terça-feira, 12 de março de 2019

PE. CORREIA DA CUNHA – ACÇÃO CATÓLICA X













SE ALGUÉM PUDER CONVENCER QUE ERREI POR ACTOS, DE BOM GRADO MUDAREI…




Para trabalhar com os jovens que são emocionalmente muito vivos e mentalmente ignorantes em matérias de sexualidade, era necessário educa-los e falar-lhes claramente. O saber nunca faz mal a ninguém, desde que seja administrado de maneira correcta e em tempo certo. A ignorância sobre a temática da sexualidade é muito perigosa. O Padre Correia da Cunha considerava inimaginável que os adolescentes e jovens não fossem instruídos na área da sexualidade na aprendizagem das ciências naturais.

À época, os pais da paróquia de São Vicente de Fora, na maioria não tinham noções sobre este assunto. Os pontos de vista eram tão deformados nas questões da sexualidade que não era possível convencê-los dos erros em que estavam. Era importante que os filhos fossem ajudados de fora, pois também não encontravam encorajamento em casa. Os jovens eram ávidos de conhecimentos e prontos para aprenderem. O prior Correia da Cunha organizava conferências sobre educação sexual nas instalações da paróquia e sempre contava com grande frequência de adolescentes e jovens de ambos os sexos. Estes colóquios eram muito úteis pois que, a despeito da sua vivacidade, o clérigo possuía imensos conhecimentos para lidar com a maior variedade de perguntas que surgiam por parte dos participantes.

A educação sexual estava inteiramente ausente nas famílias e nas escolas, por isso, o Padre Correia da Cunha considerava que seria obrigação da paróquia apresentar à juventude as concepções positivas do sexo, que pudessem servir para reconciliar uma visão mais construtiva da vida. O instinto sexual, se usado legitimamente, torna-se na base da forma mais elevada do amor. Se as relações sexuais advirem da harmonia, aperfeiçoamento, felicidade e paz de espírito, elas são boas. No caso de serem praticadas para mera satisfação física não serão aceitáveis. O sexo é um dom de Deus e por conseguinte um bem. Não existe no Cristianismo nenhum fundamento para considerar o sexo como motivo de vergonha. Era claro para o sacerdote que além de cuidar da vida espiritual dos seus paroquianos não poderia ignorar a vida física. Ninguém como ele conseguia lidar tão acertadamente com as questões sexuais, não só pela sua experiência, profundos conhecimentos, mas sobretudo pelo imenso respeito que estas questões lhe mereciam. Era indispensável uma perfeita união entre a ciência e a religião para poder-se assentar em alicerces sólidos a vida familiar e social.




Nunca esqueço estas suas palavras: «Jesus Cristo ensinava que Deus como Pai amoroso, somente deseja o bem para os seus filhos.». Nunca falava do sexo como uma coisa imunda, antes pelo contrário, pelo sexo a nossa personalidade se podia desenvolver em toda a plenitude da vida, tornando-a mais harmoniosa e repleta de felicidade.

O Padre Correia da Cunha era tão cheio de compreensão que, embora estes problemas do sexo não parecessem preocupá-lo, tudo fazia para ajudar os rapazes a não verem nas raparigas uns belos brinquedos ou objectos de mero prazer. A felicidade só pode ser gerada pelo auto-domínio e no respeito mútuo, e não pelo egoísmo. O amor é muito mais do que o simples desejo sensual; é a completa identificação de dois seres. Se procurais encontrar tal amor – uma tal compreensão – haveis de criar entre os dois um poder, uma força, que vos tornará capazes de fazer obra de Deus no Mundo.



O princípio básico da doutrina cristã é: «Amai-vos uns aos outros…» e a sua aplicação às nossas vidas afectivas resolverá muitas das nossas dificuldades, pelo que o Padre Correia da Cunha sempre concluía: que tudo o que era feito com amor não era pecado. 




Texto autoria do Padre Correia da Cunha


OS NOVOS SÃO MALEAVEIS


Os patinhos e pintainhos quando sentem as asas a crescer, instintivamente as usam e perdem a docilidade que antes tinham para com a ave progenitora.

Do mesmo modo os jovens gostam de se apresentar com um certo ar de independência devido à vigilância mesquinha que tiveram anteriormente bem como a sua acanhada educação. Se porém se insurgem contra a autoridade ou melhor contra o autoritarismo, deixam-se subjugar por explicações certas e singelas.

Não percamos de vista a instintiva repugnância a serem tratados como crianças. Devemos sempre fazer ver ao rapaz que os seus defeitos nos são inteiramente desconhecidos, embora nós os conheçamos todos plenamente. Nunca devemos enganar os novos dando-lhes explicações falsas porque eles depressa conhecerão que nós os enganamos e perante eles perdemos todo ou quase todo o prestigio; mas pelo contrário devemos ilumina-los e esclarecê-los com a lógica da moral cristã. Assim exercemos neles uma salutar influência.

MARQUEMOS A RESPONSABILIDADE DOS NOVOS

Devemos pôr à frente dos jovens a sua vida um conjunto tanto mais os seus deveres a cumprir actualmente como as obrigações da vida futura.

A «sífilis» ou qualquer outra doença transmissível com que há-de contaminar a esposa e a futura prole, em que momento a contraiu? …

Sem dúvida entre os 15 e 20 anos… quando se divertia! Daí a razão por que a raça é fraca e depauperada. Devemos mostrar aos jovens a responsabilidade que lhes acarreta por não se guardarem pois os seus corpos são verdadeiros templos do Espírito Santo.

Devemos mostrar-lhes que a falta não é simplesmente pessoal mas vai mais além, atinge a todos quantos deviam integrar o seu futuro lar.

E que dizer das donzelas, que aos 15 ou 20 anos divertem, dançando horas seguidas e para se tornarem mais elegantes usam trajes apertadíssimos, assim estão pondo obstáculos a um desenvolvimento e para a formação da sua prole?

Devemos mostrar-lhes com suavidade, caridade e carinho que o seu defeito em geral se traduz em ruínas incalculáveis, prejuízos morais, materiais e muitas vezes em prejuízos eternos.






O PAPEL DO ASSISTENTE

Incumbe ao assistente eclesiástico corrigir com bondade e encaminhar os jovens. Não se deve mostrar aos jovens apenas o aspecto negativo das coisas, mas também o positivo.

A juventude é a primavera da vida e por isso é que assim devemos encaminhá-la para que dê muitos e bons frutos no outono ou seja no declinar da vida.

O amor ao trabalho, a boa ordem e a disciplina serão para o jovem, as nascentes da alegria da boa consciência e da prosperidade no futuro lar.

Acima de tudo devemos incutir nos jovens uma vida profundamente cristã criando neles uma mentalidade que tem como base e fundamento o Santo Evangelho e não a onda avassaladora do materialismo.

Devemos ensinar-lhes a terem com Nosso Senhor uma intimidade superior aquela que tem a criancinha para com os seus pais e também aquela que terá um dia para com a futura esposa: mas para isto é necessário que tenhamos uma convicção profunda e mais ainda viver esta intimidade em Cristo.


Acima de tudo deve ser um verdadeiro cristão, isto é: soldado cristão, pedreiro cristão, caixeiro cristão etc…




















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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

PE. CORREIA DA CUNHA – ACÇÃO CATÓLICA IX












A JUVENTUDE É A FASE ÁUREA DA VIDA



No dia em que o teólogo Ismael Sanches, líder (director espiritual) do Grupo de Jovens OBJECTIVO fundado no ano de 1971, na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, pelo Padre Correia da Cunha, promove um debate, na Arte Galeria da Graça, sobre a sua obra: CASA – PONTE DE HONRA em que bem define o Mundo, o Cosmos e o Universo. Tudo isto junto e sabe-se lá mais o quê, é a nossa casa é a habitação de todos nós.


O seu talento como expositor faz do beneditino Ismael Sanches um conferencista que ainda hoje continua abrir largos horizontes, ajudando os jovens a encontrarem os caminhos de plenitude do seu lugar na vida.

No tema que transcrevo neste post da autoria do Padre Correia da Cunha sobre as dificuldades dos jovens, faz-me recuar a um tempo em que o prior de São Vicente de Fora tudo fazia para ganhar a juventude e recuperar os seus muitos carismas.

Não era para ele fácil entender as atitudes e movimentos da juventude, mas nunca deixava de perder a oportunidade de os atrair confiando-os ao jovem Padre Ismael e prestando todo o apoio para o ajudar nessa missão de contribuir para o desenvolvimento do jovem como pessoa e crente.

A juventude é a fase áurea da vida e ser jovem é estar no esplendor do que há de melhor na existência humana. O Padre Correia da Cunha bem o sabia e por isso acolhia com muita amizade e respeito os seus jovens, daí eles sentirem à vontade na sua proximidade. A gente jovem procura e necessita ter a oportunidade de questionar e escutar os bons lideres, pois só a juventude cultiva, desde cedo, a infinita generosidade.







AS DIFICULDADES DOS JOVENS


São inúmeras as dificuldades dos jovens, ninguém tem disso, a mínima duvida. Quantas vezes o director de almas juvenis se verá tentado a desanimar ao ver a inconstância dos que ele queria fazer firmes e fortes na sua vontade. 

O operariado de transição da adolescência para a vida adulta, para a virilidade não é somente um período de crescimento mas também um período de descobertas e portanto de movimento. 

Descobrir supõe anterior ignorância ou inconsciência que agora é iluminada por novas luzes que a inteligência adquire. Mas uma só destas descobertas não revela aos jovens todo o mistério da vida, mas ainda deixa lugares a outras revelações, a outras curiosidades, a novas pesquisas que trarão desilusões quando a realidade substitua a imagem e entusiasmos juvenis ou confirme coisas que já se pressentiam. 

Tudo toma novo sentido e cores mais vivas. 

Descobre-se tudo: A vida que não era bem conhecida nos seus segredos… a consciência que se vai tomando da personalidade…etc 

Muitas vezes é o desenvolvimento físico que poe as primeiras questões: a vida é então abundante a simplicidade do primário da liberdade com os fenómenos fisiológicos e patológicos que lhe são peculiares, perturbam e angustiava os rapazes. Que diferença entre a maneira como o problema da vida se apresenta a um rapaz de 13 anos e a um outro de 18 ou 20!Uma evolução os separa. 

O MISTÉRIO DA VIDA 

O jovem vê-o em tudo, adornado das mais variadas cores…Apesar de mistério desperta no coração melhor disto na inteligência uma irresistível ansiedade de o penetrar. Por isso o jovem olha, compara, reflecte tirando depois as consequências. Interrogando-se a si mesmo de como procederão os companheiros que terão os mesmos fenómenos. 

Tudo o que o rodeia constitui para ele um pavoroso facto extremamente variado e terrivelmente instrutivo. 

Nele se observam sentimentos intrigas e outras coisas mais que nem sequer suspeitava. 

O panorama da vida continua a estender-se, que outras parecia nobre è hoje objecto de riso. 

Por isso novos planos, novos projectos… uma revolução contínua. O jovem não sabe ocupar-se do presente, só o futuro lhe sorri e só no futuro pensa em realizar os sonhos e quimeras de hoje. Com esta descoberta das coisas de que afinal é preciso viver o jovem lança-se na sua conquista caminhando ao acaso e se não tiver um bom livro ou um director que o guie. É então que a AC deve empreender o seu trabalho com a alma do jovem. Estas descobertas não são apenas no campo intelectual por isso não nos deve admirar das contradições que nos apresenta a psicologia do jovem; umas vezes será arrogante, entusiasta e presunçosa outas temoroso, inconsciente e fraco. 




VIRTUDES QUE DEVEM BRILHAR NO DIRECTOR 

É necessário na base duma solida e continuada formação espiritual, completada pela experiência adquirida num ministério zeloso. O director espiritual deve tomar particular empenho por cada alma: Um pouco à maneira do sol que aquece a todos e a cada um em particular. É sabido que para conseguir a confiança das almas é necessário o carinho sobrenatural nutrido no exemplo do coração de Jesus, abismo de amor. Ao caminho deve aliar-se a virtude da paciência para sofrer defeitos e mesmo as impertinencias e para continuar a obrar sem desfalecer, e da humildade que reconhece a verdura da mocidade nas suas pretensões e amor-próprio. 

OS RECURSOS DOS NOVOS: A GENEROSIDADE 

È uma das grandes qualidades da gente moça. 

Por isso, aí de nós se deitamos um balde de água fria de cepticismo ou falta de compreensão por sobre a sua vontade de se dar – virtude que só se apaga quando a luxuria tomar posse de um moço para nele fomentar apenas o egoísmo. 

Os novos tem a sinceridade na fé o ardor generoso de nobres ideias. Diz o Papa: «assim não é de admirar como nos sítios onde a AC dos novos se tem desenvolvido abundam as vocações sacerdotais e religiosas. 

Perdeste essa generosidade os directores de almas devem mostrar a mocidade as grandes necessidades da Igreja no momento presente, pôr-lhes diante dos olhos a imensa “messe” de várias modalidades que hoje se apresenta ao soldado de Cristo. 

VIGOR FÍSICO 

A gente moça possui grande coragem física e moral; é capaz de grandes esforços, tem grandes reservas. 

É certo que às vezes são imprudentes…diz um adágio francês, mas é facto que outros não fariam por calculo as energias dos novos» Diz Pio XI « sem nos comprometermos, vamos aproveitar esses entusiasmos sobretudo quando se trata não de pedir liberdades mas de as tomar.»




















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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA





Os amigos que partiram…





IN MEMORIAM


MANUEL PEDRO SOUTO

1897-1988


122º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO



Manuel Pedro Souto foi sacristão da Paróquia de São Vicente de Fora, entre 1934 e 1967. Nasceu a 28 de Janeiro de 1897, em Pedrogão (Torres Novas), mais conhecido por Pedrógão d’Aire.

Passam hoje cento e vinte e dois anos do seu nascimento. Considero ser um dever relembrar este homem possuidor de uma alma de eleição que foi estimado e admirado por todos que com ele privaram, uma pessoa de inexcedível nobreza de sentimentos e de um cavalheirismo doutros tempos.


Cinquenta e dois anos são decorridos! E, todavia, lembro-me como se fosse hoje daquele ano de 1967, em que o Sr. Manuel, com os seus setenta anos, se retirou para a sua terra natal a fim de gozar do merecido repouso depois de tantos anos de generosa entrega ao serviço da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.



Profundamente crente e austero, era  apreciado pelas muitas senhoras de piedosas virtudes que propositadamente se dirigiam à Igreja de São Vicente de Fora para o visitarem. Para elas, era sempre um confiável conselheiro e um cristão exemplar, o jovem sacristão de sessenta e tal anos. 



Nunca o ouvi dizer mal de ninguém. E tinha um respeito e veneração, diria mesmo, culto pela memória do seu amado prior: Monsenhor Francisco Esteves.

Era de uma pura e fina sensibilidade que lhe conferiam uma intuição especial para o negócio dos artigos religiosos, livros sagrados, pagelas e ceras..., mas contrariamente ao que se afirmava, pelos espaços da paróquia, não soube transformar essa sua arte em rendimento. Por isso morreu pobre. Morreu Santo.

Segundo testemunhos de muitos paroquianos, que ainda o conheceram, o Sr. Manuel Souto era um crente afectuosíssimo; muitas vezes nos falava do notável pastor Monsenhor Francisco Esteves e de outros seus amigos. Ao invocar esse passado de recordações, de factos, de episódios da sua vida e dos que lhe eram queridos, falava com tanto entusiasmo, tanto calor, tanta vida que parecia ressurgir o belo espírito, vigor e entusiasmo de um passado tão preenchido e pleno de felicidade. 

O Padre Correia da Cunha sempre enalteceu o serviço prestado por este seu brioso colaborador; homem honrado, cavalheiro incontestável e sempre muito afectuoso e leal. Pela sua provecta idade era um acérrimo defensor da tradição doutrinária e litúrgica. Não via com bons olhos os ventos de mudança que o jovem pároco Correia da Cunha introduzia na comunidade paroquial. Recordo um texto de 1967, sobre uma celebração litúrgica ocorrida em São Vicente de Fora ao som de música moderna. ''Só o velho sacristão Sr. Manuel Souto, que servia devotamente há mais de trinta e três anos a paróquia, ficou mal-humorado e expressava  toda a sua indignação'': «Não compreendo nem sei o que isto representa. Dizem que é o YÉ-YÉ…».

Ele era crente, profundamente crente; sempre disponível para acolher com todo o carinho no seu lar, que se situava em todo 1º andar da ala este Mosteiro, os familiares oriundos do seu lugar natal. Era um encanto ouvi-lo, expondo as suas ideias e a falar da sua desmedida Fé.

Assim fecho esta singela homenagem a Manuel Souto que soube zelar por todo aquele património do Mosteiro de São Vicente de Fora durante décadas com muito amor e dedicação.

No dia 26 de Fevereiro de 1988, foi repousar na Glória de Deus.

Dai-lhe Senhor, o eterno descanso e brilhe para ele o esplendor da Luz Eterna.


Paz à sua grande alma.

















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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

PE. CORREIA DA CUNHA - HOMENAGEM AO COADJUTOR









A DOMUS DOMESTICA SÓ ATINGE O SEU SENTIDO PLENO QUANDO SE TORNA LUGAR DA PRESENÇA DIVINA.



Estou de volta para vos trazer novas emoções sobre a exposição: “O HOMEM DOMICILIADO”. É uma justa e merecida homenagem ao coadjutor «oficial», do saudoso prior de São Vicente de Fora, durante o período de 1970 a 1974, Ismael Sanches (Pe).

É já no próximo dia 1 de Fevereiro que se procederá à solene inauguração da exposição de pintura do mestre Rui Aço, na galeria Arte Graça. 

Estão de parabéns a Junta de Freguesia de São Vicente, a Oficina do Desenho e o Grupo Objectivo por terem contribuído para a concretização deste evento cultural. É para mim uma enorme alegria poder participar na sua divulgação junto dos amigos do inesquecível prior Correia da Cunha (1960-1977).




Esta exposição foi sonhada de modo a educar o olhar e propor uma visão intelectual sobre a obra literária do teólogo Ismael Sanches (Pe) «A CASA – PONTO DE HONRA». Assim, para esta exposição, optou-se por uma programação com dois tempos:



Primeiro – Dia 1 de Fevereiro ás 18 horas 

Inauguração da exposição com a presença das instituições que se associaram a esta acção cultural, com a presença da curadora a artista plástica e jornalista Marita Moreno Ferreira. 

Segundo – Dia 8 de Fevereiro às 18 horas 

Apresentação do livro «A CASA-PONTO DE HONRA», seguida de uma reflexão filosófica sobre a obra da autoria de Ismael Sanches (Pe), focando os mais diversos pontos de vista, de modo a preparar os participantes para uma reflexão sobre as temáticas abordadas no ensaio e na arte plástica. 

Contará esta sessão com a presença dos Drs. Fernando Machado, Rui Lagartinho, Ismael Sanches e o pintor Rui Aço.


Esta exposição nasce das muitas memórias de um grupo de jovens da Paróquia de São Vicente de Fora, fundado a 31 de Outubro de 1971, pelo Padre Correia da Cunha (1917-1977). Este sacerdote dedicou toda uma vida à formação cristã, cultural e social da juventude, na Armada Portuguesa e na sua amada paróquia. Como referia aos jovens: «Só pode haver uma mudança da sociedade, com base numa ampla formação intelectual que requer o envolvimento das áreas do conhecimento das letras e das artes


O Padre Correia da Cunha, prior da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora (1960-1977) soube escolher o beneditino D. Felix (Ismael Sanches) pelo seu génio, ousadia e pensamento universalista para orientador do Grupo de Jovens «OBJECTIVO», ajudando os jovens a construirem uma cultura e a edificarem uma casa para, no seu interior, se abrigarem e viverem… radicalmente a utopia do cristianismo.

Em inícios do ano de 2016, o filosofo teólogo Ismael Sanches editou o livro – A CASA- PONTO DE HONRA, que seduziria e desafiaria o mestre Rui Aço a pintar imensas obras que hoje compõem esta brilhante exposição. 

Convido-vos pois a participar neste evento de Homenagem ao Ismael Sanches, para educarmos os nossos olhares e a fazermos uma reflexão artística e racional sobre as temáticas desta esplêndida exposição. 


Conto com a vossa presença!


ISMAEL SANCHES foi monge beneditino (1950-1980) com o nome monástico de Frei Félix, no Mosteiro de Singeverga, onde cursou Filosofia e Teologia e onde foi ordenado em 1957.
Iniciou a sua carreira docente na cidade do Porto no Instituto Superior de Estudos Teológicos. Foi nomeado pelo Cardeal António Ribeiro no ano de 1974 para director do Externato Frei Luís de Sousa até 1980. Nos ano 60 cursou na Faculdade de Filosofia e Teologia da Universidade de Munique. Nos anos 90, no Brasil leccionou no Seminário Maior de São Salvador da Baía e Colégio de São Bento em São Paulo a cadeira de Filosofia. Presentemente dedica-se ao estudo e à escrita.
















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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

NOVO ANO (2018/2019)











CHEGAMOS AO FIM DE MAIS UM PEDAÇO DE TEMPO… SAUDAMOS O NOVO ANO!






No limiar do fim do ano, um novo ano irá surgir para acalentar as nossas esperanças. Há em cada um de nós o desejo irresistível para descobrirmos os mistérios do futuro desconhecido, por isso, quase sem pensarmos, lutamos desesperadamente pela conquista dos novos ideais. São as habituais ilusões que o optimismo coloca nas almas de cada um.

A esperança é uma quimera encantadora que contemplamos na fúria quotidiana dos nossos anseios. Será que o novo ano encherá de novos horizontes as perspectivas nas nossas vidas? Só sei que queremos sempre segurar as boas recordações do ano que termina. O porvir será sempre uma incógnita. 

No ano que estamos a abandonar, muitas coisas findaram; muitas esperanças, sonhos e muitas vidas de amigos se extinguiram…mas continuam vivas nos nossos corações.

O velho ano agoniza no estertor do fim, esperando que o novo ano rebente vitorioso, gerando novas esperanças e alimentando novas ilusões.

Ano novo! Abrimos de par em par as portas das nossas almas e aspiramos os perfumes do ambicionado porvir.



O próximo mês de Fevereiro 2019 será diferente! Iremos associar-nos aos princípios humanos, que as saudades das proveitosas lições do Ismael Sanches (Pe.) povoam nas experiências dos ‘’jovens’’ do Grupo OBJECTIVO.

O prior (Padre Cunha) autoria Rui Aço
                                   
O GRUPO DE JOVENS OBJECTIVO foi fundado pelo Padre Correia da Cunha, no ano de 1971, na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora. 

Recordo que foi pela mão do Padre Correia da Cunha, que o Ismael Sanches (Pe.), na qualidade de orientador espiritual, possuía todo espaço para a criatividade,utopias e fantasias junto dos jovens da paróquia, pois não abundavam há época clérigos tão cultíssimos e geniais nas vanguardistas propostas pastorais dirigidas à juventude. 

Estou certo que será também o momento para lembrar a irreverente talento que o Padre Correia da Cunha punha em tudo o que fazia em prol da juventude de São Vicente de Fora. 

Tomar nota: 1 Fevereiro 2019

 Rui Aço
                                       
Exposição promovida pela OD - Oficina do Desenho-Cascais, com obras do conceituado pintor Rui Aço intitulada «O HOMEM DOMICILIADO» na galeria Arte Graça na área da Junta de Freguesia de São Vicente de Fora.

Obras inspiradas no pensamento do teólogo, filosofo Ismael Sanches autor do livro «Casa-Ponto de Honra». Livro que será base para várias prelecções por vários brilhantes conferencistas. Neste momento estamos dependentes de mais informação sobre esse grande evento. 

Teólogo Ismael Sanches

Iremos ficar maravilhados diante as coloridas obras de arte desta exposição de homenagem ao Ismael Sanches, homem que passou a fazer parte das nossas vidas. 

As alegrias espalham-se nestes dias em manifestações fraternais, renovam-se com entusiasmo os votos para 2019, pois se não houvesse fim de ano, por certo não haveria ano novo…

Desejos de confraternização enchem os nossos corações. A todos envio um abraço de felicitações para o novo ano. 

Feliz ano novo para todos os meus familiares e amigos.




















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domingo, 23 de dezembro de 2018

NATAL 2018









Presépio São Vicente de Fora no ano 1964




«O VERBO FEZ-SE CARNE, HABITOU

 ENTRE NÓS…»




Mais uma vez em nossas vidas, sentimos chegar o memorial do nascimento do menino de Belém. Natal do Menino Jesus.

Por vezes, fico a pensar que o melhor da vida é a infância, quando tínhamos o direito de acreditar que a bondade do Menino Jesus ficava para sempre nos corações dos homens. 

Em cada Natal recordo a sublime riqueza dessa efeméride na Paróquia de São Vicente de Fora. Eram ilusões infantis envolvidas de harmoniosos cânticos.





É uma verdade, em todas as noites de Natal, se conservam lembranças de outras épocas. O nosso saudoso e querido Padre Correia da Cunha cumpria todos os rituais através de sumptuosos cenários: o enorme presépio construído no hall do templo, o gigantesco pinheiro, onde cintilavam centenas de luzinhas, os concertos musicais e os presentes para todas as suas crianças. São retalhos de infância que ainda hoje dão côr ao meu pensamento retrospectivo do Natal, na Paróquia de São Vicente de Fora, pois enquanto o tempo passa, mais distante fico daquela infância ingénua, mas muito feliz. 

Os caminhos da vida, que trazem de tão longe as imagens da verdade, através dos compassos dos anos, por vezes colocamo-nos diante dos principais finais das coisas e esquecemos todos os sentimentos divinos que envolvem as nossas almas desde a infância, na grandeza daquele humilde estábulo de luz: Jesus Menino!


Direcção Catequese ano 1966


A maioria dos cristãos já não sabem sentir o elevado significado da efeméride. Respeita a data porque o calendário a assinala. 

O Natal seria lindo se a vontade da Humanidade fosse igual a todos os desejos daquele menino nascido em Belém. 

Quanto mais profundas são as trevas, mais valor se dá à luz. 

- Neste Natal, Menino Jesus peço-te que ilumines os nossos caminhos do bem e ampares os que se debatem nos atalhos das trevas. Nas trevas só se espera a luz e Tu Jesus Menino és a verdadeira Luz.


Grupo de Catequistas no ano 1966



Nesta véspera de Natal, quando temos a certeza que em milhões de lares se comemora o nascimento do príncipe da Luz, os meus desejos são de muita Paz, Harmonia e Luz. 

Natal é a festa da família. A todas as famílias e amigos um iluminado e Santo Natal.














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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

PE. CORREIA DA CUNHA – ACÇÃO CATÓLICA VIII













«CRIADAS POR ELE, PARA ELE ESTÃO VOLTADAS TODAS AS COISAS…»



Sendo o Padre Correia da Cunha um homem da sua época, conhecedor dos imensos perigos que corriam os adolescentes e jovens da armada e da paróquia, a sua principal missão como capelão e prior sempre foi a de os formar para a Vida.

O Padre Correia da Cunha era como um pai, sabia perdoar sem nunca julgar; a sua principal preocupação era apontar caminhos que contribuíssem para a formação integral (humana e espiritual) dos seus pupilos.

Sempre foi um sacerdote empenhado nos projectos pastorais que se dirigissem aos adolescentes e jovens. Pelos seus sentimentos fraternais possuía sempre o conselho certo para iluminar a ânsia dos jovens que corriam o perigo de se deixarem arrastar pelos caminhos das trevas.

Era reconhecido por todos os jovens como um símbolo de sabedoria e experiência paternal, pois sempre soube espalhar, através da sua sublime arte de ensinar, os nobres princípios cristãos.

O Padre Correia da Cunha pela heróica sensibilidade dos seus traços foi um incansável defensor e impulsionador dos valores evangélicos, pilares de referência que ainda hoje são seguidos por uma imensa legião de antigos jovens que gozaram da sua protecção. 

Como sugestão de prenda de Natal 2018, poderá aproveitar a promoção natalícia para aquisição do livro: CORREIA DA CUNHA – MESTRE DE VIDA, pelo preço de 15,00€, fazendo o seu pedido através do correio electrónico: joaopaulo.costadias@gmail.com ou telefone 218462238.  

                                             SANTO NATAL! 




Texto de Padre Correia da Cunha



NÃO MOSTREMOS MÁ CARA AO MUNDO. 

Tudo quanto existe deve servir ao cristão para glorificar a Deus: «ut in onmibus glorificatur Deus» como nos ensina o grande patriarca dos monges do ocidente: São Bento. De tudo portanto deve o cristão usar sobrenaturalmente até mesmo das coisas físicas ou materiais, pois neste sentido e que devemos entender o «negotianirus dum venio». 

A obra da criação não favoreceu nem favorece o ateísmo e a impiedade; pelo contrário traz impresso o vestígio das mãos de Deus que ao passar a revestir com todas as belezas de que a criação é ornada. 

Qual será a pátria que Deus têm reservada aos seus amigos se já o exílio este vale de lágrimas é belo e bom? O mundo foi criado não para ser entregue ao demónio mas para ser, depois da redenção divinizado pelo cristão em estado de graça, o cristão deve por todas as criaturas, mesmo inanimadas, a louvar o Pai e o Filho na unidade do Espírito Santo, integrando-as todas em si e ele em Cristo para a completa glorificação de Deus. É o que já dizia São Paulo: «Omnia vestra sunt, vos autem Cristi; Cristus autem Dei.» algures numa das suas epistolas.




O homem deve ter em conta que é administrador das coisas, que existem, colaborando assim pelo trabalho na obra da criação e extensão do Reino de Deus. 

Nem a natureza humana. 

Jamais podemos admitir oposição ou mesmo preparação entre a vida natural e o cristianismo. 

Este deve penetrar até ao fundo de toda a vida humana. As flores e os frutos dos campos, os minerais e os vegetais esperam que o homem os cuide e trabalhe pelas suas próprias mãos e aplique toda a força energia do seu espírito a fim de que possa manifestar toda a beleza riqueza e realidade que nelas existem. 

Isto mesmo acontece com a vida ou a natureza humana elevada pela graça que a faz chegar onde pelas suas próprias forças e na das criaturas jamais conseguiria chegar. 

Nós dependemos de Deus em todas as nossas acções mais do que a luz da lâmpada eléctrica depende da corrente. Em todo o momento a nossa existência depende de Deus por uma reacção contínua. Isto acontece na ordem puramente natural. Na sobrenatural é uma vida inteiramente nova que circula nas nossas veias pela graça e misericórdia infinitas de Deus.




FORMEMOS PORÉM VERDADEIROS CRISTÃOS 

Eis a nossa missão formar cristãos completos. Devemos procurar que a vida espiritual do cristão seja uma vida sólida, penetrada do espírito evangélico, e por conseguinte, do espirito de Cristo, de modo que a nossa vida seja como a de Cristo absolutamente impregnada na glorificação do Pai Celeste. 

É certo que isto nem sempre é tão fácil… 

Mas é então que vem a ocasião de pormos em acção o nosso dever de encorajar, assim e ajudar os jovens a conseguir esse fim. 

Esta maneira de compreender a vida cristã e o mundo não é 

isenta de perigos e obstáculos. Mas como os jovens são obrigados a viver neste mundo, não podemos fugir tanto a uns como a outros. 

Devemos orientá-los e ajudá-los para que a sua vida sendo fermento e luz levede e irradie na massa. 

FORMEMOS CRISTÃOS NOVOS 

Todo o nosso trabalho deve consistir em formar os jocistas e fazer deles cristãos capazes de conquistar e transformar os seus irmãos de trabalho e ajudá-los a realizar plenamente a união da natureza e da graça. Queremos formar cristãos novos. A juventude passará como é a triste sina de tudo o que é criado, chegará também o momento em que os jovens terão de deixar a JOC para ingressarem nas fileiras da LOC. Mas muito embora os membros da JOC passem, não passará a JOC como organização. Portanto os assistentes eclesiásticos da JOC deverão ocupar-se sempre de jovens. 

OS PERIGOS DA ADOLESCÊNCIA 

Não esqueçamos que após a primeira comunhão quando o jovem abandona a catequese, cava-se um abismo entre a religião e a alma do operário, entre o jovem cristão e os seus companheiros de trabalho e que esse abismo, na medida que se entra no meio operário, se vai tornando cada vez mais profundo, sobretudo aos vinte anos… 

São pungentes e aflitivas as estatísticas acerca desta matéria. Por isso todo o esforço é pouco. 

O adolescente ao entrar no meio operário encontra-o infectado de paganismo, materialismo… de que é impossível defender-se atenta a sua inexperiência e pouca idade. 

Os operários mais velhos comprazem-se especialmente em corromper estas pobres almas moças e inocentes. O meio operário é (todos o sabemos) um escândalo contínuo. 

Tudo isto nos mostra a importância espiritual de nos colocarmos à altura da nossa missão para bem orientarmos os jovens e os ajudarmos a vencer os perigos e obstáculos que se lhes deparam. 

Fiquemos certos de que se não tiverem uma mão amiga e conselheira que os ampare e aconselhe infalivelmente vão submergir a esse abismo de corrupção de que muito dificilmente poderão sair.

















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