segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

PE. CORREIA DA CUNHA – ACÇÃO CATÓLICA VIII













«CRIADAS POR ELE, PARA ELE ESTÃO VOLTADAS TODAS AS COISAS…»



Sendo o Padre Correia da Cunha um homem da sua época, conhecedor dos imensos perigos que corriam os adolescentes e jovens da armada e da paróquia, a sua principal missão como capelão e prior sempre foi a de os formar para a Vida.

O Padre Correia da Cunha era como um pai, sabia perdoar sem nunca julgar; a sua principal preocupação era apontar caminhos que contribuíssem para a formação integral (humana e espiritual) dos seus pupilos.

Sempre foi um sacerdote empenhado nos projectos pastorais que se dirigissem aos adolescentes e jovens. Pelos seus sentimentos fraternais possuía sempre o conselho certo para iluminar a ânsia dos jovens que corriam o perigo de se deixarem arrastar pelos caminhos das trevas.

Era reconhecido por todos os jovens como um símbolo de sabedoria e experiência paternal, pois sempre soube espalhar, através da sua sublime arte de ensinar, os nobres princípios cristãos.

O Padre Correia da Cunha pela heróica sensibilidade dos seus traços foi um incansável defensor e impulsionador dos valores evangélicos, pilares de referência que ainda hoje são seguidos por uma imensa legião de antigos jovens que gozaram da sua protecção. 

Como sugestão de prenda de Natal 2018, poderá aproveitar a promoção natalícia para aquisição do livro: CORREIA DA CUNHA – MESTRE DE VIDA, pelo preço de 15,00€, fazendo o seu pedido através do correio electrónico: joaopaulo.costadias@gmail.com ou telefone 218462238.  

                                             SANTO NATAL! 




Texto de Padre Correia da Cunha



NÃO MOSTREMOS MÁ CARA AO MUNDO. 

Tudo quanto existe deve servir ao cristão para glorificar a Deus: «ut in onmibus glorificatur Deus» como nos ensina o grande patriarca dos monges do ocidente: São Bento. De tudo portanto deve o cristão usar sobrenaturalmente até mesmo das coisas físicas ou materiais, pois neste sentido e que devemos entender o «negotianirus dum venio». 

A obra da criação não favoreceu nem favorece o ateísmo e a impiedade; pelo contrário traz impresso o vestígio das mãos de Deus que ao passar a revestir com todas as belezas de que a criação é ornada. 

Qual será a pátria que Deus têm reservada aos seus amigos se já o exílio este vale de lágrimas é belo e bom? O mundo foi criado não para ser entregue ao demónio mas para ser, depois da redenção divinizado pelo cristão em estado de graça, o cristão deve por todas as criaturas, mesmo inanimadas, a louvar o Pai e o Filho na unidade do Espírito Santo, integrando-as todas em si e ele em Cristo para a completa glorificação de Deus. É o que já dizia São Paulo: «Omnia vestra sunt, vos autem Cristi; Cristus autem Dei.» algures numa das suas epistolas.




O homem deve ter em conta que é administrador das coisas, que existem, colaborando assim pelo trabalho na obra da criação e extensão do Reino de Deus. 

Nem a natureza humana. 

Jamais podemos admitir oposição ou mesmo preparação entre a vida natural e o cristianismo. 

Este deve penetrar até ao fundo de toda a vida humana. As flores e os frutos dos campos, os minerais e os vegetais esperam que o homem os cuide e trabalhe pelas suas próprias mãos e aplique toda a força energia do seu espírito a fim de que possa manifestar toda a beleza riqueza e realidade que nelas existem. 

Isto mesmo acontece com a vida ou a natureza humana elevada pela graça que a faz chegar onde pelas suas próprias forças e na das criaturas jamais conseguiria chegar. 

Nós dependemos de Deus em todas as nossas acções mais do que a luz da lâmpada eléctrica depende da corrente. Em todo o momento a nossa existência depende de Deus por uma reacção contínua. Isto acontece na ordem puramente natural. Na sobrenatural é uma vida inteiramente nova que circula nas nossas veias pela graça e misericórdia infinitas de Deus.




FORMEMOS PORÉM VERDADEIROS CRISTÃOS 

Eis a nossa missão formar cristãos completos. Devemos procurar que a vida espiritual do cristão seja uma vida sólida, penetrada do espírito evangélico, e por conseguinte, do espirito de Cristo, de modo que a nossa vida seja como a de Cristo absolutamente impregnada na glorificação do Pai Celeste. 

É certo que isto nem sempre é tão fácil… 

Mas é então que vem a ocasião de pormos em acção o nosso dever de encorajar, assim e ajudar os jovens a conseguir esse fim. 

Esta maneira de compreender a vida cristã e o mundo não é 

isenta de perigos e obstáculos. Mas como os jovens são obrigados a viver neste mundo, não podemos fugir tanto a uns como a outros. 

Devemos orientá-los e ajudá-los para que a sua vida sendo fermento e luz levede e irradie na massa. 

FORMEMOS CRISTÃOS NOVOS 

Todo o nosso trabalho deve consistir em formar os jocistas e fazer deles cristãos capazes de conquistar e transformar os seus irmãos de trabalho e ajudá-los a realizar plenamente a união da natureza e da graça. Queremos formar cristãos novos. A juventude passará como é a triste sina de tudo o que é criado, chegará também o momento em que os jovens terão de deixar a JOC para ingressarem nas fileiras da LOC. Mas muito embora os membros da JOC passem, não passará a JOC como organização. Portanto os assistentes eclesiásticos da JOC deverão ocupar-se sempre de jovens. 

OS PERIGOS DA ADOLESCÊNCIA 

Não esqueçamos que após a primeira comunhão quando o jovem abandona a catequese, cava-se um abismo entre a religião e a alma do operário, entre o jovem cristão e os seus companheiros de trabalho e que esse abismo, na medida que se entra no meio operário, se vai tornando cada vez mais profundo, sobretudo aos vinte anos… 

São pungentes e aflitivas as estatísticas acerca desta matéria. Por isso todo o esforço é pouco. 

O adolescente ao entrar no meio operário encontra-o infectado de paganismo, materialismo… de que é impossível defender-se atenta a sua inexperiência e pouca idade. 

Os operários mais velhos comprazem-se especialmente em corromper estas pobres almas moças e inocentes. O meio operário é (todos o sabemos) um escândalo contínuo. 

Tudo isto nos mostra a importância espiritual de nos colocarmos à altura da nossa missão para bem orientarmos os jovens e os ajudarmos a vencer os perigos e obstáculos que se lhes deparam. 

Fiquemos certos de que se não tiverem uma mão amiga e conselheira que os ampare e aconselhe infalivelmente vão submergir a esse abismo de corrupção de que muito dificilmente poderão sair.

















.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

PE. CORREIA DA CUNHA – ACÇÃO CATÓLICA VII











 «O HOMEM FOI CRIADO PARA DAR GLORIA A DEUS!»


Em certas ocasiões da nossa vida, relembramos aulas aprendidas na nossa infância. Ao transcrever esta lição do Padre Correia da Cunha aos jocistas, veem-me à memória muitas coisas ouvidas nas catequeses deste zeloso pároco.
Como a voz do eco, o passado surge trazendo à minha mente as palavras do Padre Correia da Cunha, na sessão inicial de preparação para a minha primeira comunhão: “fomos criados para servir e amar a Deus”. Todas as pequeninas coisas que fazíamos como crianças, eram para a glória de Deus…
Deus criou o mundo e tudo o que nele existe; tudo foi criado para a glória de Deus.
Já na minha adolescência, muitas vezes interroguei o Padre Correia da Cunha: Porque o plano de Deus não contemplava um mundo onde todos vivêssemos na paz, na justiça e na fraternidade?

Havia uma grande verdade e que estava entranhada na profunda crença deste sacerdote – o pecado original. Se me recordo, este era o seu discurso: - O homem pecou, errou… que originou uma ruptura do homem com a sua origem, que era Deus. Esta falha ficou indelével no coração de todos os homens. O pecado da origem é perceptível, detectável e sentido por todos e cada um de nós. Foi um acto de desobediência a Deus. 0 Homem dotado de inteligência e de vontade quis experimentar a sua capacidade de decidir indo contra à vontade de Deus que o queria imensamente feliz. Esta experiência tornou-nos uns desgraçados e marcou-nos para sempre, desde a origem da humanidade.
É urgente e necessário que o homem volte a adorar a Deus observando e praticando agora a nova lei de Jesus Cristo e só assim será possível viver para sempre em paz, justiça e fraternidade. 




Texto da autoria do Padre Correia da Cunha


Quadro plástico ou vivo que representa ou que explica a solução do problema.

O Reverendíssimo Chanoine Pe Glorieux digníssimo e ilustríssimo Professeur au Grand Seminaire de Lille e erudito autor do nosso livro apresenta um quadro plástico que garante a autoridade: é o seguinte:
«Encostados a um muro encontravam-se quatro escadas de mão. Junto de cada uma um homem, melhor um jovem. O primeiro é um desportista, o segundo um trabalhador manual, o terceiro um trabalhador intelectual e finalmente junto da ultima escada um jocista com a sua insígnia e a cruz que representava a sua fé e vida cristãs.

Havia um árbitro que dava o sinal para subirem as respectivas escadas. Ao primeiro sinal o desportista com toda a facilidade ginasta trepa rapidamente ao cimo do muro, enquanto que os outros três ficam nos primeiros degraus.
Qual o seu significado? – o seguinte, continua o autor, significa que ele não passava de um desportista; fraco trabalhador e mais fraco ainda sob o ponto de vista cristão.
Ao segundo sinal é o trabalhador manual que sobe a escada até acima ficando os outros nos primeiros degraus. Isto significa que era unicamente trabalhador. Pouco se interessa das questões intelectuais e só rezará quando faz trovoada!...
Ao terceiro sinal e o trabalhador intelectual que vai na dianteira. Chega ao cimo, vê… mas não tem tempo para mais…

Ao quarto sinal sobe o jocista mas…não vai só arrasta consigo os outros todos. Quer isto dizer que o jocista é jocista em todos os sentidos, meios e condições: quer nos jogos, quer no trabalho tanto manual como intelectual etc…o jocista é sempre jovem, operário e cristã.






PLANO INICIAL DO CRIADOR

Nunca devemos esquecer o grande princípio: «todo o homem foi criado para dar glória a Deus pelo desenvolvimento de todas as energias, forças e actividades» Estas faculdades eram boas e auxiliares na nossa perfeição porque eram mantidas na perfeita harmonia pelos dons, principalmente pelos sobrenaturais no estado de justiça original.

O homem além de rei era o pontífice da criação por isso devia por , a sua inteligência  ao serviço harmonioso do seu fim ultimo : dar glória a Deus.

O homem era a «obra-prima» das mãos criadoras de Deus, no mundo visível é claro, a ponto de exclamar: Glória Dei vivens homo!

A salvação tanto antes como depois da queda original é uma obra pessoal e individual.
Perguntava São Francisco de Sales qual seria melhor o estado actual ou o primitivo, o original? A esta pergunta ele mesmo se respondia: O estado actual é cem vezes melhor! Não cabe nenhuma dúvida que a graça da redenção é incomparavelmente superior.

Deus tratou-nos com tanto carinho do qual não podemos ter a menor ideia, essa ideia torna-se tanto mais clara e forte quanto mais for a nossa fé.



Após a queda original – É impossível imaginar catástrofe maior do que a que foi causada pelo pecado original, porque todas as outras catástrofes são uma consequência da primeira.

Foi destroçada a harmonia da criação embora as criaturas sejam boas, todavia o homem passando a carecer de integridade nativa, carece também da prudência e discrição necessárias para se utilizar bem dos bens da terra, e tende a açambarcar egoisticamente e a encaminhar todas as criaturas á satisfação das suas paixões desordenadas da sua concupiscências, por ser assim desvia-se do seu caminho e da ordem querida pelo plano do criador. Daqui a importância de estabelecermos a ordem primitiva e reconquista da obra da realeza das criaturas sendo para isto necessária uma completa indiferença a respeito de todas elas como diz Santo Inácio: «No plano original todas nos ajudavam sempre, mas hoje vemos que não é assim.»

A NOVA ORDEM DE COISAS

A nova ordem aspira a reconquistar a primitiva como já dizia São Paulo (Romanos VIII. O mundo espera ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus, porque todo ele está sujeito à vontade não por seu querer, mas pelo daquele que o sujeitou.

Toda a criatura é boa embora por vezes possa ser ocasião de pecado para quem não domina em si as paixões e caprichos, mesmo no estado presente. Não perdendo de vista que se trata do homem total sob o duplo ponto de vista da sua vida natural e sobrenatural.

Tenhamos sempre presentes esta regra de oiro: «Devemos usar das criaturas como se as não usássemos, lembrando-nos sempre de que são meios e não o fim (Coríntios VIII – 30-31)».

TUDO DEVE DESABROCHAR REFORTIFICAR PARA DEUS

O homem deve tomar muito a sério a uma vocação de Filhos de Deus. Tanto a vida natural como a sobrenatural devem sempre desenvolver-se e aperfeiçoar-se até atingirem toda a perfeição possível. Isto exige, é verdade, grandes e contínuos esforços durante toda a vida, mas nunca as religiões deve entrar em conflito com a vida natural e muito menos acima esta com aquela.

As duas vidas nunca se devem aniquilar ou contrariar uma à outra, antes pelo contrário devem desenvolver-se paralela e totalmente fazendo entre si uma espécie de com próximo.













.



terça-feira, 2 de outubro de 2018

PE. CORREIA DA CUNHA – ACÇÃO CATÓLICA VI
















« A VIDA CRISTÃ NÃO SE DESCREVE, EXPERIMENTA-SE E VIVE-SE.»




A intenção do Padre Correia da Cunha com estas lições era ajudar os outros, fazendo uso da sua própria mestria, vivência e experiência. Os problemas abordados nestas lições continuam contemporâneos e relevantes para todos os que se interessam por temáticas da espiritualidade. A espiritualidade cristã tem algumas características essenciais, bem definidas pelo Padre Correia da Cunha neste belo texto. Era a verdadeira dimensão do mistério das verdades objectivas da doutrina traduzida para a vida quotidiana. 

Deus tem um plano especial para cada um de nós: que sejamos parecidos com Jesus e tenhamos um vida vitoriosa nele, para isso, precisamos de estar sempre muito atentos na nossa relação pessoal com Ele.

Todos somos chamados à Santidade, embora esta se exprima de vários modos e segundo o carisma de cada um; a espiritualidade não é um estado, mas uma forma de viver a fé cristã a partir dos impulsos da nossa vida sobrenatural para participarmos da vida divina.

Espiritualidade não é exclusão da materialidade, mas a relação ou união do homem todo-corpo e alma – com o Espírito com Deus.

Neste texto o Padre Correia da Cunha apresenta alguns conceitos divinos e mostra que, ao atendê-los, isso produz transformações em nós, em nossos familiares, amigos e na sociedade. Ouvir e aceitar os chamamentos de Deus é um projecto para toda a vida. Ouvi-lo significa vida, e vida em abundância e vitoriosa.

Se o Espírito de Deus é um, num primeiro momento podemos dizer que só há uma espiritualidade e todos os que fazemos parte da Igreja somos chamados à santidade, pois a verdadeira vida cristã não se descreve, experimenta-se e vive-se.

Para o Padre Correia da Cunha a tarefa de cada um de nós deve ser pois o de conhecer o evangelho e através dele transformar o mundo. Jesus Cristo é o nosso mestre e por Ele, e iluminados por Ele, a nossa vocação é render-nos à compaixão para com o nosso próximo.



Texto da autoria de Padre Correia da Cunha


Exigências da vida cristã. O que não é – o que é? 

Se a vida natural merece tão grandes cuidados quantos, não merecerá a vida sobrenatural num plano muito diferente.

A vida cristã aspira a penetrar todo o homem e a transforma-lo completamente; esta vida deve ser totalitária nem só por dentro nem só por fora, nem tampouco é para estar metida numa gaveta bem fechada donde se tira para usar dela apenas algumas vezes na semana. Não é uma receita, nem mesmo se pode comparar a uma companhia de seguros contra os riscos da salvação eterna, nem tampouco uma secção da nossa actividade, nem um pesado encargo suplementar da nossa dependência de Deus. A vida cristã não é nada disto: mas pelo contrário é uma transformação funda da natureza humana, elevada à participação da natureza divina. É total de todas as horas. 

Não é uma faculdade mas requer todas as potências do homem numa palavra; é toda a energia da vida inteira orientada para o fim sobrenatural.

Ambas as vidas: natural e cristã encontram-se no mesmo indivíduo. 

Há no homem duas fortes tendências que lhe fazem violência: uma natural de que faz parte, outra sobrenatural pela qual Deus o têm elevado à participação da sua própria natureza. A vida religiosa, é a resposta que se deve dar a Deus. Deus é o fim último, será a descoberta terrível que saberão os condenados pois não é pena de fogo que é a mais terrível mas sim a do dano. 

Esta dupla resistência traduz-se em lutas contínuas.

Não há duvida nenhuma: a voz da fé é energia mas o homem a pouco e pouco a pode apagar mas a voz da natureza nunca a pode apagar. 

A generosidade para com Deus nos levanta a coisas muito superiores, por isso facilmente podem vencer muitas dificuldades com relativa facilidade.


A Igreja Católica e o Mundo 

O gravíssimo problema que todo o indivíduo deve resolver é o que se levanta entre a religião e a vida, entre a Igreja e o mundo isto é: entre o cristianismo e o progresso.

A luta que existe entre a voz da natureza e a graça não é mais que um episódio. Os mesmos princípios que permitem resolver e superar o primeiro problema, da mesma forma nos dão a possibilidade e a chave para resolver os problemas tanto o individual como o geral.

A vitória sobre o mundo – primeiro aspecto. 

As duas atitudes que podem ter o cristão perante o mundo são: Servir a Deus no mundo. Servir o mundo por Deus.

Devemos considerar e olhar o mundo como uma coisa transitória e passageira, acrescentando-nos dificuldades para chegarmos a Deus. Não podemos prescindir dos meios e mais coisas para nos santificarmos na vida presente, assim como ao nosso próximo: Hoje existem coisas no mundo de que podemos usar para a nossa santificação, mas todas estas coisas devem ser limitativas; porque temos a considerar algumas nos são nocivas, outras inconvenientes, vigor e saúde na ordem natural é bem, mas passando à ordem sobrenatural é um grande bem: ter saúde para estudar no Seminário é óptimo mas para a estragar em lupanares é uma verdadeira catástrofe, e portanto mais-valia não a ter. 

Devemos, resumidamente, evitar todos os obstáculos que se apresentam à nossa santificação.



A vitória sobre o mundo – segundo aspecto. 

Servir o mundo por Deus, ou seja a recondução do mundo a Deus, tendo por cabeça: Jesus Cristo isto é o ideal que nos deve preocupar.

O mundo foi criado por um Deus infinitamente bom, unicamente para sua Glória extrínseca porque Deus não pode aumentar a sua Glória intrínseca.

O primeiro aspecto foca mais atenção sobre as desordens introduzidas pelo pecado e as graves consequências, segundo observa a ideia geral do plano divino na criação (i.é: a Glória de Deus). 

Tudo no mundo é para nós e nós somos para Cristo e Cristo é de Deus, dizia São Paulo.

A consequência é que não se trata de pontos de vista antagónicos mas complementares, na prática. A vida espiritual consiste em unir e conciliar os dois. Necessita-se de maior heroísmo para resistir do que atacar. Segundo nos ensina São Tomas. Nunca devemos ferir o amor-próprio de ninguém. 



















.









segunda-feira, 24 de setembro de 2018

PADRE CORREIA DA CUNHA – 101º ANIVERSÁRIO












«QUEM TEM AMIGOS É FELIZ!»


1917-2018


Quero hoje aqui recordar o dia 24 de Setembro de 2017, em que ocorreu a celebração do centenário do nascimento do Padre José Correia da Cunha (1917-1977). Nesse dia muitos amigos e admiradores se congregaram para lhe prestarem uma sentida homenagem à, para sempre, saudosa memória daquele que foi capelão da Armada (1943-1961), pároco de São Vicente de Fora e capelão das OGFE (1961-1977).






Passado um ano desta homenagem, estou certo que na sua sincera modéstia, o Padre Correia da Cunha diria, ser o único que poderia orgulhar-se pelos amigos que ali se reuniram, pois, para ele: «Quem tem amigos é feliz!». Eram estas as palavras que sempre lhe escutamos, palavras que na sua singeleza tão bem definem os limites da amizade.








O Padre Correia da Cunha pela sua grandeza moral, intelectual e espiritual não pode dispor de si em absoluto, pertence também aos amigos e admiradores que souberam por dever de gratidão e justiça perpetuar-lhe a memória com esta digna homenagem.



O modesto mas artístico monumento escultórico da autoria de José Carlos Coelho erguido nas traseiras do Mosteiro de São Vicente de Fora, fica ali bem, assim como a placa comemorativa da autoria da Arqtª. Ana Dias afixada no Campo de Santa Clara, pela Câmara Municipal de Lisboa, como gestos de gratidão a um dos pais «fundadores» da assistência religiosa à Marinha, ao pároco que deixou um rastro de luz na paróquia de São Vicente de Fora e ao filho de Lisboa que tanto amor dedicou à sua amada cidade.






O Patriarcado de Lisboa, a Marinha Portuguesa, a Câmara Municipal de Lisboa, familiares e amigos dignaram-se prestar o seu brilho àquelas cerimónias. É, pois, mais que justo que aqueles espaços, ainda hoje tão cheios da sua memória, se tenham dignificado com a inauguração daquelas simbologias em pedra e arte.


O Padre Correia da Cunha pelo seu carácter da mais fina têmpera deixou uma saudade em todos nós. Viverá sempre, mais do que em parte alguma, no coração de tantos amigos que o souberam compreender e amar e ainda hoje possuem uma inexcedível veneração à memoria deste Padre-Marinheiro-Poeta.







O  “RASTRO DE LUZ” DEIXADO PELO SACERDOTE QUE FOI CAPELÃO CHEFE DA  ARMADA E PÁROCO DE SÃO VICENTE DE FORA, EM LISBOA, FOI RECORDADO COM INAUGURAÇÃO  DE UMA ESTÁTUA.











.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

PE. CORREIA DA CUNHA - ACÇÃO CATÓLICA V










O NOSSO DESTINO É ELEVAR-NOS À 

PLENITUDE…




A importância de resgatar estas lições do Padre Correia da Cunha, aos jovens da JEC da Acção Católica, reside no facto de estes textos dos anos quarenta do século passado, manterem ainda um valor histórico e uma tremenda actualidade.

A vida não é apenas respirar. A vida é tudo o que existe dentro do mundo em que Deus nos colocou. A vida é o desenvolvimento de ideias e atitudes geradoras de sentimentos cuja ribalta deve ser o próprio corpo místico a que pertencemos. Pela razão e liberdade, a vida é tudo o que somos diante de nós mesmos. Muitas vezes ouvi ao Padre Correia da Cunha que a sua missão era viver e deixar viver… não queria que fossemos anjinhos. Os fracassos e os desânimos fazem parte da vida e o mais importante era continuar a resistir. O Reino de Deus é para os resilientes. Foste posto de lado? Tropeçaste? Não vos preocupeis com o ridículo nem com a derrota. Erguei-vos! O mundo pertence aos enérgicos e aos ousados e advém da graça divina depositada nas nossas almas. 

Não sei porque, mas após a leitura desta lição do Padre Correia da Cunha, sinto-me com a alma escancarada. Às vezes a nossa imaginação irrita-se com as verdades realistas dos humanos, obstinadamente empurrando-nos para os dramas de cada dia ou a querermos inventar pensamentos que amenizem todas as tragédias que se debruçam sobre o mundo no quotidiano.

Quanto mais pensamos que pensamos, menos pensamos, e mais distantes ficamos das ideias Divinas e da Graça que existe em cada um de nós baptizados. Destruímos ilusões, construímos sonhos falsos esquecendo-nos que o nosso destino é elevar-nos à plenitude. Deus na sua infinita sabedoria criou o universo com indiscutível perfeição e dá-nos a liberdade de o desorganizarmos através do pecado (Santa liberdade dos filhos de Deus). 

A vida à qual damos muito valor, nada vale dentro do tempo, pois ela finda-se e seremos miseras marionetas na vontade absoluta do destino de filhos de Deus, que é elevar-nos à plenitude.




Lição 5

Não se deve perder de vista que um cristão não é uma abstracção, como na prática, por vezes se julga. 

O cristão é antes de mais nada um ser de carne e osso como diz o Espírito Santo: «pueri communicaverunt carni, et sanguini, et ipse similiter participavit eisdem…»

O cristão é, pois, um ser de carne e osso resgatado pelo preço infinito do Sangue de Cristo: «imptoris pretio magno», que associado a uma vida e unido intimamente ao seu Corpo Místico é destinado a viver na terra como filho de Deus: «consors Divinae naturae». Numa palavra o cristão é um homem elevado ao estado sobrenatural, nem desencarnado, nem fora da terra. 

Desencarnado isto é: sem o seu corpo, sem a sua carne de pecado, sê-lo-á somente no dia em que o magno problema do seu eterno destino for para ele, definitivamente resolvido. Até lá porém, enquanto precisamente ele está na sua carne neste mundo, como pessoa ultra concreta, com a sua alma informando seu corpo e este por vezes pesando demasiado sobre a sua alma, deve o cristão assegurar esse destino de perspectivas infinitas… 

Um cristão não é um anjo, tampouco um santo embora seja este o tipo completo do cristão. 

Querer fazer de nossos dirigidos anjos seria um erro grosseiro e extremamente perigoso. O cristão não pode ignorar nem o sofrimento nem a tentação. Filho de Deus na carne, não somente como Deus «sinilitudinem carnis peccati», o cristão não pode viver fora do seu próprio corpo. Muito menos ainda fora deste mundo em que Deus o colocou. Enquanto, porém, estiver «in via» é um ser profundamente filho da terra a que está preso (quando mais atolado, por felicidade na sua lama). O mundo sensível que lhe opera sobre os sentidos, o mundo de que depende na sua actividade e no seu desenvolvimento, o mundo sociedade: a família, a profissão, a cidade ou povoação, exerce quer o cristão queira, quer não sobre ele um contacto imperioso e necessário quando não chega a ser uma influência real. Mas ainda que o mundo seja mau, lembremo-nos sempre da parábola do joio: «sinite atraque crescere usque ad messem» e das palavras de Nosso Senhor: «non rogo ut tollas eos de mundo sed ut serves eos ex malo…»


Resumindo: O cristão é o homem que em todas as suas circunstâncias de país, idade, temperamento e meio não desencarnado, nem longe do mundo, vive, como filho de Deus, a sua vida divina, procurando reproduzi-la em si e a seu modo o Cristo, Filho Unigénito de Deus, a cujo corpo Místico pertence. 

Viver não é ter simplesmente a existência, como uma pedra, ou qualquer ou qualquer outro ser inerte. A vida está em agir, a vida está no movimento «ob intrínseco» como dizem os filósofos. Todo o ser vivo tem em si o princípio da sua actividade. Vive porque e na medida em que utilizar a sua energia para crescer, desenvolver-se, adquirir novas perfeições e realizar possibilidades que em si se encontram. Com muito maior razão e em todo o vigor da expressão isto se pode dizer do homem, ser dotado de razão, consciente e capaz de se induzir. Dotado de liberdade se move como para onde e quando quer.

A vida da graça embora sobrenatural, deve, como vida que é, corresponder a esta definição. Se foi depositada na nossa alma, no Santo Sacramento do Baptismo, não foi para permanecer na inércia de uma real nulidade, mas, muito ao contrário para crescer e frutificar abundamente para Glória de Deus. Posta em nós sem a nossa cooperação (pelo menos quando se trata de pessoas baptizadas em criança) a vida divina não pode crescer, nem tampouco permanecer em nós, uma vez chegados ao uso da razão e por conseguinte capazes de regular a nossa actividade humana sobrenaturalizada, sem a nossa cooperação. Certos sempre do concurso indispensável de Deus e da sua graça, somos no entanto nós que agimos e nos determinamos livremente.




A nossa vida cristã supõe, portanto, da nossa parte uma actividade consciente e livre. Por isso mesmo que o nosso agir é consciente e livre somos muitas vezes, para não dizer continuamente obrigados a decidirmos-nos a escolha de dois bens o que julgamos mais nos convém. Na verdade o Divino Bem não nos apareceu ainda em toda a plenitude, e perante os bens parciais que nos solicitam pode a nossa vontade hesitar, perante bens contraditórios que se lhe apresentam pode ficar sem saber ao que deve atender, enfim perante tantos meios que se oferecem para realizar o fim que se propôs a nossa vontade pode escolher.

Se isto é já uma verdade quando se diz da actividade humana ainda não transformada pela graça, quanto mais o não é falando-se da opção que um cristão, como tal tem de fazer quando se encontra em presença de dois planos de actividade. Cada um destes planos tem seus fins próximos e remotos, têm seus meios peculiares, por vezes numerosos, mais ou menos eficazes e úteis. 

E é assim que o homem, com tem a sua vida sobrenatural poe essa mesma lei da vida, tende para a expansão de todas as suas capacidades físicas, morais e afectivas – no que contribui para as da Glória de Deus. Mas, esta tendência de extensão harmoniosa de todas as suas faculdades, que em si é boa, nem é abstracção, deve ser guiada, não pelo instinto animal mas pela razão e fé.

Não espera uma vida mutilada ou insignificante, nem uma vida corporal desportista, nem uma vida de ansiedade ou perturbação perante dificuldades que é preciso vencer, nem uma vida intelectualista ou estóica que despreza as realidades da vida e se refugia na sua cobarde torre de marfim. O cristão trabalha por conseguir e espera o desenvolvimento harmonioso de todas as capacidades pessoais, sem esquecer que a desordem trazida pelo pecado original requer a prudência no uso das criaturas sobretudo do corpo que sendo nobilíssimo instrumento da alma deve ser orientado para a vida sobrenatural.

















.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

PE. CORREIA DA CUNHA - ACÇÃO CATÓLICA IV















UMA VIDA A ANUNCIAR O EVANGELHO

 DA ALEGRIA.




As pregações do Padre Correia da Cunha aplicavam os princípios da oratória, da eloquência e da retórica, dando-lhe uma clareza de ideias. Para ele a liturgia do culto tinha que ser muito simples afim de não perder a direcção do Espírito Santo. Preferia a informalidade, quase didáctica e familiar, mas bem expositiva pois todos nos sentíamos atraídos em escutá-las naquele ambiente descontraído e sociável.

Havia sempre uma magna pergunta: Que sentido Cristo faz nas nossas vidas?

Lembrava, o cristão é aquele que em primeiro lugar, tem um contacto íntimo com os Evangelhos, procurando viver os princípios transmitidos por Cristo, adaptando-os para os dias actuais, implicando-os na transformação do mundo.

Para o Padre Correia da Cunha a Igreja não deveria estar preocupada consigo, consolando-se, mas inquieta com todos os Homens. No texto que hoje publico, verifica-se um homem que luta pela boa formação dos Jocistas que os ajudará na transformação do ambiente laboral onde estavam inseridos. 

Sempre lhe conheci um sonho: o de transformar a sociedade com a ajuda da graça do Espírito Santo. Não concebia o divórcio entre o culto e a vida quotidiana.

Defendia e praticava um permanente diálogo com as famílias da comunidade, com os jovens jocistas, com os marujos e políticos e a base dessa caminhada era sempre a do Evangelho como fonte transformadora da sociedade pela paz com justiça, dando voz aos que não têm voz. Não era só o culto, por muito espectacular que fosse, e as rezas que ajudavam a Construir o Reino de Deus mas o diálogo inclusivo com todos. 

Que bom seria haver uma pleiâde de padres Correia da Cunha. Uma vida inteira a anunciar o Evangelho da alegria.




Texto autoria do Padre Correia da Cunha


O que implica a plenitude da Vida Cristã?

A posição, o enunciado do problema é muito simples, mas encerra enormes exigências para quem o quiser viver ou fazê-lo viver profundamente como o deve querer o assistente jocista; e simplesmente isto: formar cristãos, formar jovens cristãos e formar jovens operários cristãos.

Formar cristãos e todo o fim principal do nosso labor de assistentes: formar gente que saiba ser cristão no verdadeiro sentido da palavra. Sabemos que a palavra: cristão se começou a usar aí pelo ano 43 em Antioquia com os discípulos ou santos como até então eram chamados os que seguiam a Cristo. Pois que este nome de cristãos seja bem compreendido pelos jovens operários com todos os seus direitos e com todas as suas exigências: que eles saibam aliar na sua vida quotidiana as aspirações de uma fé com os apelos da sua natureza que saibam resolver criteriosamente os árduos problemas da religião e da vida.

Formar jovens cristãos: Já é tempo de fazer desaparecer essa piedade piegas e mulheril da juventude. Ser cristão não equivale a andar de cabeça de lado e mãos no peito a toda a hora, mas ser cristão é ter a plenitude da vida, ter orgulho de o ser, cabeça bem levantada em todo o ardor da juventude. O jovem cristão não está proibido de jogar (os jogos lícitos bem entendido) de desenvolver o seu vigor físico, antes pelo contrário: anima sana corpore sano.

Formar jovens operários cristãos que vivam a sua vida cristã plena em qualquer estado que a Divina Providência os tenha colocado por menos viável que seja social ou moralmente - Trata-se pois de ajudar os jocistas a realizarem totalmente a sua vocação jocista.

É só isto, mas é tudo isto!

O nome jocista veio-nos da Bélgica. É tirado das iniciais de uma das especialidades da Acção Católica. 




Quer dizer: Jovens Operários Cristãos. Como jovens cristãos. Como jovens cristãos devem levar uma vida integralmente cristã, embora hoje em dia, infelizmente tenham de empregar esforços heróicos porque o seu meio está, em geral, muito corrompido. Como, porém diz o Cónego Cardyn é necessário transformar o meio operário porque os homens não podem na sua maioria despender esforços heróicos.

É o de cristão. Um jocista é antes de mais nada um cristão convicto, que não se envergonha de o ser e de o parecer. Deve portanto na sua vida privada e social corresponder a tão sublime vocação. O jocista devido à sua fé deve ser apóstolo conquistador de modo a levar para Cristo os seus irmãos apostados da Igreja pela nefasta influencia do liberalismo do passado século.


O cristão é o homem de Cristo porque acredita n’Ele vive N’ele, por Ele e com Ele para a glória ao Pai na Unidade do Espírito Santo.

A fé em Cristo é toda a Boa Nova. Viver em Cristo conhecendo-se seu membro no Corpo Místico, amá-lo vivendo a própria vida cristã pela graça.

Fazer como Cristo fazia: isto vos fará sentir sempre em tudo esta influência vital de Cristo é ser cristão no pleno sentido da palavra Vita functus est Cristimus.

De todas exigências da plena vida cristã a mais importante é viver com Cristo, proceder como cristão porque se o fizer possuirá a vida de cristão e verá forçosamente ela desenvolver-se em si assim como a fé: É este um duplo ponto ontológico e psicológico que encerra toda a vida cristã; o segundo aspecto leva-nos mais directamente à direcção das almas, mas só em vista do primeiro. Se, se considerar o jocista, operário, como filho de Deus ou membro de Cristo, deve antes de tudo mostrar-se à altura de tal nome.

Tudo isto nos leva, afinal ao grande problema: a religião e a vida. Em que relação estão a natureza e a supranatural, a vida e a religião. São realidades que se repilam, compenetram ou se ignoram? São coisas homogéneas, heterogéneas ou idênticas?

Pusemo-nos já algumas vezes em face de tais problemas? A teologia ensina-nos que basta ir ao sentido da graça ou da elevação ou as do pecado para termos a resposta técnica. Mas na sua transposição prática, concreta a sua projecção na vida é mais difícil mas iremos trata-la e aborda-la.

E todavia é este problema que se apresenta mais vivo e flagrante na vida cristã: Quais são as relações do homem com o cristão? E da vida com a religião? Se os fiéis e a juventude sobretudo não sabem dar-lhes resposta adequada sabê-lo-emos nós que temos a obrigação?




















.





segunda-feira, 2 de julho de 2018

PE. CORREIA DA CUNHA - ACÇÃO CATÓLICA III









«A MELHOR ORAÇÃO É A CARIDADE!»



Guardarei sempre com muita gratidão a lembrança da máxima do Padre Correia da Cunha: «A melhor oração é a Caridade». Foi esse o caminho que sempre procurei trilhar ao longo da vida.

O Padre Correia da Cunha abominava as orações discursivas, orar para ele era um acto de afectividade e agradecimento. No profundo silêncio, escutar na intimidade a forma de cultivar o Amor a Deus e aplicá-lo à realidade na qual vivia. Nas celebrações litúrgicas os leccionários e ordinários serviam apenas como tópicos, as orações, súplicas e salmos brotavam do fundo do seu coração, adaptadas ao momento presente e eram sempre fruto da sua imensa inspiração poética.

O que considerava essencial era que cada um de nós, a começar por ele, se tornasse mais humano à semelhança de Jesus. Mas lembrava que este processo não era resultado só do esforço humano, por muito que o desejássemos, mas antes pelo contrário, era consequência da Graça Divina. ‘’O espírito sopra onde quer, e ouve a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. (Jo.3.8)’’.

O Padre Correia da Cunha deixou-nos também uma definição lapidar do cristianismo: «É uma vida que se vive e não um compêndio de ideologia que se aprende».
A espiritualidade é portanto um estilo de vida, um modo de sentir, pensar e agir segundo o sopro Divino que é amor, alegria, paz, bondade, fidelidade…

Ninguém melhor que o Padre Correia da Cunha compreendia o amor entre um rapaz e uma rapariga. Tinha uma longa experiência no trabalho com os jovens, ancorado na sabedoria da Palavra de Deus e dos ensinamentos da Igreja; apresentando de maneira clara, directa e objectiva tudo aquilo que os namorados precisavam de saber e viver para cumprirem a bela missão que Deus ambicionava para esse amor, que germinava no coração de cada um dos enamorados.

Era verdadeiramente um grande orientador espiritual para os jovens que iniciavam os seus galanteios pelos claustros do mosteiro de São Vicente de Fora. Ainda hoje recordo essa sua grande missão e preocupação em cuidar com sabedoria e espiritualidade os aspirantes a formarem uma família cristã.


 Oiço ainda hoje muitos testemunhos de gratidão pela imensa obra que tantas famílias da Armada e da Paróquia de São Vicente beneficiaram com essa sua acção pastoral.






TEXTO AUTORIA DE PADRE CORREIA DA CUNHA


O fim é sempre idêntico, os caminhos diferentes.
Aplicação concreta.
Outros pontos importantes: vida de oração e vida afectiva.
Frente ás dificuldades.
Como resolver?

A grande lei da Caridade Cristã: Diligere Deum super omnia, et proximum sicut se ipsum molaribus instat; é o grande princípio idêntico e único para todas as pessoas, mas as aplicações são, sem dúvida, diferentes.

Assim os jocistas podem glorificar a Deus e amá-lo segundo o seu estado o permita. Não é só poder é também dever. A doutrina que os jocistas percebem melhor, nunca nos esqueça, é a do Corpo Místico.

Lembremo-nos que os jocistas precisam de um grande ideal para o alimentar uma grande espiritualidade. Que comportará pois, a aplicação da doutrina evangélica nos nossos jocistas? Na prática traz muitas dificuldades.
Nós devemos deixar que se desenvolva nos jocistas o espírito de classe… Não é contrário ao preceito da caridade universal, antes pelo contrário, é conforme aos planos da Providência sobre eles e o papa quere a Acção Católica especializada: operários com operários, engenheiros com engenheiros, São Paulo faz-se judeu com os judeus, gentios com os gentios…

E ainda será o espírito nacionalista exagerado ou o universalista contrário à Doutrina Cristã? Se qualquer deles o for, será o assistente o trabalho, tarefa de o tirar e de não deixar que se intrometa. E a comunhão frequente que excelente meio de santificação pode prejudicar a vida corporal e social do jocista. Que devemos nós sacrificar a saúde e o dever de estado à alegria de receber todos os dias Nosso Senhor ou ao contrário?





A vida de oração e a vida afectiva são outros pontos da máxima importância. Qual será a vida de oração que o assistente deverá inculcar no espírito dos seus jocistas? Deve levá-los e orientá-los a uma vida de oração mais afectiva que discursiva? Ou conduzi-los pelos caminhos por que ele próprio passou? Até que ponto lhes pregará o desprendimento do coração a vigilância dos sentidos? Deve preservá-los de toda a afeição, falar-lhes do matrimónio como uma oração secundária? Ou fazê-los pensar nele e desejá-lo?

Perante tais dificuldades não basta ao assistente ser um santo sacerdote, consciencioso director de almas mas é lhe necessário também estudar o problema da direcção dos jocistas em particular. Os jocistas têm certas necessidades que outras classes sociais não terão. E são os jocistas que o assistente deve formar e conduzir na sua vocação jocista ao completo sentimento e vida divina. Deve pois o assistente estudar a situação os meios em que estão e procurar uma resolução conveniente na sua vida de cristãos de operários e de jovens sedentos de um grande ideal de futuro…

Como resolver tais dificuldades? Uma solução se propõe: o estudo serio universal e singular delas e a sua aplicação pratica, raciocinar sobrenaturalmente, sacerdotalmente a nossa acção confrontando-a com os princípios que a nossa teologia dogmática e pastoral escrituristica  que nos fornecida durante o tempo de seminário e que não deixaremos de ver de vez enquanto.

Devemos trabalhar para fazer ver aos jocistas a grande realidade da vida de Cristo do cristianismo nas suas almas e sobretudo faze-los viver…

Devemos pensar no grande problema da direcção espiritual destes jovens operários que serão os apóstolos junto de seus camaradas e as pedras fundamentais desta grande catedral que eles tanto desejam construir: a catedral de uma vida da melhor decência de amor e esperança. Uma vida sobrenatural de Cristo neles.

Mas antes de mais nada formar-nos-emos a nós mesmo formar em nós os assistentes jocistas com a vida de oração, de caridade, como a vida de Cristo sacerdote!





















.