domingo, 18 de janeiro de 2015

PE. CORREIA DA CUNHA E A CASA DO PESSOAL (OGFE)









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Amizade! … Significa o que há de mais 

sublime na vida!



Há lugares que, embora fazendo parte da nossa infância, pelos anos que já passaram, ficaram na nossa memória indeléveis e nos nossos sentimentos, pois transportamos sempre uma saudade que nunca se apagará…


Há dias, passeando pelo vasto Campo de Santa Clara, fiquei desolado e confrangido com a transformação da sua paisagem humana e patrimonial. A minha Escola Primária nº 4, sediada num elegante palácio setecentista, está encerrada. Recordo os gritos de alegria de centenas de crianças vestidas de batas brancas. Será que uma comunidade sem crianças terá futuro?

Pergunto-me: Os elegantes palácios, mosteiros e casarões históricos são sumariamente votados ao abandono em prol do progresso e da evolução do país?
Os estabelecimentos fabris do exército, que empregavam milhares de operários que ali labutavam, em prol do progresso da grandeza da nação, estão encerrados e certamente a degradarem-se.


Era um imenso fluxo diário desta gente humilde e simples, na maioria operários e operárias, que passavam ansiosamente com voracidade, envolvendo aqueles espaços de vida e cor com as suas batas azuis e “macacões”.


As tradições vão-se sumindo, pouco a pouco, ajustadas pelo turbilhão inevitável das transformações da modernidade.  

Era gente feliz na simplicidade e modéstia, mas era notável e digno de admiração o sentimento de confraternização do pessoal das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento, que fora do trabalho esquecia as convenções hierárquicas e se unia em plena familiaridade na sua Casa de Pessoal.


A Casa do Pessoal das OGFE visava a promoção cultural, desportiva e recreativa dos seus associados e familiares. Para alcançarem estes objectivos procurava o melhor aproveitamento dos tempos livres dos seus associados e residentes da área geográfica dos estabelecimentos (calçado e vestuário). Possuía um excelente auditório, onde apresentava o seu Grupo de Teatro e sessões de cinema nas noites de sábado.




As fotos que publico neste post são testemunho de um dia de bom tempo, num bom ambiente, com muita boa comida, boa pinga e sã camaradagem em que o Capelão Correia da Cunha participou lá para os lados de Óbidos, um evento organizado pela Casa de Pessoal das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento.




O Padre Correia da Cunha gostava de jogar futebol, é uma verdade insofismável, mas a única declaração que lhe ouvi sobre esta modalidade foi: “ são onze atletas solteiros de um lado e onze atletas casados do outro lado e um senhor barrigudo com um apito na boca”. O Padre Correia da Cunha jogava habitualmente pela equipe dos solteiros.




Há quem goste de futebol, outros que gostam de falar da vida alheia… O Padre Correia da Cunha gostava de futebol e utilizava a sua filosofia de vida para “espiar” a alma dos seus semelhantes. Vejo-o nas tabernas do bairro despido de preconceitos, expondo os seus sentimentos, aspirações e ideias.




O Padre Correia da Cunha era um homem popular, simples, modesto, bom e sempre bem-humorado, admirado por todos que o conheciam, o capelão das OGFE arrastava a sua vida da melhor forma possível na sua inquebrável fé em Jesus Cristo. Era um homem dedicado à sua Paroquia de São Vicente de Fora, de onde era a maioria dos funcionários das OGFE. Nas acomodações das suas possibilidades não encarava sacrifícios para o bem-estar desta boa gente de lutadora e trabalhadora. 




















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