sexta-feira, 22 de abril de 2011

PE . CORREIA DA CUNHA E O TEMPO PASCAL

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ALELUIA! ALELUIA! ALELUIA! CRISTO NOSSO SENHOR RESSUSCITOU! A RESSUREICÃO NÃO É DE ONTEM MAS DE HOJE. O NOSSO REDENTOR RESUSCITOU TRIUNFANTE EM PAZ, LUZ, LIBERDADE, AMOR E FELICIDADE PARA TODOS AQUELES QUE O ACEITAM. PADRE CORREIA DA CUNHA







Escrevo em quinta-feira Santa: memórias de um tempo muito feliz passado na Igreja de S. Vicente de Fora.



Basta olhar para as fotos que tenho no álbum, de S. Vicente de Fora, para se perceber que a amizade era e é um bem ao alcance de todos – basta querer.



Memórias dos diversos anos quando, chegados à sexta-feira Santa, se desnudavam os altares, sob os nossos olhares, enquanto os Santos de cara e corpo tapado com pano roxo assistiam...



Recordo-me de uma cena interessante. Certa Sexta-feira Santa uma paroquiana activa, devota, queria lavar os santos com vinho branco. Estão mesmo a ver a cara do nosso Padre Correia da Cunha, que recusou a oferta. Que era tradição lá da terra dela… Que desperdício! Mas que risadas ganhámos naquele instante.



Hoje quando me lembro desse dia, passado recente mas não longínquo no tempo, vemos que muito mudou. Páscoa feliz! Que Páscoa? Aquela que nos abona uns quantos feriados? Ou aquela cuja razão se torna hoje quase imperceptível?







Num país laico como apregoam; quando em sem nome se retiram e proíbem os símbolos da nossa religião milenar, qual a razão para que, em nome do laico, não se acabem com os feriados religiosos? Contradições?!



Bom! Depois de amanhã pára a tristeza e lá vamos nós, antigos amigos e paroquianos, em pensamento recordar aqueles instantes, aqueles momentos, quando à porta de S. Vicente o Padre Correia da Cunha acendia o Lume Novo seguido de acto religioso solene a que o povo dava o nome da “Missa do Galo” (E o galo cantava três vezes enquanto Pedro renunciava a Jesus).


Tempos inesquecíveis que a memória não esquece! E tudo terminava alta madrugada em casa do Padre Correia da Cunha, bebendo umas cervejinhas e petiscando o que tinha, enquanto ficava no ar o belo canto perfumado da Amália, ou de uma boa música clássica aqui e além explicada pelo querido e saudoso Padre Correia da Cunha: Agora os fagotes! Agora respondem os violinos, as tubas, os tambores ou os violoncelos.



Depois percorríamos em grupo as ruas proibidas, mas não despidas de segurança, cantando com alegria: Aleluias.



Pelo meio-dia, do dia de Páscoa, voltámos a vestir as túnicas brancas, símbolo da nossa pureza, em comunhão com os paroquianos muitos dos quais já partiram na esperança da ressurreição.




Aleluia! Aleluia! Aleluia!



SANTA PÁSCOA PARA TODOS



TEXTO : Rogério Martins Simões








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domingo, 17 de abril de 2011

PADRE CORREIA DA CUNHA E DOMINGO DE RAMOS

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Hosana! Hosana! Hosana! Este é o grito de júbilo….

 

As cerimónias comemorativas do Domingo de Ramos efectuadas na Paróquia de São Vicente de Fora, por Padre Correia da Cunha, abriam as solenes celebrações da Semana Santa.


Padre Correia da Cunha mencionava que a Procissão de Ramos era uma prática com origem na cidade de Jerusalém, que teria surgido por volta do séc. IV. Esta prática nasce com o objectivo de ser uma Procissão pública de fé em Cristo, Messias e Salvador.


Os primeiros cristãos recordavam assim a entrada triunfal de Jesus naquela cidade, com uma celebração no início da tarde, no Monte das Oliveiras. Por essa razão, além de palmas, usavam também ramos de oliveira. Com ramos e palmas nas mãos, cantavam hinos de júbilo ao Senhor vitorioso, enquanto se dirigiam para a cidade de Jerusalém.


Padre Correia da Cunha abençoava e distribuía os Ramos nas escadarias do Panteão Nacional. Depois, seguia-se a procissão dos Ramos pelo vasto Campo de Santa Clara em caminhada muito lenta e pausada, entoando cantos vitoriosos até à Igreja Paroquial e recordando assim a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.


Testemunhavam assim todos os paroquianos, com o seu Pastor, a profunda fé em Jesus Cristo vitorioso. Os ramos verdes simbolizavam a esperança sempre viva na vitória de Jesus.





Nesta solene procissão participavam todos os movimentos da paróquia: os meninos do coro, os acólitos, os cruzados da eucaristia, os escuteiros, os alunos do Patronato de Nuno Alvares Pereira, os vicentinos, os catequista e muitos outros, que carregavam os ramos, manifestando o seu imenso júbilo, pelas ruas sinuosas. Era um culto de fé que aquecia os corações de todos, desde as crianças aos mais idosos.





Foi no Domingo de Ramos do ano de 1977, que toda a Comunidade Paroquial, ao contrário do que era habitual, realizou uma procissão, pelas 15 horas, com um olhar triste e contemplativo, e em profundo silêncio. Com saudade os sinos lugubremente dobravam, enquanto todos os membros da comunidade e milhares de amigos conduziam o corpo de Padre Correia da Cunha até à sua última morada: o cemitério do Alto de São João. Recordo hoje o Cónego Amaro – Vigário Geral ao aferir um grupo de jovens angustiado e prostrado em profundo choro no cemitério. Perante este doloroso acontecimento, dirigiu-se com toda a solenidade para deixar expressa a seguinte mensagem:


“Não será tarefa fácil ao Sr. Cardeal Patriarca D. António Ribeiro substituir este meritório sacerdote. Mas quero dizer-vos, do coração, que tudo farei para se encontrar um prior que venha a dar continuidade ao testemunho de fé e alimentar o trabalho que Padre Correia da Cunha tão bem soube construir na Paróquia de São Vicente de Fora.”




A tomada de consciência e a noção do sofrimento, pela perda de Padre Correia da Cunha, criou em todos os seus amigos uma profunda ansiedade e consternação. Mas se olharmos para os seus ensinamentos, a nossa existência pode ser mais venturosa e com mais sentido, porque se os compreendermos na sua prática, não haverá tanto egoísmo, tanta vaidade, tanta hipocrisia, tanta arrogância…


Viveremos mais solidários uns com outros!


É assim que o deveremos recordar!

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domingo, 10 de abril de 2011

PE. CORREIA DA CUNHA, UM RETRATO (II)

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"Na última ceia, Jesus disse: "Tomai e comei: Isto é o meu corpo, que será entregue por vós. ...Tomai e bebei isto é o meu sangue que será derramado por vós...’’



A 23 de Abril do ano de 1940 celebrou a chamada Missa Nova, na sua Paróquia de Arroios. A missa nova do jovem presbítero José Correia da Cunha foi celebrada com a maior pompa. Naquele tempo, deveria ser cantada em latim. Como ele dominava de um jeito tal o canto, sempre tirava com muita técnica vocal as notas mais baixas. O seu pároco muito se esmerou em “coadjutor” do bom e novo clérigo, reconhecendo que o jovem padre era digno de ser ministro de Deus, o que assim sucedeu.


Nada efectivamente existe de mais alto sobre a Terra do que a missão de oferecer dignamente sobre o altar o Santo Sacrifício da Missa.


Padre Correia da Cunha, desde esse dia, sempre procurou que todos entendessem este acto sagrado de grande dignidade. O cenário em que se desenrolava a todos tocava e era merecedor do mais profundo respeito, pois tratava-se da real presença de Cristo Redentor para ser distribuído com alimento espiritual às almas.



Mas para Padre Correia da Cunha a distribuição sempre era feita nas duas espécies (pão e vinho), pelo que a sua comunhão intima com Cristo só se realizava no final, aproveitando para agradecer a Deus todos os bens concedidos.

Ali já manifestava ser um orador sagrado proeminente de verbo fácil e grande fluência, que fazia ouvir a sua voz neste actos solenes.

Este dia foi de festa e alegria pela vida de entrega à Igreja Diocesana mas também pelo que este jovem Padre já contribuía, pelas suas excepcionais qualidades e inteligência, para o desenvolvimento humano e cristão dos seus semelhantes.


Confidenciava algumas vezes, com saudosa nostalgia, que nessa eucaristia viu a sua pobre mãe, Amália, com um soluço de lágrima e alegria.



Acedeu ao convite de sua Eminência para ser seu próximo colaborador, ao mesmo tempo que exercia as funções de reitor e capelão em vários institutos religiosos. Tendo beneficiado por ter trabalhado e convivido muito próximo do seu amigo Cardeal Cerejeira, soube apreender um dos seus mais sábios conselhos que se traduzia: “sempre o maior rigor e com absoluta razão”. Padre Correia da Cunha sempre manifestava esta sua preocupação em todos os domínios. Era muito prudente, o que o levava a verificar sempre antes de afirmar, para não se deixar influenciar pelas paixões humanas que lhe poderiam adulterar a verdade…





Continua…

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sábado, 2 de abril de 2011

PE. CORREIA DA CUNHA, UM RETRATO (I)

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IN MEMORIAM




1917 - 1977





2 ABRIL 1977






Passam hoje 34 anos sobre a morte de Padre Correia da Cunha. Da sua personalidade e inteligência de grande humanista, e do vulto enorme de clérigo que foi, iremos hoje nesta singela homenagem recordar o seu longo percurso de serviço à Igreja e à Comunidade. Nestas poucas linhas, queremos apenas reviver Padre Correia da Cunha, como um grande amigo de todos os seus semelhantes e principalmente dos muitos jovens da Paróquia de São Vicente de Fora.




Padre Correia da Cunha era um homem simples que nos habituámos a ver na sua modéstia e na sua simpatia. Queremos neste retrato salientar a vida deste amigo que desejamos ajudar a conhecer nesta manifestação de alto apreço e admiração ao incomparável génio de Padre Correia da Cunha.




Cumpre-nos agradecer com a maior gratidão, apresentando os nossos sinceros agradecimentos às pessoas de Eng.º Acácio Cunha e Fernando Cunha, respectivamente sobrinho e irmão, que nos possibilitaram acesso ao espólio fotográfico de Padre Correia da Cunha que tanto tem enriquecido este blogue.









HOMENAGEM





Padre José Correia da Cunha






A 24 de Setembro de 1917 nasceu na bela freguesia Lisboeta de Arroios, mais concretamente na Rua Rebelo da Silva. Era um bairro garrido, como Padre Correia da Cunha se referia a esta esplêndida zona lisboeta. Foi o primeiro dos cinco filhos do casal José Cunha e Maria Amália da Correia da Cunha, possuidores de um pequeno lugar de verduras no bairro.


Era com muito orgulho e vaidade que Pe. José Correia da Cunha se intitulava desde sempre, como: Zézito, filho da Ti’Amália das hortaliças. Os seus fortes sentimentos maternos sempre o acompanharam ao longo da sua curta vida.


Fez os estudos primários na escola do bairro. Frequentava assiduamente a doutrina na antiga Igreja Paroquial de Arroios.


Já à época nele se revelava nitidamente o pendor para a vida clerical, o apreço pelas coisas da Igreja e uma sentida compaixão pelos humildes. Os seus pais, embora modestos, esforçavam-se na educação dos seus filhos, principalmente com o exemplo e a palavra.


Mas seria por iniciativa e incentivo da prestigiada família Violante, que exercia a vocação de doutrinaria na paróquia da sua residência, que seria distinguido pela sua aplicação e inteligência. Este mesmo reconhecimento valeu-lhe o consentimento da sua mãe, Maria Amália, para poder desabrochar todas essas suas excepcionais qualidades. Era uma tristeza que tão anormais atributos não fossem aproveitados.




Após a Exmª Srª. D. Olga Violante ter levado ao conhecimento do Reverendíssimo Prelado - Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel II Gonçalves Cerejeira, a sua intenção de protecção deste jovem dilecto, todas as portas se abriram para se dar início a um brilhante caminho vocacional.


Aos 11 anos de idade, foi para Santarém, frequentar o Seminário Menor, onde fez o curso adequado, nunca tendo perdido nenhum ano e apresentando sempre notas elevadíssimas. Padre Correia da Cunha acreditava que, ao contrário dos ricos, aqueles que eram pobres tinham de apresentar notas muitos altas. Catorze ou quinze não chegavam, era necessário ter-se mais de dezoito, pois só assim poderiam ascender na escala social. Costumava dizer: “Temos de ser os melhores, dos melhores”.


Sempre tendo esta máxima em mente, transitou, em 1933, para o Seminário Maior dos Olivais, onde concluiu o Curso Teológico, em 1939.






Muitos dos seus professores, entre os quais o Mons. Pereira dos Reis, profetizavam que aquele jovem poderia vir a ser uma das maiores luzes da Igreja Diocesana de Lisboa.


De facto, anos mais tarde, velhos e novos, grandes e pequenos, pobres e ricos, confirmavam esta predição. Todos admiravam e aplaudiam o jovem seminarista, que dotado dos mais raros talentos, se tornou modelo junto dos colegas e dos mais altos dignitários da Igreja Diocesana.


Muitos dos seus talentos ficou-os a dever, inclusive, ao próprio Cónego Dr. José Manuel Pereira dos Reis. Homem de grandes e iluminadas intuições ensinou várias gerações de seminaristas a contemplar o Mistério de Cristo e da Igreja, na celebração da Liturgia. Padre Correia da Cunha sempre lembrava como imensa saudade essa magnânima figura como um dos mais conhecedores das matérias da Liturgia. Este muito contribuiu para a sua formação e identidade cristã.








Ao terminar os seus estudos teológicos, com apenas 22 anos, e não tendo a idade canónica para se ordenar sacerdote, foi colocado como Administrador do Jornal Diocesano Voz da Verdade, acumulando esta função com a de professor de Latim no Seminário. A ordenação sacerdotal ocorreu um ano depois, a 14 de Abril de 1940, na Capela do Seminário dos Olivais pelo Revdº Cardeal Patriarca de Lisboa. O celebrante, D. Manuel II Gonçalves Cerejeira, sempre nutrira uma verdadeira afeição pelo Zezito, com que carinhosamente sempre o tratou, adoptando a forma predilecta como era tratado pela sua família.






Continua…


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sexta-feira, 25 de março de 2011

PE. CORREIA DA CUNHA E O SEU CHAPÉU

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“…era para ele que descobria a sua cabeça.”


Não sei se nos assiste o direito de lembrar aqui, a história de um grandíssimo e inseparável amigo de Padre José Correia da Cunha, o seu chapéu.


Fazemo-lo porque a sua modéstia e a sua simplicidade de homem, com sentido de humor, entenderiam as nossas salutares e irónicas intenções. Evocá-lo em todos os momentos, que com ele convivemos, e lembrá-lo com veneração, sempre nos mereceu e continuará merecer respeito.


Mas jamais nos esqueceremos da figura simples, modesta e simpática deste diligente sacerdote com o seu chapéu de feltro preto na mão.


Aquele chapéu era o seu companheiro e confidente amigo de todas as horas. Junto desse chapéu havia sempre um livro e punhado de folhas onde Padre Correia da Cunha escrevia os seus belos textos, pois como sabemos, Padre Correia da Cunha era um mestre e prestidigitador na arte de fazer viver as palavras.


Muitas cenas pitorescas e farras presenciaram irmanados. Muitas confissões e penitências escutaram lado a lado.



Juntos alimentaram ilusões e desejos estranhos de construírem um mundo mais solidário e humano. Ele era um estóico obreiro da doutrina cristã, apontando sempre o bom caminho a todos e reconhecendo a estes as suas almas de pecadores, mas exaltando que ai também havia muita gratidão e reconhecimento; pois para ele os puritanos, com raras excepções, não sabem ou não querem compreender as razões do mal.


Ele, publicamente e com toda a humildade, na companhia do seu companheiro de jornada, confessava alguns pecados contra os mandamentos. Nas muitas actividades cívicas de respeito social sempre se fazia acompanhar deste seu parceiro, amigo inseparável.


O seu chapéu cobria a sua cabeça, cheia de pensamentos solidários e de esperanças e ilusões … O mundo todo era de Deus!


Havia alturas que o deixava abandonado, dependurado pelos mais variados locais que frequentava. Mas o seu companheiro fiel sempre lhe era devolvido justamente no momento em que sentiam saudades um do outro.


Nos dias mais quentes, ficava solitário dependurado no cabide do Cartório Paroquial, como um simples chapéu. Mas os chapéus também têm o seu destino e uma existência. Era tão necessário ao Padre Correia da Cunha o seu chapéu, como o chapéu precisava de Padre Correia da Cunha.


Ele sentia o prazer de andar aperaltado na cabeça de Padre Correia da Cunha, escutando sábias conversas e segredos inconfessáveis. Padre Correia da Cunha e o seu chapéu, durante muito tempo, sempre se acompanhavam voluntariamente nos longos passeios que efectuava pelas ruas da sua pelintra paróquia, descobrindo-se respeitosamente diante de todos os seus irmãos para os saudar e trocar uns dedos de conversa.





Era um chapéu jovial!



Adorava os recantos acolhedores de Alfama.



Fado de vielas de severas e rufias. Gostava de se perder pela noite em grande folias e tertúlias.



O seu chapéu era um seu bom amigo.



O chapéu não o abandonava.



Quando o retirava… era também para ele que descobria a sua cabeça.



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sábado, 19 de março de 2011

PADRE CORREIA DA CUNHA E A PRIMAVERA

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“Deus planta o seu Reino.”


Ninguém como Padre Correia da Cunha percebia tão bem a natureza. A estação que mais lhe enchia o seu coração era a Primavera. Não era necessário calendário para ele sentir as carícias dos dias primaveris, porque o canto melodioso dos passarinhos e o perfume suave das flores lhe despertavam os seus apurados sentidos.


Costumava recordar os seus longos passeios primaveris pelos alegres parques do seminário dos Olivais, na companhia dos seus dilectos amigos seminaristas.



Foi do Padre Teodoro Marques que escutei o seguinte testemunho: “ Correia da Cunha todos inícios de primavera, no peitoril da janela do seu quarto, construía ninhos com algodão para que os passarinhos ali pusessem os seus ovos e criassem com toda a segurança as suas crias. Com ingénita espontaneidade acrescentava: Deus planta o seu Reino.”

Primavera! Para ele era a estação das flores dos sorrisos e dos passarinhos… A Primavera fazia desabrochar nos corações as mais doces ilusões e o cheiro dos aromas das coisas que renascem.
Quanta beleza e harmonia haviam nas árvores renascentes!






Quando era jovem Capelão da Marinha e vivia no Mosteiro de São Vicente de Fora, tornou-se num verdadeiro amante da canaricultora. Deleitava-se com o canto, beleza da plumagem e da aguçada inteligência destes animais.

Mais tarde e durante longos anos, Padre Correia da Cunha possuía nos claustros do majestoso Mosteiro de São Vicente de Fora dois bonitos corvos negros, Vicente e Valério, seus leais e inseparáveis companheiros.

Nas manhãs festivas e perfumadas, Padre Correia da Cunha acordava com a ânsia de contemplar e saudar os seus pássaros que tratava com delicado zelo e carinho, que considerava como belas criaturas da mãe natureza.

As tardes de Primavera, para Padre Correia da Cunha, tinham a serenidade das coisas misteriosas, que nasciam na transparência amena de um raio de sol! Eram nestas horas quentes do crepúsculo que a sua alma se inebriava no sublime esplendor da obra divina que os seus olhos sabiamente contemplavam. Padre Correia da Cunha era um jovem padre que ambicionava transformar o mundo pelo coração do Homem.

Sempre se interrogava como era possível a Graça de Deus o ter enchido com tantas riquezas, tendo ele um coração tão pecaminoso e não valer nada…mas em compensação o Senhor colocara no mundo tantas pequeninas coisas, que embriagavam a sua alma e que ele não se cansava em transmitir aos seus jovens por forma a saborearem e a viverem com toda a ventura, pois os conduziriam às ditosas esperanças…


Os dias de primavera para Padre Correia da Cunha eram bafejos divinos, que afagavam a sua vida e regavam a sua consciência para viver em compaixão com todos os homens, seus irmãos.

Mais tarde, já como Pároco de São Vicente de Fora costumava referir: A paróquia deve ser uma família onde todos devemos aproveitar a “primavera constante sempre florida” ao longo do ano para aí colhermos pouco a pouco, dia-a-dia, a força para o serviço desinteressado aos irmãos.
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terça-feira, 1 de março de 2011

PE. CORREIA DA CUNHA E O YÉ YÉ

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“É PRECISO MUITA COMPREENSÃO  E COMPAIXÃO.”



Hoje, quero trazer à memória aquela noite mágica de Julho, do ano de 1967, na Paróquia de São Vicente de Fora. Naquele dia, o seu vizinho Tejo ainda apresentava um admirável poente rubro.


Era uma noite de sábado cálida, saborosa, em que aos jovens lhes apetecia cantar e dançar ao ritmo do seu tempo.


Ao redor da esplendorosa Igreja de São Vicente de Fora, viam-se numerosos grupos de jovens e alguns com instrumentos musicais modernos: com natural predomínio para a guitarra eléctrica. Os transeuntes e observadores mais desprevenidos gaguejavam de espanto – todos estes jovens se dirigiam para a igreja. Alguma coisa de invulgar e absolutamente estranha naquele local iria acontecer.

Muitas centenas de pessoas acorriam a esta Para-Liturgia com jovens. Eram estes naturalmente que predominavam e, havia nos seus rostos um enorme entusiasmo visível. Porém, também os mais idosos estavam representados com largueza; desde as velhinhas até aos religiosos (incluindo os Padres Beneditinos da Igreja da Graça) todos estavam presentes. Homens feitos, alguns marinheiros, soldados, estudantes de capa e batina, assim como gente bem conhecida, como as actrizes Amélia Rey Colaço e Henriette Morineau, e a poetiza Shopia de Mello Breyner Anderson, entre outras personalidades, também para lá acudiam.



No transepto havia um pequeno altar, sóbrio e liso. Do lado do Evangelho, um conjunto de música moderna – três violas eléctricas, um órgão, uma bateria, um acordeão e, ao fundo, uma harpa.


Padre Correia da Cunha para este grandioso evento produziu um magnífico guião, com os cânticos que se iam entoar ao som e ao ritmo desse tempo, que com tanto entusiasmo líamos e que todos os presentes tinham nas mãos.

Padre Correia da Cunha iniciou esta Liturgia, dirigindo-se a todos os participantes com as seguintes palavras:





“A liturgia cristã foi, nas suas origens e durante séculos, a expressão religiosa espontânea do povo de Deus. Deixou de o ser para se tornar um protocolo complicado, um rito esquemático, uma obrigação, um preceito. Deu-se então um divórcio entre a vida de todos os dias e a oração.
O Concílio Vaticano II veio renovar também a liturgia. Em vez do latim, a língua de cada povo. E mais; uma liturgia sem rigidez, flexível, lançada na aventura da vida, procurando o sol, inserindo-se na sua época, em busca do seu ser verdadeiro.”

Houve então uma leitura das Sagradas Escrituras, seguidas de comentários. Houve belos cânticos. Procurou-se que todos participassem activamente.

Padre Correia da Cunha falou de seguida com palavras claras e vigorosas:

“Todos quantos temos fé, e estamos com o Senhor, devemos viver em caridade, amar o próximo. É preciso muita compreensão e compaixão. Se assim não for, ninguém se poderá salvar, por mais missas que ouça.
Temos de ir todos, velhos e novos, pais e filhos, para o choque da vida de todos os dias. Isso é indispensável.”

Padre Correia da Cunha queria que naquele templo, com séculos de história, habitasse uma espiritualidade rejuvenescida.


Em profundo e absoluto silêncio, seguiu-se a distribuição da Eucaristia. Houve muita gente que comungou. O conjunto musical irrompeu então com uma melodia bonita, animada, moderna que era um tributário do “jazz”. Não era o órgão, pesado, secular, mortiço; era sim uma renovada chama. Alguma coisa de novo. E todos os participantes cantavam. Nos jovens havia redobrado entusiasmo. Os mais velhos também aderiram e aqui e ali já batiam o compasso com o pé, tal como os mais jovens.

No majestoso templo, com séculos de história, uma música de 1967 foi cântico de espiritualidade rejuvenescida:







Exultemos de alegria no Senhor
Vinde, vinde reunir-vos e aproximai-vos
Vós que fostes salvos
De entre todas as nações.




Ouvi este alvoroço
Que se ergue na cidade
Escutai esse tumulto
Que nos vem lá do templo.



Um cântico de entrada e dois cânticos de meditação, um clamor crescente, cada vez mais harmonioso, atingiram o clímax no cântico final: GRAÇAS AO SENHOR!A música, todos a conheciam, da ouvirem na voz rouca, inconfundível, de Louis Amstrong – When the Saints (jazz, espirituais negros).

Os jovens, sobretudo, cantavam com uma enorme alegria, a que alguns locais já se tinham desabituado:

Graças ao Senhor
Porque Ele é bom…
…
Que alegrais a minha Juventude.








Cada época tem a sua fisionomia, as suas características, a sua sensibilidade. Tem também o seu ritmo vital. Padre Correia da Cunha costumava referir: que a cultura muda, a inteligência é forçada a dar atenção à sensibilidade e aos novos fenómenos, a abrir-se para novas formas de viver, criando estruturas diferentes, porque as outras se vão naturalmente quebrando pela dilatação da alma renovada que se forma no interior. Ninguém pode estar contra o seu tempo.


Quem se colocar contra ele, perde-se invariavelmente. Pode, por momentos dominar, mas apenas isso – pela força e de forma provisória. Os sinais dos tempos de que falava o Papa João XXIII acabam necessariamente por se impor.
No final da cerimónia, o ambiente era de animação, de júbilo, quase de euforia.


Brevemente voltarei abordar as experiencias levadas a cabo por Padre Correia da Cunha, para assembleias restritas, cujos resultados foram geradores de cristãos de fibra e de força no serviço aos irmãos.

Só o velho sacristão Sr. Manuel, que servia devotamente há mais de
cinquenta anos a Paróquia de São Vicente de Fora, ficava mal-humorado e expressava com toda a sua indignação: “Não compreendo nem sei o que isto representa. Dizem que é o YÉ – YÉ…”
























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domingo, 20 de fevereiro de 2011

PE. CORREIA DA CUNHA E OS ESCUTEIROS

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“SEMPRE ALERTA PARA SERVIR!'' 


O agrupamento de escuteiros da Paróquia de São Vicente de Fora teve início nos inícios dos anos setenta, pela mão de Rui Aço, chefe com uma elevada e reconhecida experiência na formação dos jovens pela cartilha de Baden Powell.

A actividade dos escuteiros na Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora contudo, nem sempre foi suficientemente conhecida pela maioria dos paroquianos, que apenas os observavam devidamente uniformizados nas cerimónias litúrgicas comunitárias celebradas pelo Padre Correia da Cunha.

Mas detrás disso – havia muito mais! O Escutismo (CNE) era sobretudo, uma actividade eminentemente educativa que preparava os jovens, para serem homens de verdade, vencendo as dificuldades da vida e sobretudo servirem incondicionalmente a Comunidade Paroquial.

Como referia Padre Correia da Cunha, esta obra ficaria incompleta se não fosse adicionado o hábito pelo culto da solidariedade e do serviço desinteressado aos irmãos.





Era precisamente este conjunto de ensinamentos, que o Chefe Rui Aço e seus adjuntos procuravam cultivar, aproveitando para tal todos os pretextos e todos os momentos. Nos escuteiros aprendia-se a devoção pela solidariedade, a tolerância, a coragem mas também o sentido crítico, a lealdade, a afirmação pessoal, a superar as dificuldades, dando cada um o seu melhor.

O Padre Correia da Cunha reconhecia que o Escutismo era um movimento de formação integral da juventude e por isso o acarinhou. Procurava sempre nos seus encontros com todos estes jovens dar o seu sábio conselho e contributo para o seu desenvolvimento moral, humano e mormente cristão…

Sob a ideia geral de estudar as práticas ao ar livre, procurava-se preparar os jovens para os aspectos educativos à base do campismo, das marchas através do campo, orientação e estudo do terreno e da natureza -actividades que se realizavam aos fins-de-semana sempre com uma grande adesão por parte dos escutas.

A sede dos escuteiros estava localizada nas duas salas anexas do primeiro andar do pátio dos corvos. Era também neste pátio e na cerca anexa à Igreja de São Vicente de Fora que se efectuavam muitas das actividades e práticas desportivas dos escuteiros. O agrupamento era constituído por jovens de todas as idades e chefes para os vários escalões.

Haverá ainda hoje quem manifeste, pelos Escuteiros de São Vicente de Fora, um profundo respeito e gratidão. Estou seguro que houve uma geração de adolescentes e jovens que receberam um inestimável contributo para a sua educação e formação enquanto homens.





Não posso deixar de publicar esta foto e lembrar que foi numa manhã de Domingo que o saudoso, estimado e admirável Padre João José Saraiva Diogo, director do Secretariado Nacional da Catequese, me captou uniformizado de escuteiro pela sua objectiva. O Padre João Diogo (1920/1974) , um grande e bondoso sacerdote que ainda hoje é recordado por muitos, pela sua afectuosidade e dedicação aos jovens de São Vicente de Fora.

Para fecho gostaria de sugerir a todos os antigos escuteiros, que façam chegar a este Blogue, histórias, testemunhos desses tempos assim como fotos das várias actividades do Agrupamento de Escuteiros de São Vicente de Fora, mantendo-se assim bem vivo o lema:

“Sempre alerta para servir”



















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sábado, 12 de fevereiro de 2011

PE CORREIA DA CUNHA, 2ª ESTAÇÃO-BATALHA

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… da arte cristã, agradecendo em prece!



A segunda estação destas peregrinações ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, dos nossos marujos, era no grandioso monumento a Nossa Senhora da Vitória (Batalha).

O sumptuoso monumento da Batalha foi mandado construir por D. João I, em cumprimento de um voto que ele próprio havia feito na memoranda manhã de 14 de Agosto de 1385, quando entrava no famoso combate que daria a Portugal a vitória mais brilhante da sua história.

É um edifício grandioso e sublime, que elevava a alma dos marujos e exaltava a sua imaginação, enchendo-os de profundo respeito e uma invencível admiração.


Santa Maria da Batalha, que era uma maravilha de arte e que seria o orgulho das mais artísticas nações do Mundo, tem para nós um encanto particular, pois constitui a evocação grandiosa da valentia dos portugueses na defesa da nossa independência e é um monumento eterno da gratidão dos Portugueses à Santíssima Virgem Maria, Padroeira da Nação.

Para a crise da Independência, preparou e ofereceu heróis como Nuno Álvares Pereira e outros combatentes, que a bandeira transportavam com Jesus Cristo e a Padroeira. Assim na hora decisiva de Aljubarrota, lá andavam estes dois rostos, ao lado de El-Rei e do Condestável a animar as tropas e a insuflar-lhes confiança na vitória.

Era pois com razão que Padre Correia da Cunha afirmava: “Enquanto houver portugueses, tu serás o seu amor.”

O capelão Correia da Cunha trazia sempre nos lábios, quando andava sobre as ondas do mar, ora ameaçadoras ora embaladoras, uma palavra de gratidão e reconhecimento para aquela que chamava a Estrela-do-mar que sempre os conduzia a porto seguro…




SEGUNDA ESTAÇÃO


BATALHA


(Santa Maria da Vitória, …eis novo Santuário consagrado a Nossa Senhora!
Entremos todos juntos, como irmãos e como peregrinos e ocupemos, em silêncio, a nave central.
Ajoelhemos depois e cantemos juntos, como em Alcobaça!)

Solistas: Bendito e louvado seja
o Santíssimo Sacramento
da Eucaristia!

Todos:
Fruto do ventre sagrado
da Virgem puríssima
Santa Maria!


Solistas: Glória Patri et Filio
et Spiritui Sancto.


Todos: Sieut erat in principio et nunc et semper
et in saecula saeculorum. Amen.


CORO FALADO


Solista: Aqui, neste Mosteiro da Batalha
Em honra da Senhora da Vitória
Fez-se de pedra o Sonho d’uma glória…
(Que a pedra se faz sonho quando a talha
canteiro humilde com devota mão…)

Todos: Aqui é o Mosteiro da Belém
Sonho de Pedra, eterna gratidão!


Solista: Aqui é o Mosteiro da Vitória
Poema em pedra da mais bela traça
Que Dom João, Rei de fiel memória
Erguesse à Virgem-Mãe, cheia de Graça!
Todos: Cada pedra é palavra de louvor;
Cada coluna um verso aos céus erguido;
cada arco uma ‘strofe’ de’splendor;
cada nave um canto agradecido!


Solista: Capelas Imperfeitas!...Eis a glória
da arte cristã, agradecendo em prece
À Virgem da Vitória!
São Pedras? – Não!
São Almas de joelhos,
Jurando sobre os Santos Evangelhos
Que Portugal não esquece!


Todos: Cheia de Graça
Ave Maria!
O homem passa,
A pedra não:
De noite e dia
É gratidão!
Cheia de Graça.
Ave, Maria!

Solista: E aquel’sagrado Altar
Da nave principal
É bem o coração a palpitar
Do nosso Portugal!


Todos: O altar, além erguido
com fé e devoção,
É bem o coração
De todo o Portugal reconhecido!


Solista: Antes de ser Poema da Vitória
Feito de pedra em jeito de oração,
Foi este campo (tal qual reza a História)
Marcado a sangue, p’ra ser nosso chão…

Durante essa Batalha d’alta Glória,
(Quando podia ainda ser derrota!...)
Aqui nos campos de Aljubarrota,
El-Rei fez voto à Virgem da Vitória!





Todos: E a Virgem Santa Maria,
De coração portuguesa,
Não deixou de ouvir a reza
Que Dom João lhe fazia…

Solista: Era este campo uma charneca em flor
Cobiçada p’la gente castelhana…
Mas a Senhora, com materno amor,
Tinha por sua a Terra Lusitana!


Todos: Terra de Santa Maria,
Portugal foi sempre vosso!

Solista: Bastou que El-Rei em prece ajoelhasse
Humildemente nesta terra chã
E os cuidados da Virgem confiasse
Nossos destinos de Nação cristã

Todos: E a Virgem Santa Maria,
De coração portuguesa,
Não deixou de ouvir a reza
Que Dom João lhe fazia…


Solista: Perto de El-Rei também ajoelhou
O Condestável, grande herói e Santo,
E a sorte da batalha se mudou,
como por graça de divino encanto!


Todos: E a Virgem Santa Maria,
De coração portuguesa,
Não deixou de ouvir a reza
Que Dom Nuno lhe fazia…


Solista: Ala dos Namorados, gente moça,
Almas cheias de fé e devoção
Pedem à Virgem Santa que os ouça
E lhes conceda a Sua protecção!


Todos: E a Virgem Santa Maria,
De coração portuguesa
Não deixou de ouvir a reza
Que aquela gente moça lhe fazia…

Solista: Mais confiante na divina Graça
Que na sua bravura e valentia,
A Lusa gente pede a Deus que faça
Mais um milagre de Santa Maria.

Todos: E a Virgem Santa Maria,
De coração portuguesa,
Não deixou de ouvir a reza
Que o nosso povo fazia…

Solista: E o milagre surgiu à Luz da História…
E o voto se cumpriu em sonho ideal…
E as pedras rezam : Virgem da Vitória!
Salve Rainha e Mãe de Portugal!

Todos: Salve Rainha e Mãe de Portugal!


Solista: E o Poema surgiu maravilhoso.
P’ra sempre em pedra aqui ficou erguido
À Virgem Santa – Canto glorioso
Do Povo Português reconhecido.


Todos: Cheia de Graça,
Ave, Maria!
O homem passa
A pedra não:
- De noite e dia
È gratidão!
Cheia de Graça
Ave, Maria!


Solista: Aqui rezavam juntos com seus filhos
El-Rei, Mestre de Avis a sua esposa
Aqui foram sonhados novos trilhos
Que tornaram a Pátria Gloriosa.


Solista: Aqui sonhou seus feitos de glória
A Ínclita Geração – Altos Infantes
Rumos novos se abriram para a História
E se forjaram almas de gigantes!

Formou-se aqui o sonho do Império
E a Cruz de Cristo a sangrar nas velas
Desvenda os caminhos do mistério,
Enquanto a Virgem, em nichos nas cobertas,

Aponta o rumo às naus e caravelas
Do Portugal cristão das descobertas!

Marinheiros – Peregrinos
Hoje e sempre – a toda a hora –
Ponde nas mãos da Senhora
Vossas almas e destinos.


Vós, que sulcais o mesmo mar d’outrora
Guardando a Pátria d’ Aquém e d’Além-Mar,
Rezai à Virgem Mãe Nossa Senhora
P’la vossa Pátria, pelo nosso Lar!


Todos: Portugal é sempre vosso,
Inda que o Demo o não queira!
Terra de Santa Maria
Portugal é sempre vosso!
Sois a nossa Padroeira.


CANTICO FINAL

Solista: Salve, Nobre Padroeira
Do Povo teu protegido
Entre todos escolhido
Para Povo do Senhor


Todos: Oh! Glória da nossa terra,
Que tens salvado mil vezes,
Enquanto houver portugueses, (bis)
Tu serás o seu AMOR!















terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

PE CORREIA DA CUNHA, 1ª ESTAÇÃO-ALCOBAÇA

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FOTO DE GONÇALO AFONSO DIAS


PEDRAS ERGUIDAS (jeito de quem reza) …



As Peregrinações da Família Naval, organizadas pelo Padre Correia da Cunha, ao Santuário de Fátima, eram manifestações de culto mariano verdadeiramente apoteóticas, cuja lembranças nunca se apagarão das memórias de muitos milhares de marujos. A primeira estação era no monumental convento e igreja de Santa Maria de Alcobaça, cuja sua construção é fruto de um voto feito por D. Afonso Henriques, quando planeava a difícil e arriscada conquista de Santarém.

Monumento erguido em honra da Mãe de Deus, desde a primeira idade da Independência da nação, constitui o brado imorredoiro das primeiras gerações de Portugal a proclamar bem alto aos portugueses de todos os tempos a sua entranhada devoção à Imaculada Mãe de Deus.

Alcobaça deve muita da sua prosperidade agrícola aos monges que foram os primeiros e desmedidos lavradores do nosso Portugal.
Com a agricultura, desenvolveram também grande actividade industrial. O mosteiro era uma vasta oficina; trabalhava-se ali o ferro e a madeira, tecia-se o linho, preparava-se a pele, todas as indústrias da época ali estavam representadas e tinham os seus operários.

As mais nobres e grandiosas tradições populares da nossa Pátria, no que tem de mais belo e encantador, nasceram do espírito de fé e dos sentimentos católicos dos portugueses

Estas palavras de Padre Correia da Cunha, que estou transcrevendo trazem-nos à memória a sua imensa devoção ao espírito de fé a Nossa Senhora – Virgem Mãe e como ele sempre lembrava: “Grande glória a nossa, sermos escolhidos pela Previdência para desempenhar o primeiro papel: - de nos embalarmos nas ondas…em naus que transportaram a mais fecunda semente da Cristandade.”Tudo isto aconteceu, sendo visível e tendo como providencial auxílio a nossa Imaculada Padroeira Mãe de Deus, que mais tarde se dignou aparecer no lindo céu de Portugal.






PRIMEIRA ESTAÇÃO



ALCOBAÇA




Alcobaça… O Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça é o primeiro santuário de Maria que encontramos no caminho.

Entraremos todos juntos, como irmãos e como peregrinos.

Ocuparemos os bancos da nave central e depois saudaremos Jesus e Sua Mãe, cantando de joelhos.

Bendito:

Solistas: Bendito e louvado seja
O Santíssimo Sacramento da
Eucaristia!

Todos: Fruto do ventre Sagrado
Virgem Puríssima,
Santa Maria!

Solista: Glória Patri et Filio
Et Spirítui Sancto

Todos : Sicut erat in principio et nunc et semper
Et in saecula saeculorum Amen !


Solista: Rezemos a SALVÉ RAINHA!


Salvé Rainha!
Mãe de misericórdia,
Vida, doçura esperança nossa, salve!
A Vós bradamos
os degredados filhos de Eva,
Por Vós suspiramos
gemendo e chorando neste vale de lágrimas
Eia, pois, Advogada nossa.
Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei!
E depois deste desterro
Nos mostrai Jesus,
Bendito fruto do vosso ventre!
OH! Clemente
OH! Piedosa!
OH! Doce Virgem Maria!
Rogai por nós Santa MÃE de DEUS
Para que sejamos dignos de alcançar as
Promessas de Cristo. AMEN

TODOS DE PÉ

CORO FALADO

Solista:
Irmãos! Este é o Mosteiro de Alcobaça

- Pedras erguidas (jeito de quem reza)
Espelho fiel da Alma Portuguesa
Aos pés da Virgem-Mãe, cheia de Graça!

Todos: O Mosteiro de Alcobaça
Foi o primeiro solar
Que à Virgem cheia de Graça
Portugal quis consagrar.
Peregrino que aqui passa
Não passa sem Lhe rezar!...

Solista: Desde o princípio somos Terra Santa,
P’lo milagre de amor e devoção
Com que o primeiro Rei aqui levanta
A própria pedra em forma de oração!


Todos: Cheia de Graça,
Ave Maria!
O homem passa,
A pedra não:
- De noite e dia
É oração!
Cheia da Graça,
Avé Maria!


Solista: Eis desde o berço Portugal rezando!
É pedra a pedra este Rosário tece,
Para que sempre ao céu suba uma prece
Que, em nome seu, a Virgem vá louvando!


Todos: Cheia de Graça,
Ave Maria!
O homem passa,
A pedra não:
- De noite e dia
É oração !
Cheia de Graça,
Ave Maria!


Solista: E a Terra Portuguesa, desde logo,
Ungida com a bênção d’alegria,
Marcada foi com este nome a fogo
Divino : TERRA DE SANTA MARIA!


Sim! De verdade, a Virgem nos benzeu
Com materno olhar feito sorriso…
E fez de Portugal rincão do Céu,
E fez da nossa Terra o Paraíso!


Todos: Portugal é Terra Santa:
Terra de Santa Maria!
Marinheiros reza e canta:
Salve Rainha!
Ave Maria!

Solista: E desde então a História Portuguesa
È como um Livro de Horas – Ritual –
Rezando feitos de imortal beleza
E tendo iluminuras de missal!


Todos: Nossa História é Livro de Horas
Que há oito séculos
se vem rezando!...
Nossa História é Livro de Horas
Horas de Santa Maria!







Solista: Neste belo mosteiro de Alcobaça
Ungido pelo óleo sacramental da Sagração
e pelas orações e cânticos
de todas as gerações de Portugueses…

Solista: Oh ! Marinheiros – Peregrinos
em cujo olhar se reflecte mar e céus
- pedi à Virgem Santa Mãe de Deus
Volva até nós os olhos seus divinos.
Oh! Peregrinos – Marinheiros,
Mãos calejadas das fainas no mar,
- Juntai as vossas mãos doridas
Ás mãos dos vossos cristãos companheiros,
que tiveram de ficar,
e a todas as mãos aqui erguidas
desde o século treze até agora
À Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora!
E assim unidos todos num só gesto de oração e amor
- O Passado e o Presente:
( A Alma Portuguesa de toda a nossa gente)
- Unidos numa reza…
Aclamai com amor

- Rezai com alegria:
- Salve, Mãe do Senhor!

AVÉ MARIA!






Todos: Salve, Mãe do Senhor! Ave, Maria!
Solista: Oh! Peregrinos – Marinheiros!
De voz afeita ao marulhar das ondas,
Juntai a vossa voz
à dos vossos irmãos e companheiros
e à dos nossos avós…

Continuai… Rendei o serviço de Rondas
Rendei a guarda das Ave Marias,
Que desde há oito séculos se rezam todos os dias!
Clamai bem alto
Num coro triunfal
Que oiça a terra e os céus!
- Salvé Rainha, Mãe de Deus!
Madrinha de Portugal!

Todos: Salve Rainha, Mãe de Deus
Madrinha de Portugal!


Solista: A vós, mulheres cristãs,
Esposas, mães, filhas, irmãs
dos nossos marinheiros
Que, de pé, junto do cais
com olhos rasos d’água ali ficais
a sós com vossa dor
feitas estátuas vivas de saudade
rezando pelos vossos companheiros…
Que Deus os acompanhe;
E os guarde a Virgem – Mãe;
Que tenham saúde e paz
E voltem em breve e bem!

Só as mulheres: Que Deus os acompanhe,
E os guarde a Virgem-Mãe!
Que tenham saúde e paz!
E voltem em breve e bem!


Solista: Vós, mulheres cristãs,
Esposas, mães, filhas, irmãs
dos nossos Marinheiros
que não passais um só dia
sem por eles rezar
à Senhora da BOA VIAGEM
à Senhora dos NAVEGANTES
à Senhora da Guia

- Rezai aqui também
à Virgem Nossa MÃE:

Só as mulheres:
Ò Senhora de Alcobaça

Ò Virgem Nossa Senhora
Velai por nós hora a hora
Em cada dia que passa!


Só as mulheres: Ò Virgem cheia de Graça,
Senhora da Soledade!
Ó Senhora de Alcobaça
Tende de nós piedade!


CANTICO FINAL:

Solistas: - Senhora Nossa, Senhora minha;
- Vida esperança, clemência e luz!

Todos: Salve Rainhas! Salve, Rainha ! (bis)
Senhora minha! Mãe de Jesus!



(Segue-se a visita ao Mosteiro)


Continua…
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