sábado, 30 de abril de 2016

REITOR – MONS. PEREIRA DOS REIS











MONS. PEREIRA DOS REIS COM GRUPO SEMINARISTAS 1942


“ QUEM É BOM JÁ NASCE FEITO! “





No passado ano, apresentei o meu livro: CORREIA DA CUNHA - MESTRE DE VIDA.

Escrever esse livro foi um acto de gratidão para com um mestre que muito se empenhou na minha formação cristã e humana.

A felicidade é fruto das nossas opções de vida, mas também dos grandes educadores que tivemos ao longo da nossa vida.

Porém, creio que o maior tributo que podemos prestar aos nossos mestres de vida é reflectirmos sobre os seus ensinamentos, continuando a seguir os conselhos e a praticar os exemplos de vida que nos deixaram.
Há lições que ficaram registadas. São estímulos para nós e para os transmitirmos as novas gerações.


Houve também na vida do Padre Correia da Cunha um grande Mestre de Vida, que o marcou profundamente. Não me é fácil falar dessa descomunal figura: MONS. PEREIRA DOS REIS – REITOR DO SEMINÁRIO DOS OLIVAIS.


D. JOÃO DE CASTRO, CARD. CEREJEIRA E MONS. PEREIRA DOS REIS


Não tive a sorte de o conhecer, mas recordo a emoção com que o Padre Correia da Cunha falava desse seu Reitor. As suas qualidades morais, intelectuais e espirituais faziam dele uma figura fora do comum.


O seu querido Reitor era possuidor de uma força de carácter que levava a que todos os seus discípulos lhe rendessem respeito, admiração, consideração e mesmo fidelidade. Um mestre como Pereira dos Reis, podem crer, não correm nas ruas; só nascem de tempos em tempos…

Se Monsenhor Pereira dos Reis fosse vivo teria completado 137 anos. É muito difícil falar sobre esse Reitor do Seminário dos Olivais. Nem sempre as palavras são suficientes para descrever a nobreza e a personalidade de um grande mestre.


O texto da autoria do discípulo Correia da Cunha, na altura muito jovem ainda, pode conter toda a força para nos revelar o pensamento e as responsabilidades desse magnânimo reitor. 



GRUPO SEMINARISTA DOS OLIVAIS COM MONS. PEREIRA DOS REIS E CORREIA DA CUNHA - ANO 1934

Para resumir, falar do Reitor Pereira dos Reis é acima de tudo transmitir o exemplo que ele era para todos os seminaristas. O grande Mestre de Vida do Padre Correia da Cunha era um homem de espírito humanizado, capaz de ter sensibilidade diante das coisas que o rodeavam.
Era assim que o Padre Correia da Cunha nos transferia a grandeza deste grande Mestre de Vida que sabia superar todas a angustias e sofrimentos. 


MONS. PEREIRA DOS REIS - REITOR















AO MEU REITOR

Pai Nosso, Ó Pai do Céu
Com todo o meu amor
Vos peço: Olhai p’lo meu
Querido Reitor

Ao tempo dizei vós, ó meu Senhor!
Que vá devagarinho
Para que nunca chegue o meu Reitor
A ser velhinho!

E ao nosso irmão Sol. Senhor dizei
Também que pare um pouco em tal corrida
Para que o meu Reitor – como antiga lei –
Me ajude a vencer esta batalha: - da vida.

Dizei às florinhas para exalar
Seu perfumado odor
Quando virem passar
O meu Reitor.

E ao irmão vento
Ordenai que não seja barulhento
Nem bulhe tanto
Por especial favor,
Deix’ ele descansar, à noite, o Santo
Do meu Reitor.

E à passarada desde a cotovia
Ao rouxinol poeta e trovador
Ordenai que executem uma sinfonia
Em louvor do meu Reitor.

Pai Nosso, Ó Pai do Céu
É vosso filho a rezar: sou eu!
Toda a paternidade em Vós se encerra
Enchei de vosso amor
Meu pai da terra,
O meu Reitor.

Que toda a criatura, ó criador
Tenha um sorriso franciscano de ternura
Pró meu Reitor.

Para m’aturar, Senhor
E perdoar alguma imprudência
Da minha juventude
Dai a virtude
Da paciência
Ao meu Reitor.

E Vós, filho de Deus
Gerado no esplendor
Da eternidade
Mandai a Vossa Luz dos altos Céus:
- Ó Verbo da Verdade!
 Ao meu Reitor.

Ó Cristo, ó meu Jesus
Que de uma cruz fizeste Trono Pontifício
Por vossa imensa dor
Aliviai a Cruz, o sacrifício
Do meu Reitor.

E que o Seminário
Transfigurado em monte de Tabor
Nunca seja Calvário
Do meu Reitor!

É grande a sua cruz?
Talvez que eu lha tenha feito ainda mais pesada…
Fazei de mim um novo Cirineu
Para que d’hoje em diante :  - Ó Salvador!
Não lhe pese nada
A cruz do meu Reitor.

Talvez que eu tenha semeado abrolhos
em seu caminho com alguma má acção
Picos de ervas daninhas …
Meu Deus que nunca mais seus olhos
Nem o seu coração
Chorem por culpas minhas.

Jesus, Hóstia Divina,
Fazei de mim, fazei de meus irmãos
Uma Hóstia imaculada, embora pequenina
Qu’em oblação de Amor
Possa à Trindade ser sacrificada
Pelas santas mãos
Do meu Reitor.

Espírito Divino
Que a vossa graça, orvalho em Luz e Amor
Inunde o coração tão delicado e fino
Do meu Reitor.


Enfim, Senhor,
Quando chegar a hora derradeira.
E a irmã morte se sentar à beira
Do seu leito de dor
Levai a santa alminha
Do meu Reitor
Muito direitinha ao Céu.


Autoria do Seminarista Correia da Cunha 

Seminaristas no SEMINÁRIO DOS OLIVAIS


















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