domingo, 31 de outubro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA - MUNDO JUSTO, FRATERNO E HUMANO

..
.
.







 

 
 

‘’ O GRUPO DE JOVENS OBJECTIVO ERA UM FAROL …’’


"São elementos do Grupo Objectivo numa das muitas e importantíssimas sacrossantas andanças na procura do crescer de dentro para fora em comunidade. Hoje, estando cada um no seu sítio, creio que temos o Objectivo como objectivo de vida.

Ontem 29 de Outubro recebi um telefonema do Carlos Pereira, há mais de cinco anos que não sabíamos um do outro. Já marcámos encontro para breve para trocar e por testemunhos em dia e falar, falar muito dos nossos netos!!!

Meu Caro Alexandre, eras um menino de 8-9 anos à data da fotografia, lembro-me bem de ti!
Não peças desculpa pelo "lamento", lembrar com o misto alegria/saudade os que partiram para junto do Pai é um modo de os acomodar carinhosamente nos nossos corações.

De um modo muito especial o Padre Correia da Cunha, o nosso grande Prior e o teu pai foram importantíssimos na formação moral, cívica e pelo testemunho inequívoco de Fé com que envolveram fraternal e sabiamente os jovens do Grupo Objectivo de São Vicente de Fora.

Eu beneficiei, benefício com o testemunho destes dois santos homens. ‘’

Rui Aço



A leitura deste emocionante testemunho de Rui Sequeira Aço, um dos responsáveis da pastoral juvenil da Paróquia, chamou a minha atenção para esse Grupo de Jovens OBJECTIVO, da Comunidade de São Vicente de Fora, nos anos 60/70, que se esforçou para superar os egoísmos, fortalecendo a capacidade para a partilha e a solidariedade.

Quando amamos incondicionalmente, somos capazes de fazer grandes coisas pela comunidade. Foi isto que pelo menos Padre Correia da Cunha nos ensinou e que contribui para o nosso verdadeiro crescimento na vida comunitária, ajudando-nos a superar e a descobrir quem somos nós.

“Dizem que Adão e Eva não tinham espelhos. Adão era forçado a perguntar a Eva: Como é a minha cara? Qual é a cor dos meus olhos? Como sou eu? E Eva ia lhe mostrando quem e como ele era. Eva teria feito o mesmo com Adão. “

Também nós, só descobrimos quem somos em comunidade. Só juntos com os outros é que podemos crescer e viver em plena liberdade, mas para isso é importante que hajam bons amigos e bons mestres… o Grupo de Jovens Objectivo da Paróquia de São Vicente de Fora foi, nesse plano, uma Graça, um Capitólio e uma Responsabilidade.

Uma Graça singular, pois ali se aprendeu a sermos bons cristãos e cidadãos integérrimos, muito felizes pela escolha de Jesus Cristo na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e humana.

Um Capitólio imenso, pois Padre Correia da Cunha e os seus colaboradores foram insignes educadores, contribuindo para a formação de gerações de jovens que hoje servem com toda a dedicação a comunidade, honrando-a com os valores ali adquiridos.

Uma Responsabilidade imensurável, pois a formação que ali recebemos para a vida, nos obriga a aplicar com testemunhos vivenciais essa preciosa herança e a tornámo-nos solidários com a complexa transformação do mundo com mais Amor, Justiça e Paz.

Todos reconhecemos hoje que somos beneficiados por termos tido ao nosso lado tantas pessoas eruditas e piedosas como: Padre Correia da Cunha, Ana Themudo Barata, Carlos Barradas, Casimiro Ferreira… que brilhantemente nos ajudaram a crescer e por isso são dignos de serem perenemente recordados.

E nós hoje, homens livres e dignos continuaremos a ser arautos envolvidos nas nossas comunidades, dando continuidade aos valores que ali nos foram transmitidos, na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e humana: partilha e solidariedade.



Esta foto foi tirada no Seminário dos Olivais, no ano de 1972. Participantes da Paróquia de São Vicente de Fora na Conferência: A SEGUNDA VINDA DE JESUS CRISTO AO MUNDO.























.
.

.

.

.

domingo, 24 de outubro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E A VIDA

.
.





‘’ Eu vim para que todos tenham vida plenamente. ‘’


Existem certas pessoas que nascem para viverem plenamente.

Padre Correia da Cunha, com toda a sua grandeza de alma, foi uma dessas criaturas.

Homem dotado de raríssimas qualidades, de inteligência e de coração, deu provas de uma piedade profunda e de um amor ardente para com os seus semelhantes.

Como Pároco foi constante no afecto consagrado aos seus paroquianos… e no zelo com que contribuía para a promoção e desenvolvimento intelectual deles. Particular atenção lhe merecia toda a juventude e todos aqueles que o rodeavam: catequistas, cantores, apostolizados... Padre Correia da Cunha não gostava de estar só. Já passaram 33 anos que nos deixou e ainda hoje é recordado pelos seus muitos amigos que com ele viveram aqueles saudosos tempos.




Todos lhe reconheciam a sua contagiosa cordialidade, que irradiava do seu brilhante senso de humor e irreverência espirituosa e que era sem dúvida o seu modo de arrastar a vida.

Na Paróquia de São Vicente de Fora, constituída de simplórios, habituados à claridade intensa e singela de algum provincianismo, entregávamo-nos no supremo prazer de servir a comunidade paroquial. Em comunhão com Padre Correia da Cunha, e segundo a vocação de cada um, experimentávamos o valor do trabalho transcendental de servir a igreja assim como os nossos irmãos.

A sua vasta cultura cristã e humanista era uma excelente forma de tratar com cortesia os seus semelhantes e de simultaneamente criar naturalmente dedicadas amizades.

A esta distância do seu desaparecimento terreno parece-nos a todos que Padre Correia da Cunha era uma criatura fugida das páginas romanescas de certos livros.



Se não é, pelo menos foi uma destas criaturas que nasceu para viver plenamente na passagem da sua vida, ocultando a mentira dos preconceitos na realidade intensa das coisas… humanas e espirituais.

De entre todos os dons, dados por Deus para a vida da Igreja, existe um que de todos sobressai. Este dom é o Sacerdócio, através do qual Cristo se oferece na Eucaristia. É através dela que auferirmos força e confiança.
Recordo que Padre Correia da Cunha referia que comungando, se tinha o entusiasmo para ser um bom cristão, amar o próximo e através disto alcançar a vida plena.
.
.
.
.
.
.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA

.
.
.


Os amigos que partiram...






IN MEMORIAM

JOÃO PAULO MARQUES DIAS(JP)

10 ANOS DE SAUDADE

1952-2000




JOÃO PAULO MARQUES DIAS (1952-2000) nasceu em Lisboa, na Freguesia de Santa Engrácia, no dia 21 de Outubro de 1952. Encostado na simplicidade dos seus gestos, ele procurava esconder nas sombras da sua modéstia, a evidência que o seu espírito superior conquistava nos grupos dos seus muitos amigos da Paróquia de São Vicente de Fora e mais tarde nas Associações Lúdicas do típico bairro de Alcântara.

Alma nobre, João Paulo trazia a bondade estampada no semblante calmo de criatura nascida para o bem. Soube há pouco tempo, por testemunhos de alguns dos seus mais leais amigos, que na intimidade dos seus parceiros era carinhosamente chamado por: (JP) Joãozinho.

Tranquilo e discreto, trazia qualquer coisa de espiritual nas suas atitudes que nos lembravam serem heranças dos seus bondosos e saudosos pais, Patrocínia Marques Dias (1929-1989) – catequista e vicentina na Comunidade de São Vicente de Fora e António Dias (1919-2003). Muito fervorosos na sua fé cristã e grandes defensores das causas justas dos seus semelhantes, os pais de João Paulo estavam sempre dispostos a orientar os que sentiam qualquer embaraço nas atribuições da vida.

O Padre Correia da Cunha reconhecia neste seu discípulo o espírito iluminado. As suas cultas e inteligentes ideias tinham o reflexo das coisas puras e simples. Nas suas poucas palavras, havia sempre um brilho que lhe permitia granjear uma enorme legião de admiradores e amigos.

O João Paulo Marques Dias, no dia que celebrava o seu aniversário, ao dirigir-se para o comemorar com a sua família, foi atraiçoado pela violência de um acidente rodoviário que lhe retirou a vida. Ninguém aguardava que a morte, desta forma tão cruel e terrivelmente silenciosa, o viesse retirar do convívio dos seus familiares e amigos, onde ele irradiava tanta e serena alegria. Ainda hoje é recordado pela sua imensa bondade e esperança, numa vida de verdadeira harmonia e paz.

Hoje, no dia do seu aniversário, é o momento certo para agradecermos toda a beleza que ele demonstrou por onde passou… Muitos parabéns, JP!

Deixou-nos a todos a missão de espalhar as sementes responsáveis pela construção de uma verdadeira e sã amizade, enquanto não formos chamados pelo insondável designo de Deus.

É mais que justo, agora que passaram 10 anos, prestar uma sentida homenagem ao João Paulo Marques Dias, em nome de todos os amigos de Padre Correia da Cunha.

Foi no dia 21 de Outubro de 2000, que ele nos deixou privados da sua querida e amável presença. Fica-nos a sua memória, ele foi repousar na Glória de Deus. Hoje, junto do Pai e de seu grande amigo Padre Correia da Cunha e dos seus familiares está à nossa espera e entretanto continuará a interceder por todos nós que não queremos nem podemos esquecer a sua lembrança.

Deixo aqui este testemunho com a convicção que muitos dos seus amigos vivos o comentarão, prestando a merecida homenagem à memória deste nosso saudoso e grande amigo de São Vicente de Fora…, que teve um coração do tamanho das infindáveis estradas europeias, que ele tantas vezes calcorreou.


São Vicente de Fora guarda-o em seu coração! Deixou em todos muitas saudades.


RECEBEI, SENHOR, NO REINO DOS JUSTOS O NOSSO IRMÃO.
















.















.















.















.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E AS MASCOTES

..
.
.



‘’…mantiveram o seu secular papel de guardiãs de S. Vicente.’’





‘’Uma das mais conhecidas lendas é a dos Corvos de S. Vicente. Está historicamente registado que o diácono Vicente “sofreu suplício até à morte em Valência” quando pregava o cristianismo. Os cristãos daquela cidade espanhola quiseram pôr a salvo o corpo do mártir e fugiram pelo mar. A viagem decorreu sem incidentes até chegarem a um promontório no Atlântico, altura em que uma tempestade os arrastou até às assustadoras “junto a uma terra muito bela com um grande promontório”.


O mestre do barco disse-lhes que a terra se chamava Algarve e que o cabo se chamava promontório Sacro, antigo nome de Sagres.


Devido aos estragos da tempestade, o barco encalhou entre Sagres e o Cabo de S. Vicente. Para fugir a embarcações piratas, os devotos desembarcaram a sua preciosa relíquia. O comandante do navio prometera-lhe continuar a viagem depois de passado o perigo dos corsários, mas nunca mais apareceu, pelo que decidiram construir na falésia uma ermida e um mosteiro em memória de S. Vicente.


Será possível imaginar, sem dificuldade, o pequeno barco a percorrer toda a costa algarvia, as falésias douradas sucedendo-se a praias de areais claros, até chegar ao imponente promontório de Sagres, logo seguido do Cabo de São Vicente. Ainda hoje, muitos séculos volvidos, a natureza do lugar mantém-se impoluta e cheia de encanto.


Continuando a lenda, o primeiro rei de Portugal D. Afonso Henriques, soube de um “lugar santo” a Sul onde estariam relíquias sagradas.


Logo ordenou uma expedição, para as trazer para Lisboa, pois nessa altura o Algarve era ainda terra de mouros e não pertencia ao reino de Portugal.


Todavia, o tempo apagara os vestígios da primitiva ermida e os cristãos que a construíram não se destrinçavam da população árabe.


Porém, o capitão do navio ao navegar junto da falésia foi surpreendido por um bando corvos, e seguindo-os, o enviado do Rei encontrou o esconderijo onde estava o sepulcro. Extraordinariamente as aves, mantiveram o seu secular papel de guardiãs de S. Vicente, e nos mastros do navio seguiram até Lisboa. Em honra desta lenda, os corvos figuram nas armas da capital.


Curiosamente, os corvos são das aves que se podem encontrar entre a avifauna da costa Sagres, marca desde sempre a história de Portugal, como um lugar de sonho e de Descoberta.’’


Padre Correia da Cunha, durante longos anos, possuía nos claustros do Mosteiro de São Vicente de Fora, dois bonitos corvos negros, os quais eram considerados as suas mascotes.

Estes corvos foram ‘’ baptizados’’ pelo Pe. Correia da Cunha com os nomes de: VALÉRIO E VICENTE.

Rogério Simões, que conheceu bem estes dois maravilhosos corvos, hoje partilha connosco uma bela história sobre tão ilustres personagens:






Era um vez um menino traquina, de seu nome Rogério, que foi fotografado nos claustros da Igreja de S. Vicente de Fora a "fazer festinhas" ao espertalhão do corvo Vicente.

Faz muito tempo! O corvo era a mascote do Padre José Correia da Cunha e o menino ‘’desconfiado’’ colocava a mão a medo.

O Vicente quando se sentia protegido, pelo Prior, tornava-se altivo e ao mínimo descuido bicava ‘’ na canalha’’- nos putos.

Ao lado do Panteão Real da Casa de Bragança fica o Pátio dos Corvos, onde vivia desterrado o outro corvo – o Valério.


O Valério que era amigo dos jovens cicerones – dos putos – e por não ter o mesmo estatuto do corvo Vicente tinha sido desterrado. Mas os putos gostavam do Valério! E para o Valério demonstrar a sua lealdade pelos meninos, e rapazolas, saltava para cima dos nossos sapatos desfazendo o laço dos atacadores. Era uma atracção p’ro turista, enquanto, o corvo Vicente ficava-se pela sala paroquial, a petiscar do pequeno-almoço, na companhia de Padre Correia da Cunha.


No dia da foto o Vicente apareceu nos claustros. Teve sorte: ficou na fotografia.
Certo dia, o corvo Vicente, apareceu afogado nos claustros do primitivo convento
.

Texto de Rogério Martins Simões
(Retratos da alma e do poeta – São Vicente de Fora)
.
.
.
.
.

domingo, 26 de setembro de 2010

PADRE CORREIA DA CUNHA – 93º ANIVERSÁRIO

.





.
.





‘’A SUA VIDA FOI UM HINO À AMIZADE. ‘’


No dia 24 de Setembro 2010, celebrava 93 anos de vida terrena se fosse vivo. Padre Correia da Cunha teve uma vida inteiramente dedicada aos outros, sobretudo aos muitos jovens que frequentavam assiduamente a sua Paróquia. O seu exemplo de simplicidade, humanidade e cultura singular, ainda hoje, continua a inspirar os seus muitos discípulos que obstinadamente querem e desejam mantê-lo vivo nas suas vidas.

Este ano um grupo de amigos prestou-lhe uma singela homenagem com uma romagem ao seu mausoléu, no Cemitério do Alto de São João. Em perfeito espírito de reverência e silêncio, este grupo depôs uma coroa de flores e implorou para que Padre Correia da Cunha goze para sempre a vida bem aventurada e o esplendor da glória eterna.







Robert Descombes, organista itinerante de São Vicente de Fora nos anos 60/70, aproveitou para transmitir aos presentes um testemunho comovente sobre este seu grande e inesquecível amigo: “ No ano de 1976 quando me despedia, no Aeroporto de Lisboa, de Padre Correia da Cunha até ao próximo ano… este com uma voz embargada dizia-me: - Robert, para o ano, já cá não estarei… Recordo que já manifestava grandes fragilidades na sua saúde. Faz este ano, 34 anos, que não voltei a visitar esta encantadora cidade. Quando recebi a notícia da sua morte, no ano de 1980, tomei de imediato consciência que visitar Lisboa seria para mim uma profunda angústia e um duro sofrimento.

Este ano tive uma prenda de vida ao descobrir o blogue de João Paulo Dias, que através de uma linguagem acessível presta um magnífico tributo a este homem de grande génio, que desde a primeira hora me encantou pela sua frontalidade, simpatia e generosidade, proporcionando viver a época mais bela e encantadora da minha vida… que já leva 63 anos.

Naquele majestoso órgão ibérico, da sua igreja, seguramente o mais belo da Península Ibérica, passei dias e noites a realizar um trabalho que era para mim imperscrutável e sobrenatural. Quantas vezes, Padre Correia da Cunha se sentava nos longos bancos da igreja, deixando-se envolver pela música desse fabuloso órgão. Tudo me parecia algo de místico e sobrenatural… que belas e gratificantes recordações, conservo da sua pura amizade.



…A cidade de Lisboa, sem Padre Correia da Cunha, já não é a Lisboa que aconchegava dentro do meu coração tão português…

O bairro de São Vicente de Fora, sem Padre Correia da Cunha, já não tem alma e as tão belas vivências que foram aniquiladas pelo abandono das pessoas que ali tinham raízes profundas…

O mosteiro de São Vicente de Fora, sem Padre Correia da Cunha, já não atesta a expressão humana e afectiva que lhe era conferida pela imensa alegria da generosa juventude, que o rodeava. É um simples museu de peças de arte…

A igreja de São Vicente de Fora, sem Padre Correia da Cunha, mantém a alvura da sua fachada. O seu encerramento desde há 3 anos é inacreditável! Já não atrai ou encanta para dar a conhecer nenhum projecto de fé, cultura … são pedras mortas…
Relembro os grandes cerimoniais que Padre Correia da Cunha realizava naquele templo, acompanhados pelos oceânicos sons daquele órgão, o meu preferido… ’’

Alguns dos amigos ali presentes, nesta romagem, deixaram-se envolver pela arte cénica e representaram trechos do seu Auto de Natal, editado no ano de 1962 e representado nas escadarias da igreja de São Vicente de Fora pela primeira vez na noite de 24 de Dezembro do ano de 1961.

Os últimos momentos foram para um forte aplauso a este amigo com quem partilhámos verdadeiros ideais de vida cristã e humana e que uma vez mais nos congregou pelo seu vivo testemunho: o mais belo da vida é a capacidade de nos amarmos uns aos outros, ou seja, sermos bons e leais amigos. Obrigado Padre Correia da Cunha.

As orações evocativas foram confiadas ao Exmº Comandante Eugénio Duarte Ramos. Parceiro nas longas viagens efectuadas ao serviço da marinha quando Padre Correia da Cunha exercia as funções de Capelão da Armada.

Embarcou com Padre Correia da Cunha, em meados de 1958, no velho NE ‘’Sagres”, participando na segunda Regata dos Grandes Veleiros (Tall Sailing Ships), que decorreu entre Brest (França) e Canárias e que fez escala em Las Palmas e em Santa Cruz de Tenerife. Esta era a viagem de final de curso da Escola Naval, do Comandante Eugénio.





A data foi igualmente marcada com a realização de um jantar de confraternização num elegantíssimo restaurante da doca do Jardim do Tabaco, situado nas fraldas da sua querida Alfama, com uma magnífica vista sobre o Tejo, com todos estes seus velhos amigos. O Padre Correia da Cunha esteve presente através duma enorme fotografia com o seu companheiro inseparável, o corvo ‘’Vicente’’.

Reinou uma galante boa disposição, sendo os diálogos entre todos os convidados, as memórias dos bons e saudosos momentos passados na companhia deste querido e saudoso amigo.

Foi uma noite muito agradável, reinando um verdadeiro espírito fraterno durante a aprazível refeição.




.
.
.
..
-

















.
.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

PADRE CORREIA DA CUNHA – HOMENAGEM

.






..


..



Pe. JOSÉ CORREIA DA CUNHA




24 SET.1917 – 24 SET.2010





Passam no próximo dia 24 de Setembro 93 anos do seu nascimento, que como todos sabemos era o dia 24 de Setembro 1917 e não a 26 de Setembro, como consta nos documentos oficiais de identificação.

Com a presença do prestigiado organista francês Robert Descombes, que nos anos 60 e 70, a pedido de Padre Correia da Cunha, deu vários concertos, no majestoso órgão da Igreja de São Vicente de Fora, um grupo de amigos realiza no próximo dia 24 de Setembro, uma HOMENAGEM DE GRATIDÃO expressando um vivo reconhecimento a este grande, homem, mestre, capelão e padre… que tanto contribuiu para a formação cristã e humana de várias gerações.

PROGRAMA
16.00 Horas – Romagem ao mausoléu dos seus restos mortais, no Cemitério do Alto de São João (Rua 57ª – 36831)

19.00 Horas – Concentração nas escadarias do Mosteiro de São Vicente de Fora.

20.00 Horas – Jantar no Restaurante Mercearia Vencedora
Avenida Infante Dom Henrique Doca do Jardim do Tabaco, Pav. A/B –
(Parque estacionamento)

WWW. Merceariavencedora.com


Agradecemos a vossa confirmação para o email: joaopaulo.costadias@gmail.com

Já não está connosco, mas naquela data, queremos aproveitar para agradecer a Deus ter-nos concedido este grande zeloso capelão e prior que no desempenho dessas suas nobres missões deixou uma obra tão sólida que ainda hoje perdura, tão vasta que provoca a tantos anos de distância, os nossos quentes aplausos de PARABÉNS!

(1) - Robert Descombes é titular e conservador do órgão d'Orgelet, um dos mais antigos instrumentos de Franche Comte, e um dos poucos instrumentos do século XVII, existente em França. Como tal, é uma das grandes jóias da sua cidade. Pela sua enorme reputação, que vai para além das fronteiras, já recebeu visitas regulares de organistas de todo o mundo. Os organistas são pessoas de grandes e eternas paixões. Este grande organista titular e grande apaixonado pelo maravilhoso órgão de São Vicente de Fora, nutria uma profunda amizade por Padre Correia da Cunha.



(2) - No meu facebook poderão consultar ementa.


.


.












.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA

.
.

Os amigos que partiram…






IN MEMORIAM


HERNÂNI DA ANUNCIAÇÃO SANTOS

1949-1965
45 ANOS DE SAUDADE




HERNÂNI DA ANUNCIAÇÃO SANTOS nasceu no dia 29 de Setembro de 1949 e faleceu no dia 6 de Setembro de 1965. Naquela tarde fatídica, em que o autocarro ‘’ Mensageira de Fátima’’ se dirigia para o portão do Pátio de São Vicente de Fora, Hernâni, ao procurar chamar atenção de dois dos seus companheiros para se recolherem, sofreu um forte impacto na cabeça depois de ir contra o umbral do portal de pedra, tendo morrido instantaneamente por causa do violento choque.


Faz esta semana, 45 anos que desta tragédia enlutou a Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, mais precisamente no dia 6 de Setembro 1965. Aprouve a Deus levar para Si o Hernâni (NÃ), um grande amigo de Padre Correia da Cunha e irmão, em Nosso Senhor Jesus Cristo, de todos os jovens de São Vicente de Fora.


Num gesto de procurar salvar a vida de dois dos seus amigos, ele perdeu a sua. No entanto não deixou de vencer, uma vez que não há vitória maior do que estar na Glória de Deus. O seu acto heróico fez com que chegasse de forma triunfal aos braços do Pai. Enfim, o Céu ficou mais rico e todos os jovens de São Vicente de Fora e família mais pobres. O que fica, além da imensa dor que aos poucos se foi transformando numa alegre lembrança, foi o seu exemplo de vida, que frutificou no coração de muitos jovens. Foram estes mesmo jovens que mantiveram, em compromisso de fidelidade , o bálsamo que suavizava a dor daquele coração sofrido de Ti Alice, sua mãe adoptiva, e a que o desgosto ia consumindo.


Com a partida do Hernâni para junto do Pai, restava-lhe a companhia dos seus jovens que a rodeavam de muito amor e carinho e que ela acolhia com uma desmedida serenidade. Ti Alice tinha uma vida interior de muita fé, radiante de alegria e contagiante. Maria Alice da Fonseca Roque Alves (Ti Alice) foi uma grande orientadora da vida humana e espiritual de muitos jovens daquela paróquia, influenciando os mesmos a sentirem-se amados e amarem o seu próximo.


Segundo vários testemunhos, Hernâni era um jovem felicíssimo e muito dedicado à sua comunidade paroquial e ao seu pároco o Padre José Correia da Cunha. Este não era de declarar amor por ninguém em particular, mas entendíamos o significado que emanava do seu olhar, pelo que todos reconheciam que nutria um apreço e amizade profunda por este seu discípulo, que era acólito e zelador da dignidade dos actos litúrgicos para além de um excelente cicerone do Mosteiro.

Todos viam no Hernâni um herói pois vivia intensamente a vida cristã, da qual costumava entusiasticamente falar. A morte de Hernâni foi um enorme choque e uma experiência muito dolorosa. Não se compreendia porque Deus havia levado este seu dedicado servo… Como refere Rogério Martins Simões no seu comentário sobre o cicerone Hernâni, “ a sua voz era deslumbrante e cantava lindamente. Que cantar tão belo! Quanta alegria, quando em grupo cantávamos juntos: " A Fonte da minha aldeia”.


Hoje queremos homenageá-lo e agradecer ao Senhor a amizade do Hernâni. Como vale a pena uma vida de entrega intensa na Tua presença.


Todos acabámos por tratar por NÃ, tomando por emprestada a maneira carinhosa e verdadeira que a mãe Alice utilizava.


Para ele não houve morte, esperou o tempo certo para ter juntinho a si a sua amada mãe Alice.

São Vicente de Fora guarda ambos em seu coração! Deixaram em todos muitas e profundas saudades.


Hernâni e Ti Alice estão rogando bênçãos para todos os seus amigos que tão maravilhosos momentos de vivência cristã viveram em suas afáveis companhias.

.

.

.
TESTEMUNHO DE ROGÉRIO MARTINS SIMÕES
06/09/1965 - 06/09/2010
45 Anos de saudade - do nosso querido NÃ
HERNÂNI DA ANUNCIAÇÃO SANTOS
.
.
Já passaram 45 anos?! Que tragédia! Que trauma o foi para todos nós, jovens da mesma idade, amigos inseparáveis. Eu ía ao seu lado! Nascemos no mesmo ano, eu a 5 de Julho, e o Hernâni a 29 de Setembro de 1949. À data dos acontecimentos tinha já os meus 16 anos de idade e recordo que nos preparávamos para a grande festa dos 16 anos do Nã.
Recordar esta tragédia é lembrar um dos acontecimentos mais traumatizantes da minha vida e da vida daqueles que presenciaram incrédulos o que ali estava a acontecer. Sim, mesmo ao nosso lado.
Regressávamos de mais uma viagem na camioneta do Patronato. Todo o dia fora divertido, porque, nesse tempo, contentavam-nos com pouco - os nossos pais não tinham viatura, e ir numa excursão à Praia das Maçãs; ao Guincho, a Vila Viçosa, ou a outro local programado, era sempre um motivo para nos fazer felizes. Tudo correra com normalidade e lá estávamos nós amontoados ao fundo da camioneta. Muito cantámos, mas o artista era o Hernâni.
Recordo o momento em que a camioneta chegou ao Campo de Santa Clara, local onde se faz a Feira da Ladra.
Lembro-me da viatura começar a entrar por aquele estreito e maldito portão. Recordo-me de ver os putos pendurados no estribo da camioneta, ali mesmo ao nosso lado, na sua parte traseira. Ainda estou a ver o Nã a gesticular para os garotos e a pedir-lhes para que fugissem; para que não ficassem entalados entre a camioneta e o portão que dá acesso à parte inferior do antigo Mosteiro de São Vicente de Fora.
Recordo o momento em que o Hernâni colocou a cabeça de fora, tentando, com o braço afastar os putos. E a camioneta entrava lentamente, uma eternidade, arrastando e esmagando contra o portão de ferro a cabeça do Hernâni. De o ver cair a meu lado o corpo do Hernâni, jorrando sangue. Vejo-me a chorar e a correr para a Igreja a rezar...
Entrei na Igreja em convulsão. Ajoelhei-me e pedi a Cristo e aos Santos para salvarem o Nã - e Eles não me quiseram ouvir...
A partir daí deixámos de escutar o seu belo canto no átrio da Igreja de São Vicente de Fora.
Não mais esqueci aquela tragédia. Talvez por isso, quando nos juntamos, todos cantamos a mesma canção. ASSIM, e enquanto houver memória, haveremos de cantar, recordando-o, a sua canção: '' A FONTE DA MINHA ALDEIA"
A fonte da minha aldeia
Quando soluça baixinho
Parece até que rodeia
A poeira do caminho.
ETERNA SAUDADE, DO TEU ETERNO AMIGO ROGÉRIO MARTINS SIMÕES
.
.
.

.

domingo, 29 de agosto de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E A «DOR»

.
.
.
.



.
.
.
.
.
A DOR - Autor Francisco Franco




‘’O SENTIMENTO DA DOR PURA EXPRESSA NAQUELAS MÃOS...’’
Padre Correia da Cunha



O Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, desempenhava o papel histórico da última morada dos membros finados da Família Real da Dinastia de Bragança.

O Panteão da Casa Real Brigantina foi mandado erigir no antigo refeitório dos frades regrantes de Santo Agostinho, no ano de 1855, por D. Fernando II de Saxe-Coburg Gota, viúvo da Rainha D. Maria II.

No início do século passado, este espaço apresentava um aspecto de um amontoado de esquifes votados ao abandono e onde era possível ver-se ainda os cadáveres embalsamados de alguns dos nossos últimos reis.

Panteao antes da intervenção do Arq. Raul Lino


Em 1932, uma comissão de monárquicos, visando celebrar condignamente o 25º aniversário do regicídio, envergou todos os esforços no sentido de se renovar o Panteão Real da nossa última dinastia. Iniciou-se essa restauração com a construção de um magnífico monumento fúnebre para o Rei D. Carlos I e seu filho primogénito príncipe D. Luís Filipe, que seria inaugurado solenemente no dia 8 de Fevereiro do ano de 1933.

Há época já se falava que os dignitários do poder político em Portugal deveriam manifestar uma maior atenção para a elevação daquele espaço, onde repousavam tão ilustres servidores da nossa amada Pátria.

Foi então encarregado da execução do projecto de revitalização desse jazigo de família o prestigiado Arqt.º Raul Lino, que haveria de optar por gavetões muito simples de mármore ao longo das paredes laterais, onde apenas seria esculpidas em letra tumular os nomes, as datas de nascimento e falecimento. Esses gavetões acolheram assim as urnas de tão ilustres personagens, que até ali apresentavam um desmazelo total.





Interior do Panteão da Dinastia de Bragança


Quando nos anos quarenta, o Padre Correia da Cunha chegou ao Mosteiro de São Vicente de Fora, já toda esta renovação estava concluída. O Panteão da Dinastia de Bragança tinha-se tornado num espaço sóbrio onde sobressaíam: um túmulo duplo ao centro e um outro junto ao altar, onde repousam respectivamente D. Carlos I, o príncipe Luís Filipe e o nosso último Rei D. Manuel II, falecido no exílio no ano de 1932.

Só uma coisa convidava o Padre Correia da Cunha a entrar nesse Panteão da Dinastia de Bragança: uma ‘’mulher’’ que se encontra à cabeceira do duplo túmulo, coberta de um manto talhado de uma única peça, numa verticalidade levemente obliqua cujo rosto cobre com as duas mãos.

Ouvia frequentemente dizer que a figura esculpida representava a Rainha D. Amélia, chorando a perda de seu marido e adorável filho. A mesma figura era também entendida por muitos como a Pátria carpindo a morte dos nossos estimáveis e saudosos rei e príncipe, suplicando o acolhimento divino destes grandes heróis…

A escultura é da autoria de Francisco Franco, discípulo de Simões Almeida, um dos mais activos artistas da estatuária pública do Estado. Reconhece-se hoje que a escultura portuguesa viveu um extraordinário período de ouro e expansão no início do século XX. Esse património actualmente muito nos honra.

Para o Padre Correia da Cunha, esta peça de arte representava simplesmente a DOR  e interrogava: Como umas mãos podiam exprimir admiravelmente esse sentimento sem terem de recorrer à expressão facial? Era uma magnífica obra de génio.

Esta obra é perturbadora e gera ao visitante um choque. A luz torna a escultura estranha, como se irradiasse uma luz divina. Como referia o Padre Correia da Cunha ao contemplarmos estas mãos, apoiados nos degraus do túmulo de D. Manuel II, sentimos algo impossível de verbalizar … o sentimento da dor pura expressa naquelas mãos vai até ao íntimo da alma de cada um que as observa… quando um objecto tem a capacidade de nos transmitir sensações e sentimentos estaremos certamente na presença de uma grande obra de arte.




João Paulo Dias junto da escultura de Francisco Franco

Esta minha foto, de 1972, junto da escultura de Francisco Franco, a DOR, é da autoria de um dos muitos jornalistas brasileiros que efectuaram enormes reportagens sobre a transferência dos restos mortais de D. Pedro IV Rei de Portugal e 1º Imperador do Brasil, do Panteão da Dinastia de Bragança para o Monumento do Ipiranga em São Paulo – Brasil.

A partida dos despojos mortais de D. Pedro IV desfalcou o Panteão Real de São Vicente de Fora, povoado de tantas memórias ligadas à enorme civilização lusíada, que tanto nos orgulhamos. Mas uma coisa é certa, na sua nova morada ele seria único e insubstituível como o verdadeiro fundador da nacionalidade Brasileira.

O Padre Correia da Cunha seguiu integrado na comitiva oficial, a bordo do Paquete Funchal, para as grandes celebrações de entrega fraternal da doação dos restos mortais de D. Pedro IV à Nação Brasileira. Em nome de Portugal, estava presente o Presidente da República Portuguesa – Almirante Américo Deus Rodriguez Thomás e em Nome do Brasil, o Presidente da Republica Federativa Brasileira – General Emílio Garrastazu Médice.

.
.















.
.

.

.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E A SAGRES

.









.
.




'' A MÚSICA CELEBRAVA O RELACIONAMENTO ENTRE DEUS E...''


Na actualidade, a SAGRES vem insistindo em associar à selecção nacional este belo slogan ‘’ A SAGRES É A NOSSA SELECÇÃO’’.

Nos anos 60, o Padre Correia da Cunha congregava à sua roda uma selecção de jovens seus amigos, onde a SAGRES contribuía para o fortalecimento duma amizade solidária e fraterna.

O Padre Correia da Cunha possuía um contrato de abastecimento da SAGRES com a Sociedade Nacional de Cervejas. Cada 15 dias era reabastecido o seu stock assim como o seu enorme frigorífico, reposto de uma quantidade significativa de garrafas desse precioso líquido.

O Padre Correia da Cunha tinha um espírito farrista, liberto de preconceitos, coração e mãos abertas, sincero e muito fervoroso na sua fé cristã.

Nos seus aposentos no Mosteiro de São Vicente de Fora, dava longos serões onde eram assíduos muitos jovens paroquianos. Acolhia a todos com muita atenção e com um especial carinho, o que lhe era natural.

Rodeado de uma corte de admiradores e como um bom amaliano, não faltavam os discos de vinil com as brilhantes interpretações de Amália Rodrigues que ia passando na sua aparelhagem de alta-fidelidade.O  Padre Correia da Cunha aproveitava para falar sobre os poetas eruditos, que podíamos encontrar no universo da sua amada Amália e graças a ela se tornariam familiares a todos nós bem como ao povo português.







Todos sabíamos que beber cerveja era cordial e punha-nos de bem com a vida. A Voz de Amália era uma fonte a jorrar poesia que até ali era reservada apenas aos instruídos intelectuais e interdita ao povo. O fado era o fatalismo, o destino subjacente ao quotidiano.

O Padre Correia da Cunha não poderia deixar de gostar do fado, pois era o sentimento e a voz do seu povo e sempre referia que Deus se revelava na simplicidade e na voz do povo. Como orgulhoso marinheiro o fado para ele teria nascido no mar aos ritmos das ondas…

Na época o fado era visto como perdição, mas as impressionantes interpretações de Amália eram êxitos no plano nacional e internacional. Cantava com a Voz que Deus lhe dera e os seus fados eram sucessos que passavam muito rapidamente para a voz do povo.

O Padre Correia da Cunha teve muita influência na formação musical dos jovens de São Vicente de Fora, quando ouviam em sua casa o melhor, não só de Amália Rodrigues, mas também as obras dos grandes compositores clássicos.

Recordo aqui as palavras de Rogério Martins Simões sobre esses inesquecíveis tempos:

‘’Foi num passado recente, quando frequentava a Igreja Paroquial de São Vicente de Fora, que o grande Padre José Correia da Cunha nos seduziu para a cultura. Graças a ele, quase todas as semanas existiam concertos e outras festividades, nomeadamente ópera, concertos naquele extraordinário órgão, e até o bom fado da Amália. Foi assim que a cultura chegou a grande parte dos lares daquela paróquia. Estas suas iniciativas elevavam o nível cultural dos seus paroquianos, e deveriam ser mais incrementadas, como fazia o bom Padre José Correia da Cunha. ‘’







O Padre Correia da Cunha referia que quatro séculos de música clássica, com cerca de cem grandes compositores com agradáveis reportórios, colocavam enormes dificuldades na escolha. Para ele o mais importante era o prazer inigualável de ouvir música.

Padre Correia da Cunha procurava oferecer sugestões que nos ajudassem e auxiliassem a começar a explorar toda a amplitude da música clássica.

Fazia habitualmente descrições não muito técnicas que nos permitiam determinar o compositor, a época e assim nascia em cada um de nós uma profunda paixão pela música clássica. Lembro-me dos seus compositores eleitos: J.S. Bach, Byrd, Purcell, Monteverdi, Stravinky.

Para o  Padre Correia da Cunha a música celebrava o relacionamento entre os seres humanos e DEUS…

Aquelas noites, rodeado por jovens afectuosos, bebendo umas SAGRES fresquinhas e ouvido o reportório de grandes compositores, todos nós nos apercebíamos que ficávamos muito mais ricos culturalmente.

Estes momentos continuarão nas nossas mais gratas recordações. Explorando a sua memória, um grande amigo há dias confidenciava-me que Padre Correia da Cunha armazenava, como um grande tesouro as grades das Sagres por debaixo da sua monumental cama, peça de singular beleza do séc. XVIII.




















.

.



.



.



.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E OS CICERONES

..







.

.
.





‘’ Jovens voluntários de grande generosidade…’’


Velhos e bons tempos em que grupos de jovens indulgentes com formações nas mais diversas áreas do conhecimento, ali se encontravam para exercerem com toda a dignidade as funções de cicerones aos muitos visitantes nacionais e estrangeiros, acompanhando-os na visita daquele magnífico e esplendoroso Mosteiro de São Vicente de Fora.



Naqueles grupos eram criados laços de amizade, ternura e amor, indubitavelmente pela grande dedicação e amizade que todos tínhamos pela nossa querida Ti Alice (1), cimento da unidade dessa sã convivência solidária…


Estes jovens utilizavam a sua formação académica associada à formação que era ministrada pela grande ‘Mestra’, que durante de mais de quarenta anos honrava a ‘Cátedra’ no conhecimento de todos os detalhes da história da Igreja e Mosteiro de São Vicente de Fora. Ti Alice conhecia, como ninguém, toda a história da família Real da Dinastia de Bragança que ali repousava e estava confiada ao seu zelo, respeito e amizade especial.
Era solenemente cumprimentada por descendentes da Realeza Portuguesa e Europeia, que ali se deslocavam para prestarem sentidas homenagens aos muitos familiares que se encontram naquele sereníssimo jazigo de família.




Haviam ali cicerones que eram grandes e eloquentes oradores, que fascinavam os visitantes ao explanarem ao detalhe e com todo o seu entusiasmo a história de cada recanto daquela peça de arte.

Quero aqui hoje recordar de uma forma especial o nome de muitos desses jovens e menos jovens que abraçavam de uma forma profissional essa brilhante tarefa: Pedro Cardoso, António Rato, Hernâni Santos, Rogério Martins Simões, António Martins, José Melo e Faro, João Martins, Mário Jorge, José Manuel Barata, Vitor Soares, Fernando Rosas, António Mourato Quaresma, João Paulo Dias, Manuel Mourato Quaresma, António Melo e Faro …

Todos apreendíamos com a Ti Alice: um cicerone digno desse nome, se não tem por acaso resposta pronta para as eventuais perguntas que lhe sejam colocadas, que fuja da pergunta, mostrando toda a segurança e firmeza; ficar calado ou papaguear é que não, porque ficaria desacreditado e com a imagem negativa.

Padre Correia da Cunha, homem de grande amor a esse património e de reconhecido talento, também aproveitava sempre que possível, para manifestar aos visitantes toda a grandiosa beleza que se podia retirar daqueles espaços.

Ao fundo dos claustros, revestidos de ricos de azulejos do séc. XVIII de assuntos ao gosto da época e com as célebres fábulas de La Fontaine, fica o Panteão da Dinastia de Bragança, mandado construir em 1855 por D. Fernando II. Este Panteão ocupa o antigo refeitório dos frades de Santo Agostinho. Em 1932, sobre a direcção do Arqt.º Raul Lino, foi dado a este espaço um sentido nobre e consentâneo ao seu destino. Ao centro, quatro túmulos de mármore de Vila Viçosa, Estremoz e Sintra: D. Carlos I, D. Luiz Filipe unidos e o de D.Manuel II e D. Amélia de Orleães e Bragança isolados.
No lado direito do Panteão dos monarcas, príncipes e mais pessoas reais situa-se o Panteão dos Patriarcas de Lisboa, depois de 1834 até ao Cardeal Patriarca de Lisboa D. António Ribeiro falecido em 1998.

A Sacristia situada nos claustros é toda revestida em mármores embutidos com arcazes de pau-santo e bronzes dourados. Possui ao fundo, um altar com pintura em tela de André Gonçalves, simbolizando Nossa Senhora da Assunção. Sobre a porta um alto revelo de D. João V.

Recomendo uma visita ao velho Mosteiro de São Vicente de Fora, hoje com uma imagem renovada, que certamente Padre Correia da Cunha muito se orgulharia mas certamente não perdoaria que a igreja não pudesse acolher os milhares de visitantes que ali se deslocam.

A terminar gostaria de ter uma palavra de homenagem a António Rato grande e nato cicerone e de uma enorme criatividade, entusiasmo na apresentação dos espaços do Mosteiro de São Vicente de Fora. Contrariamente aos jovens que ali passavam as suas férias escolares, para desenvolver os estudos das línguas e angariar umas boas ‘’coroas’’… António Rato fazia-o diariamente e as gratificações eram o seu principal rendimento, garantindo a sua sobrevivência…

Como referia Padre Correia da Cunha, estes jovens voluntários, através desta sua acção manifestavam o grande amor que dedicavam à sua paróquia. Era com o apoio deste ‘’ pequeno exército’’ que Padre Correia da Cunha continuava com o seu enorme bom gosto e engenho a criar condições de exposição de peças de arte singulares e pelas quais nutria uma paixão muito sentida.
Padre Correia da Cunha foi um magnânimo servidor deste mosteiro durante o ano 1960 até 1977.

Fico aguardar nomes de mais jovens cicerones.
(1) -

.Ti Alice (Maria Alice da Fonseca Roque Alves) era familiar do Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa D. António Mendes Belo. Veio habitar o Paço de São Vicente de Fora como os seus pais ainda muito criança. Foi guardiã do Panteão Real e realizava a cobrança dos bilhetes de entrada no Mosteiro. Ali viveu até ao ano de 1976.,
. .
,
,
,
,
,
,
,
,





.

.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

ALA DOS AMIGOS DE PE. CORREIA DA CUNHA

.
.


Os amigos que partiram…


..
.
.



IN MEMORIAM


GRACINDO JOSÉ DA CRUZ NEVES


1950-2006


GRACINDO JOSÉ DA CRUZ NEVES, nasceu em Lisboa a 18 de Fevereiro do ano de 1950 foi um grande amigo de Pe. Correia da Cunha e merece ser recordado pelo seu dinamismo e empenhamento nas actividades que desenvolveu com total e generosa dedicação na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, como acólito. Quem não recorda o jovem Gracindo com a sua túnica branca cingida com cordão vermelho, símbolo do martírio do Padroeiro Vicente de Saragoça? Era muito admirado e querido por todos os que tiveram o benefício de o conhecer. A convivência com ele era uma festa de alegria e felicidade.


A grande influência que herdou de seu pai, Rudolfo Neves, grande actor, mantinha-o em estreito convívio com a arte teatral e musical. Possuía um oceano de talentos, tendo colaborado em vários grupos e encantado todos pelos seus dons nessas áreas.

Ao tomar uma profunda consciência sobre a guerra colonial, que dilacerava famílias e gerava dezenas crianças órfãs…estes imensos dramas motivaram-no a fugir de Portugal, apenas com 17 anos de idade. A sua incorporação na vida militar, após aplicada reflexão, não era legitimada, por uma guerra que considerava injusta e que começava a ter oposição dentro da própria igreja, com a criação de movimentos de libertação.

Para a sua mãe Isilda Neves, fervorosa paroquiana de São Vicente de Fora, o desaparecimento de seu filho provocou uma enorme dor e tristeza. Com este seu acto de ‘’rebeldia’’ rompe totalmente os laços de família, pois não pode haver a mínima informação sobre o seu paradeiro, para evitar vinganças por parte das autoridades policiais.
Creio que a família que experimenta uma abrupta separação deste tipo e particularmente de alguém que é querido e amado o sentimento deverá ser desorientador: Estará vivo? Estará morto?

Após longos anos de ausência Gracindo regressa à sua Pátria com a sua nova família, depois de estalar em Portugal a Revolução do 25 de Abril de 1974. Foi emocionante o reencontro com os seus velhos e queridos amigos, de São Vicente de Fora, que o aguardavam de braços abertos. De novo em sua casa, em Lisboa, todos se aperceberam que iriam enriquecer com os conhecimentos adquiridos por ele na área da pedagogia, na qual tinha realizado um doutoramento em terras do Reino da Suécia.

Como se compreenderá não faltaram as manifestações amorosas desses encontros e desencontros – encheram os corações de uma transbordante e indescritível alegria. Os lugares podem mudar, para melhor ou para pior, desde que as pessoas especiais que vivem neles permaneçam as mesmas, que era o caso dos seus inesquecíveis amigos da sua adolescência.

Todos guardamos as mais gratas recordações da sua sincera amizade, alegria e de um genuíno humor peculiar…

Foi no dia 16 de Agosto de 2006 que Gracindo José da Cruz Neves nos deixou. Fica-nos a sua memória. Ele foi repousar na Glória de Deus. Hoje, junto do Pai e de seu grande amigo Pe. Correia da Cunha estão à nossa espera e entretanto continuarão a interceder por todos nós que não queremos nem poderemos esquecer as suas lembranças.


Deixo para os comentários, de muitos seus amigos vivos, que deverão prestar a merecida homenagem à memória deste nosso saudoso e grande amigo de São Vicente de Fora e que teve um coração universal por essa Europa, que o soube acolher quando não aceitou servir uma guerra que era um crime contra os povos das colónias.

São Vicente de Fora guarda-o em seu coração! Deixou em todos muitas saudades.


RECEBEI, SENHOR, NO REINO DOS JUSTOS O NOSSO IRMÃO.




Foto cedida por José Manuel Nunes Barata

.

.

.

.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E AS FILHAS DE MARIA

...


.
.
.


‘’Portugal … Terra de Santa Maria’’


‘’Conheci o Padre Correia da Cunha era ainda criança, mas o meu convívio com ele foi reduzido pois nessa altura ele apenas residia no mesmo Edifício. Era nessa altura Pároco de S. Vicente de Fora, o Monsenhor Francisco Esteves. Depois da sua morte ainda houve um pequeno interregno em que foi Pároco interino o Padre José Alcobia. Como casei a 1 de Janeiro de 1962, numa cerimónia presidida pelo Padre Correia da Cunha (cerimónia muito bonita em que o Altar Mor e o da Sª da Conceição foi enfeitado a mimosas oferecidas pelas Filhas de Maria de quem eu era a Presidente e acompanhado da marcha nupcial tocada no Órgão pelo Ângelo), saí da freguesia e o meu contacto perdeu-se pela força das circunstâncias da vida difícil das pessoas, com fracos recursos económicos. Recordo no entanto a lufada de ar fresco que o Padre Correia da Cunha veio trazer à Paróquia de São Vicente de Fora. ‘’ Maria Quintas





A leitura deste emocionado testemunho chamou a minha atenção para esse Movimento das Filhas de Maria, que penso tenha sido uma escola de grandes virtudes e vida espiritual, contribuindo assim para a transformação do Mundo amparado pela Rainha do Céu e da Terra.



Não hesito em afirmar que Padre José Correia da Cunha apoiava essa Associação, que naqueles tempos seria uma estrela brilhante num céu nebuloso.



Pela sua devoção Mariana nutria certamente a admiração incondicional de Padre Correia da Cunha, esse benemérito Movimento, que não conheci nem vivi a sua consoladora experiência…



Era admirável que alguém pudesse transmitir neste blogue a pujante vida desse Movimento. Há época, a Maria Virgem Santíssima era coroada certamente de louros triunfais pelos fiéis paroquianos de São Vicente de Fora…



Segundo consta na monografia sobre Mons. Francisco Esteves (publicada na III Série do OLISIPO), este efectuou a aquisição de um autocarro de turismo, que designou de ‘’ Mensageira de Fátima’’ para efectuar peregrinações ao Santuário de Fátima, altar do mundo, como felizmente se lhe chamou; e assim oferecia aos paroquianos de São Vicente de Fora magníficas prova da sua profunda devoção Mariana. Monsenhor foi um peregrino incansável, tendo acompanhado os seus paroquianos centenas de vezes àquele incomparável Santuário.

Publico hoje uma foto onde se vê Mons. Francisco Esteves junto da mãe de Jacinta Marto e Francisco Marto, dois dos pastorinhos a quem na sua angélica inocência foram confiados segredos da Virgem Santíssima.



Recordo-me, sim, do Apostolado da Oração constituído por um imenso grupo de homens e mulheres que através deste meio da oração tinham uma activa cooperação nos labores apostólicos da igreja.

Quanto mais escondidos dos olhos do Mundo, quanto mais desprendidos de si mesmos, tanto mais dóceis instrumentos eram nas mãos de Deus, para a realização das muitas boas obras de caridade cristã, naquela Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.

Publicamente Padre Correia da Cunha não exaltava o génio e o método destes Movimentos, mas no fundo do seu íntimo reconhecia a beleza, cuja sublimidade o arrebatava e cuja eficácia o enchia de júbilo. Lembrava em particular: ‘’…é necessária esta chama de oração que arde no coração destas vocações apostólicas…’’.

Padre Correia da Cunha convocava mais os cristãos para uma fé prática e autêntica, deixando de lado as políticas de muitos destes movimentos que por vezes apenas buscavam as rezas e as beatices da prática cristã, e que levavam adorar os santos, esquecendo que só DEUS é merecedor de adoração.

Creio que Padre Correia da Cunha sabia que essas suas irmãs não necessitavam de muitas palavras para se deixarem envolver e crescerem na sua imensa paixão pela oração.

Eram absolutamente independentes e responsáveis diante de Deus. Eram profundas e sinceramente humildes, à semelhança de Maria (Serva do Senhor…) que devíamos de considerar sempre a nossa mestra e modelo.

Presto uma singela mas sentida homenagem aos irmãos do Apostolado da Oração: Dona Ernestina, António e Fernanda Parro, Teresa Viegas, António e Célia Conde Eduardo, Josefa Campos, Custódia Natividade Dias (1925-2014), Emília Jesus Correia, Francelina, Conceição Santos, Olívia Martins… 

Reafirmo que através dos vossos testemunhos sobre os Movimentos, Associações, Grupos, Legiões, Confrarias… da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora, poderíamos fazer penetrar a luz da verdade das magníficas vivências e orientar as ideias e as consciências.

Que bela tarefa para continuar a manter viva a chama deste grande pároco e educador!


Foto : Monsenhor Francisco Esteves cedida gentilmente por João Ventura..
.
.
.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

PE. CORREIA DA CUNHA E A SUA PRAIA

..











.
..


AVENCAS A SUA PRAIA MÁGICA…




No verão, diariamente, o Padre Correia da Cunha acordava bem cedo de forma a celebrar a missa da manhã que se realizava pelas 9,30h. Depois ocupava o lugar no topo da mesa do salão da catequese, e envolvido pela suave companhia dos seus amados adolescentes em período de férias escolares, tomava o pequeno-almoço previamente preparado pela empregada da Senhora D. Emilia Caldeira de Borbón.


Todos aguardávamos ansiosamente pela maravilhosa surpresa matinal: Vamos à praia!



O Padre Correia da Cunha sofria de uma séria doença reumática.
Por recomendação médica, no verão, obrigatoriamente tinha que ir à praia das Avencas na Parede, onde tomava o seu banho de sol que lhe propiciava um inverno com menos sofrimento no tocante à artrite e ao reumatismo.



Lembro-me que naquele tempo concordávamos sempre com as escolhas de Padre Correia da Cunha relativamente aos eleitos, pois no seu mini-austin apenas poderiam ir entre 5 a 6 jovens. Não brigávamos, nunca ficávamos de mau humor, só vivíamos a felicidade. Não conhecíamos a mentira, a traição. O nosso sonho era apenas seguir as suas recomendações e todos sabíamos que ele era muito justo nas escolhas. Creio mesmo, que não haja nenhum adolescente que não tenha experimentado estes tão agradáveis passeios à praia.



Lembro-me com muito carinho dessas manhãs de praia que fazíamos com o Padre Correia da Cunha.
Espalhava-se pela praia a notícia da sua chegada, pois possuía uma enorme simpatia por parte dos habituais frequentadores que sofriam de semelhantes patologias. Tratava todos com muitíssimo afecto e ternura, pois sempre encontrava no seu espírito evangélico, o bálsamo com que suavizava os males dos seus companheiros de praia.






Lembro-me que nos anos 60 ir à praia era símbolo do veraneio chique. Na praia das Avencas podíamos respirar o fresco do mar. Nas manhãs de verão corria uma aragem à flor da água. A imensidão do mar e as rochas iodadas que a maré descobria, o aroma das algas molhadas, tudo proporcionava uma manhã de praia bem passada naquele maravilhoso e mágico lugar.


Lembro-me que plantado nesta praia, uma das melhores do mundo (no aspecto da saúde), havia um bar onde antes do fim da jornada, Padre Correia da Cunha convidava os seus jovens e bons amigos a um sumo de frutas refrescantes. Neste bar havia uma maravilhosa esplanada com uma excelente vista sobre o mar. Era neste magnífico ambiente que o Padre Correia da Cunha se perdia na arte de conversar, na sua sensível erudição e memória prodigiosa que a todos fascinava. Muitas vezes após 25 de Abril de 1974, ali me desloquei na sua companhia, onde o tema da sua predilecção era a grande visão estratégia da política externa portuguesa.


Segundo a sua visão, havia a necessidade de convencer a comunidade internacional que PORTUGAL vivia uma democracia orgânica e defendia intransigentemente a África, cobiçada na altura pela URSS.

Era lamentável que o mundo ocidental não reconhecesse as vantagens do território Africano, independentemente do regime existente em Lisboa.

Sentia que há época não havia uma politica externa e que o país estava à mercê da sua própria sorte, onde apenas imperava a incompetência de meia dúzia de militares …e tudo isto contribuía para a sua profunda tristeza.



Lembro-me de Lisboa ser uma cidade agradável para circular de automóvel nos anos 60, onde havia poucos carros. Entre 15 a 20 minutos era o tempo necessário para nos colocarmos de São Vicente de Fora na Praia das Avencas, na Parede. O Padre Correia da Cunha conduzia o seu carro mini a alta velocidade na cidade. Hoje, o automóvel é mais um fardo do que uma ajuda. Durante o dia, o trânsito é caótico e aquelas pequenas ruas do bairro ficam rapidamente congestionadas. Encontrar um lugar de estacionamento é um autêntico quebra-cabeças.


Lembro-me de muitos dos jovens que acompanhavam Padre Correia da Cunha nas manhãs de verão à Praia das Avencas na Parede. Pergunto, não estará na hora de prestarem um testemunho de gratidão?
Mantendo assim bem viva a chama deste grande educador que tanto contribuiu para a educação cristã e humana da juventude dos anos 60 e 70 da Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.

Conto com todos.
.
..




















.


.


.
.