quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA – 1ª LIÇÃO - DELICADEZA




















“ A PRIMEIRA ESCOLA DE EDUCAÇÃO É

 A FAMÍLIA…”





Não se apagou ainda na lembrança de quantos o conheceram, a saudade do alto espírito que foi o Padre Correia da Cunha. Nunca será demasiadamente evocada a sua excelsa figura de príncipe do pensamento.

O Padre Correia da Cunha, na sua incomensurável humildade, foi um dos maiores valores intelectuais do clero do Patriarcado de Lisboa.

No ano em que se contará o centenário do seu nascimento e porque entendemos que tal data merece não passar em absoluto silêncio no Patriarcado, na Marinha de Guerra e na Freguesia de São Vicente, deverá realizar-se uma homenagem que pretenda firmar a sua perenidade em busto. Esse tributo de gratidão deverá situar-se na freguesia de São Vicente (Hospital da Marinha e Paróquia de São Vicente de Fora) que este Mestre de Vida verdadeiramente serviu de alma e coração.

A minha convivência próxima com o Padre Correia da Cunha e as muitas «estórias» com ele relacionadas, levaram-me a publicar, em 2015, o livro: CORREIA DA CUNHA – MESTRE DE VIDA (Padre-Marinheiro-Poeta)*, através do qual dei a conhecer o seu carácter, coragem e frontalidade.

Quis a sorte que tivessem caído em minhas mãos, papéis amarelecidos pelo tempo, de alguns rascunhos manuscritos de preparação de lições do mestre Correia da Cunha para os seus alunos marinheiros.

Aqueles papéis trouxeram de imediato memórias, lembranças das suas dissertações junto da juventude da Paróquia de São Vicente. Foram lições que ainda hoje retemos em nossas memórias e que prosseguimos a, divulgar junto dos nossos filhos e netos… Há nestes seus trabalhos uma enorme dedicação, aqueles que eram a causa do seu laborioso trabalho.

Quem não tem ainda presente a imagem do Padre Correia da Cunha debruçado sobre a mesa do cartório paroquial, de caneta em punho, preenchendo linhas e linhas de folhas brancas ?Considero do maior interesse estes achados para dar a conhecer este Mestre de Vida.

É hoje uma graça poder publicar os rascunhos dessas lições. A primeira que transcrevo foi por si intitulada: DELICADEZA.

Estes valiosos escritos dos anos 40 do século passado que coincidem com o final da II Guerra Mundial,( tempo propício a uma vida tranquila), que devem merecer a nossa melhor atenção e sobretudo uma ampla divulgação junto das novas gerações. É um tema muito sério que aponta para princípios morais hoje tão esquecidos.



*Este livro pode ser adquirido na Igreja de São Vicente de Fora ou através do meu email.





DELICADEZA


Noção negativa: Não é o cumprimento estrito do código das boas maneiras, o verniz que à mais pequenina torcidela estala, debaixo do qual, como dizem os franceses - trouvera la bête (encontrar a besta).

É claro: para viver em sociedade – como todos temos de viver, exige-se um mínimo de à vontade na observância de certas regras convencionais – como saber estar à mesa, saber tratar com os devidos títulos a pessoa ou pessoas a quem nos dirigimos, etc…


Mas chamar a isso delicadeza é confundir lamentavelmente o acessório com o principal, é inverter a escala dos valores tomando por virtude as artimanhas ou como na fábula não saber distinguir entre a máscara e a pessoa, com efeito em certos casos bem podemos nós dizer como a raposa da fábula: Bem te conheço, ó mascara!

A delicadeza não é, portanto, o cumprimento estrito do código das boas maneiras. É qualquer coisa de mais sério e mais verdadeiro. É o conjunto de certas qualidades morais que se apoiam necessariamente em sólidos princípios. É como o perfume de muitas flores plantadas no terreno humano e tratadas devidamente pelo que se chama educação.

Convém desde já não confundir entre instrução e educação.

Instruir é ministrar conhecimentos, armazenar ciência.

Educar é guiar (como a palavra indica; e-ducare – levar de para ) Educar é levar o homem a realizar-se plenamente  a ser Homem perfeito como dizer a sair do casulo da sua mesquinhez para transcender no ideal.

E a primeira escola de educação é a família: no regaço das mães se formam os homens – beber chá em pequeno – seguidamente a Igreja dando-nos perfeito conhecimento dos princípios morais que são a seiva das flores da delicadeza.

Ajudando a seiva a desenvolver-se com os meios sobrenaturais e naturais.

Infelizmente a escola de hoje, apesar de todos os esforços, ainda não trabalha eficientemente no sentido de educar – não faz germinar e nem sequer desenvolver nas crianças as qualidades necessárias para se tornar um Homem, não no sentido de animal forte adulto- mas no sentido do seu desenvolvimento tanto físico como espiritual.

Nem deixam que nos Liceus se estudem alguns problemas filosóficos ou que de deem aulas de moral.

Como dizíamos; A Delicadeza é um conjunto de qualidades derivadas de sólidos princípios, é como o perfume de variedade de flores que deviam existir no terreno do coração humano.

Podemos começar a analisar as flores para descermos até à qualidade do terreno ou vice-versa.

Talvez seja melhor começar pelo terreno. De resto delicadeza é um substantivo abstrato – será preferível, portanto, olhar para o homem delicado.
O homem, creio que todos, crentes e não crentes estamos de acordo nisto: O Homem é um ser complexo apesar de uno é uma pessoa, mas com duas partes que se interpõem.

É uma espécie de mistério de unidade (eu sou eu) em que converge e se funde uma dualidade – é um espírito e um corpo.

Nem só é um corpo, nem só é um espirito – é um todo composto das duas partes como disse Pascal: L'homme n'est ni ange ni bête et le malheur veut que qui veut faire l'ange fait la bête.

Pelo corpo o homem sente-se igual a todas as criaturas, pelo espirito o homem sobe às regiões angélicas.

Pelo corpo, o homem médio de 75 Kg valerá, pagando a 15$ o kilo de carne c/osso a módica quantia de 1.125$, pelo espirito, para nós católicos vale só isto: o sangue de Deus.

Daqui se vê e por aqui se mede o valor do homem, pois não se mede aos palmos.

É pelo espirito que o homem se impõe e não pela força, é pela sua grandeza de alma que não pela do corpo.

No entanto esta também tem o seu valor. O que é preciso, porém, é dar-lhe o devido lugar na escala dos valores e não inverter essa escala sobrepondo o animal ao espiritual. E infelizmente é hoje em dia moda aplaudir freneticamente o bruto que mata com um murro o adversário e desconhecer até a existência dos valores espirituais.

E, todavia, é mil vezes maior o grumete que sacrificadamente se abstém de roubar 1.000$ que alguém esqueceu no camarote, que o selvagem capaz de pôr outro K.O.

Isto não quer dizer insisto que o corpo não tenha valor, mas o valor do homem reside fundamentalmente no espírito.

Mas não percamos o fio à meada o homem é o vértice da criação suprema expressão da matéria, a ponto de se considerar o microcosmo e participante do mundo espiritual, é o ponto de convergência destes dois mundos.

A educação, portanto, tem de fazer -se no sentido de aperfeiçoar um e outro.

Reparem que eu disse - tem de fazer -se propositadamente. É que o homem no século XIX - um escritor Rosseau que nos trouxe a teoria muito romântica, mas inteiramente falsa de como o homem nasce bom, mas a sociedade é que o corrompe já passou de moda.

Nós portugueses é que andamos ainda embebidos dessa doutrina.

Mas basta a simples observação diária para nos mostrar o contrário. O homem faz-se, realiza-se …

De natureza somos indiciados para o mal, somos egoístas, logo de pequenos, não há maiores tiranos, ditadores que os bebés: - É meu! Parece ser a primeira frase que lhes sai da boca. Não quero, não dou, não faço, bater o pé, chorar, rabujar, enquanto se não tem o que se pretende.

Mentir – Roubar – Ter inconveniências- desobedecer são características de toda a infância.


Pela vida fora, mais tarde quando se começa a ser e até à morte: a preguiça para o trabalho, a vida de imoralidade o tremendo drama entre o bem e o mal em todas as suas manifestações – a luta entre o dever e o egoísmo, tudo, numa palavra, nos mostra que por natureza somos indiciados do mal.






Se assim é, e não há dúvida, educar é conduzir pelos caminhos da luta ao triunfo da vitória.

E a delicadeza será a beleza das flores não frígidas, artificiais, mas verdadeiras, que crescem viçosas nos jardins do lutador e espalham em redor o seu perfume.

Quais são, pois, essas flores?

- A verdade, a sinceridade, a franqueza, o respeito, a obediência, o espírito de sacrifício e a caridade.

No fundo a caridade é tudo.

Caridade é amor e o amor só pode ter-se à verdade, só o amor pode conduzir à franqueza e sinceridade e só o amor pode levar ao respeito e à obediência e exigir sacrifícios.

Explicar: sendo inclinados à mestria, à importunice que é uma defesa do nosso egoísmo é preciso amar a verdade para a sobrepor às nossas conveniências – consequentemente só esse amor nos pode levar a sermos sinceros e francos.

No que toca ao respeito e à obediência é claro que só o amor de ordem da autoridade e dos seus representantes como tais, nos fará respeitar e acatar os nossos superiores ou a disciplina.

Não será preciso explicar como só o amor explica o sacrifício. E para que a nossa personalidade possa espargir o seu perfume, irradiar a sua beleza para com os nossos superiores, é preciso também o amor que se traduz em respeito e em carinho à nossa volta é amizade sã e não falsa camaradagem como veremos.

Bastaria isto para que ficássemos a saber o que é a delicadeza e a praticarmos. No entanto é necessário agora por toda esta doutrina em acção – para que não fiquemos também em abstrato como abstrato é o conceito da delicadeza.

O homem para se realizar precisa de tudo: do mundo material e do mundo espiritual, explicar a existência de Deus. Tudo coopera no homem e tudo se humaniza no homem. A criação sobe, Deus desce.

Não sei se sabem que a mais moderna astronomia coloca a terra como centro do universo sideral – Mera hipótese é verdade, mas que tem aqui pleno símbolo da dignidade humana, pois sendo a terra o centro o homem é o centro da terra.

A delicadeza do homem, portanto será a prática da virtude de religião, no sentido etimológico ligação ou relação prática  das relações com Deus e com as criaturas.

Vejamos, pois, cada um destes aspectos:

Relações com Deus

Relações com as criaturas

Os primeiros fazem parte do que se chama propriamente Religião. Não quero de propósito aqui tratar o assunto.

No entanto não passarei sem algumas observações:

Todo o homem é essencialmente um ser religioso. Se algum não concordar com esta máxima diga.

Por consequência deve em primeiro lugar ser delicado para com Deus. Amando-o - e como ser superior que é desfrutando -o acatando as suas ordens e o que é mais cumprindo-as.

Não sei que haja entre os meus amigos algum não católico, mas se houver aqui ficam umas normas de delicadeza a usar em casos especiais, por exemplo:

 - Fulano, não católico, por qualquer circunstância, supúnhamos por uma questão diplomática, amizade - é convidado a assistir a uma cerimónia católica, ou não aceita ou tendo aceitado procura estar com a atenção e respeito devido ao Deus que ali se venera, quanto mais não seja pela amizade dedicada a quem o convidou ou pela consideração que lhe merecem as pessoas, o lugar e a cerimónia.

Eu sei que esta observação é descabida mas como tudo pode acontecer vale mais prevenir que remediar.

Não se vá dar o caso de não se ir ao casamento de um amigo pela simples razão de não ser católico.

Segunda observação para as pessoas que estiverem em idêntica posição de não católicos, não discutir aereamente coisas que se desconhecem. É claro que nem sequer se pensa em recomendações de delicadeza a quem só pretende ridicularizar ou fazer ironia daquilo que os outros têm por sagrado. Não pode de modo algum ser delicado quem não tiver o respeito devido pelas convicções alheias e a caridade, que se traduz em espírito de compreensão, tolerância ou como lhe queiram chamar, para com as pessoas que tem tais convicções. É a maior prova de má criação e eu diria de intolerância e fanatismo ridicularizar sordidamente a fé seja de quem for: protestante, feiticista etc.

É até uma cobardia porque refugiando-se debaixo do escudo de uma ironia ou blasfema fácil, evitam o estudo sério do problema.

Falamos de relações em que se põe à prova a delicadeza.

Relações com as criaturas:

Temos de dividir este aspecto em dois pontos.

- para com os homens semelhantes connosco.
- para com os outros seres.


Nos homens há a considerar classes; três muito numerosas e outra individual - a saber:






Os nossos superiores, os nossos iguais e os nossos subordinados (reparem que não digo inferiores…). Os superiores são todos aqueles que por natureza das suas funções estão na hierarquia social acima de nós – os nossos pais e parentes na genealogia ascendente, os nossos mestres e educadores e todos os a que estamos subordinados na sociedade civil ou militar.

Não esquecer que os velhos, os doentes e as mulheres precisamente pela sua fraqueza são considerados também nossos superiores, respectivamente pela idade e especialmente pelo sacrifício e pela qualidade de representantes naturais daquela cujo seio foi plasmada o nosso ser.

Para com todos estes a caridade ou amor que se traduz em verdade sincera franqueza, respeito, dessa lealdade aberta acatamento e obediência, em sacrifício generoso, numa palavra a delicadeza é o dever daquele que não quer maldizer que quer ser delicado.

A todos estes não se pode mentir nem roubar, seja o que for, e há coisa que se rouba com tanta facilidade é o seu bom nome a sua fama. Não se lhes deve apreciar de ânimo leve as suas acções, ou as suas palavras. Criticar tem dois sentidos: Censurar destruindo, escandalizando e comentar observando caritativamente o que há de bom ou de mau, exemplo: Saber desculpar ou mesmo encobrir é norma da caridade, raiz de toda a delicadeza. E quando se imponha qualquer observação (supúnhamos o caso de ser prejudicial a atitude ou acção do superior), fazê-la respeitosamente não na praça publica, mas directamente ao interessado. Por duas razões:

- …Quem está de cima, não faz ou ordena o mal por má intenção geralmente, pois não há-de querer sair do lugar que ocupa – filho és pai serás.

Acatar e obedecer primeiro porque lhes devemos caridade, amor e respeito, segundo porque estão constituídos em autoridade, terceiro por que desrespeitar essa autoridade é induzir os outros a não respeitarem a nossa a de que estamos investidos.

Falemos agora dos nossos subordinados. Já dissemos que os homens se moldam pelo valor ou quilate do seu espirito. A posição que ocupam na escala social é de somenos importância. Além disso, todos são nossos iguais na identidade da natureza humana. Isto devia bastar para os respeitarmos e amarmos. A maior prova da nossa delicadeza para com os nossos subordinados, será trata-los como filhos de Deus. Talvez mais dignos e merecedores que nós e se quisermos ver o assunto sob o aspecto verdadeiramente cristãos trata-los, como se fossem um disfarce de Nosso Senhor Jesus Cristo, caridade para os ajudar, aconselhar e ensinar, caridade para os estimular com prémios e corrigir com castigos, nisto , porém, praticar a justiça que é tão difícil, quantos enganos e precipitações que revoltam!

Caridade que é interesse pelas suas necessidades e carinho pelas suas pessoas e famílias.

No que diz respeito à linguagem não os tratar nunca como cães.

São humanos, às vezes sacrificados, que não tiveram a dita que nós temos. Tratar por tu…cuidado.

Não esquecer o valor da sua função social. O navio precisa de um comandante mas também precisa do moço da botica, do mais humilde grumete, a sociedade é como um edifício, alicerces e cúpula.

Se queres conhecer o vilão mete-lhe a vara na mão. Nas doenças…

As ordens como se devem dar.

Delicadeza para connosco, no que diz respeito ao corpo.

1º - Higiene, limpeza

       O nosso corpo é Santuário
       A Igreja baptiza, o crisma -  pois na brancura o nosso Deus vive        
       e nós pela graça como píxide, como sacrário.

2º - Educação física e desportos regrados, com indicação médica.

3º- Respeito e amar-nos, nos expondo temerária e imprudentemente as bênçãos ou à morte. Foi-nos dada por Deus . Temos que lhe dar contas dele.
Questão sexual a tratar à parte.

Mas não poupar também quando e sempre que for necessário ou simplesmente útil ao nosso ideal de nos aperfeiçoarmos e de ajudar os outros.
Resta o problema ou melhor a questão sexual.

Não os quero frades, nem celibatários.

É vocação reservada a poucos.

Quero-os homens, viris, valorosos capazes de vencer neste combate em que quase todos caímos.

Amor no sentido genético.

O sexo o que é suas funções – a natureza e finalidade.

A procriação e a sua grandeza.

Santos para o Céu, heróis para a terra, nobre missão de pensar o céu e a terra.

Homem e mulher completam-se e destinam-se a fundar a instituição que é a base dom mundo, as três pedras sobre que assenta o edifício social, o berço de toda a vida humana.

A mulher é a nossa mãe, a nossa esposa, a nossa irmã, a nossa filha acompanha-nos em todos os momentos de vida e Amor nobre que é dedicação e respeito.

Não nos consideremos simples animais – ou menos que isso- aberrações- satisfação brutal – saciedade repugnância.

Ao maior prazer corresponde a maior apatia em que o porco ronca depois ao lado de uma pessoa que pela sensibilidade natural sente a fome de um caminho, de uma ternura de um apoio mural.

Castidade virtude dos fortes dos que se venceram no instinto animal.

Respeito pelo seu corpo e pelo dos outros – bocas – canos de esgoto, ouvidos cloacas.

Aquela prostituta é uma pia pública – higiene – limpeza etc…

Esquema

Noção negativa – verniz exterior espantalho sem alma se, se limita ao estrito cumprimento do código das boas maneiras de viver em sociedade.

É qualquer coisa de mais íntimo – conjunto vivo de qualidades, morais que desabrocham naturalmente de sólidos princípios perfume de flores tratadas pela educação (Não confundir instrução com educação)

Natureza da educação: onde se recebe. Se a delicadeza é esse ramalhete de flores que esparge o seu perfume e irradia a sua beleza, não podemos esquecer que as flores devem estar plantada no terreno.

Todo o homem como todo o terreno só tem valor enquanto é jardim.
O que é o Homem? Natureza do terreno.

Alma que se serve de um corpo – perfeição da máquina… perfeição maior do espirito.

A posição do homem entre dois mundos.

Trabalho da educação – Primeiro arrancar as más ervas- a principal é o egoísmo depois semear: a caridade de onde germinam virtude, exige virilidade, força.

Todas as outras virtudes: o amor à verdade, à sinceridade, lealdade e franqueza – o amor ao próximo: respeito, obediência espírito de sacrifício.
Postos estes princípios a respeito do homem resta acrescentar e frisar os aspectos sociais e cósmicos da vida do homem.

O homem é um ser – existe – é um facto - por esse lado está ligado a tudo o que existe – esta ligação com o mundo espiritual.

Religião é com o material delicadeza fundada, alicerçada nas virtudes indicadas.


















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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA - CENTENÁRIO DO NASCIMENTO










PRIMEIRO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO PADRE CORREIA DA CUNHA











É com uma saudosa emoção que inicio este primeiro texto do ano de 2017, ano em que se celebram os 100 anos do nascimento do Padre Correia da Cunha (24 de Setembro 1917 – 2 de Abril de 1977). Mais do que um grande Mestre de Vida, Correia da Cunha foi padre, marinheiro e poeta.

É comum afirmar-se que somos um povo saudosista e sentimental, debruçado sempre sobre as heróicas glórias de um passado longínquo. Este falso e deprimente conceito tem contribuído para que haja um grande receio e timidez em homenagearmos os grandes vultos com quem tivemos a felicidade de conviver, mesmo que isso se torne justo e necessário.

Falar das grandes figuras é praticar um acto de justiça, para relembrar perante as novas gerações os mais elevados valores daqueles que mesmo depois da sua morte deixaram indeléveis marcas e que seguem sendo faróis para muitos de nós, pois apontam no sentido do amor a Deus e do bem ao nosso semelhante.

É com base nestes princípios, e na herança enriquecedora do seu imenso património literário e artístico, que um grupo de amigos do Padre Correia da Cunha se quer constituir em Comissão para lhe prestar uma merecida homenagem no ano em que se comemoram 100 anos do seu nascimento. Àqueles que acolheram, de modo grato, generoso e dedicado, esta ideia, estou certo que o fizeram atendendo à inolvidável memória que todos temos desta inesquecível figura do clero de Lisboa. É propósito de todos que ela continue a iluminar as novas gerações.  

A Comissão, a constituir para o efeito, apresentará um programa de um ciclo comemorativo, onde constarão várias cerimónias, alguns actos cívicos e um conjunto de homenagens que darão o tom do nosso respeito e gratidão por uma figura que tanto fez em prol da sua Comunidade de São Vicente de Fora.

O seu carácter de fina tempera a sua inexcedível veneração a Jesus Cristo, a sua personalidade como poeta e a sua alma de verdadeiro marinheiro explicam a razão de ser de uma homenagem em memória do Padre José Correia da Cunha.




A mãe natureza foi grata para com o Padre Correia da Cunha, pois nele foram acumulados faculdades e dons, tão variados e tão raros, que bastavam para enriquecer todos os que tiveram o privilégio de com ele conviver. Era um homem que pelo seu exemplo animava, pela sua energia de palavra dava coragem…em todas as organizações a que esteve ligado.

Estamos convictos que poderemos contar com o apoio incondicional do Patriarcado de Lisboa, do Ministério da Defesa, da Câmara Municipal de Lisboa, da Junta de Freguesia de São Vicente, dos Lions Clube Lisboa Mater e da Fundação Calouste Gulbenkian, entre outras onde o Padre Correia da Cunha serviu.

A sua amada Cidade, assim como as organizações com as quais colaborou, com certeza, reconhecem o muito que o Padre Correia da Cunha fez em prol da juventude da Armada, Exército e da Paróquia de São Vicente de Fora. 


O padre Correia da Cunha para além de zeloso pároco de São Vicente de Fora - acolhia e dispensava um especial afecto ao fluxo de milhares de mulheres e homens que se deslocavam da Beira Serra à procura de um trabalho digno e de melhores condições de vida na cidade. O carinho com que cultivava amizades entre as gentes da Beira Serra mereceu por parte dessa gente um enorme respeito. Particular atenção lhe merecia a formação dos filhos dessa gente. Era o principal impulsionador na realização de encontros de regionalismo das comarcas de Arganil, Pampilhosa da Serra, Góis, Oliveira do Hospital… no Mosteiro de São Vicente de Fora.

Não só estas instituições, como todos os seus amigos, podem agora deixar em pedra de arte um tributo em memória deste capelão na área da freguesia de São Vicente. Contamos com os vossos contributos.


FELIZ ANO 2017






















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