quinta-feira, 2 de março de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA - POESIA I
















UMA ALMA DE POETA CHEIA DE 

ILUSÕES…



Quem conheceu o Padre Correia da Cunha sabe muito bem da sua alma de poeta, que construía poesia como o mesmo encanto com que contemplava as páginas maravilhosas do grandioso livro da mãe natureza.

A sua poesia falava do amor divino, do amor fraternal e do amor maior que está espelhado por todos os cantos do planeta, somente percetível aos amantes e aos poetas. O Zézito ainda era uma criança, mas já tinha a alma de poeta. Era um verdadeiro apaixonado e comprometido com a poesia e com o amor ao próximo.

Só quem como o Padre Correia da Cunha que tinha alma de poeta pode sentir que escrever é uma necessidade. Para ele era como gritar em silêncio, enfurecendo-se com a quietude…

Ter alma de poeta é sentir para além, pois cada detalhe torna-se uma imensa preciosidade.
A sua alma de poeta estava cheia de ilusões que revelava nos seus versos. Nesta colecção de poemas de sua autoria, que hoje publico, podemos verificar como expressava a sua alma de poeta, neles revelando os seus pensamentos sobre as coisas visíveis e sobre as obras do supremo Criador.


Espero que estes seus poemas abram os nossos corações e nos ajudem a vivermos num Mundo Melhor. Saibamos viver cada dia com a esperança de não deixarmos perder os valores neles transmitidos e não percamos o sorriso da alegria e despertarmos cada dia com Deus nos nossos corações.


Nos seus poemas vemos uma vida de desejos, emoções e felicidade nem sempre compreendidos. Em cada verso podemos sentir a força da sua paixão no brilho de cada palavra.


Torna-se cada dia mais difícil encontrar palavras certas para descrever este Padre – Marinheiro – Poeta, de tanto talento que na sua enorme simplicidade demonstrava tamanha sabedoria, pois para além de ser um adorável Mestre de Vida era um abençoado por Deus.






Versos

Versos …mais versos…fumo que se esvai,

Nuvem que se desfaz ao sol de Agosto…

Versos … mais versos …breves como um ai…

E um verso é um sorriso ou um desgosto…


Versos…mais versos…onda que, à volta,

Mal beija a praia logo às ondas volta…

Rumor d’asitas presas na gaiola

Da métrica, do estilo, ou duma escola.



Versos… mais versos … reza de algum monge

Bichanando em surdina o seu saltério…

Versos…mais versos…sons que para longe

O vento leva envolto em seu mistério…



Versos… meus versos …rocio que perpassa

Minha alma e coração (versos de Deus)…

Versos …meus versos… tão sem cor nem graças

Ó perdoai-os bons amigos meus!



Versos…meus versos – cantos pobrezinhos

Dum passarito absorto em seus ensaios

Versos … meus versos. Música de ninhos…

Deixai que diga…e depois rasgai-os.



Eu falo como sei e como posso
Em versos …e talvez em prosa.
Versos …fraca expressão da sinfonia
De um coração que vibra como o vosso!


Versos …mais versos… - chuva miudinha
Que a Terra sorve assim que nela cai
Luz de candeia quase apagadinha
Palavra que já vem e logo sai.

 No princípio era Deus - O sem princípio
Ele era em Verbo e Amor eternamente
Aquele que É, o Ente, o Particípio
Sem passado ou futuro, - Só presente.

No princípio era Deus, na imensidade
De sua Essência envolto. Ele era.
O’stático relógio – Eternidade
Media, só, o tempo que viverá.

No princípio era o Verbo, era o Poema
Numa palavra só, que só Deus diz.
E o verbo é Deus, é Luz da Luz suprema
E Deus é Uno, eternamente feliz.

No princípio era Deus. Era o Dilúvio
Do recíproco amor: do Pai, do Filho.
O traço de união Divino Eflúvio;
Da caridade e Paz: Celeste brilha.

No princípio era Deus. O resto o nada
Onde a futura criação jazia,
- Qual compasso de espera em sinfonia
Atendendo ao sinal para a entrada.

Mas Deus falou e d’algidez do nada
Surgiram Terra e Céus. E Deus sorria
Ao ver como era bom quanto fazia.
Depois pegou n’argila enlameada

Moldou, soprou …e apareceu Adão
O sacerdote e Rei da Criação
E a terna Eva os dois de braço dado
A Eva, a ternura, repoisando ao lado…

Depois veio a serpente de Satan
Depois veio a inveja de Satan
E Eva teve fome da maça
Depois…Depois … a queda e o pecado
Depois a morte um prémio do pecado…



O fruto amargo e tredo do …
E era amargo o fruto do pecado
Colheu,  comeu e deu a Adão
O fruto amargo e tredo do pecado

Sereis iguais a Deus, disse a serpente.
E Adão caiu, pecou. Foi o borrão
A nódoa negra, a mancha enorme, ingente
No poema Divino: A criação.

E sei, meu Deus, o quanto custa à gente
Um verso que sai mau…Ó fraco Adão!
Ó verso mau! Ó desafinação!
No coro universal do Omnipotente!

Mas Deus quis emendar: veio a rasura:
- Novo poema, nova partitura
Surgiu então ao som da sua Voz.

E a Santa Igreja ainda hoje canta:
- Bendita a culpa tão feliz e santa
Que fez de Deus um Homem como nós!

E o Verbo se fez carne – incarnação
E o Verbo se fez carne – coração
Como se o mar um dia enlouquecesse
E em sua enorme fúria quisesse
- Ó impossível em que às vezes penso!
Esconder-se num dedal
Assim, meu Deu, numa loucura igual
Fizeste ao teu amor infindo e imenso
Um coração de barro.




Padre Correia da Cunha nas escadarias de São Vicente de Fora



Aos três da unidade Sacrossanta
Seja o louvor da rasteirinha planta
Sua glória e seu amor, pelos sagrados
Corações de Jesus e de Maria.

E a Vós, ó mestres meus amados,
Fradinhos dos Sagrados Corações
Ó livrinhos das minhas devoções
A gratidão, o Preito e a cortesia.

E a todos vós, ó bons amigos meus,
Eu só desejo a Graça e Paz de Deus.

CONGREGAÇÃO DOS CORAÇÕES DE CRISTO

E da Virgem Maria
Ó mística Família, que eu avisto,
No sonho, enlevo desta poesia
Hábitos brancos baloiçando ao vento
Mantos d’orações cor de cereja
Qual via láctea, neste firmamento
Que é a Santa Igreja
Onde há estrelas, planetas, astros, sois
Sábios, santos, mártires, heróis!...


Padre Correia da Cunha por terras de Espanha



POETA

Ou sonhador não sei que sinto e digo…
Sabe o que diz a boca dum profeta?
Sabe o que sente um coração amigo?

Ouvi, Irmão, os passos de Coudrin
Andando pelo mundo a caminhar
O marche à tene ainda não parou
E quando há-de parar?
- Ei-lo que leva a Luz da Fé Cristã
E o fogo em chama desses corações
Em que se incendiou
Às mais longínquas  inóspitas plagas
Até aos selváticos negros dos sertões
Ao mundo inteiro
Ei-lo que planta laudo jardineiro
Em toda a parte a Cruz das Cinco Chagas
Eu vejo e oiço os passos de Condrin
-Visão ou sonho: fantasiava?

Anda Condrin ainda em seus passos fradinhos
A evangelizar
Cruzaram-se agora em todos os caminhos
Os frades dos Sagrados Corações
Não cabe já na Europa o seu ardor
Ei-los que vão lançar fogo d’amor
Ao mundo… Missões! Missões! Missões!
Palavra em prece duma multidão
D’almas famintas sem jamais ter pão
D’almas que morrem sem jamais ter Vida
Missões! Missões! Missões!
Brônzea palavra assim tão repetida
Qual ribombar em eco de trovões
Ao grito de socorro que espanta
Réquies de rebate
Missões! Missões! Missões!
E ao som destes clarins do bom combate
Surgem os frades dos dois corações
Apóstolos do Bem só à procura
D’almas sagradas de que são a cura
D’almas chagadas de que são a cura
D’almas perdida de que são resgate
Ó cavaleiros da Cruzada Santa
Tendo por escudo os corações sagrados
Por amar a perpétua adoração
A prece e a pregação em manto vermelho é o vosso arnês
Eu vos saúdo e beijo os vossos pés
Evangelizadores da Paz do Bem
Pombos-correios que voais levando
A Boa Nova pelo Mundo além
Glória a vós Santos Missionários
Louvor a vós que andais do amor ao mando
na messe do Senhor estais trabalhando.

FRADINHOS

Ó meus fradinhos de neve
A rescender a açucenas
Vesti-vos como prescreve
A regra que assim faz pena

Um arzinho de brancura
Sempre em vosso todo enxergo
Ó meus fradinhos de neve
Mesmo quando andais de negro

Ó meus fradinhos de neve
Não andeis de negro, não
Eu nunca vi a farinha
Andar da cor do carvão.

Frades de neve, branquinhos
Eu quisera ser Camões
Pra vos cantar, ó Fradinhos
Dos sagrados corações.

Três é conta que Deus fez
Folhinhas do amor-perfeito
Vós trazeis três corações
Juntinhos no mesmo peito.

E são os três tão parecidos
Têm todos uma  cruz
Qual será o de Maria
Qual o vosso é o de Jesus?

Tem espirito o de Jesus
Tem-nos o da Virgem Mãe
E o vosso sabe o Deus
Não terá espirito também?

Ó Fradinhos missionários
Hábitos cor do Luar
Quem vos pôs assim branquinhos
Foi neve ou espuma do mar?

CORAÇÃO DE MARIA – Ó GIRASOL

Aurora a que se agarra a nossa esperança
Como um peixinho à isca do anzol
Coração de Maria – ó Arrebol
D’aurora matinal – mar de bonança
Aonde em Paz meu coração se lança
Como no mar se afoga em fogo o Sol

C oração de Maria – Amor de Mãe
Qu’em testamento nos legou Jesus
Mulher eis o Teu Filho – era João
Havia ódio em Jerusalém
Propiciava a hóstia no altar da Cruz
Pulsava em ti, Maria, um Coração!

Coração de Jesus
Vulcão de Amor, Cratera em fogo e luz
Livro da Vida aberto a toda a gente
No a b c do Amor
Livro Perdão aonde  em Santo Epílogo
O homem lê chorava e cantava penitente
A história do pródigo sacrílegos
Coração de Jesus ó aula aberta
Onde se aprende a ciência do amor
Coração de Jesus ó Coração

Resgate e Vida do proscrito Adão!POETA

Ou sonhador não sei que sinto e digo…
Sabe o que diz a boca dum profeta?
Sabe o que sente um coração amigo?

Ouvi, Irmão, os passos de Coudrin
Andando pelo mundo a caminhar
O marche à tene ainda não parou
E quando há-de parar?
- Ei-lo que leva a Luz da Fé Cristã
E o fogo em chama desses corações
Em que se incendiou
Às mais longínquas  inóspitas plagas
Até aos selváticos negros dos sertões
Ao mundo inteiro
Ei-lo que planta laudo jardineiro
Em toda a parte a Cruz das Cinco Chagas
Eu vejo e oiço os passos de Condrin
-Visão ou sonho: fantasiava?

Anda Condrin ainda em seus passos fradinhos
A evangelizar
Cruzaram-se agora em todos os caminhos
Os frades dos Sagrados Corações
Não cabe já na Europa o seu ardor
Ei-los que vão lançar fogo d’amor
Ao mundo… Missões! Missões! Missões!
Palavra em prece duma multidão
D’almas famintas sem jamais ter pão
D’almas que morrem sem jamais ter Vida
Missões! Missões! Missões!
Brônzea palavra assim tão repetida
Qual ribombar em eco de trovões
Ao grito de socorro que espanta
Réquies de rebate
Missões! Missões! Missões!
E ao som destes clarins do bom combate
Surgem os frades dos dois corações
Apóstolos do Bem só à procura
D’almas sagradas de que são a cura
D’almas chagadas de que são a cura
D’almas perdida de que são resgate
Ó cavaleiros da Cruzada Santa
Tendo por escudo os corações sagrados
Por amar a perpétua adoração
A prece e a pregação em manto vermelho é o vosso arnês
Eu vos saúdo e beijo os vossos pés
Evangelizadores da Paz do Bem
Pombos-correios que voais levando
A Boa Nova pelo Mundo além
Glória a vós Santos Missionários
Louvor a vós que andais do amor ao mando
na messe do Senhor estais trabalhando.

FRADINHOS

Ó meus fradinhos de neve
A rescender a açucenas
Vesti-vos como prescreve
A regra que assim faz pena

Um arzinho de brancura
Sempre em vosso todo enxergo
Ó meus fradinhos de neve
Mesmo quando andais de negro

Ó meus fradinhos de neve
Não andeis de negro, não
Eu nunca vi a farinha
Andar da cor do carvão.

Frades de neve, branquinhos
Eu quisera ser Camões
Pra vos cantar, ó Fradinhos
Dos sagrados corações.

Três é conta que Deus fez
Folhinhas do amor-perfeito
Vós trazeis três corações
Juntinhos no mesmo peito.

E são os três tão parecidos
Têm todos uma  cruz
Qual será o de Maria
Qual o vosso é o de Jesus?

Tem espirito o de Jesus
Tem-nos o da Virgem Mãe
E o vosso sabe o Deus
Não terá espirito também?

Ó Fradinhos missionários
Hábitos cor do Luar
Quem vos pôs assim branquinhos
Foi neve ou espuma do mar?

CORAÇÃO DE MARIA – Ó GIRASOL

Aurora a que se agarra a nossa esperança
Como um peixinho à isca do anzol
Coração de Maria – ó Arrebol
D’aurora matinal – mar de bonança
Aonde em Paz meu coração se lança
Como no mar se afoga em fogo o Sol

C oração de Maria – Amor de Mãe
Qu’em testamento nos legou Jesus
Mulher eis o Teu Filho – era João
Havia ódio em Jerusalém
Propiciava a hóstia no altar da Cruz
Pulsava em ti, Maria, um Coração!

Coração de Jesus
Vulcão de Amor, Cratera em fogo e luz
Livro da Vida aberto a toda a gente
No a b c do Amor
Livro Perdão aonde  em Santo Epílogo
O homem lê chorava e cantava penitente
A história do pródigo sacrílegos
Coração de Jesus ó aula aberta
Onde se aprende a ciência do amor
Coração de Jesus ó Coração
Resgate e Vida do proscrito Adão!


Seminarista Correia da Cunha  e foto de António Correia de Oliveira





Família dos Sagrados Corações
Mas afinal que são vulcões que sobre o coração
Trazem as prendas da congregação
Paira nos ares a aguia de João…


Corações de Jesus e de Maria
Ó versos sacrossantos
Da imortal poesia
Que Deus fez em dois cantos

São estes dois vulcões em férvido cachão
São este oceanos.
- Ondas de fogo: eis a maré crescente
Áureo de Mãe : eis a outra corrente
Qu’em seus peitos humanos
Trazem os frades da congregação.

No princípio era Deus na imensidade
De sua própria essência envolto. Ele era
Só o relógio da eternidade
Media, quedo, o tempo que vivera.

No princípio era Deus o sem princípio
El’era em Verbo e Amor eternamente
Aquele que É O Ente, o particípio
Sem passado ou futuro: só presente


No princípio era o Verbo era o Poema
Numa palavra só – que só Deus diz
E o Verbo é Deus é luz da Luz Suprema
E Deus é Deus. Eternamente feliz.


No princípio era Deus – era o Diluvio
Do reciproco Amor do Pai do Filho
O Traço de união – Divino Eflúvio
De Caridade e Paz - Celeste Brilho

Anda Condin ainda pelo mundo
Jerónimo: criado dum judeu
Tão doce e bom - assim não há segundo
Foi um Patrão que me caiu do Céu
- O nome d’él ? Rabi
Eu não conheço nem tal nome ouvi…
- Se o conhecesses - Fé terias justo
Em O Servir- aposto…

Há pássaros que interpretam
Musicas que faz o Sol
- Compositor é Pascal
Padre Inácio rouxinol.

A Eva mudou-se em Avé
Mãe de Jesus novo Adão
Ó criação de Maria
Maria do coração.

Deus é poeta. Deus é quem inspirado,
ao homem dita este poema: - a Vida
Nós o escrevemos d’alma ao céu erguida
Nas páginas do tempo a nós marcado.

Lirismo e epopeia lado a lado
E cada emoção por nós sentida
É verso no presente e em seguida
É rima nas estrofes do passado.


Vida poema sim, mas imperfeito:
- Inspiração divina mas ao jeito
D’humana forma (alguém que o não sinta?)
Ah! Deus não erra um verso, não se engana ,
Nós é que, às vezes, por fraqueza humana
Lá deixamos cair borrões de tinta.


José Correia da Cunha


















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