terça-feira, 15 de novembro de 2016

PE. CORREIA DA CUNHA – A IRMÃ PEDRA


















“ A NOSSA IRMÃ PEDRA CHOROU… “


Entre os papéis já amarelecidos dos apontamentos do Padre Correia da Cunha, encontrei um trecho de uma conferência sua sobre: A Lição da Pedra.

A nossa Irmã Pedra, forte, admirável e calma segue o caminho que Deus lhe traçou… Quem teve o privilégio e o prazer de o ouvir, não sabe que mais admirar neste clérigo se o talento, o saber, a finura de espírito ou a delicadeza dos seus sentimentos.

Este trecho sobre a Irmã Pedra que li e reli carinhosamente, enleva-nos e atrai-nos porque tudo nos parece iluminado pela bondade da sua alma, pela profundidade da sua fé, pela sua crença em tudo o que há de mais sublime, elevado e nobre. O Padre Correia da Cunha era visceralmente crente e sentia uma sincera afeição e veneração pela natureza.

O Padre Correia da Cunha com a sua imensa alma de poeta tinha uma imaginação voltada para as visualidades exuberantes da Mãe Natureza. Para além dos poetas só os santos sentem a alma elevar-se às regiões da pura espiritualidade ou a contemplações místicas…

Este texto transportou-me para uma magnânima figura de primeira grandeza com registos de ouro da humanidade: São Francisco de Assis - o amoroso contemplativo da Natureza, o doce amigo dos humildes… Em Deus via o princípio e o fim de todas as coisas.

O Padre Correia da Cunha tinha o dom dos grandes escritores e poetas e um apuradíssimo talento de admirador das artes e da música que o seu  refinado ouvido o fazia apreciar, sentir e interpretar toda a boa música enquanto sabia também ser um orador correcto. Ele escrevia e ouvia com o melhor da sua alma.





























Devo-lhe o pouco que sou, com a satisfação de ter sido seu discípulo. Cabe-me o gosto de cumprir um dever moral para com todos os que conviveram com ele e foram também seus discípulos na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora. Tenha-se em conta a quantidade de gente notável que o conheceu e permanentemente me têm manifestado o seu desejo para que continue esta homenagem á memória deste grande mestre de vida, que tendo sido padre, também foi marinheiro e poeta.

Agradecendo tão dedicada atenção de muitos bons amigos, vou por esta forma cumprindo o dever que a amizade pelo Padre Correia da Cunha me impõe.

É vastíssimo o rol de apontamentos que deixou inéditos, anotados pela sua própria mão, que o seu sobrinho, Eng.º Aníbal Cunha me fez chegar e que representam para mim um imenso desafio. Aos poucos serão por mim, carinhosamente publicados.



Padre Correia da Cunha by Desiree Fabela




A LIÇÃO DA PEDRA



(Conferencia pelo Padre Correia da Cunha)



Como aqueles «pregadores de estola rica» que, para falarem de Santa Eulália, remontavam obrigatoriamente às origens do mundo, o melhor, aos primórdios da criação, também me parece conveniente, senão necessário, começar pelo pecado de nossos primeiros pais – única coisa verdadeiramente original que o homem jamais realizou. Nem se julgue que é ocioso e inútil retroceder tanto, que, para se conhecer um pouco o mistério e a grandeza da obra de Deus, bom é que meditemos na miséria e baixeza da obra do homem.

Nenhum de nós ignora o mal que o pecado original foi para a humanidade. Nem tampouco desconhece a extensão das suas trágicas consequências. Há, no entanto, um aspecto que me parece não ser suficientemente considerado: - a repercussão da desgraça em toda a natureza material.

Na verdade pelo pecado, o homem não só se precipitou na profundeza do abismo - de profundis clamavi – mas arrastou também na sua queda a criação inteira. É que o homem foi criado por Deus como a coroa da sua obra, flor de toda a natureza e sua cúpula, ou, se quisermos, como a obra-prima - imagem e semelhança divina que o Senhor colocava sobre o pedestal maravilhoso da criação. E como toda a obra de arte tem uma finalidade, o homem fora criado e tão altamente colocado, para ser o intérprete consciente e livre da nudez das coisas, para glorificar por si e por elas o Divino Artista. Mas pecando o homem renuncia voluntariamente a esta sua inicial missão, e, precipitando-se no abismo, deixa sem voz toda a natureza, priva todo o cosmos do acesso ao trono de Deus. No fundo, o que aconteceu com o pecado original foi simplesmente esta trágica e enorme desgraça: o ruir da ponte que ligava as margens de dois mundos! O de Deus e o da sua criação.


Se as comparações nos podem ajudar a fazer melhor ideia do descalabro, direi ainda que foi como se à roseira se tirasse a possibilidade de desabrochar em rosa, obrigando-a a ser unicamente raiz envergonhada nas entranhas da terra, tronco contorcido de dores, ramos e folhas torturados de espinhos e nada mais.


Mas de que serve a roseira senão para florir em rosas e exalar perfume?


Será, porventura, inteiramente roseira, se não puder desabrochar? Lembremo-nos da palavra de Jesus a respeito da figueira estéril e teremos uma imagem da verdade do mistério.

Pois, como o pecado original, todas as criaturas ficaram sem a voz que por elas louvava o Criador; todas ficaram sem as mãos que as erguiam aos céus; todas ficaram sem a cabeça que por elas amava a Deus. Tudo veio a perder: O homem precipitando-se no abismo, a natureza ficando sem o acesso ou ponte que a ligava à grande margem do Infinito. Tudo sofreu a miséria e a vergonha do pecado original. A todos os seres, à nossa maneira, choraram: - sunt lacrimal rerum! No dizer do mais cristão dos poetas pagãos.








Entre todas as criaturas uma há, porém, que muito me comove pela sua envergonhada pobreza, pela sua serviçal humildade, pela sua desinteressada dedicação e até pelo permanente esquecimento a que é votada – a nossa Irmã Pedra de que até o poverelho, Santo Irmão das águas e do fogo, parece ter-se esquecido!...

Aquela massa monolítica, «tosca, dura, bruta, informe» de que fala Vieira, julgando-a só pelas aparências, no sexto dia da criação estremeceu de alegria por poder sustentar nas mãos fortes e rugosas a obra-prima em que o Senhor moldara a sua imagem e imprimira a sua semelhança.

Qual não terá sido depois a vergonha e tristeza da nossa Irmã Pedra ao ver a degradação em que caíra a sua jóia, o seu ai Jesus!?

Qual não terá sido a sua desolação quando sentiu que já não tinha a amarra que a ligava ao Céu?
Também de certo modo a nossa Irmã Pedra chorou … E tanto mais, quanto ela, como nenhuma outra criatura, sentiu e acompanhou a desgraça do seu benjamim.

Guardando com pudor na nudez do seu seio, como em relicário secreto, os brilhantes das suas lágrimas, não deixou de ser para o homem aquilo que Deus quis que ela fosse: uma serviçal humilde e sempre pronta para tudo. Deixa-se transformar em casa para o proteger e guardar; serve-lhe de lareira para aquecer e acalentar; é lhe mesa para o alimentar; estende-se no chão para o trazer nas palminhas; e fornece-lhe até o material para perpetuar o seu talento ou o seu génio. E sempre calada e simples e pronta.

Apenas, quando a deixam livre na sua natural prisão, se abre em confidências com o mar, ou esfume aos seus gritos de dor na ânsia que lhe ficou de chegar ao trono de Deus. Veste então a sua capa de arminhos de neve, e assim virginal, rebrilhando às caricias do Irmão Senhor Sol, quase levada pela sua luzente mão, tenta fazer a escalda dos céus e bater às portas do firmamento. Mas não consegue porque lhe falta, este gigante homem. As portas não se lhe abrem porque a voz do seu silêncio, embora eloquente e majestosa, não tem vibração humana-espiritual capaz de se fazer ouvir no reino de Deus.

Tal era o drama angustioso da nossa Irmã Pedra!

As lágrimas da sua vergonha quem as soube apreciar?

A, quando o homem se serviu da sua humildade para prestar culto aos ídolos, quem sentiu a humilhação e angustia da nossa boa Irmã Pedra?

- Sunt lacrimae rerum! Sunt lacrimae lapidis!







Com a Redenção, porém, tudo se reabilita e se transfigura. No tempo da Eternidade está o altar do Cordeiro que, segundo a visão do apocalipse, diz: Ecce nova facio ormia .
Já São Paulo, que perscrutou os gemidos das coisas .

- omnis creatura ingerniscit  - fala na redenção das criaturas em Cristo – instaurare omnia in Christo.
A nossa Irmã Pedra, por Cristo e pela Igreja, corpo mistico de Jesus, é exaltada numa redenção maravilhosa.

Ei-la que, como Sara e Isabel, se sente liberta da vergonha e do opróbrio e, como a Virgem Maria, pode cantar o seu Magnificat : quia respeacit humilitatem aucillae suae … facit milui magna qui potens est.
Ei-la, pois, redimida, cantando em êxtases de luz e formas os poemas das catedrais!
Ei-la, erguendo aos céus em oração as mãos postas das suas ogivas e atirando ao alto as jaculatórias das agulhas e coruchéus!

Ei-la, abrindo os braços para sustentar os sinos que lhe servem de voz!
Ei-la, rasgando-se em janelas para que a luz do alto ilumine os filhos de Deus!
Ei-la, prostrando-se em adoração nos degraus do Santuário!|
Ei-la, sendo a casa de Deus no meio dos homens – Tabernaculum Dei cum homnibus!
Ei-la, enfim, divinamente glorificada, sendo ela própria, a nossa Irmã Pedra, sacramental forte e permanente de Cristo – altar de sacrifício e mesa de comunhão!

Tal é, no mistério da Redenção, a grandeza da Pedra.








À luz de Cristo, todas as coisas recebem uma iluminação divina. Pela sua graça todos os seres têm uma projecção sobrenatural. Não é simples figura de retórica a estrofe diz: Terra, pontus, astra , mundus, quo lavantur flumiul.

Irmã pedra sacramento de Cristo.

A expressão máxima da sublimação da Pedra está na sacramentalidade da sua função litúrgica: a Pedra pode ser altar, imagem e representação do próprio Cristo, segundo a palavra do Pontifical na ordenação do subdiácono

- Altar quidem sancta Ecclesial ipse est Christus, teste Johanne, qui in apochalipsi sua altare aureum se vidisse perhibet: staus aute thronum, in quo et per quem oblationes fidelium Deo Patri consecramtus.

Não será, pois ousado afirmar que, se a Sagrada Eucaristia é a presença real e verdadeira de Jesus em corpo, sangue, alma e divindade, a Pedra sagrada altar é o símbolo material e por consequência um sacramental do próprio Cristo.


Na verdade, Cristo, segundo a expressão do Concilio de Trento, é o Sacerdote, a vítima e o altar do seu sacrifício. Ele é, na visão apocalíptica, o Cordeiro e o altar vivo dos Céus, e na dogmática a natureza humana de Cristo é o material que se transformou em altar sob a unção divina do Espirito e pela vontade do PAI. O grande e verdadeiro e autentico altar é Cristo. A grande e verdadeira e autentica Pedra é Cristo – pedra angular – que se abre em fonte de graça para os homens, e em cântico de glorificação para o Pai, tal como o apostolo o vê na imagem ou símbolo do rochedo de onde Moisés faz jorrar a nascente de águas vivas para os filhos de Israel – bibebant antern de consequente e os Petra, Petra autem erat Christus.









































Jesus, porém, é Pedra principalmente no seu sacrifício redentor, sobre a montanha do Calvário, aí é que Ele exerce primeiramente a sua missão sacerdotal. Aquele é que foi o grande eterno e único sacrifício em que Ele próprio foi sacerdote, vítima e altar. No seu infinito Amor pelos homens, quis porém, o Senhor que aquele sacrifício permanecesse oferecendo a redenção aos homens de todos os tempos e lugares, e para tanto projectou no plano litúrgico das realidades místicas o sacrifício histórico da Cruz; tornou-o presente e permanente na liturgia da Ceia e da Missa. E neste plano litúrgico, é evidente, Cristo continua sendo o altar do seu sacrifício, como é de fé. No entanto a nossa Irmã Pedra material, que é ara de sacrifício e mesa de comunhão, tornou-se com a sagração litúrgica o símbolo mais expressivo da permanência de Cristo como altar. Irmã Pedra sacramental da Igreja.















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domingo, 6 de novembro de 2016

PE. CORREIA DA CUNHA - SÃO NUNO DE SANTA MARIA












«VERDADEIRAMENTE ETERNO E  

           IMORTAL!»




Passa hoje o dia de Nuno Alvares, o Santo Condestável. Livrou a Pátria da morte, num momento em que ela parecia desagregar-se. Elevou o valor e o destemor à suprema expressão religiosa.

O guerreiro de Aljubarrota demandou o claustro para nele sublimar a sua existência, purificando-se das fraquezas da humanidade. Figura nacional sem competidor, ele encarna Portugal na defesa da sua fé e sua capacidade de sacrifício.


Há quem o esqueça? Não sabemos, pois cremos que o facto de alguém ser português envolve imediatamente uma adesão ao culto do Condestável.
Hoje transcrevo um soneto da autoria do Padre Correia da Cunha de evocação a esta heróica figura de virtudes cristãs.


A FALA DO CONDESTÁVEL


VALVERDE… QUANDO A HOSTE PORTUGUESA
SE PERDE NUMA IMENSA CONFUSÃO
RECOLHE-SE DOM NUNO EM ORAÇÃO
DEIXANDO TUDO AINDA EM LUTA ACESA


AO VÊ-LO UM SOLDADO COM SURPRESA
CHAMA: - SENHOR, NÃO SE VOS DÁ ENTÃO
QUE PORTUGAL SE PERCA,…NÃO? – IRMÃO
OLHA…O MELHOR MONTANTE É NOSSA REZA,


ERGUENDO-SE LHE VOLVE O BOM DO SANTO
E CONTINUA: AGORA, SIM LUTAR
ATÉ MORRER, SE FOR PRECISO TANTO,


SÓ ASSIM PORTUGAL SE HÁ DE SALVAR…
AH!...NOSSA PÁTRIA NÃO SE PERDE ENQUANTO
UM LUSO CORAÇÃO SOUBER REZAR!


(Correia da Cunha - 6 de Novembro 1937)




Realizada a sua missão de guerreiro, vendo a Pátria livre e independente e tendo mesmo acompanhado o rei e os infantes a Ceuta, para lançar a primeira pedra do Império, ainda não estava satisfeito.

Não encontrou a paz e a felicidade nas glórias militares – mas sim no desprender-se dos bens da terra, depondo a sua espada num altar e recolhendo-se num convento, distribuiu aos pobres o que era o seu.




Passados tantos séculos sobre a sua morte, a figura do Condestável, transfigurada pelo heroísmo e pela santidade, projecta-se ainda sobre nós, dando às nossas almas o verdadeiro sentido da vida. Santo Nuno de Santa Maria amou Deus a Pátria e a perfeição. Nisto se resume o ideal da sua vida.
Igreja de Santo Condestável - Lisboa



Lisboa: D. Manuel Clemente assinala Santo Condestável defendeu «os seus sem ofender os outros»


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Hoje, numa tarde cheia de sol, no alto do Restelo o Presidente da Republica Prof. Marcelo Rebelo de Sousa inaugurou uma estátua a D. Nuno Alvares Pereira, o Condestável, da autoria do escultor Augusto Cid.


Esta bela obra de arte ali ficará para nos lembrar a todos, a vontade de um homem que pela sua energia indómita, a serenidade do seu sacrifício, a altivez da renúncia e o vigor da sua fé foi e será sempre um exemplo dos verdadeiros valores pátrios. Vemo-lo ali, apresentado com um guerreiro e como um santo.


Foi forçado a escolher entre o comodismo das honras militares da aristocracia possuidor de uma vasta fortuna e o abraçar a espiritualidade apostólica onde poderia alcançar novos horizontes na busca da simplicidade da fraternidade do género humano.


 O seu génio militar sempre esteve associado às suas virtudes de santidade.A sua vida constitui ainda hoje um belo e constante exemplo de amor a Deus e à Pátria.
























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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

PE. CORREIA DA CUNHA - ORDENAÇÃO DIACONAL




















“NO SERVIÇO DA LITURGIA, DA PALAVRA E DA CARIDADE.”



Na vida de um grande mestre sempre escapam, frequentemente, ao nosso conhecimento aspectos ligados à sua biografia por muito genéricos que estes sejam. 

A grande preocupação do Diácono Correia da Cunha era colocar em prática as palavras que o exortavam a servir o altar, baptizar e pregar…Eram essas as palavras que ressoavam na sua mente naquela Solenidade da Epifania do Senhor, dia da sua ordenação diaconal (6 de Janeiro de 1940).

«Resplandeçam as virtudes evangélicas; o amor sincero, a solicitude para os enfermos e os pobres, a autoridade discreta, simplicidade de coração e uma vida segundo o espírito.»

Não houve o mínimo de preocupação em registar esse acontecimento na sua biografia.

Hoje procuro preencher essa lacuna com a transcrição de um texto da sua autoria que preparou para a homilia no dia da sua ordenação diaconal na sua paróquia de Arroios, onde residiam os seus pais.

Esta peça literária demostra bem o seu pensamento e a sua energia ao serviço da Igreja. É sabido que o jovem seminarista José Correia da Cunha sempre esteve constantemente perto do Cardeal Manuel Cerejeira, e que sempre mereceu da parte deste uma enorme estima e consideração pelas suas largas competências que já se revelavam quer no campo teológico quer no domínio do latim.

É desconhecido o Prelado ordenante do diácono Correia da Cunha, mas dada a protecção que o Cardeal lhe garantia, estou certo que terá sido o próprio Cardeal Patriarca de Lisboa – D. Manuel II Gonçalves Cerejeira. Mas o facto de ter escrito este texto para a homilia no dia da sua ordenação diaconal garante-nos que foi no dia dos Santos Reis Magos.

Não há notícias fidedignas sobre este importante acontecimento, carecendo de comprovação para serem tidos como fiáveis dado que os seus colegas de seminário já nenhum se encontra entre nós.

O jovem clérigo Correia da Cunha sentava-se com muita frequência à mesa com o Cardeal Cerejeira que lhe professava grande simpatia e admiração pela profundidade dos conhecimentos deste seu dilecto discípulo. Sempre gozou da protecção do seu bispo tal como testemunham várias cartas e dedicatórias que chegaram até nós. Já lhe eram reconhecidas grandes qualidades que vaticinavam que viria a ser não só um grande pregador como um insigne latinista.

Tenho em meu poder uma vasta colecção de poemas da sua lavra bem organizados que indiciam a intenção de os integrar num livro de poemas a editar.

Resta-me este manuscrito, que me parecem apontamentos para a homilia no dia da ordenação diaconal que tão gostosamente passo a transcrever:

























VÍDIMOS STELLAM EJUS IN ORIENTE
ET VENIMUS CUM MUMÉRIBUS
ADORARE DÓMINUM

Amados irmãos em Cristo Senhor Nosso.

Entre os diversos encargos confiados ao diácono no dia da sua ordenação está o de pregar. Ao diácono, diz o ritual da ordenação, compete servir ao altar, baptizar e pregar.

O diácono, que, segundo a mais antiga tradição da Igreja, é também chamado : Porta Cristo, deve servir ao altar apresentando à Trindade Santíssima, por intermédio do sacerdote, os dons que os cristãos lhe oferecem no Sacrifício da Missa; deve também levar às almas os dons de Deus (que digo eu?) deve levar às almas o próprio Cristo nos Sacramentos do Baptismo e da Sagrada Comunhão. O diácono é pois, o Porta Cristo.

Mas não é só nestes dois sacramentos que o diácono comunica Cristo às almas e leva as almas a viverem a vida de Cristo. Em virtude da sua ordenação tem o mandato de distribuir às almas o Sacramento vivo da Palavra de Deus: ao diácono compete pregar levar ao mundo a luz de Cristo. Basta recordar a linda cerimónia de sábado santo tão rica em cor e sentido místico: a bênção do círio pascal que o diácono acende e cujo elogio canta solenemente é a expressa adoração simbólica de Cristo luz das inteligências e fogo dos corações.  E é fogo desse amor e a luz dessa doutrina que o diácono deve mostrar á terra iluminando-a e incendiando-a no cumprimento daquela palavra de Cristo: Eu vim trazer o fogo à terra e que quero eu senão que ela se acenda?

É pois, amados irmãos, o diácono o dispensador deste mistério que se chama - Palavra Divina.

O diácono deve pregar, fazer fulgir nas almas a luz do Círio Pascal, a luz da estrela misteriosa que guiou os magos a Jesus.

Pela primeira vez venho desempenhar essa missão na própria igreja onde eu também nasci para a vida de Cristo e onde essa vida divina foi sustentada e amparada pela recepção dos sacramentos e pela ilustração da Palavra de Deus.



Sinto o peso de tamanha responsabilidade e peço aquele menino cujo nascimento, há pouco celebramos e que ali está revestido das espécies sacramentais como no presépio estivera revestido de humildes paninhos.

Só lhe peço a graça de não ser eu a falar, mas Ele a falar-vos por mim e que como outrora se serviu de uma estrela para irradiar a sua Luz sobre a inteligência dos magos e a guiar até Belém se sirva agora da minha pobre palavra para vos iluminar a vós e vos guiar ao seu divino convívio; para que nós todos também possamos dizer como os magos ofertando-lhe os nossos dons: 

VÍDIMOS STELLAM EJUS IN ORIENTE
ET VENIMUS CUM MUMÉRIBUS
ADORARE DÓMINUM

Diz-nos o Sagrado Evangelho que tendo Jesus nascido em Belém uns magos do oriente vieram a Jerusalém dizendo: Onde nasceu o Rei dos Judeus? Porque nós vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.

O Rei Herodes ouvindo isto ficou perturbado e toda a Jerusalém com ele; e convocando todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo, perguntou-lhes onde devia nascer, o Rei dos Judeus.

Foi-lhe respondido que o Messias devia nascer em Belém, terra de Judá, não és certamente a mais pequena terra de Judá porque de ti sairá o Chefe que há-de guiar Israel, meu povo.

Então Herodes tendo chamado secretamente os magos informou-se cuidadosamente do tempo em que a estrela lhes aparecera e depois enviando-os para Belém disse-lhes: informai-vos diligentemente acerca do menino e vinde depois comunicar-me para que também eu o vá adorar.

E assim instruídos os magos partiram. E eis que a estrela que tinham visto no oriente lhes reapareceu e os foi guiando até à casa onde estava o menino. Ao verem a estrela os magos exultaram com grande alegria. E tendo entrado na casinha encontraram o Menino com sua mãe e prostrando-se o adoraram; depois abrindo os seus tesouros, ofereceram –lhe ouro, incenso e mirra. Eles avisados em sonhos de que não voltassem a Herodes por outro caminho foram para suas terras.

E assim com toda a singeleza e simplicidade nos conta São Mateus a vinda dos magos a Belém onde encontraram Jesus.

Entre os inumeráveis ensinamentos que poderíamos colher deste texto evangélico eu só quero deter a vossa atenção sobre estes dois pontos que são de máxima importância para a nossa vida espiritual.

Primeiro: a vocação maravilhosa dos magos primícias que foram da vocação dos genes do cristianismo.

Segundo: a correspondência pronta e generosa à graça de eleição divina.

Terceiro conclusões práticas que devemos tirar para a nossa vida cristã.



VÍDIMOS STELLAM EJUS IN ORIENTE. Nós vimos a sua estrela no Oriente. Tal é o grito de contentamento que sempre espontâneo dos corações dos magos. Eles viram a estrela do Senhor. Foram iluminados por uma luz misteriosa que finalmente lhes mostrou Jesus e é isso que esta festa se chama epifania ou festa da manifestação do Senhor. Assim como aos judeus Jesus se tinha manifestado na pessoa dos pastores assim também se manifesta hoje aqueles que não eram do seu povo eleito mas que Ele havia de trazer ao seu aprisco como dirá mais tarde: Eu tenho ainda outras ovelhas que é preciso conduzir ao meu aprisco.

Na noite de Natal é esplendor de aparições angélicas que conduz os pastores ao presépio hoje é a cintilação duma estrela que leva os magos a Belém.

Qualquer destes modos de iluminação interior leva a Cristo: aquele que é a Luz do Mundo a que há-de brilhar mais naqueles para quem não fora expressamente enviado porque os seus, os judeus, não o quiseram receber, fecharam os olhos à luz…E por isso Cristo revela-se aos pagãos, fazendo seus irmãos, filhos de Deus, não os que nasceram do sangue de Abraão, nem os que se fiam em cálculos mesquinhos, mas os guiados pela sua Luz, viram n’Ele a própria Luz, acreditando n’Nele. E neste número, irmãos estamos todos nós. Também para todos nós brilhou a luz da fé, vídimos stellam, também nós vimos as cintilações dessa estrela bendita que nos leva Aquele que, sendo o Caminho, a Verdade e a Vida é a Luz.

Todo o homem que vem a este mundo procura a luz, quer a luz; mas ai, como tantos se enganam.

Alguns enganados por mentirosas miragens qual borboletas doidas vão guinar-se na fascinação da bagatela, prendem-se às ninharias e vaidades da vida e nada mais vêem.

Outros seguem o fulgor quente do prazer e embebedem-se no materialismo da vida para esses só o prazer conta e tudo são capazes de sacrificar sob os instintos animais a Vénus ou a Baco.

Outros ainda se deixam mostrar pelo falso brilho do ouro como meio supremo para entrar no templo do prazer.

E quantos também não fecham os olhos à luz divina porque se curvam culpável ou inculpavelmente perante o altar carunchoso duma ciência que intencionalmente afasta de Deus…

Mas nós, amados irmãos, vimos a estrela do Senhor, recebemos a sua fé, acreditamos n’Ele. Como os magos não nos detivemos em considerações sobre o caminho a imitar.

Estava já mostrado pela luz da estrela: era seguir a sua inspiração.

A luz da estrela é a luz de Deus que brilha para todo, o homem porque Deus que brilha para todo o homem porque Deus a todos quer salvar e a todos que leva ao conhecimento da verdade como diz São Paulo: Deus quis mesmo vult salvos fiesi et ad ajuitirnem visitalis venir. Ele a luz de Deus fulgir no meio de nós porque Deus é Luz diz São João: que gera um verbo de Luz: o filho que se fez homem e encarnou o seu amor num coração de carne para que nós pudéssemos sentir em nós as palpitações de um Coração Divino: Et lux erat Verbum et Verbum caro factum est. E a luz era o Verbo e o Verbo se fez carne.

Aquele que os fariseus hão de chamar um dia sedutor começa logo no berço a seduzir as almas.

Os magos vêem a sua estrela e porque a seguiram entraram na humilde casinha que certamente São José já teria alugado para a Sagrada Família et intrantes domum. E nós também porque seguimos a estrela que para nós brilhou no Santo Baptismo (embora a sua luz já fosse preparada para nós desde toda a eternidade) entramos logo na Igreja de Cristo e assim como a estrela dos magos parou sobre a casa onde estava o menino, assim também a estrela da nossa vocação cristã parou sobre a Igreja indicando-nos que fora dela não está Jesus. E é por isso que na epistola de hoje Isaías, num cântico magnifico de glória da Igreja : «Levanta-te e resplandece porque a tua luz chegou e a glória do Senhor se elevou sobre ti. Enquanto as trevas cobrirem a terra e a obscuridade envolver os povos o Senhor manifestar-se-á em ti, e a sua glória se levantará sobre ti. 

As nações caminharão para a tua luz e os reis para a claridade da tua aurora; dirige o seu olhar em redor e vê: todos se juntaram e vêem para ti. Exulta e dilecta o teu coração porque todos virão a ti trazendo ouro, e incenso e cantando os louvores de Deus!»

E no número de todos estes que entraram na Igreja estamos nós que fomos baptizados, acreditamos na doutrina de Cristo (seguindo a luz que Ele nos enviou) e unidos a Ele vivemos a vida divina e cantamos com os actos de cada dia os louvores da Trindade Santíssima.

Mercê da vocação cristã, todos os que estamos em graça fazemos parte do Corpo Místico de Cristo. Foi essa a primeira graça que nos alcançou tantas e tantas outras pela vida adiante. E se não fora essa a  primeira graça ao nosso chamamento ao Cristianismo, á Igreja Católica, talvez não teríamos tanta felicidade de chegarmos a gozar de Deus.

Agradeçamos tamanha graça e pedindo, como nos ensina a oração da missa, a graça de chegarmos a contemplar o fulgor da majestade divina aqueles a quem foi revelado Jesus pela estrela da vocação cristã, não esqueçamos de pedir também a mesma graça para quantos seguem o brilho do prazer, do oiro ou da ciência sem Deus; nem tampouco nos esqueçamos de pedir a Deus que faça brilhar a sua luz para aqueles que fazem ainda nas trevas do paganismo ou nas sombras da morte espiritual.

Mas amados irmãos, além desta estrela cujo fulgor apareceu a todos nós conjuntamente há ainda outras cintilações da estrela bendita que a cada um individualmente a leva por especiais caminhos: é o chamamento particular que cada um de nós dirige ao Senhor convidando-nos a subir mais e mais a montanha da santidade.

Sim, amados irmãos, cada um de nós é objecto dum amor especial de Deus que o convida a viver cada vez mais intensamente a sua vida divina. A estrela da vocação cristã leva-nos a Cristo e faz-nos viver em Cristo numa vida de santidade: Para cada um de nós há uma vocação especial à santidade: sede santos porque eu sou santo. A santidade não é exclusivo apanágio das freiras e religiosos que se enclausuraram num convento e mortificam o corpo escondido por fortes e rudes estamenhas. Não! A santidade é para cada um de nós porque Deus predestinou-nos desde toda a eternidade para que fossemos santos e imaculados na sua presença. A vocação à santidade faz-se ouvir no meio do mundo.

A vocação à santidade não é sinónimo de vocação sacerdotal ou religiosa é o antes de vocação cristã porque todos nós por isso mesmo que somos cristãos e seguimos a estrela da fé cristã, devemos ter a vida de Cristo em nós, devemos viver mais que é sobretudo numa vida de Amor de Deus e ao próximo e mais a vida da Igreja Corpo Místico de Cristo.

Nunca nos esqueçamos de que a Religião é uma vida e não um sistema mais ou menos grandioso de preceitos morais e ensinamentos dogmáticos.
E assim, amados irmãos, os magos são as primícias da nossa vocação cristã e o modelo da nossa vocação á santidade.

Consideremos agora a correspondência dos Santos Reis Magos (como a tradição se comprova em chamá-los) e tiremos em seguida as nossas conclusões:








Os magos viram a estrela e iluminados por uma luz interior que nela lhes mostrava a realização duma profecia divina seguiram logo a sua inspiração:  VÍDIMOS STELLAM EJUS IN ORIENTEET VENIMUS CUM MUMÉRIBUSADORARE DÓMINUM


Que prontidão! Que generosidade! É admirável a fidelidade dos magos à inspiração da graça. Não se detém em considerações inúteis, não racionaram sobre a manifestação divina seguem logo a sua inspiração e se algum tempo ainda se demoram é só o suficiente para puderem os seus alforges para as necessidades da viagem e para recolherem suas riquezas que desejavam dar de presente a Jesus, pois não querem aparecer de mãos vazias. E poem-se a caminho sem receio algum. 

Ah! Que lição de prontidão e generosidade em seguir a luz da estrela nos dão os magos! Quantos de nós correspondemos assim à vocação cristã e à vocação à santidade? Quando vimos nas trevas de que vimos a luz da estrela de Cristo e seguimo-la com tão pronta generosidade?Não nos detivemos nós em considerações egoístas e mesquinhas sobre a vontade de Deus e sobre as dificuldades que para a realizarmos iriamos encontrar ?


Se para os que não crêem em nome de uma ciência, astrólogos e conselheiros de Reis, para nós os que acreditamos o seu procedimento generoso é uma censura.


Nós não tivemos tantas dificuldades como eles. Graças a Deus, nascemos num país de tradições cristãs, no seio duma família cristã e vivemos numa sociedade que, se não é praticamente cristã tem ainda esse rótulo e procura poder conservá-lo. Tudo pois nos ajudou mais do que a eles tanto a encontrarmos Jesus como a viver mais e mais a sua vida divina.


Os magos não temeram o escárnio nem o insulto dos que os viam passar, nem tão pouco se deixaram influenciar pela indiferença e ódio que encontraram em Jerusalém precisamente entre aqueles que deviam ser os primeiros a exultarem de contentamento.E quantas vezes não retrocedemos no nosso caminho para Deus só porque alguém que ainda não viu a estrela nos dirige uma censura ou ironicamente nos apelida de beatos ou santinhos…


Quantas vezes nos não escandalizaram com a indiferença e até indignidade (que infelizmente também há) daqueles que Deus colocou em lugar na sua Igreja para nos guiarem a Jesus e nos darem a sua vida.


Os magos em Jerusalém não tinham a boa estrela, pois ela deixara de brilhar não em razão da indignidade das autoridades religiosas dessa capital, mas porque Deus não quer guiar as almas com luzes extraordinárias quando elas se podem reger pela luz da autoridade legitima ainda que indigna, os magos não tinham a luz da estrela e por isso seguiram os ditames oficiais daqueles que ainda representavam Deus junto dos homens.


Que exemplo para nós! Quando a autoridade de Deus estiver escondida em superiores indignos com Cristo Jesus ali está escondido debaixo das aparências de pão, não consideremos a indignidade dos homens, vejamos mais um prodígio da misericórdia de Deus e sigamos os seus ensinamentos; sigamos o caminho, por eles traçados e teremos a consolação de ver novamente a estrela e de irmos a Jesus.


Chegados a Belém os magos encontraram finalmente ajuda porque tanto ansiavam. Mas que vêem eles? O Rei dos Judeus sentado em magnifico trono e revestido de purpuras e borcados?

- Não! Vêem um menino fraquinho como toda a criança pequenina, um menino que em nada se distinguia dos outros a não ser pela extrema pobreza em que vivia. O seu trono era o colo duma donzela, humilde judia que nem sequer mostrava no seu porte exterior as inúmeras graças com que fora cumulada por Deus e ao lado, talvez carpinteirando um homem forte e rude daqueles braços judeus que ganham o pão com o suor do seu rosto o pão de cada dia.


Tudo com a aparência humilde duma casita pobrezinha. Mas uma coisa há que lhes não deixa enfraquecer a fé; a estrela, que parou sobre aquela casa e intencionalmente lhes diz que aquela criança é o Filho de Deus, gerado nos esplendores da eternidade, o Verbo, a expressão substancial do Pensamento eterno e infinito, a Luz que guia todo o homem que vem a este mundo.

E só isto explica a virtude dos magos.


E abrindo os seus tesouros ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra e prostrados por terra o adoraram.


E são estas considerações que nos restam fazer. Uma vez  chegados a Jesus prostremo-nos por terra como os magos: et prostermemus e adoremos-lo et admvert cum e ofereçamos enfim os nossos dons: et obtuberunt ei aurum thus et mirram.


Prostramo-nos por terra num gesto de submissão amor e agradecimento. Lembremo-nos de que a atitude mais digna do homem e estar de joelhos perante Deus. E nós cristãos quando nos ajoelhamos, é sempre só perante Deus. Não nos ajoelhamos como tantos desprovidos perante os prazeres voluptuosos da carne, nem perante a mentira do ouro, nem perante o ídolo

Nós ajoelhamo-nos perante uma criança nua nascida na pobreza porque cremos que uma criança é Deus, ajoelhamos perante aquela hóstia consagrada que tem todas as aparências de pão porque aquela hóstia é o Corpo vivo de Cristo, ajoelhamos perante alguns homens como os bispos e o papa, porque sabemos que esses homens encarnam, por graça especial de autoridade e pessoa de Deus junto de nós. Ajoelhemo-nos pois e adoremos. Como toda a Santa Igreja que somos membros adoremos a Trindade Santíssima adoremos aquela hóstia que é Cristo e verbo de Deus feito carne nas aparências de pão. Como os Santos Reis magos que a julgar pela descrição evangélica, nada disseram a Jesus, lancemo-nos também por terra numa adoração silenciosamente eloquente.

A nossa freguesia celebra hoje a solenidade da adoração reparadora. Unamo-nos todos ao espirito dessa piedosa associação e adoremos e reparemos as ofensas cometidas contra a luz de Deus porquanto vem a estrela e não queremos seguir; temos medo dos espinhos da caminhada e por isso fechamos os olhos propositadamente.


Adoremos em reparação mas adoremos também em acção de graças pelo Dom da iluminação da estrela que Deus nos enviou, pela força e coragem que Deus nos deu para a seguirmos.


E finalmente ofereçamos-lhe os nossos dons. Não cheguemos a Jesus com as mãos vazias (os magos viram a estrela e vieram, mas com dons, adorar Jesus).Nós teremos talvez o ouro, o incenso e a mirra. Mas temos com certeza um coração palpitando de amor que é superior a todo o ouro da terra, temos  o incenso da nossa homenagem e adoração e temos mirra do nosso espírito de sacrifício para seguirmos sempre a luz da estrela.


Púnhamos esses dons ali sobre, o altar e ofereçamo-los a Jesus Menino com a generosidade dos reis magos por todos aqueles que vagueiam na noite escura da ignorância do erro ou da dúvida, para que os que estão nas trevas e sombra da morte: pobres infiéis e por nós os que vamos seguindo a estrela para que todos nós juntos na catolicidade da Igreja saibamos dar a Deus tudo quanto temos lembrando-nos sempre que quem não chega a dar tudo nunca deu nada. Demos pois com toda a generosidade para que tendo visto a estrela do Senhor e tendo-a seguido neste mundo possamos chegar a contemplar no céu as belezas da luz infinita de Deus.


Diac. Correia da Cunha























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