domingo, 19 de junho de 2016

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA








Os amigos que partiram…








IN MEMORIAM



LUÍS FERNANDO DE SOUSA QUARESMA



1930-2016





Luís Fernando de Sousa Quaresma (1930 – 2016), natural de Foz do Arelho, Concelho das Caldas da Rainha, nasceu no dia 12 de Junho de 1930. 


Tive a felicidade de conhecer o Luís Quaresma, há mais de quarenta anos. Este querido e saudoso amigo era um homem muito generoso e um mestre na difícil arte de fazer amigos. Por tudo o que lutou, que amou e que conseguiu construir durante a sua existência, muito me orgulho de o ter tido como um grande amigo.

Fui de Lisboa à Foz do Arelho para tomar parte nas cerimónias fúnebres de um grande e velho amigo mas ficará indelével na minha memória que no centro do altar da singela capela mortuária ardia o grande círio pascal da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora do ano de 1973. 

Na vigília Pascal havia um rito da autoria do Padre Correia da Cunha, que era a entrega pública do anterior círio, que durante todo o ano havia iluminado a comunidade cristã de São Vicente de Fora, a uma família por ele escolhida. No ano de 1974 foi à Eunice e ao Luís Quaresma confiada a missão de zelarem pela presença da Luz de Cristo no seu lar. Ontem, essa luz de Cristo irradiava toda aquela capela, simbolizando a presença de uma comunidade triste mas simultaneamente alegre. Triste pela saudade da interrupção do convívio físico, mas feliz por sentir que o Luís Quaresma já toma parte da plenitude da luz de Cristo. Que bonita simbologia!


Ao longo da sua caminhada Luís Quaresma cumpriu condignamente os seus deveres no lar, na sociedade, no trabalho e nas suas duas Paróquias (São Vicente de Fora e Foz do Arelho). 

Pelos seus nobres predicados tornou-se credor da maior estima e de respeito de todos os membros destas Comunidades Paroquiais.

O Luís Quaresma entregou-se devotadamente com as suas sublimes qualidades ao canto litúrgico. Vivia, de alma e de coração, esta sua vocação. Os grupos corais de que era membro enchiam de brilho as celebrações eucarísticas. Era uma pessoa especial… através de uma vida que era exemplo de generosidade e de modéstia, um verdadeiro cristão. 


Na Comunidade Paroquial de Foz de Arelho foi relembrado por singelas mas sentidas palavras, lidas comovidamente e escutadas em respeitoso silêncio pelos muitos amigos, que encheram aquele templo, com olhos marejados de lágrimas, nesta última homenagem na bela Igreja Matriz.


“Já não ouviremos a bela voz do Luís neste coro paroquial. Pois a sua voz já incorpora o coro dos anjos celestiais.”



A saudade punge angustiosamente a nossa mente, mas o Luís Quaresma continuará bem vivo na memória de todos os seus amigos: pelo seu carácter virtuoso, pelas suas palavras serenas e confortantes na hora certa, pelo seu agir que nos servirá de guia, pela sua bondade que será lema, pela sua amizade que foi calor e orgulho…

Não poderia deixar de expressar nesta justa homenagem a admiração e o grande sentimento de apreço do Padre Correia da Cunha, que teve o privilégio de tê-lo como paroquiano, e que sempre contou com a gratíssima honra da sua profunda amizade.

Recordo o Luís Quaresma, como membro do Conselho Paroquial na sua época, aproveitando para testemunhar a simpatia, o sorriso e a cordialidade que granjeava. A sua colaboração era muito importante pelo seu sentido de responsabilidade naquele Conselho. Era um notável membro do Conselho Paroquial presidido pelo Padre Correia da Cunha. As suas intervenções no Conselho Paroquial engrandeciam aquele órgão de consulta do seu dilecto prior.

Pela sua constância e vontade de bem servir a Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora é justo prestar esta homenagem e exprimir em nome de todos os seus afectuosos amigos um agradecimento à dedicação de longos anos de trabalho à sua comunidade paroquial.


No dia 17 de Junho de 2016, foi repousar na Glória de Deus. Hoje junto do PAI e de seu amigo e pastor o Padre Correia da Cunha continua a interceder por todos nós, que fomos seus amigos.

São Vicente e Nossa Senhora da Conceição (Padroeira de Foz do Arelho) guardam-no em seu coração!


Deixou em todos muitas saudades.





RECEBEI, SENHOR, NA GLÓRIA DO VOSSO REINO O NOSSO IRMÃO.

































































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sexta-feira, 10 de junho de 2016

10 JUNHO -DIA DE PORTUGAL














Homenagear os feitos dos valentes portugueses...



Recordo com este texto da autoria do Padre Correia da Cunha as celebrações do dia 10 de Junho, no Terreiro do Paço em Lisboa. Em cerimónia pública eram condecorados com a cruz de guerra, pais, mães, irmãos, mulheres e filhos, dos que em combate tinham tombado ao serviço da Pátria.



Décadas volvidas sobre a implantação da democracia no nosso país, os dias de Portugal são celebradas quase à moda antiga. Já não defendemos terras de além-mar, mas o mesmo cinismo impera na política portuguesa bem patente nos conluios que visam apenas a defesa de alguns. Os discursos são medíocres, torturam-nos só de os ouvirmos.

Para comemorar condignamente o dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas seria bom que «Os Lusíadas» cujo conteúdo moral, espiritual é tão rico e profundo… servisse de inspiração para estas celebrações.

Continuamos a desprezar as notáveis figuras públicas, os verdadeiros heróis e os extraordinários guerreiros que levaram ao auge a história deste nobre e honrado povo. Como refere o Padre Correia da Cunha o dia de Portugal deverá ser consagrado para celebrar: «Aqueles que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando».






“Em toda a Terra Portuguesa, d’aquém e d´além Mar, em toda a parte onde drapeja a gloriosa bandeira das Cinco Chagas de Cristo, e até (mesmo em terra estranha) onde quer que pulse um coração português, o Dia de Portugal foi celebrado com toda a solenidade e entusiasmo, não só por ser o dia consagrado à glorificação de «Aqueles que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando» e, graças a Deus, são tais e tantos que honrariam qualquer Povo, se os tivesse…) - Mas também por nesse dia se comemora o imortal Cantos de «Os Lusíadas» essa maravilhosa epopeia que há quatrocentos anos foi publicada.

Em cortejo magnífico desfilaram diante de todo o Povo Português muitos dos filhos de que mais se pode orgulhar.

Muitos dos soldados heróicos que arriscaram a vida em defesa da Nação, muitos dos professores primários que formaram ontem os homens de hoje e hoje formaram os de amanhã, e muitos outros que por seus feitos engrandeceram a Pátria que lhes foi berço – todos esses foram lembrados com desvanecimento e galardoados com orgulho pela Pátria reconhecida.

Pena foi que algum deles – e dos maiores – só pudesse responder: Presente! Pela voz de seus filhos, de suas esposas, de seus pais, ou seus irmãos…

Mas o sangue que regou a terra Portuguesa corre vivo e palpitante mas veias daqueles cujo peito ostenta as condecorações dos que tombaram. E há-de ser seiva de novos heroísmos, incentivo de novos cometimentos, nova força para continuar Portugal.”

Padre Correia da Cunha




Em meio do maior silêncio, numa voz se ouviu, um poema de Padre José Correia da Cunha



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Na linda Nau Catrineta
Portugal se fez ao Mar,
Bom Marinheiro e poeta,
Deus o quer sempre a cantar.

O seu heróico passado
É bem digno de memória
E será por nós honrado
Com novos feitos de glória!

Nós hoje somos herdeiros
Em qualquer hora ou lugar
Desses heróis marinheiros
Que cruzaram todo o Mar.


Padre Correia da Cunha
















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sexta-feira, 3 de junho de 2016

VISITA DOS CAPELÃES NAVAIS DA NATO A LISBOA - 1957













J.R. FITZ PATRICK, CORREIA DA CUNHA, JOSHUA GOLDBERG,BURKE, PERESTRELLO,HARP, CARDEAL CEREJEIRA, SMITT

É neste modo de vida em que 

acreditamos…



“ A palavra passou… Durante quatro dias pudemos esquecer o duro e arrojado trabalho dos homens do mar. Tivemos um caloroso e afável acolhimento por parte das autoridades portuguesas. A cidade de Lisboa é impressionantemente bela e encantadora. As suas igrejas e casario são únicos, com as suas cores de pastel. São impressionantes imagens que deliciam os fotógrafos.”


JOSHUA LOUIS GOLDGERG
É com este testemunho de um dos elementos da delegação de Capelães Navais da N.A.T.O, que se deslocaram a Lisboa, no mês de Junho do recuado ano de 1957, que princípio este texto.
A delegação sob a égide do Almirante Capelão Eward B. Harp Jr., chefe dos Capelães Navais dos E.U.A era constituída: Capitão Capelão Joshua Louis Goldberg, chefe do terceiro distrito naval dos E.U.A, Capitão Frank R. Burke, CDR J.R. Fitzpatrick, Adido Naval do Reino Unido e Capelão Sénior Protestante Smitt.



Ao ser recebido pelo Capelão Sénior da Marinha Portuguesa Correia da Cunha, o Capelão Chefe dos E.U.A Almirante Harp saudou-o com estas palavras:

Como é bom ver-te de novo! Espero que tenhamos umas agradáveis reuniões e com a tua amizade e inteligência possamos ser bem-sucedidos junto das autoridades portuguesas. Hoje, posso afirmar que tenho muito bons amigos pelos vários países do Mundo, como o sabes: és um deles.”

A N.A.T.O é uma organização onde todos colocamos as nossas maiores esperanças de paz, devemos carregar as nossas “armas” em nossos ombros para a garantir.

As Nações Unidas são um grande organismo, também. Devemos apoiá-lo com todos os nossos esforços, nossos corações e mentes. O objectivo daquela viagem às capitais dos países da N.A.T.O era solidificar a união entre todos os países da organização, uma árdua tarefa, mas que todos os capelães deviam continuar a empenhá-la.

Temos que compartilhar estes fardos juntos. Temos que promover esse entendimento comum, pois só assim estaremos a defender os valores espirituais e não apenas o património e as vidas humanas. Diria mesmo as nossas famílias espirituais e de sangue.

É neste modo de vida em que acreditamos, com base na irmandade dos homens. Temos que utilizar todos os meios ao nosso alcance, incluindo os líderes religiosos para os vincular a esta luta permanente, perante os tempos perigosos que vivemos.

Devemos ter muita fé para que esta nossa missão não fique vazia de sentido, deve ficar complacente. Eles consideravam que a capelania da Marinha Portuguesa estava a fazer um excelente trabalho. Nesse sentido a N.A.T.O deveria ser lembrada e solenizada pela grande obra inspiradora de apelo à liberdade, à verdade e à esperança. A próxima conferência que iram realizar no mês de Outubro, nos Estados Unidos, deveria ser um momento privilegiado, para numa perspectiva tributária da identidade de cada nação, poderem contribuir para revitalizar as energias individuais e colectivas dos vários delegados que constituem esta organização.




Referia o Capelão Correia da Cunha que era bom fazer novos amigos e um prazer ainda maior descobrir que tantos deles estavam nas mesmas batalhas… A experiência dos Capelães que participaram na recente conferência em Haia permitiu descobrir velhos amigos, em grande número que nunca encontravam pessoalmente. Eram amigos de longa data de confiança maravilhosa leal, em todos os aspectos. Independentemente de outros ingredientes misteriosos há a convicção de todos termos interesses e ideais comuns assim como conceitos arraigados que muito contribuem para uma estreita associação com todos os representantes religiosos das marinhas dos países da N.A.T.O.

Ali pode-se sem dúvida fortalecer-se grandes amizades com os nossos irmãos e companheiros capelães que vivem a suas vidas sobre as infindáveis ondas do mar.   

É gratificante sabermos que todos estamos a lutar com os mesmos ideais e valores para alcançarmos objectivos semelhantes, tão dignos e nobres para unir todos os Homens de Boa Vontade e Nações. Foi essa a sensação dos capelães portugueses presentes nessa conferência: de que os dias memoráveis ​​que passaram juntos em Haia, com os seus irmãos capelães, iria produzir não só amizades duradouras, mas que o trabalho de todos em conjunto acabaria por criar raízes e florescer e ajudar a construir um mundo melhor e mais pacífico.



Foi difícil para esta Delegação transmitir por palavras o impacto recebido, na visita ao Paço Episcopal do Campo de Santana em Lisboa, ao Senhor Cardeal Patriarca D. Manuel Cerejeira, tendo sido ali acolhidos com a maior cordialidade e fraterna amizade. Fizeram mesmo todas as instituições da Marinha os possíveis para tornar a visita dos Capelães N.A.T.O, um lugar informativo e muito gratificante.

Encontraram a Capelania Naval Portuguesa numa difícil posição. Esta situação, sobretudo a administrativa, desordenada dos capelães em Portugal, devia-se em parte ao facto de que seu corpo de capelães ser relativamente novo e só agora se estar a afirmar como uma parte integrante da Armada Portuguesa. O chefe dos capelães, o Padre Correia da Cunha muito claramente e com a força que o caracterizava afirmou que a sua presença e discussões com as suas autoridades navais aumentou significativamente seu prestígio e, sem dúvida, contribuirá para uma melhor compreensão entre os capelães e os militares.

O Cardeal Patriarca de Lisboa agradeceu muito a calorosa visita dessa delegação reveladora da importância de Portugal no seio das capelanias da N.A.T.O.


Portugal enviaria dois delegados (Padre Correia da Cunha e Padre João Prestrello de Vasconcelos) para a Conferência a realizar nos Estados Unidos, em Outubro de 1957.















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