sexta-feira, 26 de novembro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E SUA MAJESTADE RAINHA D. AMÉLIA

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« Emmenez-moi au Portugal; je m’endormirai en France, mais c’ést au Portugal que je veux dormir pour toujours. »
Rainha D. Amélia

A 25 de Outubro de 1951 foi recebida em Portugal, a triste noticia de haver falecido, em Versailles, a Augusta e Venerada Senhora Dona Amélia de Orléans e Bragança, Rainha de Portugal.
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A Rainha Senhora Dona Amélia, pelo muito amor e afeição que teve a Portugal de que foi Rainha e pelo que muito honrou e tão dignamente serviu a Pátria, bem mereceu todas as honras e homenagens que lhe foram prestadas.

Ela tornou-se justamente credora em todos os corações portugueses que tiveram o prazer de a conhecer. Como que uma respeitosa veneração, todos continuaram a tê-la, na sua memória, como a rainha de Portugal. Ela era amada e querida por todos.

Não podia o Governo português mostrar-se insensível a tantas provas de amor patriótico e de civismo, dadas por uma mulher que se encontrava exilada da sua amada Pátria.



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Foi enviado a França o NRP Bartolomeu Dias, para trazer o seu corpo para Portugal, missão confiada ao Exmº Capitão-de-Mar-e-Guerra, Oliveira Lima ao 2º Comandante Aragão e ao Reverendo Padre Correia da Cunha. Foi no dia 26 de Novembro de 1951, que a urna com os restos da Rainha D. Amélia Rainha de Portugal foi transportada a bordo do navio da Armada Portuguesa, no Porto de Brest.






Dignificou-se o Governo Português em dar fiel cumprimento dos desejos expressos por Sua Majestade, promovendo a vinda para Portugal dos seus restos mortais, que ficariam no Panteão da Dinastia de Bragança, em São Vicente de Fora, junto aos túmulos de seu marido e filhos. Coube a este mesmo Governo, fazer-lhe um funeral nacional, com as honras devidas à sua dignidade de Rainha de Portugal e de considerar luto nacional o dia 29 de Novembro.

Revestiu-se de grande imponência e da mais esplendorosa solenidade o funeral da Rainha Senhora Dona Amélia, que se realizou oficialmente em Lisboa.




O cortejo fúnebre teve início no Terreiro do Paço, conforme podemos verificar na presente foto. Marinheiros do Bartolomeu Dias, transportando a urna, formavam um cortejo, encabeçado por Padre José Correia da Cunha – capelão da Marinha Portuguesa.

Estas cerimónias tiveram o cunho impressionante da gratidão e da saudade portuguesa, manifestada no comovido recolhimento e no religioso respeito com que muitas centenas de milhares de pessoas, que assistiram à passagem da urna, que encerrava o corpo da excelsa e querida Rainha dos Portugueses.

Foi me testemunhado que, quando a urna foi retirada do Coche para ser conduzida para o templo, uma força militar, formada por soldados de Infantaria 1 deu as descargas da ordem, ao mesmo tempo que os clarins tocavam a sentido. As bandeiras, os estandartes e os guiões baixaram em funeral e uma banda de música executou a marcha fúnebre de Chopin.




Às cerimónias religiosas realizadas na Igreja de São Vicente de Fora assistiu o Sr. Presidente da República, o Senhor Presidente do Conselho, Membros do Governo, Reis e Príncipes estrangeiros, altas patentes do Exército e da Armada, Corpo Diplomático, altas autoridades civis, Sua Eminência o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa e outras dignidades eclesiásticas, onde se incluía o Padre José Correia da Cunha.



A missa solene de “Requiem” foi presidida pelo Cónego Arcediago da Sé de Lisboa, Dr. Avelino Gonçalves, acolitado pelos beneficiados Vítor Franco e Gonçalves Pedro.

Antes de se dar início à Missa fez-se ouvir a marcha fúnebre de Schumam, tendo depois a orquestra executado a missa de Perosi.

O Senhor Visconde de Asseca e o Senhor Capitão Júlio da Costa Pinto foram inclusive a bordo do NRP Bartolomeu Dias, agradecer ao Comandante e à tripulação do navio, da armada portuguesa, a forma respeitosa e o serviço religioso, assim como o patriótico recolhimento, com que toda a tripulação do navio se associou ao luto da Nação. Este episódio foi-me relatado por Padre Correia da Cunha, dando a entender que o cadáver de Sua Majestade foi velado piedosamente durante todo o trajecto desde o Porto de Brest até ao Terreiro do Paço, em Lisboa.

No dia que passam 59 anos sobre essa data não poderia deixar de recordar esta última guarda de honra, ou seja, a homenagem saudosa e comovida da dedicação e da lealdade dos seus antigos súbditos.

Embora francesa de origem, tornou-se portuguesa pela afeição à sua Pátria adoptiva, que a ela se prendeu com todos os afectos. Era esta afeição que lhe aprimorava a alma e o coração. Ficou gravada em pedra, no seu túmulo, em letras gravadas a ouro:

AQUI DESCANSA EM DEUS
DONA AMÉLIA DE ORLEÃES E BRAGANÇA
RAINHA NO TRONO, NA CARIDADE E NA DOR.
Legenda simples mas expressiva e altamente honrosa para a memória de tão ilustre, excelsa e venerada Rainha.







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3 comentários:

  1. Anónimo27.11.10

    Muito interessante nota histórica, bem ilustrada, sobre uma das últimas figuras da monarquia mais respeitadas. Parabens. Guilherme de Souza-Girão

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  2. Anónimo29.11.10

    Tive oportunidade de ver o óptimo apontamento sobre S. M. a Rainha Dona Amélia. Achei uma muito merecida homenagem a uma das mais prestigiadas figuras nos fins da nossa monarquia. Felicito-o e ao autor do texto e imagens. Parabens. Xavier Reis

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  3. José João Ventura15.2.11

    Embora ainda não tivesse completado o quarto aniversário, recordo essa data.
    Como viviamos no mosteiro, tinhamos acesso, pela "casa dos foles" a uma visão excepcional da cerimónia funebre.
    A urna foi colocada na "Sala do Capítulo", nas trazeiras do Altar-Mor.
    Assistimos da varanda à esquerda do orgão à passagem da mole enorme de povo que quiz prestar a última homenagem à Rainha.
    Muitos amigos nos pediram para ir a essa varanda assistir ao funeral.
    O que deu origem a uma visita da polícia, alarmada, estranhando o movimento naquela varanda.

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