terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

PE CORREIA DA CUNHA, 1ª ESTAÇÃO-ALCOBAÇA

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FOTO DE GONÇALO AFONSO DIAS


PEDRAS ERGUIDAS (jeito de quem reza) …



As Peregrinações da Família Naval, organizadas pelo Padre Correia da Cunha, ao Santuário de Fátima, eram manifestações de culto mariano verdadeiramente apoteóticas, cuja lembranças nunca se apagarão das memórias de muitos milhares de marujos. A primeira estação era no monumental convento e igreja de Santa Maria de Alcobaça, cuja sua construção é fruto de um voto feito por D. Afonso Henriques, quando planeava a difícil e arriscada conquista de Santarém.

Monumento erguido em honra da Mãe de Deus, desde a primeira idade da Independência da nação, constitui o brado imorredoiro das primeiras gerações de Portugal a proclamar bem alto aos portugueses de todos os tempos a sua entranhada devoção à Imaculada Mãe de Deus.

Alcobaça deve muita da sua prosperidade agrícola aos monges que foram os primeiros e desmedidos lavradores do nosso Portugal.
Com a agricultura, desenvolveram também grande actividade industrial. O mosteiro era uma vasta oficina; trabalhava-se ali o ferro e a madeira, tecia-se o linho, preparava-se a pele, todas as indústrias da época ali estavam representadas e tinham os seus operários.

As mais nobres e grandiosas tradições populares da nossa Pátria, no que tem de mais belo e encantador, nasceram do espírito de fé e dos sentimentos católicos dos portugueses

Estas palavras de Padre Correia da Cunha, que estou transcrevendo trazem-nos à memória a sua imensa devoção ao espírito de fé a Nossa Senhora – Virgem Mãe e como ele sempre lembrava: “Grande glória a nossa, sermos escolhidos pela Previdência para desempenhar o primeiro papel: - de nos embalarmos nas ondas…em naus que transportaram a mais fecunda semente da Cristandade.”Tudo isto aconteceu, sendo visível e tendo como providencial auxílio a nossa Imaculada Padroeira Mãe de Deus, que mais tarde se dignou aparecer no lindo céu de Portugal.






PRIMEIRA ESTAÇÃO



ALCOBAÇA




Alcobaça… O Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça é o primeiro santuário de Maria que encontramos no caminho.

Entraremos todos juntos, como irmãos e como peregrinos.

Ocuparemos os bancos da nave central e depois saudaremos Jesus e Sua Mãe, cantando de joelhos.

Bendito:

Solistas: Bendito e louvado seja
O Santíssimo Sacramento da
Eucaristia!

Todos: Fruto do ventre Sagrado
Virgem Puríssima,
Santa Maria!

Solista: Glória Patri et Filio
Et Spirítui Sancto

Todos : Sicut erat in principio et nunc et semper
Et in saecula saeculorum Amen !


Solista: Rezemos a SALVÉ RAINHA!


Salvé Rainha!
Mãe de misericórdia,
Vida, doçura esperança nossa, salve!
A Vós bradamos
os degredados filhos de Eva,
Por Vós suspiramos
gemendo e chorando neste vale de lágrimas
Eia, pois, Advogada nossa.
Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei!
E depois deste desterro
Nos mostrai Jesus,
Bendito fruto do vosso ventre!
OH! Clemente
OH! Piedosa!
OH! Doce Virgem Maria!
Rogai por nós Santa MÃE de DEUS
Para que sejamos dignos de alcançar as
Promessas de Cristo. AMEN

TODOS DE PÉ

CORO FALADO

Solista:
Irmãos! Este é o Mosteiro de Alcobaça

- Pedras erguidas (jeito de quem reza)
Espelho fiel da Alma Portuguesa
Aos pés da Virgem-Mãe, cheia de Graça!

Todos: O Mosteiro de Alcobaça
Foi o primeiro solar
Que à Virgem cheia de Graça
Portugal quis consagrar.
Peregrino que aqui passa
Não passa sem Lhe rezar!...

Solista: Desde o princípio somos Terra Santa,
P’lo milagre de amor e devoção
Com que o primeiro Rei aqui levanta
A própria pedra em forma de oração!


Todos: Cheia de Graça,
Ave Maria!
O homem passa,
A pedra não:
- De noite e dia
É oração!
Cheia da Graça,
Avé Maria!


Solista: Eis desde o berço Portugal rezando!
É pedra a pedra este Rosário tece,
Para que sempre ao céu suba uma prece
Que, em nome seu, a Virgem vá louvando!


Todos: Cheia de Graça,
Ave Maria!
O homem passa,
A pedra não:
- De noite e dia
É oração !
Cheia de Graça,
Ave Maria!


Solista: E a Terra Portuguesa, desde logo,
Ungida com a bênção d’alegria,
Marcada foi com este nome a fogo
Divino : TERRA DE SANTA MARIA!


Sim! De verdade, a Virgem nos benzeu
Com materno olhar feito sorriso…
E fez de Portugal rincão do Céu,
E fez da nossa Terra o Paraíso!


Todos: Portugal é Terra Santa:
Terra de Santa Maria!
Marinheiros reza e canta:
Salve Rainha!
Ave Maria!

Solista: E desde então a História Portuguesa
È como um Livro de Horas – Ritual –
Rezando feitos de imortal beleza
E tendo iluminuras de missal!


Todos: Nossa História é Livro de Horas
Que há oito séculos
se vem rezando!...
Nossa História é Livro de Horas
Horas de Santa Maria!







Solista: Neste belo mosteiro de Alcobaça
Ungido pelo óleo sacramental da Sagração
e pelas orações e cânticos
de todas as gerações de Portugueses…

Solista: Oh ! Marinheiros – Peregrinos
em cujo olhar se reflecte mar e céus
- pedi à Virgem Santa Mãe de Deus
Volva até nós os olhos seus divinos.
Oh! Peregrinos – Marinheiros,
Mãos calejadas das fainas no mar,
- Juntai as vossas mãos doridas
Ás mãos dos vossos cristãos companheiros,
que tiveram de ficar,
e a todas as mãos aqui erguidas
desde o século treze até agora
À Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora!
E assim unidos todos num só gesto de oração e amor
- O Passado e o Presente:
( A Alma Portuguesa de toda a nossa gente)
- Unidos numa reza…
Aclamai com amor

- Rezai com alegria:
- Salve, Mãe do Senhor!

AVÉ MARIA!






Todos: Salve, Mãe do Senhor! Ave, Maria!
Solista: Oh! Peregrinos – Marinheiros!
De voz afeita ao marulhar das ondas,
Juntai a vossa voz
à dos vossos irmãos e companheiros
e à dos nossos avós…

Continuai… Rendei o serviço de Rondas
Rendei a guarda das Ave Marias,
Que desde há oito séculos se rezam todos os dias!
Clamai bem alto
Num coro triunfal
Que oiça a terra e os céus!
- Salvé Rainha, Mãe de Deus!
Madrinha de Portugal!

Todos: Salve Rainha, Mãe de Deus
Madrinha de Portugal!


Solista: A vós, mulheres cristãs,
Esposas, mães, filhas, irmãs
dos nossos marinheiros
Que, de pé, junto do cais
com olhos rasos d’água ali ficais
a sós com vossa dor
feitas estátuas vivas de saudade
rezando pelos vossos companheiros…
Que Deus os acompanhe;
E os guarde a Virgem – Mãe;
Que tenham saúde e paz
E voltem em breve e bem!

Só as mulheres: Que Deus os acompanhe,
E os guarde a Virgem-Mãe!
Que tenham saúde e paz!
E voltem em breve e bem!


Solista: Vós, mulheres cristãs,
Esposas, mães, filhas, irmãs
dos nossos Marinheiros
que não passais um só dia
sem por eles rezar
à Senhora da BOA VIAGEM
à Senhora dos NAVEGANTES
à Senhora da Guia

- Rezai aqui também
à Virgem Nossa MÃE:

Só as mulheres:
Ò Senhora de Alcobaça

Ò Virgem Nossa Senhora
Velai por nós hora a hora
Em cada dia que passa!


Só as mulheres: Ò Virgem cheia de Graça,
Senhora da Soledade!
Ó Senhora de Alcobaça
Tende de nós piedade!


CANTICO FINAL:

Solistas: - Senhora Nossa, Senhora minha;
- Vida esperança, clemência e luz!

Todos: Salve Rainhas! Salve, Rainha ! (bis)
Senhora minha! Mãe de Jesus!



(Segue-se a visita ao Mosteiro)


Continua…
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sábado, 15 de janeiro de 2011

PE CORREIA DA CUNHA E O ITINERÁRIUM

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“TEXTOS QUE SÃO FILOSOFIA UNIVERSAL DE VIDA.”





Os documentos da autoria de Padre Correia da Cunha, que hoje início a publicação, surgem como estrelas de extraordinário fulgor, manifestando de uma forma muito segura a grandiosa devoção deste pela Virgem Santa, Nossa Senhora, e por Portugal.

As peregrinações da Família Naval, que realizava ao Santuário de Fátima, com a companhia e participação dos seus marujos peregrinos, criavam em Padre Correia da Cunha uma profunda inspiração para a feitura de “Guiões”, que eram obras literárias de grande e rara beleza.

Era a sua experiente vida de marinheiro-capelão e a voz das ondas do mar que inspiravam a sua prosa e poesia, uma música celestial plena de harmonia e encanto.
Este itinerárium é um hino ardoroso e um grito épico traduzido em odes solenes, incitando os jovens marinheiros a cumprirem os seus deveres perante Deus Pai e a honrarem a Gloriosa Pátria amada.








Já desde muito jovem, todos os seus mestres reconheciam que Correia da Cunha era um clássico, mercê da elegância do seu estilo, da pureza da sua linguagem e da própria nobreza do seu porte. Concentrava em si as qualidades de uma figura de grande personalidade moral e intelectual, sendo extremamente simples e afável no seu trato com todos os seus semelhantes.

A sua vida de Capelão da Armada foi uma bênção de Deus, pois os afectos que o uniam aos seus jovens rapazes marinheiros acrescentavam mais estrofes gloriosas à sua maravilhosa vida de homem intensamente feliz.

As suas eloquentes práticas, que começava em voz suave e gradualmente evoluía de grave para aguda, gerava retumbantes ressonâncias que despertavam admiração nos homens e faziam desabrochar pérolas de comoção nos olhos das senhoras.
Padre Correia da Cunha amava estas peregrinações que organizava como um culto de amor e muito entusiasmo. Eram magníficas estas experiências de fé em Louvor da Virgem Santa Maria – Nossa Senhora e cada ano que passava sempre víamos mais crescer esse seu amor!

Todos ainda guardamos uma grata recordação com alguma fascinação destas peregrinações e não excursões, como ele referia, levadas a cabo por Padre Correia da Cunha também na Paróquia do seu coração (São Vicente de Fora).

Eram dias de intensa felicidade. A publicação deste documento só é possível graças ao seu delicado amigo Luís Quaresma, que o conservou como uma preciosa jóia. Ele é uma deslumbrante dávida do grande amor cristão, que todos continuamos a manter como filosofia de vida universal, com a firme certeza que no dia que ele saiu docemente para a Vida da Eternidade, ordenou: “ninguém desagregará as minhas duas grandes famílias (Armada e a Paróquia)”.






ITINERARUM


Pelo Caminho… P’ro Caminho!...


(Durante o percurso, todos os Peregrinos devem rezar e cantar em Louvor de Deus e de Santa Maria.
Para facilitar essa oração e esse santo, para criar o estado de espírito de Peregrinação, se escreveram estas laudas.)

Solista: Somos Peregrinos!
Não somos excursionistas!

Todos: Somos Peregrinos!
Não somos excursionistas!

Solista: Não viemos passear;
Mas caminhar para um local sagrado!
Não viemos divertir-nos;
Mas encontrar-nos com DEUS!
Não viemos gozar; mas
Rezar e fazer penitência por
Nós e pelos outros!

Todos: Somos Peregrinos!
Não somos excursionistas!

Solista: Somos Peregrinos
Caminhamos em demanda do
Local abençoado,
Onde paira o Espírito de Deus,
Onde o Céu abraça a Terra,
Onde levados pela mão de Maria,
- Mãe de JESUS e Mãe nossa nos
é, de certo, mais fácil
o nosso encontro com Deus
e com os nossos irmãos!

Todos: Somos Peregrinos!
Pela mão de Maria,
Caminhamos para Deus!

Solista: Somos Peregrinos…
Caminhando para a Montanha Santa,
Onde pelas mãos de Maria
Foi armada a Tenda do Senhor!
Com nosso Deus e Rei,
na doce companhia da Virgem-Mãe,
aí iremos passar
dois dias de Bênção e de Graças

Todos: Somos Peregrinos!
Pela mão de Maria,
Caminhamos para Deus!

Solista: Somos Peregrinos …
Caminhamos
deste vale de lágrimas em que vivemos,
para a Montanha das Transfigurações,
onde as almas renascem
pelo Sacramento do Perdão Divino,
onde as almas se alimentam
com o Pão da Vida,
onde as almas se transfiguram
pela acção da Graça Divina
onde é bom ficar com o Senhor!

Todos: Somos Peregrinos!
Pela mão de Maria,
Caminhamos para Deus!

Solista: Somos Peregrinos…
caminhamos
para a Montanha Sagrada da Oração ,
onde as almas,
no silêncio e no recolhimento,
longe da azáfama da vida
e das preocupações do dia-a-dia,
podem, mais facilmente
e com mais intimidade,
conversar com o Senhor!

Todos: Somos Peregrinos!
Pela mão de Maria,
Caminhamos para Deus!

Solista: Somos Peregrinos…
Caminhamos
Para a Montanha das Bem-aventuranças,
Onde podemos escutar
mais vibrante e quente e palpitante
a Palavra de Deus!

Todos: Somos Peregrinos!
Pela mão de Maria,
Caminhamos para Deus!

Solista: Somos Peregrinos…
caminhamos em demanda
da Terra da Promissão,
tal como outrora caminhavam
os Filhos de Israel.
Guiados pela coluna de Fogo
- que é luz da Esperança –
não tememos sacrifícios…
Apoiados na Graça da Certeza
Cantamos com alegria
a caminho da Terra abençoada
p’la presença de Maria!


Todos: Somos Peregrinos!
Pela mão de Maria,
Caminhamos para Deus!

Solista: Como os Romeiros das antigas eras
demandavam a Terra Santa,
assim caminhamos nós
para a Terra Santa de Fátima!
Como os filhos, que voltam ao lar paterno,
depois de andarem
p’las encruzilhadas da vida,
percorrendo ásperos caminhos:
- selvas, mares, areias do deserto –
Assim caminhamos nós
para o solar sagrado
onde a Virgem nossa Mãe
nos levará nos braços
de Deus que é o nosso Pai.

Todos: Somos Peregrinos!
Pela mão de Maria,
Caminhamos para Deus!

Solista: Somos Peregrinos ….
Caminheiros de Deus
Guiados pela estrela da Fé,
que ilumina nossas almas,
como aos Reis Magos
vindos do Oriente,
caminhamos em demanda
do Presépio de Belém,
que, por milagre de amor,
de novo apareceu… em Portugal!

Todos: Somos Peregrinos!
Pela mão de Maria,
Caminhamos para Deus!

Solista: Somos Peregrinos…
Como os Reis Magos,
tal e qual como eles,
caminhamos nós também…
Para adorar Jesus
nos braços da Virgem-Mãe!

Todos: Somos Peregrinos…
a caminho de Belém!

Solista: Cantemos rezando,
Rezando cantemos:
Bendito seja DEUS! Bendito seja !

Todos: Bendito seja Deus! Bendito seja!
No céu, na Terra, onde quer que seja!

Solista: Sua Mãe, Santa Maria,
nosso Bem, nossa alegria,
seja bendita também!

Todos: No céu e na terra
de noite e de dia
Bendita seja
A Virgem Maria!
Ela nos dê
Graça e Luz
Ora e sempre,
Ámen! Jesus!

Todos: Cantemos e rezemos, pois Irmãos!

Solista: (cantando com a melodia de: Sobre os braços da azinheira)

A cantar com alegria,
Caminhemos, estrada fora,
Para a Cova da Iria (bis)
A saudar Nossa Senhora!

Todos: Avé! Avé! Avé! , Mãe Celestial!
Avé! Avé! Avé! , Mãe da Família Naval!

Solista: É p’ra Cova da Iria
Que nós vamos caminhando,
É lá que a Virgem Maria
Nos está a nós esperando

Todos: Avé! Avé! Avé! , Mãe Celestial!
Avé! Avé! Avé! , Mãe da Família Naval!

Solista: Pois foi lá que a Virgem-Mãe,
Por milagre com certeza,
Fez Presépio de Belém (bis)
Duma terra portuguesa!

Todos: Avé! Avé! Avé! , Mãe Celestial!
Avé! Avé! Avé! , Mãe da Família Naval!

Solista: Sim foi lá que a Mãe de Deus,
com seu divino sorriso
Fez um cantinho dos céus, (bis)
Um rincão do Paraíso!

Todos: Avé! Avé! Avé! , Mãe Celestial!
Avé! Avé! Avé! , Mãe da Família Naval!

Solista: Desde então, naquele lugar
para a todos dar guarida.
Ali vamos encontrar (bis)
Bênção, Graça, luz e vida

Todos: Avé! Avé! Avé! , Mãe Celestial!
Avé! Avé! Avé! , Mãe da Família Naval!

Solista: É ali que a Virgem Santa,
Maternal, cheia de Graça,
Da miséria nos levanta (bis)
E, bondosa, nos abraça!

Todos: Avé! Avé! Avé! , Mãe Celestial!
Avé! Avé! Avé! , Mãe da Família Naval!

Solista: P’lo caminho que nos leva
até à Cova da Iria,
Rezemos nós, filhos de Eva
À Virgem Santa Maria!

Todos: Avé! Avé! Avé! , Mãe Celestial!
Avé! Avé! Avé! , Mãe da Família Naval!

Solista: Rezemos, pois, Irmãos
Uma dezena do nosso Terço
pedindo a Deus
por intermédio da Virgem- Mãe
por toda a nossa família
e pelos nossos camaradas
que não puderam vir…

Padre Nosso… 10 Avé Marias… Glória Patri

Solista: Irmãos Peregrinos,
continuemos a cantar e a rezar
em louvor de Deus
e a Sua Mãe Santa Maria!

Solistas: Cantando com a melodia do cântico:
Bendizemos o Teu Nome!
- Marinheiros – Peregrinos.
Quer em terra quer no mar,
Temos roteiros divinos
Por cartas de marear!

Coro: Marinheiros,
Peregrinos
Nosso Norte é sempre Deus!
Com Maria
Que nos guia,
No caminho para os Céus!

Solistas: São os Santos Mandamentos
Que nos hão-de governar,
E não há fúria de mares
Que nos faça naufragar!

Todos: (repetem o coro)

Solistas: Nosso Rumo está traçado!
Mãos ao leme e pulso forte!
Vai Maria a nosso lado!
È Jesus o nosso Norte!

Todos: (repetem o coro)

Solistas: Se do Rumo se desvia
A nossa alma qual barquinho,
Grita bem alto, Ó MARIA:
- Oh! do leme p’ro caminho!

Todos: (repetem o coro)

(seguidamente reza-se outra dezena do Terço)

Solista: Irmãos, rezemos ao Senhor,
Pedindo, por intercessão de Maria,
que na Peregrinação da vida
nos faça seguir sempre
pelos caminhos do bem e da virtude!

Padre Nosso… 10 Avé Marias… Glória Patri


CONTINUA…





















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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

PE. CORREIA DA CUNHA E ASSOCIAÇÃO MARINHEIROS CATÓLICOS

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‘’A alegria e amizade viviam nos corações de milhares de marujos…’’







Admirável foi o esforço de dois capelães da Marinha Portuguesa que com grande empenhamento se envolveram na fundação da AMC, para ajudar a juventude oriunda das terras empobrecidas do interior, que chegava a Lisboa, para cumprirem o serviço militar obrigatório na Armada Portuguesa.

Ainda hoje, encontro testemunhos de vários oficiais da marinha, na reserva, que manifestam esta extraordinária acção apostólica, desenvolvida pela Associação de Marinheiros Católicos (AMC) ao serviço da Armada e da Igreja.


Esta Associação preservava-lhes a fé e apoiava-os num acolhimento humano e fraterno, empenhando-se generosamente no cumprimento da missão de contribuir para o desenvolvimento patriótico, humano e cristão, de jovens que vinham para cumprir a sua vida militar na Marinha. Nos anos cinquenta e sessenta, do passado século, a AMC era objecto de um verdadeiro coro de aplausos.

E isto era muito natural. Era ali a sua casa, onde podiam através de várias actividades lúdicas, culturais e desportivas conviverem em são e fraterno ambiente. Na verdade, muitos chegavam a esta agremiação apenas com a instrução primária e graças ao voluntarismo de professores e oficiais católicos, convidados pelos seus fundadores, eram ali administradas aulas que lhes possibilitavam concluir o curso liceal e no caso de alguns a darem início a estudos superiores, sendo assim chamados a progredir na carreira da armada até atingirem postos de excelência.

Quantas provas e esforços o Padre Correia da Cunha dedicou à Associação de Marinheiros Católicos, quantas diligências fez junto do seu Cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira, seu bondoso amigo, para exprimir a confiança total que tinha nessa sua iniciativa, para que fossem concedidas por V. Exa. Reverendíssima instalações para a sua AMCP. Considerava que era muito importante contribuir para o desenvolvimento destes jovens cristãos, evitando assim que os perigos da grande cidade pudesse conquistá-los para o progresso do mal.

Ele amava os seus jovens marinheiros, do coração e no coração de Cristo, que foi humilde como eles, e aos quais podia dizer com toda a razão estendendo-lhes a mãos: Tu és da nossa família.










Colocava neles as mais belas esperanças para o engrandecimento e futuro desta gloriosa nação.

Era para ele sempre grato encontrar-se no meio dos jovens marinheiros. Encontrar-se com gente sã e jovial era um motivo bastante forte que justificava a sua imensa alegria. Com efeito como poderia um coração de um capelão jovem, representante de Cristo, não vibrar diante dos que guardam em germe o futuro honroso de Portugal e da Igreja?

Não tem a juventude a primavera da vida, num encanto maravilhoso incomparável?
E os jovens marujos mereciam particular e afectuosa simpatia por Padre Correia da Cunha, que acreditava que estes podiam tornar-se verdadeiros mensageiros do evangelho e grandes servidores da sua Pátria.






A Associação de Marinheiros Católicos Portugueses foi sem dúvida uma providencial e maravilhosa organização, que irrompeu de grandes corações de sacerdotes e capelães inolvidáveis da Marinha Portuguesa: Padre José Correia da Cunha e João Perestrello de Vasconcelos (PE). Destinava-se a formar uma “elite” de marinheiros à qual eram especialmente confiados os valores cristãos para a construção de um Mundo Novo.

Os marujos que fizeram parte deste movimento tiveram o direito de sorrir perante aqueles que ousaram por em dúvida as suas capacidades; as capacidades de serem fermento das massas e vencedores de um futuro próspero na sua vida futura de militares e modelos de grandes chefes de família.

Como lembrava o Padre Correia da Cunha foram pobres pescadores que transformaram o mundo pagão no mundo cristão. Também estes marinheiros de fé foram os obreiros de ardentes famílias cristãs. Conscientes da sua vocação cristã, fortalecida na AMCP, todos procuravam o Padre Correia da Cunha para celebrar os seus casamentos e baptizar os seus descendentes. Confirmo hoje, através de fotografias de alguns desses marinheiros, as centenas de casamentos canónicos, por Padre Correia da Cunha celebrados, de membros desta inesquecível Associação assim como de jovens oficiais da Armada.






Palavras e memórias sobre essa Associação, que teve instalações nos anexos da Sé Catedral de Lisboa, e que mais tarde se mudou para a Rua das Pedras Negras, continuam vivas na memória de muitos dos seus membros ainda vivos.

A terminar gostaria de lançar uma iniciativa: a que não se deixe cair no esquecimento tão preciosa Associação, que tão excelentes ensinamentos transmitiu aos vários marujos que por ali passaram e continuam a recordar com grande saudade estes seus fundadores, que tão bondosamente a serviram. Urge que todos possam testemunhar, através deste blogue esse magnífico passado, vivido nessa ASSOCIAÇÃO DE MARINHEIROS CATÓLICOS PORTUGUESES. 
Ficamos todos aguardar.



















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sábado, 1 de janeiro de 2011

PADRE CORREIA DA CUNHA E O ANO NOVO

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“ANO NOVO, SORRINDO NA PLENITUDE DA ESTREIA!”


Iluminando esperanças, corrigindo velhos sonhos e cheirando as várias dificuldades para 2011, o novo ano começa a experimentar os seus primeiros passos… Padre Correia da Cunha, que na sua profunda simplicidade, concentrava em si qualidades e particulares de grande personalidade moral e intelectual, em cada início de ano, também sonhava com a sinceridade dos homens; esperava por uma humanidade de solidariedade espiritual que encontrasse num cantinho do seu coração a sabedoria para amar o próximo… Mas como permanentemente referia: a estupidez humana e a ganância colectiva da humanidade apenas desenvolviam sonhos utópicos de sentimentalismos sem sentido transcendental. O tempo esgota-se pelas nossas vidas sem nos darmos conta. Todos almejamos a liberdade e a felicidade, mas cada vez mais nos deixávamos aprisionar na trama dos nossos próprios desejos egoísticos. ‘’Só a Fé é a luz das nossas almas e a Esperança o pão das nossas vidas. A fé em Jesus Cristo era a única capaz de extravasar por completo as nossas almas…’’, assim referia ele.



Lembro-me que na Paróquia São Vicente de Fora havia, na passagem de ano, uma grande festa comunitária, assim como uma nesga de sonhos nos corações de toda a gente, que participava neste evento. E de olhos presos no horizonte, que surgia, todos nos resignávamos a esperar algo de novo ou a continuação progressiva das nossas mais ardentes aspirações. As alegrias espalhavam-se nessa noite em manifestações fraternais, renovando os entusiasmos para a nova etapa que se iniciava. Ano novo! Nas badaladas festivas dos sinos da torre da majestosa igreja de São Vicente de Fora residiam os mágicos poderes dos sonhos e das boas memórias. Na ânsia de vivermos fraternalmente, saudávamos o ano que nascia com afirmações optimistas, na esperança de concretizarmos os nossos ideais. E nos vivos esplendores da alvorada do novo ano, folgavam restos de sonhos que sobravam e que vinham juntar-se aos novos sonhos nascentes. A noite era de festa e não faltava o baile festivo em plenos claustros: Sala do Conselho da Paróquia. E como o ano que findava, muitas outras coisas também findavam; muitas esperanças se perdiam e muitas coisas se extinguiam. Uma coisa permanece e continua a ser uma absoluta verdade: os calendários vão caindo, renovando os dias…

FELIZ ANO NOVO!










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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

NATAL 2010

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Presépio da Paróquia de São Vicente de Fora - 1964




Adeste Fideles

Laeti triumphantes

Venite, venite in Bethlehem

Natum videte

Regem angelorum

Venite adoremus, Venite adoremus,

Venite adoremus, in Dominus

Cantet nunc aula caelestium

Gloria, gloria

In excelsis Deo

Venite adoremus, venite adoremus,

Veniteadoremus in Dominum

Ergo qui natus

Die hodierna

Jesu, tibi sit gloria

Patris aeterni

Verbum caro factus

Venite adoremus, venite adoremus,

Venite adoremos, Dominu

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Ó venham fiéis, alegres e triunfantes
Ó venham, ó venham para Belém!
Venham e sigam-no, nasceu o Rei dos Anjos! Ó venham
adorá-lo! Ó venham adorá-lo
Ó venham adorá-lo! Cristo, o Senhor!
Ó venham, fiéis, alegres e triunfantes
Ó vinde, Ó vinde à Belém!
Vejam, nasceu o Rei dos Anjos
Ó vinde adoremos, ó vinde adoremos, ó vinde adoremos
Cristo o Senhor!

Tradução de Padre Correia da Cunha




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domingo, 19 de dezembro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E O NATAL

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NATAL é vida que nasce, Natal é Cristo que vêm !!!



Este texto de Natal foi escrito por Padre Correia da Cunha para a Noite de Natal do ano da graça de 1966.
Ele constitui um património apreciável e revelador da sua dedicação sempre aliada à sua inabalável e viva Fé. Em momentos de inspiração escrevia, mas o maior mérito de Padre Correia da Cunha não se quedava nas palavras, que traduzia em acção e na sua própria vida.
Dos seus escritos surgiam belos textos como o que passo a transcrever:


Presépio da Paróquia de São Vicente de Fora - 1964


Foi em Belém, da terra de Judá,

num Presépio humilde e pobre

(pois ninguém LHES quis dar guarida),

Que, na PESSOA de JESUS,

o próprio DEUS nasceu Homem,

unindo-se assim a DIVINDADE com a Humanidade

e assim se inaugurando a NOVA e ETERNA ALIANÇA,

que havia de selar-se no CALVÁRIO

com seu SANGUE REDENTOR.

Naquela noite sagrada,
a LUZ resplandeceu nas trevas,
e os Anjos cantaram cheios de alegria
o hino da ALIANÇA DIVINA:
- GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS
E PAZ NA TERRA AOS HOMENS!...

E logo àquele Presépio


acorreram os Pastores das cercanias

e vieram lá do longe os Magos Reis…

E desde então,

ao longo da Procissão dos séculos,
é junto do Presépio de Jesus
que, quantos aceitaram a Mensagem dos Anjos
e seguiram na esteira da luz,
vão encontrar-se com Deus
e com os homens - seus Irmãos,

pois o Presépio de Belém
é o Centro do Universo,

é o Abraço de Deus à Humanidade;

e o CORAÇÃO DO DEUS MENINO
nele nascido
é o PONTO onde se encontram todos os homens


que vivem na SUA FÉ e no SEU AMOR.



A descoberta deste texto ganha um novo sentido para olharmos para as personagens da História de Jesus Cristo e para as pessoas que testemunharam o seu nascimento. Neste, somos convidados a aprender com eles. Os pastores, os anjos, os magos e a Mãe Maria, todos à sua maneira, anunciaram a alegria por esse menino que nascia.

Os anjos e os pastores cantaram louvores a DEUS.

Assim também somos convidados a louvar a Deus que nasceu Salvador, e testemunhar a Paz e o Amor; pois só o ''Amor é fecundo", como Padre Correia da Cunha referia.

A Mãe Maria meditava, orava, agradecia e sorria, pois Deus veio mesmo morar no mundo.

Nós somos o seu presépio, e a nossa casa é Belém!

NATAL é a festa da reconciliação de Deus com a humanidade.

SANTO NATAL
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E O CAVALEIRO

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“Aos grandes Homens… a Paróquia reconhecida”


“Nos primeiros tempos da Reconquista, cerca de treze mil cruzados vieram de toda a Europa para auxiliar D. Afonso Henriques. Houve um cavaleiro, chamado Henrique, originário de Bona, que morreu na conquista de Lisboa e que está sepultado na Igreja de S. Vicente de Fora.

A lenda diz que, logo que Henrique foi sepultado, dois dos seus companheiros, ambos surdos e mudos de nascença, foram deitar-se sobre o seu túmulo. Pediram a Henrique que intercedesse junto de Deus pela sua cura. Em sonhos, Henrique disse-lhes que Deus os tinha curado. Quando acordaram, verificaram que o sonho se tinha tornado realidade.

Pouco tempo depois, morreu um escudeiro de Henrique e foi sepultado, longe do túmulo do seu amo. O cavaleiro Henrique apareceu em sonhos ao sacristão da igreja e disse-lhe que queria o corpo do escudeiro junto de si.

O sacristão não ligou importância ao sonho, nem quando este se repetiu no dia seguinte. Na terceira noite, Henrique, novamente em sonhos, falou-lhe tão irritado com a sua indiferença que o sacristão acordou imediatamente e passou toda a noite a cumprir as suas indicações. Apesar de ter trabalhado muitas horas, o sacristão sentia-se bem, como se tivesse dormido toda a noite.

Segundo a lenda, cresceu uma palma no seu túmulo cujas folhas curavam os males de todos os peregrinos que ali acorriam. Um dia, a palma foi roubada, mas ficou para sempre na memória do povo através do nome de uma rua na baixa de Lisboa.”


Este nobre e valente cavaleiro, Henrique de Bona, que morreu na nossa amada cidade de Lisboa em odor de santidade, encontra-se sepultado na majestosa Igreja de São Vicente de Fora.


A lápide, que se encontra no lado esquerdo do altar de Santo António, assinala que ali repousam em paz os restos mortais do cavaleiro Henrique de Bona, não o deixa esquecer.

Padre Correia da Cunha, em São Vicente de Fora, também não o esquecia. Sempre que passava na Rua do Senhor da Palma, hoje simplesmente Rua da Palma, como todos nós a conhecemos, era-lhe como uma grata recordação trazer ao pensamento este ilustre cavaleiro.





Em São Vicente de Fora eram prestadas grandes homenagens à coragem e astúcia deste grande cavaleiro. Nesta foto, com honras episcopais precede-se a uma dessas venerações ao gentil e amado cavaleiro ‘santo’, que tão querido era nessa comunidade por ter honrado com heróica bravura a nossa nobre cidade.

À semelhança deste cavaleiro, também as relíquias de São Vicente de Saragoça, Santo Padroeiro de Lisboa, deveriam estar depositadas na sua sumptuosa igreja paroquial, ou pelo menos assim, pensava Padre Correia da Cunha. Era com grande mágoa, na alma, que o testemunhava.

É hoje reconhecido, que o depósito das relíquias de São Vicente, na Sé Catedral de Lisboa, não foi pacífico. Gerou um enorme e acesso conflito entre as várias facções de habitantes da cidade à época. Havia aqueles que defendiam que as relíquias deveriam ser colocadas no Mosteiro de São Vicente de Fora (como Padre Correia da Cunha veria a concordar mais tarde), outros como os moçárabes acreditavam que o melhor local para depositar as mesmas era a Igreja de Santa Justa e Rufina e existia ainda um terceiro grupo que impunha como alternativa a Sé Catedral.

Esta rivalidade na disputa das relíquias do Santo, entre moçárabes e os outros cristãos, durou longos séculos após a chegada do seu corpo à cidade, na noite de 16 de Novembro de 1173.

A nau que transportava o corpo do Santo, vinda do Algarve, ancorou junto à Igreja de Santa Justa e Rufina, mas depois fez-se uma grande procissão para a Sé Catedral, tendo como acompanhantes inteligíveis os dois corvos que ficaram como guardiões das relíquias por muitos e longos anos naquele monumento.





Contudo, como referia Padre Correia da Cunha, São Vicente Mártir nunca deixou de ser celebrado e venerado na sua Igreja de São Vicente de Fora, com um rito próprio, por todos os lisboetas que lhe querem bem.

Não se deveria também de perpetuar a memória de Mons. Francisco Esteves (1900-1959) e Padre Correia da Cunha (1961-1977) com a transladação dos seus restos mortais, para capela em São Vicente de Fora, pelo trabalho dinâmico, de inesgotável prodigalidade sem paragem nem descanso que a missão lhes impôs para dilatarem o Reino na Paróquia de São Vicente de Fora de Lisboa?

Não se deveria igualmente deixar em pedra gravados os nome destes dois grandes homens da igreja “A Paróquia Agradecida”?
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E A PADROEIRA

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‘‘As Mães são pedestais do mundo…’’


Para o Padre Correia da Cunha, 8 de Dezembro era o dia de rendermos uma profunda, justa e humilde homenagem à Imaculada Padroeira da Nação. Contudo, este aproveitava também o ensejo para se curvar diante da efeméride que assinalava o Dia da Mãe (pois para ele o dia da mãe sempre foi nesta data).

Esse dia não passava na Paróquia de São Vicente de Fora, sem que Padre Correia da Cunha, numa singela mas sentida cerimónia, não chamasse a atenção de cada um de nós para um pensamento de fé e de respeito à memória dos sentimentos maternos. Isto porque as nossas mães foram as fontes de onde recebemos a vida, as primeiras escolas onde aprendemos a pensar, os primeiros templos onde aprendemos a rezar…

Iniciava dizendo que o Dia da Mãe deveria ser todos os dias, todas as horas, todos os momentos… pois tudo o que somos se deve em muito às nossas magníficas e abençoadas mães. Envolvidos pela ganância e cegueira desta vida, por vezes esquecemos o odor da herança recebida delas: a beleza da virtude, o primado da justiça e a infinidade do amor




Maria Amália Correia da Cunha


Padre Correia da Cunha muitas vezes referia: ‘’ Não esqueço os afagos, os conselhos e mimos da minha querida Mãe Amália. Era uma santa que guiou os meus primeiros passos. A sua imagem maternal acompanhou-me sempre pela sua grandeza de coração e de sacrifício materno. Foi para mim uma heroína. ‘’As Mães! São pedestais do mundo, irradiando bondade indiscriminadamente!

Era para Padre Correia da Cunha grato recordar que, numa das mais antigas paróquias desta sua amada cidade de Lisboa, ainda era venerada a mãe de todos os portugueses, Nossa Senhora da Conceição – Padroeira de Portugal - que ampara os portugueses desde os tempos da conquista da cidade.

.Quando D. Afonso Henriques se encontrava nos subúrbios da cidade de Lisboa, preparando o assalto final, prometeu edificar ali (local da actual igreja de São Vicente de Fora) um mosteiro, se com o auxilio da SS. Virgem saísse vitorioso da conquista da cidade.

Entretanto mandou erigir naquele lugar um hospital de campanha. Nesse hospital mandou construir um altar sobre o qual colocou uma imagem de Nossa Senhora da Conceição e que desde então era invocada sob o título de Nossa Senhora da Conceição da Enfermaria. Era no altar dessa imagem roque, que ainda hoje existe na Igreja de São Vicente de Fora, que Padre Correia da Cunha celebrava estes ofícios dedicados à Padroeira Celeste e recordava a sua adorável mãe terrena.





A nossa mãe do Céu, Nossa Senhora, foi sempre a Padroeira dos Portugueses. Portugal foi sempre a Terra de Santa Maria. A Glória da nossa terra! Não pode haver nenhuma pessoa bem formada que não tenha por Ela a maior admiração e veneração.

Curvemo-nos aclamando devotamente os gestos maternos cheios de ternura e de bondade cega, pois diante destas efemérides, que nos impedem de esquecermos as nossas mães…todos temos particulares motivos para as amarmos com os maiores fervores pois elas fizeram prodígios e maravilhas pelas suas infindáveis humanidades.

Compete aos filhos reconhecer nas mães os grandes sacrifícios que lhes custaram e, consequentemente amá-las e respeitá-las com toda a confiança.

Espero que este pequeno texto nos possa ajudar a recordar com alguma saudade essas cerimónias, plenas de cânticos marianos, que Padre Correia da Cunha realizava no dia 8 de Dezembro de cada ano e que ficaram gravadas certamente nas nossas vidas.




Padre Correia da Cunha e um amigo em Fátima


Em confirmação destas lembranças seria bom que cada um promovesse uma homenagem de gratidão, um destes dia, realizando uma romagem, imbuídos dos nobres sentimentos que nos transmitiram as nossas mães, ajoelhando-se aos pés de Maria Mãe de Deus – Padroeira de Portugal e agradecendo carinhosamente toda a especial predilecção que Ela tem manifestado no seu maternal carinho por esta Nobre Nação e pelas mães portuguesas.

Padre Correia da Cunha realizava imensas romagens ao Santuário de Fátima, como podemos verificar na foto, onde nunca esquecia a sua querida mãe, Amália Correia da Cunha. A Cova da Iria irradiava-lhe luz, energia e entusiasmo para o seu empenhamento na missão de pastor.

Saudades de uma infância!

Fotos: Espólio de Padre Correia da Cunha cedidas gentilmente pelo seu sobrinho – Engº Acácio Cunha.





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