segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

PE CORREIA DA CUNHA E O FATO

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‘’ O Baptizado é uma festa solene por excelência. ‘’



O filho de um notabilíssimo industrial do nosso país desejava baptizar o seu filho na Igreja Paroquial de São Vicente de Fora. Este fazia questão que o celebrante do baptismo do seu primeiro filho fosse o Pe. José Correia da Cunha.

Depois de se inteirar de todos os procedimentos necessários para a realização do acto litúrgico, cumpri-os religiosamente conjuntamente com sua extremosa esposa.


PROCEDIMENTOS PARA O BAPTISMO
















- Frequência de duas sessões de preparação para o Baptismo que visavam chamar atenção dos pais para as responsabilidades que iriam assumir na educação cristã dos filhos.

- Apresentação da liturgia do rito do baptismo para que no dia do cerimonial, os pais e padrinhos tivessem conhecimento da simbologia e da profundidade do acto sacramental.

Normalmente, quando o Pe. Correia da Cunha convidava os pais e padrinhos para estas acções de formação do Baptismo era de imediato confrontado com a seguinte solicitação dos pais: a sua dispensa com alegação que não tinham tempo disponível e que tinham frequentado a catequese, e portanto sabiam muito bem o que desejavam para o seu filho. Já sabiam tudo sobre essa formação.

O Padre Correia da Cunha, com humildade e sabedoria nata, alegava com os seguintes argumentos:

- Se não podeis disponibilizar do vosso tempo duas horas para estas sessões, como podereis dispensar o tempo necessário na educação do vosso filho? Penso que deverão ser muitas horas ao longo de toda a sua vida…

- Acredito que tendes uma boa educação cristã e já sabeis tudo; e de imediato interrogava:

- Sabeis que neste momento estamos todos a respirar? É um acto simples e tão natural, mas sem ele não viveríamos. Foi necessário, neste preciso momento, chamar a vossa atenção para nos darmos conta deste acto tão banal como é respirar. Sei que tendes os conhecimentos, mas há necessidade de vos despertar para essas aprendizagens, é como o elementar acto do respirar.

Depois destas observações lá se disponham a vir às sessões e no final até comentavam que o tinham feito com muito gosto e tinham sido muito úteis.

Bem, mas vamos lá ao Baptizado do neto do distintíssimo industrial.

O avô da pequena criança fazia questão que houvesse uma grande festa, com a presença de todos os seus copiosos amigos, para celebrar este grandioso e importante acontecimento, tendo providenciado uma empresa da especializada para que se pudesse viver esse dia de grande sonho. O local seleccionado para o evento foi o Palácio de Seteais, na Serra de Sintra.

Pe Correia da Cunha, pelo convite formal recebido, apercebeu-se que estava a ser chamado para um evento que requereria a máxima formalidade no traje, tratava-se de um evento solene.

Os Pais da criança, amigos próximos de Padre Correia da Cunha, faziam imenso prazer e gosto que o celebrante estivesse presente na FESTA DE BAPTISMO de seu filho.

Padre Correia da Cunha agradeceu tão amável e simpático convite, mas comentou que não poderia estar presente fisicamente na festa.

Não se conformando com essa sua posição, os pais da criança tudo fizeram para o demover da sua recusa.

Depois de tanta insistência, Pe. Correia da Cunha confessou que não tinha indumentária para se fazer representar nessa luxuosa recepção.

Perante o conhecimento deste facto e depois de informado o avô da criança da situação do impedimento, no dia seguinte chegaram à Paróquia, ao cuidado do Padre Correia da Cunha, três fatos com todos os acessórios, para que a sua presença fosse concretizada conforme era vontade dos pais e amigos.

Já no Palácio de Seteais, e perante o enorme número de distintos convidados, o pai da criança fez questão de apresentar pessoalmente Padre Correia da Cunha a seu Pai, que agradavelmente conversava com os seus amigos mais próximos.


- Peço desculpa, Senhor Meu Pai, tenho imenso prazer lhe apresentar o Sr. Pe. Correia da Cunha.


- Viva Reverendíssimo, é para mim uma grande honra e um imenso prazer conhecê-lo pessoalmente e podê-lo saudar.


Pe. Correia da Cunha correspondeu com a sua agradabilíssima voz:



- E como vai o ILUSTRÍSSIMO DONO DO FATO?



O distinto industrial ficou primeiro um pouco confuso mas de seguida esboçou um discreto e suave sorriso.


Os presentes não deram conta desta tão estranha forma de saudação mas sei que a partir dessa data, Pe. Correia da Cunha e o ilustríssimo dono do fato ficaram grandes e bons amigos. Pe Cunha manteve por muitos anos uma excelente relação com aquele notabilíssimo industrial.

O Reverendo fez questão de agradecer aos seus anfitriões antes de sair, escrevendo logo no dia seguinte um cartão a agradecer todos favores e gentilezas. Pe Cunha demonstrava sempre uma educação exemplar.



São histórias simples como esta que tornam possível reconhecer a qualidade de inteligência e o requinte de tal ilustre figura. Pe. José Correia da Cunha tem um história muito rica e quanto mais completa estiver mais interessante se torna. Enviem-nos as vossas histórias!
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