António dos Santos (1919-1993) num dos grandes sucessos de ontem e de sempre!... – Um momento sublime musical com um vídeo tão sugestivo e feliz que nos falava de marujos e de desejos de amor. Tantas vezes, o Pe Correia da Cunha e muitos dos seus amigos oficiais marinheiros escutaram e aplaudiram, naquele pardieiro emblemático (o ‘’ Cantinho do António’’ em Alfama) os belos fados nostálgicos e dolentes, da balada coimbrã, numa presciente antecipação de um estilo que nos anos sessenta se tornaria importantíssimo.










Gaivotas em terra de asas fechadas

Gaivotas em terra de asas fechadas,
Marujos sem rumo num banco de um bar.
Barcaças dormentes no cais ancoradas,
Meninas morenas que sonham casar.


Preciso é que voem que batam as asas,
Preciso é que deixem as altas janelas,
Preciso é que saiam as portas das casas,
Preciso é que soltem amarras e velas.


Marujos sozinhos, pensando outro mundo,
Meninas em casa, fiando desejos.
Preciso é que cruzem seu olhar profundo.
Preciso é que colem as bocas num beijo.


Mãos de marinheiro não temem procelas,
Se houver outras mãos para além vendaval.
Rezando por ele tecendo outras velas,
Mais brancas, mais belas do seu enxoval.


Rezando por ele tecendo outras velas,
Mais brancas mais belas do seu enxoval
Rezando por ele tecendo outras velas
Mais brancas mais belas do seu enxoval




 O Pe. Correia da Cunha, pelas fantásticas vivências e sã alma de marujo que compartilhou nesta grande instituição, a Marinha, amou-a até ao fim da sua vida!




. Nota: Foto e dados cedidos gentilmente pela prestigiosa Revista da Armada. Endereçamos os nossos mais sinceros agradecimentos. Bem hajam .
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domingo, 26 de abril de 2009

CANONIZAÇÃO SÃO NUNO DE SANTA MARIA

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São Nuno é a encarnação suprema da Pátria.




É hoje canonizado, em Roma, Nuno Álvares Pereira. Neste sentido, não podíamos deixar de publicar uma biografia deste Santo Português que foi modelo para muitas gerações de Jovens de São Vicente de Fora. Nuno Álvares Pereira foi Protector do Patronato, criado pelo Monsenhor Francisco Esteves, em 1905, na Paróquia de São Vicente de Fora e continuado por Pe. Correia da Cunha, que muito contribuiu para um trabalho pedagógico de instrução, catequético e de formação moral e cívica.


Nuno Álvares Pereira (1360 – 1431) era filho bastardo do Prior do Hospital, D. Fr. Álvaro Gonçalves Pereira, também este filho bastardo de D. Gonçalo Pereira (Arcebispo de Braga) e de Iria Gonçalves. Condestável do Rei de Portugal D. João I, nasceu a 24 de Junho de 1360, em Sernache do Bonjardim.

Foi um homem com várias facetas: general brilhante, frei humilde…figura exemplarmente típica do povo português.Trouxe sempre fundidos no seu coração o amor de Deus e o amor da Pátria. Foi Monge e Soldado; Santo e Herói. Teve o duplo misticismo: o do Céu e o da sua terra.


Na hora mais aguda das batalhas, a sua capacidade de inovação só lhe proporcionou vitórias: não perdeu uma única batalha. Tinha uma prolongada resistência militar. Mas também ajoelhava e rezava. E, como os maiores místicos, possuía o sentido rectilíneo do equilíbrio e das realidades. Era um espírito positivo de patriota, animado pela fé mais viva da crença mais alta.


Nuno Álvares Pereira tinha 13 anos quando o pai o enviou para a corte de D. Fernando I. Uma vez na corte distinguiu-se de todos os outros rapazes que por lá andavam. A rainha D. Leonor decidiu tomá-lo como seu escudeiro. Foi também ela que o armou cavaleiro.


Tinha 16 anos quando lhe foi comunicado pelo pai que tinha chegado a altura de casar. O casamento não fazia parte dos planos do futuro Condestável. Teria mesmo o propósito de se manter casto. Não conseguiu contrariar os desejos do progenitor e acabou por casar com D. Leonor de Alvim, em Vila Nova da Rainha, freguesia do Concelho de Azambuja. Leonor era uma jovem viúva minhota, com quem teve uma filha. Deixou a corte e foi viver para o Entre Douro-e-Minho, onde permaneceu até 1379.


Em 1381, em fins do reinado de D. Fernando I, tendo 21 anos e uma energia imparável, Nuno Álvares Pereira partiu para a fronteira de Portalegre, onde se encontravam as forças invasoras de Castela. Esta terá sido a sua primeira grande incursão aguerrida. Aos 21 anos, o excesso era uma virtude.


O Rei D. Fernando I de Portugal, não tinha herdeiros, a não ser a princesa D. Beatriz, casada com o Rei João I de Castela.


Nuno Alvares Pereira foi um dos primeiros nobres a apoiar as pretensões de D. João, Mestre de Avis, à coroa. Apesar de ser filho ilegítimo de Pedro I, D. João afigurava-se como uma hipótese preferível à perda de independência para os castelhanos.



Em Abril de 1384, obteve o primeiro êxito militar: venceu a batalha dos Atoleiros. Apesar da inferioridade numérica, as tropas portuguesas conseguiram debandar o adversário, utilizando pela primeira vez, em território luso, a táctica do quadrado. A sua senda vitoriosa continuou por Tomar, Santarém e Lisboa, que se encontravam cercadas. Passado algum tempo, o soberano de Castela desistiu dos cercos e deu ordem para a retirada das tropas.

Em 1385, realizaram-se as Cortes de Coimbra. O mestre de Avis foi aclamado rei de Portugal, tornando-se D. João I. No dia seguinte à coroação, sua majestade nomeia Nuno Álvares Pereira Condestável do Reino - o cargo militar mais importante da nação. Tornou-se um homem muito poderoso.

Em 14 de Agosto de 1385, Álvares Pereira mostra o seu génio militar ao vencer a Batalha de Aljubarrota à frente de um pequeno exército de 6.000 portugueses e aliados ingleses, contra os 30.000 das tropas castelhanas. A batalha viria a ser decisiva, colocaria o final da instabilidade política de 1383-1385 e a consolidaria a independência portuguesa.


Finda a ameaça castelhana, Nuno Álvares Pereira permaneceu como Condestável do reino e tornou-se Conde de Arraiolos e Barcelos. Entre 1385 e 1390, ano da morte de D. João I de Castela, Nuno Álvares Pereira dedicou-se a realizar raides contra a fronteira de Castela, com o objectivo de manter a pressão e dissuadir o país vizinho de novos ataques.

Nuno Álvares Pereira ficou viúvo em 1388. No ano seguinte deu início à construção do Convento do Carmo. Depois de ter dedicado uma vida inteira ao serviço do reino, o condestável decidiu abandonar o mundo terreno.

Nesta longa e difícil guerra pela independência da terra portuguesa, ao lado do seu Rei, acompanhando-o incansavelmente, vemos a pessoa do Condestável, riquíssimo de tudo — de honras, de bens e de glória. Tudo trocou pelo hábito rude e áspero da estamenha de carmelita, quando viu que a sua Pátria já não precisava de que pusesse por ela «seu corpo em grandes aventuras», como dissera o Rei D. João I, no diploma em que lhe conferia o título de Conde de Barcelos.























Nuno Álvares Pereira foi uma das maiores figuras da nossa história. Um homem corajoso, caridoso e humilde .

Como foi dito, o Convento do Carmo começou a edificá-lo, em Lisboa, em 1389. Lentamente, as obras prosseguiam. Os primeiros monges entrariam em 1397 — só portugueses. Nuno Álvares também queria habitá-lo mas um elo ainda o prendia à vida familiar: a sua filha. Mas esta em 1415 morre em Chaves. Dispõe-se a entrar no Carmo nesse mesmo ano.
Nuno Álvares Pereira morreu no dia 1 de Abril de 1431, numa cela austera do mosteiro que tinha mandado construir.


O túmulo de Nuno Álvares Pereira foi destruído no terramoto de 1755. O seu epitáfio dizia: "Aqui jaz o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou-se a esta igreja onde descansa o seu corpo."

Nuno Álvares Pereira é a encarnação suprema da Pátria Portuguesa: está nos altares, porque a Igreja o reconheceu merecedor de culto; e está nos corações dos portugueses fiéis que vêem nele o símbolo do seu amor pátrio.

Sem a sua espada vigorosa e santa, Portugal teria caído possivelmente na órbita de Castela e tudo quanto se fez em prol da nossa Civilização andaria hoje escrito em língua estranha.
Com o decorrer do tempo, o povo de Portugal começou a prestar culto à sua figura, atribuindo-lhe inúmeros milagres. Ficaram criadas as condições para que o nome de santo se associasse ao de Condestável.
Santo Condestável, que viveu de 1360 a 1431, foi beatificado em 1918 pelo então Papa Bento XV. Esteve para ser canonizado, em 1947, por decreto que Pio XII, o que acabou por não acontecer.

O seu dia festivo é 6 DE NOVEMBRO. O processo de canonização foi iniciado em 1940, tendo sido interrompido posteriormente. Em 2004 foi reiniciado e tinha o seu termo anunciado para o ano de 2009. Hoje concretizou-se esse sonho e desejo de todos os Portugueses. É um dia feliz para os Portugueses!
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sexta-feira, 24 de abril de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA E O 25 DE ABRIL

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‘’25 de Abril sob o signo da liberdade’’



Com o 25 de Abril, operaram-se na sociedade Portuguesa grandes mutações de incalculáveis consequências, que trouxeram a Pe Correia da Cunha, grandes apreensões e preocupações na sua missão pastoral.


Havia uma grande esperança em todo o povo português na construção de uma sociedade assente na justiça, na liberdade e na paz. Pe. Correia da Cunha apenas se deslumbrava na incompetência da cultura política dos novos governantes e sobretudo os oriundos da carreira militar. Não acreditava que fossem asseguradas as condições para a efectivação de uma verdadeira liberdade e o respeito que era justo às pessoas e instituições.

Pe Correia da Cunha era um homem discreto mas estava muito atento aos problemas, lendo toda a imprensa publicada em Portugal e estrangeiro no que referia às relações entre a Igreja e o Estado, nomeadamente entre as situações mais difíceis da política portuguesa.

Viveu um período muito difícil. Como sabemos Pe Correia da Cunha era um homem simples mas tinha a admiração e simpatia de muitos que ocupavam altos cargos na sociedade portuguesa até à revolução. E por isso, acompanhou a perda de muitas boas e velhas amizades com grande tristeza e angústia. Ele que era um homem de fé, ao mesmo tempo vivia angustiosamente os problemas das várias crises revolucionárias, sabendo que não tinha meios e recursos para enfrentar tantas injustiças, vinganças e desafios…

Era tempo de prudência e de lucidez mas para ele era altura de se tomarem decisões de uma grande coragem, que não reconhecia nos novos dirigentes políticos do país.

Não conseguia entender a mudança abrupta de muitos seus seguidores ao assumirem cargos em partidos políticos que não respeitavam o pluralismo na vida social, ferindo a sua sensibilidade e a sua compreensão.

A sua saúde era débil, com tantos atropelos ao direito e à fraternidade humana e cristã, nós os seus amigos mais próximos fomos sentindo e assistindo a um empobrecimento gradual da sua doença assim como a um isolamento voluntário no culto da leitura de todas as novidades literárias da época.

Pe Correia da Cunha tinha o forte desejo de fazer mais e melhor, de antecipar problemas e encontrar soluções nuns tempos dramaticamente difíceis. E nessa medida, era incompreendido e vivia obsessivamente angustiado com o (PREC), e morreu convictamente convencido que: ‘’Portugal nunca viverá numa autêntica e verdadeira democracia. ‘’

É curioso que sendo um homem de espírito aberto e muito inteligente, muito o assanhavam designações como de uma igreja progressista ou cristãos empenhados na construção de uma sociedade avançada. A sua sólida formação não lhe permitia alimentar qualquer tipo de aventura e de falsa modernidade.

Pe Correia da Cunha referia que uma sociedade nova precisava de homens novos. As instituições ainda que alteradas na forma, só deixarão de ser velhas quando forem servidas por homens renovados. A mensagem evangélica exige que nos convertamos. Os políticos e os ‘’militares ‘’ não se deixam converter…

É QUE HÁ DEMOCRACIA E DEMOCRACIA.

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

PE CORREIA DA CUNHA E OS ADOLESCENTES









Dinâmicas para grupos de adolescentes




A Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora apresentava um sério problema: o afastamento dos adolescentes das suas práticas cristãs, depois de concluída a Profissão de Fé.




Pe. Correia da Cunha sabia que havia adolescentes sérios, aplicados, com práticas de oração e movidos por grandes ideais. Era urgente e necessário tomar medidas para solucionar este enigma.




Estes adolescentes representavam, para Pe. Correia da Cunha, os grandes continuadores da nova Igreja pelo que era essencial comprometê-los de uma maneira diferente de agirem, pensarem e de manifestarem a sua fé.




Para essa função de serviço e dedicação em prol da educação humana e cristã dos adolescentes de São Vicente de Fora, Pe. Correia da Cunha confiava na elevada experiência de um seu grande ‘’protegido’’ e fiel discípulo, com provas dadas, Manuel Taledo de Sousa e de sua esposa Teresa. Com este apoio, Pe. Correia da Cunha ajudava assim os adolescentes a conquistarem novos espaços na paróquia e na sociedade.






Os adolescentes, independentemente da sua rebeldia e alguma inconsciência, pensavam e manifestavam uma fé amadurecida e preenchiam uma acção extremamente relevante para a Comunidade Paroquial nas funções de acólitos e leitores nas celebrações litúrgicas.



Sob a liderança deste Jovem Casal era dada aos adolescentes a oportunidade de se conhecerem melhor, de exporem o que pensavam e como viviam as suas experiências. Nas reuniões semanais de adolescentes, estes eram ajudados nas dificuldades próprias da idade e a descobrirem valores importantes assim como a estabelecer relações com todas as gerações que contribuíam para a dinâmica da vida da paróquia.



Os adolescentes, ao participarem nestes grupos, desenvolviam um trabalho que contribuía para um respeito mútuo, ganhando confiança para um maior compromisso com a Igreja e a sociedade.
Para Pe. Correia da Cunha trabalhar com os adolescentes era acreditar que era possível a sua mudança como agentes participativos, criativos, curiosos, implicados e responsáveis pela sua qualidade de vida, e requeria dos educadores maiores comprometimentos, generosidade e disponibilidade para os escutarem e dialogarem.



A principal meta de Pe. Correia da Cunha era oferecer aos educadores, todas as condições para a realização de actividades em que os adolescentes pudessem dialogar, duvidar, discutir, questionar e compartilhar conhecimentos, bem como certificar-se que havia espaços para as práticas de desportos, passeios e festas lúdicas para o desenvolvimento da cooperação e criatividade destes adolescentes.








Hoje edito fotos de uma actividade de representação deste grupo de adolescentes, de que fiz parte, em São Vicente de Fora. São memórias de um tempo vivido onde éramos todos muitos felizes.



Tempos inolvidáveis que a memória não esquece. Formávamos um grupo não só de amigos, mas também de irmãos que professavam a mesma fé e que creio ser meu dever dar testemunho. Recordo igualmente o diálogo franco e aberto, onde eram abordados temas como a puberdade, a sexualidade na adolescência e a amizade nos anos turbulentos da adolescência.



Manter sempre um fraterno diálogo e uma sã amizade, mostrando os erros e acertos da caminhada do grupo, eram os emblemas deste grupo de adolescentes dos anos sessenta da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.



Espero receber contributos de outros grupos de adolescentes que frequentaram os espaços de São Vicente de Fora, quando o Pe. Correia da Cunha era o seu grande pastor e mestre.





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sábado, 18 de abril de 2009

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA

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Os amigos que partiram…





IN MEMORIAM

IR.GINA MAGAGNOTTI – RELIGIOSA SALESIANA

1920 - 1989



No dia que passam vinte anos da sua morte, não podíamos deixar de prestar uma singela homenagem de gratidão a IR.GINA MAGAGNOTTI – RELIGIOSA SALESIANA (1920-1989), uma apaixonada catequista que entrou no coração de muitos adolescentes e jovens da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.


Pe Correia da Cunha sempre viu na Ir. Gina uma grande apóstola e uma generosa missionária de Jesus Cristo.


Seguidamente passo uma Biografia desta grande evangelizadora que ajudou com a sua mensagem de grande força espiritual a construir uma comunidade de vivência cristã, seduzindo os seus catequizandos a um encontro íntimo com Jesus Cristo, modelo de autenticidade, simplicidade, de fraternidade: único que salva e liberta …BEM HAJA! IRMÃ GINA.
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A Ir. Gina Magagnotti nasceu a 20 de Março de 1920 em Sornio, a pouco mais de 10Km da cidade de Trento – Itália. Seu pai, após ter morrido a primeira esposa de quem tivera sete filhos, casou em segundas núpcias com aquela que viria a ser a mãe da Ir. Gina. Deste segundo matrimónio nasceram três filhas das quais Gina era a do meio. O ambiente familiar, bem como o da aldeia, era de profunda religiosidade como o comprovam as numerosas vocações tanto masculinas como femininas. Foi neste ambiente de profunda vivência cristã que a jovem adolescente sentiu o irresistível chamamento de se consagrar totalmente a Deus. Respondeu com todo o entusiasmo da sua juventude ardente, disposta a qualquer sacrifício desde que se tratasse de cumprir a vontade de Deus.Com sete anos fez a primeira comunhão e já então dizia que queria ser missionária para falar de Jesus a toda a gente. Interpelada pelo Pároco sobre o rumo a dar à vida, Gina disse que queria dar-se toda a Deus. A escolha do Instituto foi-lhe sugerida pelo Pároco uma vez que as Irmãs Salesianas também tinham missões.




Em Agosto de 1937, com 17 anos de idade entrou no Noviciado. Manifestando Gina o desejo de ser missionária, fez o pedido por escrito dizendo que gostava de trabalhar nos leprosários da India. Após a profissão religiosa e devida preparação missionária a Ir. Gina foi destinada a Portugal, com grande admiração sua. Depois de 46 anos de trabalho indefeso pela causa do Reino, deixou escrito. “Em Portugal encontrei um vasto campo de apostolado, muitos sacrifícios mas também muito carinho e muita alegria espiritual. Senti-me sempre totalmente realizada”.
Em 1947 a Ir. Gina foi nomeada Directora da Casa de Santa Ana que se abriu nessa altura em Setúbal. Os princípios foram difíceis mas a sua jovialidade e alegria sabiam tornar agradáveis as privações e sacrifícios e fazer crescer o espírito de família que transmitiu às Irmãs e alunas.




Uma das suas características foi a dedicação ao ensino catequístico: onde quer que estivesse dinamizava a catequese. Mais tarde, sendo directora na casa de Santa Clara, aprofundou os conhecimentos teológicos e dispendeu os seus esforços em prol do Secretariado Diocesano da Catequese do Patriarcado de Lisboa e colaborando em cursos de formação catequística. O Pe. Henrique Policarpo Canas, director do Secretariado, felicitou-a várias vezes, expressando o reconhecimento da Diocese pela sua magnífica e dedicada colaboração no apostolado catequético.

São inumeráveis os testemunhos acerca do ardor apostólico da Ir. Gina:
“À noite reunia com frequência as catequistas, orientava-lhes o trabalho de catequese dos sábados e domingos, para que resultasse mais eficaz”. “Eram tantos os pedidos que faziam à Ir. Gina para que assumisse mais compromissos de catequese e de preparação de catequistas, que não conseguia satisfazê-los na totalidade”. “A Ir. Gina era uma catequista inata, dotada de uma criatividade inesgotável; sempre optimista em relação ao seu trabalho; bem relacionada com todos e sempre bem disposta e alegre”.

“Sacerdotes, Bispos e até o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, apreciavam o seu trabalho na Igreja e pela Igreja. Consideravam-na uma mulher forte, persistente: dons que transmitia com toda a naturalidade”.

A doença que lhe bateu à porta (esclerose lateral atrófica) ao completar os 60 anos de idade veio reduzir-lhe aos poucos a possibilidade de se deslocar, mas continuou a dar catequese e a orientar catequistas e jovens quase até ao fim da vida. Bendito seja o Senhor que a visitou mas lhe deixou a mente lúcida para continuar a anunciar a Boa Nova até ao limiar do Paraíso. Confidenciava: “Nosso Senhor pensou em mim… Viu que eu andava a correr demais, sempre de um lado para o outro e achou por bem fazer-me parar para melhor me preparar para o encontro com Ele”.



D. António Marcelino, Bispo de Aveiro, assim escreveu no “Correio do Vouga” de 21 de Março de 1986: “Não havia no Patriarcado de Lisboa uma catequista que não a conhecesse, que não tivesse aprendido com ela a dar melhor catequese mas, sobretudo, a crescer na paixão e no amor pela missão de catequista. Rica de natureza cantava, desenhava, animava jogos, expunha com vida, comunicava vida, mas mais rica ainda de fé, de amor à Igreja, de apreço pela sua vocação de consagrada, da encarnação da urgência de evangelizar e de catequizar… Numa cadeira de rodas, com talas nos braços e nas mãos, numa paralisia crescente… mas o mesmo sorriso, o mesmo entusiasmo, a mesma fé. Tolhidos os ossos mas não o coração. Diminuído o corpo mas engrandecida a alma. A mesma dos bairros das crianças pobres de Setúbal, das catequeses, cursos e assembleias de catequistas do Patriarcado. A mesma. Dando razão do seu amor ao Pai”.

A Ir. Gina, religiosa salesiana, italiana pelo nascimento, portuguesa pelo coração, sem fronteiras pela fé e pelo ardor apostólico… Como vela que se apaga depois de se ter consumido inteiramente, fechou os olhos mortais no Monte Estoril para entrar no gozo d’Aquele que desde há anos a vinha purificando. Eram as primeiras horas do dia 18 de Abril de 1989.

Texto da biografia : Ir. Mª das Dores Rodrigues

A Comunidade de São Vicente de Fora guarda-a em seu coração! Deixou em todos muitas e profundas saudades. Mas recordamos com muita alegria e gratidão os bons frutos que deixou nos corações dos adolescentes e jovens de São Vicente de Fora, onde estive incluído. Irmã Gina trabalhou com uma indescritível e intensa paixão a sua vocação de uma grande evangelizadora e servidora do reino, onde continua a interceder por nós.


O SENHOR JÁ RECEBEU NA SUA GLÓRIA ESTA NOSSA QUERIDA IRMÃ.
Bendito seja o Senhor, Pai, Filho e Espírito Santo! Bendito seja também a sempre Maria Auxiliadora. Mãe de Jesus e nossa Mãe!


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terça-feira, 14 de abril de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA - HOMENAGEM PASCAL

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HOMENAGEM DE ROGÉRIO MARTINS SIMÕES
A PADRE CORREIA DA CUNHA




Estamos em tempo verdadeiramente Pascal, o verdadeiro discípulo e afectuoso amigo Rogério Martins Simões dedica ao seu grande mestre e educador, Padre Correia da Cunha, que muito contribuiu para a sua formação cristã e humana, um belo e emocionante poema que transcrevo do seu blogue.
Com o mesma alegria pascal, que este nosso irmão de grande coração e coragem espelha neste poema de Luz e Paz, gostaríamos de lhe desejar um suave alívio na terrível luta que enfrenta todos os dias...estamos contigo!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!






JESUS


Rogério Martins Simões

Na terra nasceu.
Na terra brincou.
Na terra aprendeu.
Na terra ensinou.

A terra lhe cedeu
Os frutos e o mel.
O homem lhe deu
O vinagre e o fel.

Alguém o viu
Carregar a cruz.
De branco se vestiu
Seu nome era Luz.

Era poeta.
Era sonhador.
Filho e profeta.
Deus do amor.

Cordeiro imolado:
Quem tanto amou!
Da morte libertado
Ressuscitou.


Voltou! Da luz:
De luz revestido
De branco cingido,
Seu nome, Jesus.


Meco sexta-feira, 10 de Abril de 2009



(Dedicado ao saudoso Padre José Correia da Cunha)
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

PE.CORREIA DA CUNHA E OS PASTEIS DE BACALHAU

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Idolatrava os tradicionais e bem portugueses pastéis de bacalhau.




O Pe. Correia da Cunha achava que não havia nada de comparável a um bom jantar entre queridos amigos. Por essa mesma razão, fazia questão de muitas vezes se juntar para jantar em casa dos seus paroquianos mais próximos. Avisava sempre de forma antecipada pedindo que a dona da casa juntasse um pouco mais de água à sopa….todos estes amigos o recebiam calorosamente de braços abertos e para todos eles era um enorme prazer a companhia do seu prior, Pe. Correia da Cunha.



Receber o Pe Correia da Cunha era garantia de um jantar em amena cavaqueira, sem pressas e repleto daquele seu supremo talento que era transformar banalidades em coisas inteligentes (aprendia-se sempre muito com as singelas conversas de Pe. Correia da Cunha). Ainda hoje me confidenciam que recordam com muitas saudades esses jantares familiares com Pe. Correia da Cunha.









Hoje quero aqui compartilhar convosco a ‘’ameaça’’ que era receber Pe. Correia da Cunha quando lhe dava o cheiro a pastéis de bacalhau.



A entrada para a sala da mesa de refeições só era efectuada após uma arrebatada invasão à cozinha, onde se fritavam esses deliciosos e esmerados bolos de bacalhau. Pe Correia da Cunha era um insaciável por esse manjar, um verdadeiro glutão. Adorava pastéis de bacalhau, mas os da mãe de uma sua paroquiana eram sempre os melhores. Creio mesmo que desde miúdo era um fanático e devorador de pastéis de bacalhau, iguaria tão ao seu gosto e ao dos portugueses. Estou certo, se os pudesse acompanhar por um bom copo de vinho periquita, o jantar determinaria por ali na cozinha.



Por consideração e respeito aos anfitriões, lá passava à sala de refeições e as conversas seguiam alegres durante o jantar em espírito de grande amizade e fraterno convívio.



Estes frequentes jantares, nas casas de seus amigos paroquianos mais próximos, não só permitiam manter o prazer de uma apetitosa refeição, como satisfazer a necessidade de um ambiente familiar que o sacerdócio não facilitava, e que as amizades completavam.



Pe Correia da Cunha era um excelente conversador e após o jantar deixava-se levar pelos mais variados assuntos das actualidades desde a política até à religião. No final das suas longas prosas estavam todos intimamente convencidos daquilo que ele lhes transmita, e que consideravam profundos ensinamentos. Ele obrigava-os a pensar, o que era muito importante. Todos os jantares com Pe, Correia da Cunha contribuíam para aumentar os conhecimentos e abordar temas que jamais se havia pensado. Era uma fonte de sabedoria nas mais variadas temáticas.



Deixava-se levar pela noite dentro mas sempre antes de se despedir, apresentava os parabéns à excelente cozinheira e os seus mais sentidos e profundos agradecimentos ao casal anfitrião, que o recebiam sempre muitíssimo bem e com um belíssimo jantar.



Todos eles procuravam tê-lo de novo na sua casa só pelo gosto de o ouvir falar…mas em troca ficava a promessa de um nova entrada de pastéis de bacalhau.


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sábado, 11 de abril de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA E A PASCOA

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A Ressurreição é a resposta amorosa do Pai a Jesus na sua entrega filial.



Para os cristãos da Paróquia de São Vicente de Fora, o Domingo de Páscoa era o dia mais importante e incomparável do Calendário Litúrgico. Para o Padre Correia da Cunha esse domingo era muito peculiar: comemorar o nascimento e feitos da vida de uma pessoa era bastante comum e rotineiro mas celebrar a ressurreição de Jesus Cristo era algo sublime e transcendente. Um verdadeiro e autêntico acto de fé. Como Ele ressuscitou também nós havemos garantidamente de ressuscitar.


Cristo Ressuscitou! Aleluia, Aleluia, Aleluia! era a calorosa e sentida saudação pascal de Padre Correia da Cunha.

O Padre Correia da Cunha dizia que nos reuníamos na Comunidade Paroquial no domingo porque foi num domingo que Jesus Cristo ressuscitou. Era o dia mais importante da semana. Os cristãos não podiam viver sem o domingo.

Era no domingo que as famílias cristãs da Comunidade de São Vicente de Fora se reuniam na sua igreja.


Porque se reuniam os cristãos, todos os domingos na igreja da sua paróquia?

Para participarem na celebração eucarística, repetição da última Ceia de Jesus Cristo, a que Ele convidava permanentemente. A festa era muito importante e indispensável para a fé de cada um e de todos, em conjunto.








Nos anos sessenta, quem presidia quase sempre à missa paroquial das dez horas, em cada domingo, era o Padre Jose Michel. O Padre Correia da Cunha explicava toda a Liturgia, dinamizava e dirigia a grandiosa celebração.

Os sinos das torres tocavam autenticamente a lembrar às pessoas essa hora, tocando meia hora antes. A assembleia reunia, ouvia a palavra de Deus, cantava, orava e levava o pão e o vinho ao altar. Repetia-se, assim, o que Jesus fez na Última Ceia: dava-se a comungar o pão e o vinho consagrado que era o Corpo e Sangue de Cristo. Conforme já havia referido, em São Vicente de Fora, a comunhão era sempre consumada nas duas espécies.

Por fim, as pessoas regressavam às suas casas e procuravam viver cada vez mais de acordo com os ensinamentos que Deus lhes transmitia na sua Palavra, e sobretudo não esquecendo as eloquentes palavras de muita frontalidade por vezes cortantes do Padre Correia da Cunha: ‘’Celebrar a Páscoa implica dar testemunho na nossa vida da Ressurreição de Cristo. Os cristãos não podem fugir com o rabo à seringa…’’

E se recordar é viver, oxalá que revendo, em fotos a igreja completamente numa enchente para estas celebrações que marcavam bem a vida da Paróquia de São Vicente de Fora, sejamos também capazes de trazer à ribalta da nossa vida, os belos momentos que então celebrávamos e vivíamos!

O Padre Correia da Cunha, no Domingo de Festa desejava a todos uma Santa e Feliz Páscoa e a sua absoluta convicção na RESSURREIÇÃO, que o Espírito Santo lhe tinha segredado no seu coração.



VOTOS DE BOA PÁSCOA PARA TODOS! Alleluia, Allelluia, Alleluia!


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terça-feira, 7 de abril de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA – A NOSSA IGREJA

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No seguimento à publicação dos textos da autoria do Pe. Correia da Cunha, denominados Lisboa Antiga e Voto do Primeiro Rei de Portugal , é chegada a hora de proceder à edição do último intitulado, A NOSSA IGREJA.
Conforme foi referido, os seus originais destes textos estão redigidos em língua francesa. Só graças à prestável e amável colaboração da Drª. Maria Luísa Trincão de Paiva Boléo é possível tornar visíveis estes textos inéditos na língua de Camões.






São Vicente de Fora é um dos mais grandiosos e nobres monumentos religiosos de Lisboa.





No Largo de São Vicente, as fachadas da Igreja e do antigo Mosteiro dos Agostinhos, formam um imponente conjunto. A grande escadaria central conduz aos três pórticos simétricos da igreja, encimados por nichos emoldurados que são coroados por outros maiores, contendo as estátuas de Santo Agostinho, ladeado por S. Sebastião e S. Vicente.

Entra-se no Santuário por um pórtico rectangular o qual, passada uma porta de colunas caneladas, se abre para a nave da igreja, com mais de 70 metros de comprimento. A abóbada em berço é realçada por caixotões de pedra branca e cinzenta num fundo de estuque cor-de-rosa. No transepto, uma cúpula altiva que abateu em 1755. O transepto do lado esquerdo conduz a uma capela revestida de mármore e mosaicos florentinos, o da direita a uma capela ornamentada de talha dourada.










Numa balaustrada de mármore separa a nave do altar-mor de duas faces, encimado por um altíssimo baldaquino de quatro colunas de madeira, cujo desenho se deve a Joaquim Machado de Castro. As bases das colunas estão rodeadas por oito grandes estátuas barrocas de madeira, obras dos discípulos de Machado de Castro, Alexandre Gomes e António dos Santos. Duas estátuas ainda maiores, da autoria de Manuel Vieira, erguem-se por cima do arco das portas que dão acesso ao coro dos cónegos, onde se encontra – majestoso, face á nave da igreja – o órgão de S. Vicente. A galeria que o sustenta tem três mísulas a maior delas dominada por três pequenas estátuas de figuras femininas. Toda a fachada do órgão é ricamente ornamentada com talha dourada, as almofadas pintadas de verde com filetes de ouro, segundo o gosto da época.


Há ainda a considerar o claustro duplo onde se podem admirar azulejos do Sec. XVIII. Trinta e quatro dos painéis reproduzem as fábulas de La Fontaine.
Não se pode também esquecer o Panteão da Dinastia de Bragança, a portaria com seus quadros, os seus azulejos, a sua balaustrada de mármore e de jacarandá, nem a Sacristia, com os seus mármores policromos embutidos, os seus móveis de jacarandá e de bronze dourado.

São Vicente constitui um incomparável museu do azulejo, quer pelos claustros quer pelas escadarias e dependência das antigas residências dos patriarcas.

Texto de Pe. José Correia da Cunha





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sábado, 4 de abril de 2009

PE CUNHA E OS HOMENS PEQUENINOS

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Empenhava-se no nosso desenvolvimento com profundidade num trabalho que projectava os nossos ideais para o futuro.





O tempo passa por nós e nem damos conta...


Lembro-me de termos sete anos e de andarmos nas escolas primárias…, de ajudarmos à missa ao Padre Correia da Cunha na paróquia de São Vicente de Fora e de frequentarmos os catecismos nacionais.

Lembro-me dos miúdos que nós éramos. Putos com ares de reguilas à solta nos imensos claustros do Mosteiro de São Vicente de Fora, rompendo em arrebatadas gritarias aquele silêncio sepulcral.

Lembro-me das longas repreensões de Pe. Correia da Cunha. Quando chegava era sentido o” medo ‘’ digo respeito pois, como crianças, não lhe sabíamos ler o olhar. Só depois de pedida a bênção vinha a carícia para os garotos, que sempre ajudava a crescer física e intelectualmente. A sua convicção era a de que seríamos GRANDES HOMENS.

Os porquês dos afectos são incógnitas constantes que nos acompanham durante toda a nossa vida. Não sabemos porque razões se gostam das coisas, das pessoas e dos lugares. Gostamos e pronto... Sem mais explicações... Sem mais perguntas. Não vale a pena tentarmos encontrar razões para o que não as tem.

Como referia Pe. Correia da Cunha, há que sabermos viver e reviver os momentos a cada momento. Mas a sua grande meta a conquistar era tornar-nos GRANDES HOMENS.




As fotografias que hoje publico mostram como a memória é mágica e tem a capacidade de trazer até nós os tempos que já passaram. Espero que através delas possamos aprender que a amizade era algo que Pe. Correia da Cunha nos ajudou a cultivar e a desenvolver, e que hoje, continuamos a viver porque somos todos GRANDES HOMENS.












Temos saudades daqueles putos reguilas. Temos saudades do tempo em que tudo era possível...



Daqueles tempos em que bastava fecharmos os olhos e sonharmos... Temos saudades das palavras de grande mestria e sabedoria do Padre Correia da Cunha, que nos passavam a certeza que todos seríamos GRANDES HOMENS, não aceitava uns homens pequeninos.

Gostávamos todos de ter outra vez sete anos e voltar a entrar na escola...e aprender tudo outra vez...e a crescer outra vez...
Sabemos que o tempo não volta para trás…e o que não vamos voltar a ser é homens pequeninos!
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quinta-feira, 2 de abril de 2009

PE. CORREIA DA CUNHA – TRINTA E DOIS ANOS

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IN MEMORIAM




Pe. JOSÉ CORREIA DA CUNHA

1917-1977



Faz hoje precisamente trinta e dois anos que, em 2 de Abril de 1977, se apagou o brilho de uma grande estrela: Pe. Correia da Cunha. Nesse ano, acabou por não celebrar a Grandiosa Festa da Páscoa que ele tão alegremente engrandecia e bem expressava nas suas instintivas e calorosas saudações de: Aleluia! Aleluia! Aleluia!



A sua passagem para junto do Pai Celestial ocorreu no sábado anterior ao Domingo de Ramos. Padre Correia da Cunha deixou em todos uma dor no coração. Privados de um grande e Querido Amigo, ardia nos nossos peitos o amor que ele nos transmitiu.

A sua grandiosa obra ficará para sempre e por muitas e muitas gerações. Cada pequeno espaço de São Vicente de Fora respira um pouco do Pe. Correia da Cunha.

A bondade, sinceridade e frontalidade deste grande homem de fé, de elevada cultura, e grande sabedoria litúrgica contagiava todos os que tiveram o privilégio de o conhecer.



A Igreja de Lisboa perdia um dos seus mais cultos clérigos, disse-o Cardeal Patriarca D. António Ribeiro, ao ser-lhe transmitida a triste noticia. A Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora ficou despojada de um grande pastor que marcou indelevelmente um tempo e várias gerações.

Porém temos uma certeza, a que ele foi e será hoje o inspirador do nosso empenhamento na nossa vida em sociedade e na nossa acção ao serviço da Igreja.


Padre Correia da Cunha era uma pessoa que estava presente em todos os grandes acontecimentos das nossas vidas. Sempre com uma inteligência brilhante e penetrante e de uma sábia mestria, se tinha a criticar fazia-o de uma forma muito velada. Gostava mais de apontar caminhos que reprovar ou julgar atitudes.

Sempre actualizado sobre a vida da Igreja, passava as noites lendo e estudando todas as novidades editoriais na área da teologia, liturgia e sagrada escritura, fazendo-o por puro amor aos seus paroquianos e à Igreja. Era um homem extremamente culto e gostava de estar actualizado.

Lembramos com muito afecto as celebrações da Semana Santa, que enchiam a igreja com cristãos vindos de todas as paróquias de Lisboa, e em que Pe. Correia da Cunha colocava na liturgia uma grande vivência: o sofrimento humano comparado ao de Jesus Cristo que continua a sofrer por nós. Tudo o que fazia era marcado pelo seu grande entusiasmo, apontando uma espiritualidade que a todos comovia.

Pouco se preocupava com a gestão material da igreja, o seu pensamento estava nas pessoas, e a razão era simples, o Cristianismo não era uma doutrina mas um encontro com uma Pessoa de onde brotava uma amizade. Vale a pena recordar hoje a vivência cristã de Pe. Correia da Cunha, pois nela pode estar o segredo da nossa actual humanidade: Viver a vida profundamente segundo os ensinamentos de Jesus Cristo e solidários com o nosso próximo.


Mais do que espalhar aquela que considerava a vivência cristã, Pe. Correia da Cunha construi à sua volta uma verdadeira comunidade de voluntários que se apaixonaram pelo trabalho aos mais necessitados dado o empenhamento e paixão, que era imprimido pelo seu mestre. Como ele dizia: - Vivemos hoje a palavra de Deus na prática. Aprendemos a amar a nossa Igreja pela transmissão do seu amor por ela.


Assim foi a vida desse magnífico sacerdote de uma enorme generosidade ao serviço dos seus paroquianos.


Jesus recebeu-o no céu com os coros dos anjos. Está em paz o nosso saudoso e querido amigo, sacerdote, pai espiritual e companheiro de muitas jornadas.


O Funeral de Pe Correia da Cunha congregou uma enorme multidão que se estendeu da Igreja de S. Vicente de Fora até ao Cemitério de Alto de São João. Era muito apreciado, mesmo por gente que não era muito frequentadora da Igreja, mas que acabou por ser muito marcada pela inteligência, frontalidade e invulgar cultura deste homem, que durante 17 anos serviu a Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.


Ajudem-nos a manter a sua memória viva com envio de testemunhos e documentos.





Repousam no Cemitério do Alto de S. João os restos mortais de Padre José Correia da Cunha, no ossário n.º 36831 localizado na Rua 57A.

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