quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

ANITA 28 ANOS DE DOCE SAUDADE

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As flores são para si!
27 Janeiro 1982 - 27 Janeiro 2010


Anita é memória sempre viva na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora. Com certeza que deixou muitas saudades em todos que tiveram o privilégio de conviver com ela. Mas é uma saudade doce, pois todos sabemos que tudo o que ela queria e ansiava era: ter a paz e amor eterno do seu Deus, a quem fielmente serviu.

Para Anita a morte não era o fim de tudo. Ela não era senão o fim de uma coisa e o começo de outra. A sua alma tinha sede do absoluto e o absoluto não era deste mundo.

Queremos agradecer do coração, à Anita, que de alguma forma fez parte de muitas vivências e experiências das crianças, adolescentes e jovens da Paróquia de São Vicente de Fora.

Queremos agradecer sinceramente os muitos sábios ensinamentos bem com as inolvidáveis experiências partilhadas, que em tanto enriqueceram as nossas vidas, apoiando-nos e incentivando-nos a prosseguirmos no amor a Deus e ao próximo.

Incansável na entrega ao serviço do seu pároco, Padre Correia da Cunha, como uma grande apostola da catequese sempre a víamos com a grande defensora do que era justo e correcto. Possuía um coração maior do que ela mesma.

Zelosa e verdadeira no seu jeito de tratar todas as pessoas, o que é facto é que todos percebíamos, que através do olhar e das suas atitudes, ela era confiante e extremamente fiel seus sólidos princípios cristãos.

Naturalmente conseguia encantar a todos com a sua personalidade, única e sempre com uma sensatez admirável.
Somos felizes, abençoados e privilegiados por havermos tido a possibilidade de conhecer uma alma tão generosa, sensível e bela como a sua. Eternamente gratos por termos vivido ao lado de uma mulher incomparável e inesquecível.

As flores são para si!





Os amigos que partiram…
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Publicado em 20 de Março 2009 - Ala dos Amigos de Padre Correia da Cunha
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E O PADROEIRO

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Ínclito mártir… Padroeiro do Patriarcado de Lisboa



Na Comunidade de São Vicente de Fora, o dia de São Vicente era feriado paroquial.


Pe. Correia da Cunha, no dia 22 de Janeiro de cada ano, efectivava grandes festas litúrgicas em honra de São Vicente Mártir. As suas homilias realçavam os grandes exemplos de coragem deste jovem no testemunho da fé em Cristo, que continuavam válidos para os jovens cristãos do final do Séc. XX. São Vicente defendeu o Evangelho e a verdade cristã até às ultimas consequências (não fugiu com o rabo à seringa como referia Padre Correia da Cunha), derramando o seu sangue por amor a Jesus Cristo. Era um modelo de vida.

Padre Correia da Cunha sempre nos ensinou a viver a verdade e a humildade nas nossas relações humanas e a praticarmos a solidariedade com o nosso próximo para que pudéssemos usufruirmos da verdadeira liberdade e do amor filial de Deus.


Padre Correia da Cunha sabia que São Vicente continuava a velar pela sua Comunidade Paroquial e particularmente pelos os jovens, ajudando-os no seu crescimento enquanto instrumentos de humanidade e empenhados num generoso serviço à comunidade. Estes contribuíam assim para tornar a nossa sociedade mais humana, justa e fraterna.


Desde a primeira hora, em que sentimos a necessidade de proceder a uma Justa e Merecida Homenagem ao nosso saudoso Pároco, o Dr. Raimundo Serrão (um dos seus afeiçoados discípulos) disponibilizou a sua arrebatadora arte com o intuito de servir a causa. À semelhança do ano passado, aqui deixo alguma dessa arte publicada na sua maravilhosa monografia a São Vicente, editada no ano de 2004.

…/…

Tentaram-no em vão. Não conseguiram.
Não era deste mundo um tal vigor.
Para Santo Agostinho foi milagre
Ultrapassar assim tamanha dor.

Guardaste as Escrituras que estudaste
Não as lançasse ao fogo iniquamente
Aquele Daciano que as tentava
Trocar por vida inocente.

O louco então mandou deitar o Santo
Numa cama de ferro incandescente
Com brasas repartidas sobre o corpo
E sal, sobre as feridas, inclemente.

Vicente olhava o Céu tranquilamente
Perante a colectiva admiração
E o louco pagão nada mais fez
Que mandá-lo para lúgubre prisão.

Uma luz que provinha das Alturas
Se derramou então sobre Vicente
Que sem qualquer vestígio das torturas
Deitou suave aroma de repente.

Aquele espaço escuso e medonho
Tornou-se um recanto angelical.
Nem os guardas deixaram de sentir
A força do Além celestial.

E Daciano deu estranha ordem:
O Santo em leito brando dormiria.
Mal seu corpo, porém, ali foi posto,
Sua alma pura aos Céus se elevaria.

Furibundo, o pagão abominável
Quis o corpo p’ró pântano arrastado
A fim de ser comido pelas feras,
Mas foi por belos corvos bem guardado.

Lançaram-no então ao mar profundo
Para evitar dos fiéis a piedade,
Mas o Senhor à praia quis levá-lo,
Sendo por almas boas sepultado.


Versos dedicados a um dos mais brilhantes e cultos clérigos do Patriarcado de Lisboa do seu tempo, Padre Correia da Cunha.

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E OS COMPORTAMENTOS

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‘’Viver a caridade na vida quotidiana e ter um coração grande é a mais bela das orações…’’ Pe. Correia da Cunha







Durante o muito tempo que convivi e acompanhei Padre Correia da Cunha, não me lembro de ele ter sido um pregador de muitos legalismos ou de acusar alguma vez comportamentos humanos. Lembro-me, porém, de se acusar todos os dias de ser pecador e de servir uma igreja pecadora. No cânon da eucaristia onde estava escrito: ‘’ oremos pela Santa Igreja…’’ Padre Correia da Cunha improvisava logo: “oremos por esta Igreja pecadora”.

Sempre tive muitas dúvidas sobre aqueles que acusam os outros sem reconhecerem que antes de acusar, a razão da acusação pode estar neles mesmos.

Creio que um dos seus grandes e sábios segredos era o de não condenar, mas antes o de apontar caminhos indulgentes, que cada um, dentro da sua Santa Liberdade de filho de Deus pudesse optar…tudo era permitido desde que o amor e o respeito da dignidade de filho de Deus do próximo imperasse.

Jesus Cristo não foi condenando a desventurada prostituta que conquistou o seu coração.

Ninguém poderá contar com um ‘’amigo’’ que condena, castiga e culpa e aponta o dedo para a chaga que certamente causará já por si um enorme e humilhante sofrimento. O Deus que Padre Correia da Cunha experimentava era um Deus de misericórdia e de amor. Nós, quando jovens, éramos mais interpelados pelo respeito e serviço aos irmãos que ele considerava a mais verdadeira das orações, do que por incumprimento de regras ou comportamentos considerados pelos mais puristas, menos dignos.

A Padre Correia da Cunha várias vezes lhe ouvi tecer a seguinte afirmação: as pessoas só são capazes de respeitar uma regra se a compreenderem. Se não, nunca a respeitarão. Se a regra for imposta pela via do medo ou pelo confrangimento, na hora em que estiver isolada destes, ou daqueles que impõem as regras, ela desfaz-se. Desde sempre, a maior preocupação de Padre Correia da Cunha era a de que tudo teria de ser bem compreendido e interiorizado. Ninguém vive e ama aquilo que não compreende ou que não consegue interiorizar pela luz da fé.

O cristianismo era muito mais do que o cumprimento de regras e rituais. Era uma vivência consciente e permanente. Não eram as muitas missas, nem as muitas leituras dos devocionários, nem reza de muitos terços e orações escritas que nos redimem. E tudo isso só teria algum valor se trouxesse um profundo sentido à nossa vida e se fosse gerador de uma transformação do coração, tornando-o cada vez mais generoso e misericordioso e com maior disponibilidade para amar o próximo. E o próximo era aquele com quem vivemos e convivemos diariamente; pois acusar os erros do mundo era e continua ser o mais fácil…

Para Padre Correia da Cunha não adiantava muito rezar se continuássemos a ser arrogantes, hipócritas e intolerantes… As suas pregações eram cheias de frontais reprimendas, mas pela falta da vivência da caridade. O cristianismo sem caridade era um profundo engano. Jesus Cristo veio para nos libertar e ensinar amarmo-nos uns aos outros. Como ele referia: ‘’parece tão simples mas tão difícil de concretizar na prática’’.


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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E OS VICENTINOS

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‘’O amor é tanto mais ardente, quanto mais perfeito for o conhecimento’’







Para Padre Correia da Cunha, a caridade devia ser a marca distintiva de todo o cristão e, sem dúvida, era a dos imensos membros das Conferências de São Vicente de Paulo da Freguesia de São Vicente de Fora. Neste início de ano quero lembrar de uma forma muito especial e com grande carinho esses membros: Carlos Barradas (1926-2008), Casimiro Ferreira (1928-2009), António Geraldes Simões (1925-2007), António Nunes, António Batista da Silva, Armando das Neves Alves (....-2009) Emília Caldeira, Fernanda França, Mª. Agostinha da Silva, Patrocínia Dias (1929-1989), Maria José Ribeiro, Carolina Azevedo Coutinho, Carolina Saraiva, Carlos Diamantino… (1) ( e muitos outros que aguardo a vossa informação para aqui colocar os seus nomes).



Formados na escola do distinto São Vicente de Paulo e na de Frederico António Ozanam, que lhe legou o espírito, foram com o seu Pastor obreiros do grande fogo que Jesus veio acender na terra: a Caridade.



Sei que, felizmente, assim foi e lembro-me de Padre Correia da Cunha se congratular com toda essa boa gente de tão grande e generoso coração.


Era uma bela vocação e sublime o apostolado a que dedicavam as suas vidas. Com os olhos da fé viam nos seus irmãos mais desprotegidos a própria pessoa de Jesus Cristo.


Como muita vez ouvi a Padre Correia da Cunha: o bem deve ser realizado, humildemente e silenciosamente, pois quem dá aos pobres, empresta a Deus…


Eram, portanto, benditos e, no mundo onde imperava tanta dificuldade e miséria, tiveram sempre bem alta a bandeira do serviço aos irmãos.


Na presente época, de tantas dificuldades, muito me consolaria e aplaudiria se houvesse muita desta gente que vivesse ao serviço dos irmãos mais necessitados e sobretudo dos que sofrem com um doce sorriso (isto é, hoje são forçados a receber o auxílio sem com isso percam a dignidade e se sintam humilhados). Como Padre Cunha fazia questão de dizer: tudo deveria ser feito no silêncio de encontro de irmãos e na mais fina delicadeza.
Esta gente era verdadeiramente abnegada por dons naturais e verdadeiros discípulos dos seus grandes mestres: São Vicente de Paulo, Frederico Ozanam e Padre Correia da Cunha.



Creio que Padre Correia da Cunha, hoje, junto do Pai com alguns destes irmãos continuará agradecer silenciosamente pelas misérias que aliviaram e pelas muitas lágrimas que enxugaram aos seus irmãos da Paróquia de São Vicente de Fora.



No tempo de Padre Cunha havia na Paróquia a Conferência de São Vicente de Paulo Feminina que tinha como protecção Santa Úrsula e a masculina cujo padroeiro era São Vicente Mártir.



(1) – Poderia continuar esta enorme lista, mas com a finalidade de tornar mais activo o Blogue, fico aguardar as vossas informações para poder acrescentar a esta lista os muitos vicentinos de São Vicente de Fora.

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