sexta-feira, 3 de junho de 2016

VISITA DOS CAPELÃES NAVAIS DA NATO A LISBOA - 1957













J.R. FITZ PATRICK, CORREIA DA CUNHA, JOSHUA GOLDBERG,BURKE, PERESTRELLO,HARP, CARDEAL CEREJEIRA, SMITT

É neste modo de vida em que 

acreditamos…



“ A palavra passou… Durante quatro dias pudemos esquecer o duro e arrojado trabalho dos homens do mar. Tivemos um caloroso e afável acolhimento por parte das autoridades portuguesas. A cidade de Lisboa é impressionantemente bela e encantadora. As suas igrejas e casario são únicos, com as suas cores de pastel. São impressionantes imagens que deliciam os fotógrafos.”


JOSHUA LOUIS GOLDGERG
É com este testemunho de um dos elementos da delegação de Capelães Navais da N.A.T.O, que se deslocaram a Lisboa, no mês de Junho do recuado ano de 1957, que princípio este texto.
A delegação sob a égide do Almirante Capelão Eward B. Harp Jr., chefe dos Capelães Navais dos E.U.A era constituída: Capitão Capelão Joshua Louis Goldberg, chefe do terceiro distrito naval dos E.U.A, Capitão Frank R. Burke, CDR J.R. Fitzpatrick, Adido Naval do Reino Unido e Capelão Sénior Protestante Smitt.



Ao ser recebido pelo Capelão Sénior da Marinha Portuguesa Correia da Cunha, o Capelão Chefe dos E.U.A Almirante Harp saudou-o com estas palavras:

Como é bom ver-te de novo! Espero que tenhamos umas agradáveis reuniões e com a tua amizade e inteligência possamos ser bem-sucedidos junto das autoridades portuguesas. Hoje, posso afirmar que tenho muito bons amigos pelos vários países do Mundo, como o sabes: és um deles.”

A N.A.T.O é uma organização onde todos colocamos as nossas maiores esperanças de paz, devemos carregar as nossas “armas” em nossos ombros para a garantir.

As Nações Unidas são um grande organismo, também. Devemos apoiá-lo com todos os nossos esforços, nossos corações e mentes. O objectivo daquela viagem às capitais dos países da N.A.T.O era solidificar a união entre todos os países da organização, uma árdua tarefa, mas que todos os capelães deviam continuar a empenhá-la.

Temos que compartilhar estes fardos juntos. Temos que promover esse entendimento comum, pois só assim estaremos a defender os valores espirituais e não apenas o património e as vidas humanas. Diria mesmo as nossas famílias espirituais e de sangue.

É neste modo de vida em que acreditamos, com base na irmandade dos homens. Temos que utilizar todos os meios ao nosso alcance, incluindo os líderes religiosos para os vincular a esta luta permanente, perante os tempos perigosos que vivemos.

Devemos ter muita fé para que esta nossa missão não fique vazia de sentido, deve ficar complacente. Eles consideravam que a capelania da Marinha Portuguesa estava a fazer um excelente trabalho. Nesse sentido a N.A.T.O deveria ser lembrada e solenizada pela grande obra inspiradora de apelo à liberdade, à verdade e à esperança. A próxima conferência que iram realizar no mês de Outubro, nos Estados Unidos, deveria ser um momento privilegiado, para numa perspectiva tributária da identidade de cada nação, poderem contribuir para revitalizar as energias individuais e colectivas dos vários delegados que constituem esta organização.




Referia o Capelão Correia da Cunha que era bom fazer novos amigos e um prazer ainda maior descobrir que tantos deles estavam nas mesmas batalhas… A experiência dos Capelães que participaram na recente conferência em Haia permitiu descobrir velhos amigos, em grande número que nunca encontravam pessoalmente. Eram amigos de longa data de confiança maravilhosa leal, em todos os aspectos. Independentemente de outros ingredientes misteriosos há a convicção de todos termos interesses e ideais comuns assim como conceitos arraigados que muito contribuem para uma estreita associação com todos os representantes religiosos das marinhas dos países da N.A.T.O.

Ali pode-se sem dúvida fortalecer-se grandes amizades com os nossos irmãos e companheiros capelães que vivem a suas vidas sobre as infindáveis ondas do mar.   

É gratificante sabermos que todos estamos a lutar com os mesmos ideais e valores para alcançarmos objectivos semelhantes, tão dignos e nobres para unir todos os Homens de Boa Vontade e Nações. Foi essa a sensação dos capelães portugueses presentes nessa conferência: de que os dias memoráveis ​​que passaram juntos em Haia, com os seus irmãos capelães, iria produzir não só amizades duradouras, mas que o trabalho de todos em conjunto acabaria por criar raízes e florescer e ajudar a construir um mundo melhor e mais pacífico.



Foi difícil para esta Delegação transmitir por palavras o impacto recebido, na visita ao Paço Episcopal do Campo de Santana em Lisboa, ao Senhor Cardeal Patriarca D. Manuel Cerejeira, tendo sido ali acolhidos com a maior cordialidade e fraterna amizade. Fizeram mesmo todas as instituições da Marinha os possíveis para tornar a visita dos Capelães N.A.T.O, um lugar informativo e muito gratificante.

Encontraram a Capelania Naval Portuguesa numa difícil posição. Esta situação, sobretudo a administrativa, desordenada dos capelães em Portugal, devia-se em parte ao facto de que seu corpo de capelães ser relativamente novo e só agora se estar a afirmar como uma parte integrante da Armada Portuguesa. O chefe dos capelães, o Padre Correia da Cunha muito claramente e com a força que o caracterizava afirmou que a sua presença e discussões com as suas autoridades navais aumentou significativamente seu prestígio e, sem dúvida, contribuirá para uma melhor compreensão entre os capelães e os militares.

O Cardeal Patriarca de Lisboa agradeceu muito a calorosa visita dessa delegação reveladora da importância de Portugal no seio das capelanias da N.A.T.O.


Portugal enviaria dois delegados (Padre Correia da Cunha e Padre João Prestrello de Vasconcelos) para a Conferência a realizar nos Estados Unidos, em Outubro de 1957.















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