sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

CARLOS BARRADAS, SAUDADES!

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‘’SAUDADE É AMAR UM PASSADO QUE AINDA NÃO PASSOU…’’


Ao contemplar esta foto da Direcção da Catequese Paroquial de São Vicente de Fora, dos anos 60, recordo com muito carinho esta boa gente que tanta influência teve na nossa educação cristã e tanto contribuiu para a nossa formação como homens. Sinto que tenho saudades. E quem não as tem? Saudade – palavra bem portuguesa e de tão nobres e profundos sentimentos.

Reconheço que todas as coisas passam, mas houve momentos nas nossas vidas que deixaram marcas e que permanecerão para sempre. A existência deste blogue, de homenagem a Padre José Correia da Cunha, é bem o espelho das vivências que nos marcaram e ficaram indeléveis, não as deveremos ocultar pois elas próprias rasgam o véu das nossas almas e deixam transbordar tudo aquilo que ela tem de melhor…

É bom às vezes experimentar as saudades. É bom sentirmos saudades, quando elas são o alimento que contínua a nutrir uma calorosa e honesta amizade.

Aprendi a pensar e a compreender que também é uma boa forma de recordar os bons momentos que partilhámos e vivemos na Comunidade de São Vicente de Fora com Carlos dos Anjos Barradas, no dia que passam dois anos sobre o seu chamamento para junto do PAI.

Queremos agradecer a Carlos Barradas, que foi um grande apóstolo, a sua infinita entrega à sua Paróquia de São Vicente de Fora. Era um incansável servidor do seu grande amigo Padre Correia da Cunha.

Escrevo este post sob a emoção de falar de uma pessoa que é emblemática da história da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora. Como Padre Correia da Cunha era determinado, íntegro, sério, honrado e muito humilde.

Padre Correia da Cunha confiou a Carlos Barradas, Anita Themudo Barata e Teresa Taledo (ver foto), a Catequese Paroquial como seus fortes aliados nessa nobre missão de evangelização: ‘’IDE E ENSINAI…’’

Carlos Barradas, que nesta data quero recordar, era um homem profundamente humano mas com uma elevada espiritualidade, vivendo com grande simplicidade no serviço de entrega às várias missões que desempenhou com toda a sua lealdade na sua amada paróquia, visando sempre o serviço à pessoa humana.

Carlos Barradas deixou em todos que com ele conviveram um sentimento de saudade e agradecimento. Ele esteve sempre presente nos momentos mais marcantes da vida de várias gerações de São Vicente de Fora, quando era pároco Padre Correia da Cunha.


Termino lembrando Pablo Neruda : ‘’ SAUDADE É AMAR UM PASSADO QUE AINDA NÃO PASSOU E INSISTIR EM RESISTIR UM FUTURO QUE SE APROXIMA. ‘‘







Os amigos que partiram…

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IN MEMORIAM

CARLOS DOS ANJOS BARRADAS

1926-2008






Carlos dos Anjos Barradas (1926-2008), natural de Lisboa, freguesia de Santo Estêvão – Alfama, nasceu no dia 8 de Fevereiro de 1926.

Ao longo da sua caminhada, Deus proporcionou-lhe assistir e participar nos mais admiráveis acontecimentos da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, com o seu amigo próximo Padre Correia da Cunha.


Sempre procurou servir com a maior dedicação e lealdade a sua Comunidade Paroquial. Modesto, com uma clareza da Verdade no pensamento, impondo à sua acção o lema de conduta, terá sido um daqueles que possuía na alma o sentido da generosa e genuína voluntariedade.

Bastava-lhe como única riqueza: o consolo moral e espiritual da sua total entrega aquilo que mais amava – servir a sua comunidade paroquial e os muitos fraternos amigos que ali preservava.


A actividade de Carlos Barradas, na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, ajustou-se perfeitamente ao seu temperamento, integrava-se no seu ser e formava um homem completo e estruturalmente sólido de carácter e de uma bondade inexcedível. Com uma formação sólida de ex-seminarista, foi um grande educador da fé, como catequista e presidente da Catequese Paroquial nos anos sessenta e que retomaria após o falecimento da saudosa ANITA THEMUDO BARATA em 1982. A sua vocação inspiradora para servir os mais desprotegidos levou a que assumisse por longos anos a presidência da Conferência de São Vicente de Paulo da Paróquia de São Vicente de Fora. Como cristão empenhado, prestou relevantes serviços na preparação para o matrimónio (CPM) dos jovens noivos da sua comunidade…

A capacidade artística de Carlos Anjos Barradas levava a que Pe. Correia da Cunha não resistisse a pedir-lhe o arranjo dos placares e dos diplomas da Primeira Comunhão, Profissão de Fé e Crisma, com a sua letra tipo “gótica”, a que ninguém ficava indiferente dadas as frequentes exclamações de beleza rara.


Recordando Carlos Barradas, como membro do Conselho Paroquial na sua época, quero testemunhar a simpatia que granjeava a sua colaboração e o seu sentido de responsabilidade no Conselho Paroquial. O carinhoso interesse que manifestava nas suas argumentações eram reveladoras do empenhamento e atenção que lhe mereciam todas as actividades paroquiais. Carlos Barradas deu sempre a medida do seu grande valor, como cristão empenhado e actualizado, atento aos grandes problemas do seu tempo.


Pela sua constância e vontade de bem servir a Comunidade Paroquial de São Vicente, é justo prestar esta homenagem e exprimir em nome de todos os afectuosos amigos um agradecimento à dedicação de longos anos de trabalho de Carlos Barradas à sua paróquia.

Com diria Santo Agostinho: “ Aquele que tem a caridade no coração, tem sempre alguma coisa a dar.” É para mim um enorme prazer escrever estas simples palavras para falar de um homem de grande verticalidade e dignidade. Viveu fervorosamente com elevada paixão. O seu grande fascínio de servir a Deus e a Igreja, num espírito de grande afectividade e amizade com todos os membros de todos os movimentos da paróquia de São Vicente de Fora.


No dia 19 de Fevereiro de 2008, foi repousar na Glória de Deus. Hoje junto do PAI e de seu amigo e pastor Pe. Correia da Cunha, continua a interceder por todos nós que fomos seus amigos.

São Vicente de Fora guarda-o em seu coração! Deixou em todos muitas saudades.

RECEBEI, SENHOR, NA GLÓRIA DO VOSSO REINO O NOSSO IRMÃO.


Publicado no dia 9 de Maio 2009




















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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

UM ANO SEM CASIMIRO FEREIRA

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Santo António de Lisboa um grande pregador do Evangelho e um intercessor poderoso. ...

17 Fevereiro 2009 – 17 Fevereiro 2010




Hoje, dia 17 de Fevereiro, comemoramos um ano de falecimento do nosso querido e estimado amigo Casimiro Nunes Ferreira.

Foram muitos anos de presença na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora. Ali deixou muitas marcas no trabalho pastoral, sobretudo nas actividades caritativas e doutrinais, como zeloso servidor da sua paróquia na companhia do seu grande amigo e Pastor Padre Correia da Cunha. Evoco hoje a sua dedicação e o seu caminho de simplicidade… Para quem conviveu com Casimiro Ferreira, estou seguro que teve a felicidade de ter vivido momentos gratificantes e abençoados e ter podido contar com tão grande amigo.

Ao escrever este post num ambiente de silêncio, fico a pensar: é difícil acreditar que um ano já se passou desde a sua partida do nosso convívio. Tudo aconteceu muito rápido. Soube viver a vida este homem de grandes virtudes, daí ter construído tantas amizades e admiradores…

Legou um enorme testemunho de grande devoção ao seu Santo Protector: Santo António de Lisboa.

Queremos agradecer-lhe os exemplos de vida e fé, mesmo não estando fisicamente entre nós, continua merecedor de todas as nossas orações e homenagens de gratidão.

Casimiro, hoje, junto de São Vicente e do seu protector Santo António de Lisboa, continuará a intensificar em cada um de nós, que somos seus amigos, uma forte amizade.




Os amigos que partiram…
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IN MEMORIAM


Casimiro Nunes Ferreira


1928-2009




Casimiro Nunes Ferreira (1928-2009), natural de Monforte da Beira – Castelo Branco, nasceu no dia 8 de Maio de 1928. Era um homem simples e bom. Frequentou o seminário e chegou a ser colega de curso do Reverendíssimo Sr. D. António Marcelino, bispo emérito da Diocese de Aveiro.

Foi um bom esposo, um bom pai, um bom paroquiano e um cristão exemplar. Morreu depois de algumas semanas de doença grave.

Casimiro Nunes Ferreira, pela sua simplicidade e dedicação, tornava-se de imediato querido e estimado por quem o conhecesse ou lidasse com ele. Foi catequista na Paróquia de São Vicente de Fora e membro do Conselho Paroquial presidido pelo Pe. José Correia da Cunha. Membro activo da Conferência de São Vicente de Paulo.

As celebrações do seu funeral, realizaram-se hoje dia 18 de Fevereiro, na Igreja Paroquial da Graça. Foram presididas pelo Reverendo Pe. António Carreto, antigo pároco de S.Vicente de Fora e contou com a presença do concelebrante Pe. João Beato, assim como do nosso Diácono Jorge Campos.

Profundamente sensível, generoso e humano, a maior parte da sua actividade na nossa paróquia dedicou-a ao apostolado da caridade (CVSVP). Para muitos de nós ficará também a recordação da sua dedicação ao serviço da liturgia.

Casimiro Ferreira foi meu Catequista do 4º Volume da Catequese no grupo cujo orago era Santo António de Lisboa, seu protector. Sabia despertar em cada um de nós aquilo que havia de bom.

Celebrou suas Bodas de Ouro em 2003 a 20 de Outubro; Casimiro Nunes Ferreira e Maria Helena da Conceição Ferreira. A comemoração realizou-se na Igreja Paroquial "Senhor dos Passos" da Graça, onde também foi realizado o seu casamento.

O nosso amigo foi ao encontro de Deus, ficando à nossa espera no céu. E, sem dúvida, que ele lá estará com seu pastor e amigo de tantos anos; Pe. Correia da Cunha.

São Vicente de Fora guarda-o em seu coração! Deixando em todos muitas saudades.

RECEBEI, SENHOR, NA GLÓRIA DO VOSSO REINO O NOSSO IRMÃO.


Publicado no dia 18 de Fevereiro 2009
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

ROBERT DESCOMBES – TESTEMUNHO III

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ET LE TEMPS N'EST PLUS - DIEU MERCI POUR SES QUALITÉS ET BRAVOURE. PCC.










Robert Descombes é titular e conservador do órgão d'Orgelet, um dos mais antigos instrumentos de Franche Comte, e um dos poucos instrumentos do século XVII, existente em França. Como tal, é uma das grandes jóias da sua cidade.

Pela sua enorme reputação, que vai para além das fronteiras, já recebeu visitas regulares de organistas de todo o mundo. Os organistas são pessoas de grandes e eternas paixões. Este grande organista titular e grande apaixonado pelo maravilhoso órgão ibérico de São Vicente de Fora, enviou-nos um testemunho comovente sobre a sua grande e profunda amizade com o Padre Correia da Cunha, que passo a torná-lo público.









Robert Descombes


Foi uma enorme alegria ter encontrado o Blogue da Justa Homenagem a Padre José Correia da Cunha. Fui um seu grande amigo. Sou organista em França. Travei conhecimento com ele no ano de 1967, quando fui a Portugal para descobrir o extraordinário órgão da Igreja de São Vicente de Fora, na cidade de Lisboa. Passei ir a Lisboa cada ano, especialmente pelas grandes festas litúrgicas: Natal e Páscoa.

O Padre José Correia da Cunha sempre referia que eu era o organista itinerante da Paróquia de São Vicente de Fora, pois à altura não havia organista residente.

Lembro com muita emoção todas as pessoas que ali conheci: a Tia Alice (1906-?), o Senhor Abel Varela (1925-2013) e a muita juventude que frequentava a Comunidade Paroquial, assim como a boa gente desse típico bairro de Lisboa.

Aquela época foi uma das mais felizes da minha vida. Era muito jovem e contava com apenas 25 anos de idade, mas nunca esquecerei o indescritível carácter tão forte das cerimónias celebradas pelo saudoso Padre José Correia da Cunha, especialmente a Vigília Pascal (Sábado-Santo), com o imenso fogo nas escadarias da igreja. Sinceramente, sinto uma grande e profunda saudade…

Recordo aqui ainda o seu carro (mini-cooper), que o Padre José Correia da Cunha conduzia com muita velocidade pelas estreitas ruelas de Alfama…

Lembro-me das casas de fado em Alfama, onde ele me levava e onde ele também cantava, com fervor, um dos seus fados preferidos: ‘’ Igreja de Santo Estevão’’. Ainda me vêm as lágrimas aos olhos quando penso naqueles belos momentos. Fui seu hóspede assíduo até ao ano de 1975.

Desde esse ano, deixei de contactar pessoalmente com o Padre Correia da Cunha e só mais tarde soube da sua morte… foi uma imensa tristeza. Sabia que ele estava muito doente.

Quero também aqui trazer à memória o Padre José Diogo d’Orey Mousinho de Albuquerque de Mascarenhas Gaivão (1934-1980), que era coadjutor em São Vicente de Fora. Nunca mais voltei a Lisboa!!! Tenho 63 anos, sou professor aposentado e desejo sinceramente voltar a Lisboa, sobretudo a São Vicente de Fora para reviver algumas das pessoas que ali conheci.

Deixo aqui o meu e-mail. Termino dizendo que gosto muito de Portugal e da língua portuguesa… Foi uma grande alegria ter encontrado este seu maravilhoso Blogue e assim poder transmitir este meu sincero testemunho sobre a grande amizade que mantinha com esse Saudoso e Querido Padre Correia da Cunha.

Obrigadinho!!!

Cumpre-me agradecer do fundo do coração a Robert Descombes o seu simpático e sentido testemunho sobre o Padre José Correia da Cunha. Era bom que muitos dos seus amigos, ainda vivos, pudessem seguir este nobre gesto, permitindo assim que a memória de Padre Correia da Cunha continue viva e a iluminar o caminho de tantos os quantos que o conheceram, ouviram e foram seus dedicados e zelosos servidores.

Há muitos documentos, cartas e fotografias na posse de vários amigos. Estes têm uma importância muito grande, ao contrário do que possam pensar. Ajudem a manter vivo este blogue.

Obrigadinho!!!


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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E N. SENHORA DO Ó

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… tinha um amor para com a Mãe Celestial!







MARIA tem um templo em cada coração cristão, já que depois de Jesus Cristo Ela é o objecto dos nossos amores. Mas se isto é a verdade de todos os crentes, mais o era de Padre Correia da Cunha, que tinha na sua vida espiritual uma orientação muito especial para com a Nossa Senhora do Ó.


Padre Correia da Cunha demonstrava um singular carinho dirigido à Imagem de Nossa Senhora do Ó, que tinha no seu quarto no Mosteiro de São Vicente de Fora. Esse seu amor para com a Mãe não era só afectivo, mas também, e sobretudo efectivo. Segundo testemunhos de muitos seus amigos, o jovem Padre Capelão da Marinha todos os dias bem cedo conversava com a sua Mãe, pedindo-lhe que o ajudasse a imitar todas as suas virtudes, reproduzir em si mesmo a sua radiosa fisionomia moral: ser humilde, caritativo, generoso, como Ela soube sê-lo durante a sua vida mortal. Era uma longa e privada conversa entre Mãe e filho.


Nos seus momentos mais críticos, nas suas horas mais graves, nas suas necessidades mais prementes, sempre Ela esteve presente na sua vida como farol que o acompanhava nos oceanos tempestuosos, que calcorreou ao longo da sua vida de marujo.


Creio que Padre Correia da Cunha muito se inspirava nessa magnífica imagem de madeira do séc. XVIII, trabalhando infatigavelmente para dilatar o Reino de Jesus Cristo na sua Comunidade.


Quando foi nomeado pároco de São Vicente de Fora, essa imagem foi colocada sobre uma pedestal junto da sacristia e da porta que dava acesso ao templo. Penso que a Mãe de Deus fazia vibrar as fibras mais íntimas do seu coração, quando por SI passava e se dirigia para as celebrações litúrgicas.

Não será Ela, com efeito, depois de Jesus Cristo, o alvo de todos os nossos afectos e nossa suprema esperança?

Colocada no seu pedestal, no centro dos claustros, quantas vezes apareceu vandalizada pela miséria moral e pelas ovelhas desgarradas, que Padre Cunha teimosamente a reabilitava e apresentava renovada. A Virgem era como uma guardiã vigilante e um modelo de humildade e simplicidade, apesar de ter sido excelsa entre todas as criaturas, porque daquele gestante ventre que deu a vida ao Verbo feito carne.

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