segunda-feira, 24 de outubro de 2011

PE. CORREIA DA CUNHA E SINTRA


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‘’ A GLORIOUS EDEN “



O Padre Correia da Cunha era um homem simples, que nutria uma enorme paixão e adoração pela cidade que o viu nascer - LISBOA.

Para além desta feiticeira do Tejo, havia três sítios “ místicos’’ que muito o fascinavam: a sua Praia das Avencas, a Serra da Arrábida e a Serra de Sintra.

Já aqui falamos da Arrábida e da Praia das Avencas. Hoje traçaremos um quadro das belezas da sua amada Sintra. Não é tarefa fácil pois nem o maior pintor paisagista com as suas mais ricas fantasias será capaz de colocar numa tela todas as belezas e encantos indescritíveis da realidade que é essa jóia bem portuguesa.

A natureza ali oferece um tão variado panorama, que é quase impossível descreve-lo.



De resto, só o Padre Correia da Cunha, pela sua apurada sensibilidade e paixão, conseguia uma perfeita descrição daquela arte e realidade viva que era a sua querida Sintra.

Também não lhe faltava tempo para nos falar da desventurada história de D. Afonso VI, que acabou os seus dias numa pequena sala do Palácio, que lhe serviu de prisão. O pavimento estava gasto dos pés do infeliz Rei, do seu incessante caminhar de um lado para o outro, e sempre na mesma linha, durante os sete anos que ali viveu.

Ao escrever hoje sobre Sintra, chega ao meu pensamento um sentimento de pesar pois acode-me à memória os bons tempos vividos e passados com este saudoso amigo, Padre Correia da Cunha e companheiros, por essas singulares e inconfundíveis paisagens da sempre bela Serra de Sintra.


O seu grande coração, no convívio com os amigos, abria-se tal como a harmoniosa natureza que envolve esta encantadora vila, que certamente tanto terá ainda por descobrir.
Creio que o Padre Correia da Cunha sentia um duplo prazer, sempre que visitava este local, como se fora a primeira vez que o contemplava este verdadeiro tesouro da natureza. Quando a começava a deslumbrar ainda ao longe e quando se perdia nos seus cerrados bosques.



Em busca de alguns momentos de alívio, para o imenso e persistente calor, do verão em Lisboa, que quase o torturava, o Padre Correia da Cunha dava sempre que podia, longos passeios pela mística Serra de Sintra. A extraordinária situação geográfica deste encantador lugar e a proximidade ao Oceano Atlântico faziam com que o ar fosse mais saudável, puro e fresco.



Como referia o Padre Correia da Cunha, Sintra era um capricho da Mãe Natureza que deve ter tido origem em qualquer violenta transformação da superfície terrestre ou de um parto do genuíno amor da Criação Divina!


O seu aspecto virginal e romântico que nos deixava tomar de surpresa em surpresa pelo seu conjunto de colinas e vales, era para nós como acariciar, com suavidade suprema, a beleza da perfeição de um corpo feminino.


Estes maravilhosos passeios com o Padre Correia da Cunha eram longas caminhadas, através de verdejantes matas fechadas, sob a folhagem densa de tantas e belas centenárias arvores.
Atingido o ponto mais alto da Serra, admirávamos as casas palacianas de Sintra agrupadas diante de nós. A vila era na época o ponto de veraneio de muitas famílias da classe abastada
e de grande parte dos representantes do Corpo Diplomático acreditado no nosso país.

Estas tardes passadas em Sintra na companhia do Padre Correia da Cunha e dos amigos companheiros eram de uma enorme e inesquecível beleza.


Ainda hoje certamente muitos dos que acompanhavam o reverendo, recordam os seus belos jardins vestidos com magnificência de variadíssimas árvores e flores, os seus mirantes donde se avistavam enormes paisagens com uma multiplicidade de cores, originadas pelo reflexo do Sol crepuscular.

Não era sem custo que o Padre Correia da Cunha se despedia deste paraíso onde os seus olhos se deleitavam com a majestosa beleza que ele tanto admirava e apreciava.


Como se compreenderá ainda hoje é impossível apagar das nossas memórias estes passeios aos recantos da Serra de Sintra, pelas fortes impressões que deixou gravadas nas nossas vidas.

É destas belezas e encantos que ficaram indeléveis nas nossas lembranças que sentimos a necessidade de com muita saudade mas também imenso prazer, transmitir sobre um rincão que o Padre Correia da Cunha seleccionava para um contacto mais a sós com o Criador. Aproveitamos para convidar-vos a que revisitem Sintra, um local, onde os olhos, em perfeita liberdade, procuram um sítio agradável e fresco para descansarem.

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terça-feira, 11 de outubro de 2011

PE CORREIA DA CUNHA E O DR. CARNEIRO MESQUITA









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DR. CARNEIRO MESQUITA



‘’…DO BARRO VIEMOS, AO BARRO VOLTAREMOS. ‘’



O Padre Correia da Cunha frequentou com elevado brilho o Seminário Maior dos Olivais, o qual lhe proporcionou uma bem alicerçada preparação para a sua futura vida eclesiástica. Ali recebeu as luzes das ciências teológicas, litúrgicas e da pastoral cristã, ferramentas indispensáveis para o exercício do seu múnus sacerdotal. Os saberes transmitidos pelos seus mestres enriqueceram o seu manancial espiritual e humanístico.


Também os paroquianos de São Vicente de Fora foram muito ajudados pela mestria do Padre Correia da Cunha. Foi dele que herdamos a sua magnífica prática no ensino da doutrina da Igreja e a sabedoria para interpretarmos os problemas da sociedade contemporânea à luz dos Evangelhos.


O Padre Correia da Cunha não resistia à tentação de falar do Seminário de Cristo Rei, sem evocar o seu grande e inesquecível mestre Mons. Pereira dos Reis, pela sua dedicação aos alunos e competência no domínio da psico-pedagogia educacional que ficariam para sempre gravadas na sua memória. Esta enorme figura sempre lhe mereceu um grande respeito e uma especial veneração.


Padre Correia da Cunha e Cónego Honorato Monteiro













Mas também houve outra grande e memorável sumidade, que mereceu uma profunda admiração por parte do Padre Correia da Cunha. Era deão da Sé Patriarcal de Lisboa, prestigioso membro do clero do Patriarcado de Lisboa e secretário privativo do Cardeal D. Manuel II Cerejeira. Mons. Dr. Carneiro Mesquita (1880-1962) era um ‘’familiar’’ para o jovem presbítero.




O Padre Correia da Cunha lia muito e gostava de reflectir e abordar com este arcediago todos os temas relacionados com o pensamento filosófico e teológico, versus doutrina social da Igreja. O Dr. Carneiro Mesquita e o Pe. Correia da Cunha eram dois eloquentes pensadores católicos. Tinham em comum, como amigos, os mais reputados teólogos e filósofos que eram fontes de inspiração importante para a cultura cristã e intelectual daquela época. Creio ser de elementar justiça lembrar aqui, Mons. Dr. Carneiro Mesquita cuja memória, se mantém viva no coração de muitos que usufruíram da sua estima e amizade e que continua perpetuada na Fundação, com o seu nome, na terra que ele tanto amava; Fontes – Santa Marta de Penaguião.



O Mons. Dr. Carneiro Mesquita fez o curso teológico no Seminário de Lamego. Doutorou-se em direito pela Universidade de Coimbra. Prelado doméstico do Papa foi elevado a protonotário apostólico, distinção das mais altas concedidas pela Santa Sé e que significou a exaltação das virtudes do ilustre sacerdote, que tão notáveis serviços prestou à causa da Igreja e em vários sectores da vida nacional.







Quero hoje trazer à memória aquele dia, na companhia de Padre Correia da Cunha, no seu carro mini, em que ele se lembrou de fazer um profundo pensamento sobre a humildade que era a qualidade que mais venerava nas pessoas. Dizia ele: Humilde é aquele que enxerga todos à sua volta como seres iguais e merecedores de felicidade. A verdadeira humildade deixa o homem mais confiante. Só quem tem plena consciência dos seus valores não precisa de actos de demonstração de poder e exibicionismo, pois conhece a importância da sua contribuição para uma situação seja ela qual for. E sem dúvidas o meu saudoso amigo Dr. Carneiro Mesquita preenchia todos estes dotes.


Para o Padre Correia da Cunha não era casualidade que a palavra humildade viesse do latim, humilis, que por sua vez está ligado ao radical húmus. O que é húmus ? – Terra fértil. Afinal de contas, não somos todos feitos da mesma coisa? – ‘’do barro viemos, ao barro voltaremos. ‘’PCC



Mons. Carneiro Mesquita era um homem humilde, bondoso e com largo espírito de altruísmo, respeitado e estimado por todos os fieis do Patriarcado de Lisboa. Pelas suas tarefas, convivia diariamente com o Cardeal Patriarca, que era um diplomata, rigoroso, firme e profundo nas suas seguras directrizes para responder aos problemas essenciais do Patriarcado de Lisboa.







Confidenciou-me Padre Correia da Cunha que o Cardeal Patriarca D. Manuel II, Cerejeira se notabilizava na teimosia das posições tomadas.

No Paço Patriarcal havia um só homem, de hipersensibilidade a que se juntava uma inteligência extraordinariamente lúcida, que conseguia fazer recuar Sua Eminência em algumas das suas implacáveis determinações que não eram acolhidas com bom aprazimento pela comunidade: Era o Dr. Carneiro Mesquita.








Padre Correia da Cunha conhecia o segredo do Dr. Carneiro Mesquita. Não era a intelecto, nem a perspicácia… era simplesmente a humildade. Dr. Carneiro Mesquita tinha a cultura da verdadeira e sincera humildade que sempre colocou nos seus mais elevados valores.


Como também já referi Padre Correia da Cunha era puro, simples e humilde com um total desprendimento das honras e títulos terrenos.


Mas é curioso, a ambos fora atribuídas condecorações nacionais, como recompensa do mérito e dos serviços prestados à comunidade. O Dr. Alberto Carneiro Mesquita com o grau de comendador da Ordem de Cristo e Oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul. O Pe. Correia da Cunha com as insígnias de comendador da Ordem de Cristo e oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul. Estas honras nacionais foram certamente entendidas como uma gratidão do país pela riqueza dos dons de Deus a estes dois sacerdotes de inteligência poderosa, profunda e de uma enorme sensibilidade e apurado gosto pelas várias artes. Não seria o reconhecimento das suas humildades?


Também nos ofícios fúnebres de ambos não faltaram muitas individualidades de várias categorias sociais e inúmeras pessoas das classes pobres a quem ambos ao longo das suas vidas protegeram.


O Dr. Alberto Carneiro de Mesquita deixou testamentalmente, que à sua terra amada - Fontes, as suas propriedades e bens fossem entregues a uma Fundação que continuasse a distribuir apoio ás famílias carenciadas. Como era de família abastada repartiu pelos pobres aquilo que lhe pertenceu.


Mas Padre Correia da Cunha, oriundo de família modesta não é qualquer um. Deveria ser homenageado com o seu nome de rua, na Freguesia de São Vicente de Fora. Bairro onde tanto trabalhou em prol da comunidade e onde tanta consideração e apreço recebia dos mais humildes da freguesia.


Na toponímica deveria constar: PE. JOSE CORREIA DA CUNHA – 1917-1977 - MESTRE DE VIDA.





















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sábado, 1 de outubro de 2011

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA

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Os amigos que partiram…
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IN MEMORIAM

MARIA NATALIA SALES OLIVEIRA

1951-2011






MARIA NATALIA DA SILVA ALVES SALES DE OLIVEIRA (1951-2011), natural de Lisboa nasceu no dia 6 de Julho 1951. Na simplicidade e humildade do seu rosto, ela procurava esconder, na sobriedade, a evidência que o seu espírito superior, admiravelmente conquistava nos grupos dos seus amigos da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.

Alma nobre, trazia a verdadeira alegria no semblante calmo de criatura nascida para defender e empenhar-se nas causas justas. Manifestava-se sempre disponível para ajudar e atender às necessidades dos mais carenciados.

Natália Oliveira era discreta. Sentia-se qualquer coisa de sentimental nas suas atitudes, que nos lembrava ser património adquirido dos seus bondosos pais, Maria Agostinha da Silva e Armando das Neves Alves (F2009), cristãos muito fervorosos na sua fé e incansáveis militantes das Conferências de São Vicente de Paulo, da Paróquia de São Vicente de Fora.

Natália Oliveira merece ser recordada pelo seu empenho nas actividades que desenvolveu com total paixão e generosa dedicação na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, como Catequista e mais tarde Fundadora do Grupo de Jovens OBJECTIVO, nos anos sessenta.

Em Junho de 2010, exprimia assim o seu testemunho, sobre esse grupo que tinha como divisa: ‘’Construir uma Comunidade mais Justa, Fraterna e Humana. ‘’

‘’Eu sou a Natália Oliveira. Uma das fundadoras do Grupo de Jovens OBJECTIVO. Fiquei emocionada com a referência e com a lembrança do saudoso amigo Pe. José Correia da Cunha (Prior de São Vicente de Fora – 1960-1977). Aquele período marcou-me muito e apesar da vida nos ter levado por caminhos diversos nunca esquecemos os bons amigos daquela época. Espero que estejam todos bem! Ainda me lembro bem de todos. Saudades e Beijos da Natália ’’

Recordo a paixão da Jovem Natália Oliveira e de outros Jovens do Grupo OBJECTIVO no fomento do conhecimento. Realizavam Cursos de Alfabetização, que funcionavam no final do dia, nas salas do Mosteiro de São Vicente de Fora, para ajudarem a promoção e mudança de vida de muitos paroquianos iletrados.

Segundo a sabedoria da generosa Juventude da época, só com este empenho do voluntariado pessoal se poderia instaurar uma sociedade mais justa, fraterna e humana.


É mais que merecida esta sentida Homenagem a Natália Sales Oliveira, em nome de todos os amigos do grande mestre Padre Correia da Cunha. Este sempre nos lembrava que o Amor ultrapassa todas as fronteiras e ninguém morre enquanto permanecer gravado na história do coração dos seus amigos. Natália bem o sabia!!!
 

Foi há dias, precisamente a 24 de Setembro de 2011 que Natália Oliveira nos deixou privados da sua querida e amável presença física.


Fica-nos a sua memória, ela foi repousar na Glória de Deus. Hoje, junto do Pai e de seu grande amigo Pe. Correia da Cunha e dos seus familiares, estarão à nossa espera. Entretanto, a Natália Oliveira continuará interceder por todos nós, que não queremos nem podemos esquecer a sua lembrança tão rica em carinho e verdadeira amizade.

Natália Oliveira possuía um brilho especial que lhe permitia facilmente granjear uma legião de admiradores e amigos. Esse brilho continuará a iluminar todos os seus amigos do coração, na busca da sociedade mais justa, fraterna e humana.

Deixo para comentário, de muitos seus amigos vivos, que com Natália Oliveira percorram sacrossantos destinos na procura do crescer de dentro para fora, em comunidade. Como referia Rui Aço, co-fundador do OBJECTIVO, todos temos ainda o OBJECTIVO como objectivo de vida!


São Vicente guarda-a em seu coração! Deixou em todos muitas saudades.



RECEBEI, SENHOR, NO REINO DOS JUSTOS ESTA NOSSA IRMÃ!
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