quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

PE CORREIA DA CUNHA E A CATEQUESE

.











.
.





‘’IDE E ENSINAI…’’


 

Para o Padre Correia da Cunha a missão da Igreja era anunciar o Evangelho, para que as crianças acreditassem que Jesus era seu amigo e salvador do mundo, o filho de Deus. A catequese era o momento desse anúncio.
.
Na Paróquia de São Vicente de Fora, no tempo de Pe. Correia da Cunha eram inscritas na Catequese Paroquial cerca de 500 crianças com idades entre os 6 anos e os 12 anos.
.
Pe. Correia da Cunha tinha um grande empenhamento em criar um ambiente perfeito para ajudar a viver a catequese. No claustro superior do mosteiro eram colocados biombos de madeira, criando espaços com luz, temperatura, e um cuidado muito especial com o seu arranjo.
.
As crianças eram colocadas em semi-círculo, em volta de mesas, com o catequista sempre em contacto visual. O mobiliário era de muito boa qualidade, bancos pequenos para as crianças e uma cadeira de costas para o Catequista.Há ainda a referir que cada grupo dispunha de material didáctico como: lápis de cor, lápis de cera, vários tipo de papel, campanhas e outro. O catecismo era adquirido pelo catequizando, mas no caso de não possuir dinheiro, a paróquia oferecia o manual.Existiam entre 40 a 50 grupos de Catequese.
.
.
Cada grupo tinha um Santo por orago. A Catequese era ministrada aos domingos, após a Celebração Eucarística Dominical, pelo período de 45 a 60 minutos. Só mais tarde houve necessidade de passar a catequese para os dias úteis e sábados.
.
.
De acordo com a idade, as crianças frequentavam o seu Catecismo (primeiro volume até ao quatro volume). A catequese era concluída com um ano de preparação, dirigido pela Irmã Gina Magagnotti – Religiosa Salesiana , para a celebração da Profissão de Fé.No início do ano catequético, havia um momento de alguma solenidade, que era a apresentação das crianças ao seu catequista, assim como o local onde o grupo se iria reunir em cada domingo.
.
.
Havia cerca de cinquenta catequistas, que perante o Pe. Cunha e a Comunidade, manifestavam o desejo de participar no ministério da Catequese.Creio que assumiam este serviço com muita consciência e participavam nesta missão que lhes era confiada com muita alegria, formando um grupo de grande união e amizade fraterna entre eles.
.
.
Publico uma foto dessa época (1966), cedida gentilmente pelo então catequista Rogério Martins Simões, relembrando o compromisso assumido com Jesus Cristo: “Ide por todo o mundo e anunciai a todos a mensagem da salvação”.





Nesses tempos, as crianças vinham de famílias com uma tradição religiosa católica. A participação na missa dominical era uma simples consequência do modo de vida que se levava em casa. Para o domingo havia uma roupa especial para se ir à missa.

O Pe. Correia da Cunha dizia que a Catequese era um caminho que se fazia com aqueles que desejavam ser educados na fé, que precisavam da Palavra, mas sobretudo do testemunho de vivências num clima muito humano de grande fraternidade e de paz.

Queria aproveitar para prestar uma sentida homenagem de gratidão, muito especial a todos estes trinta catequistas, por tudo o que realmente fizeram para apontar o caminho, mostrando por onde ele passa e colocando sinais luminosos por esse trajecto. Feliz a Comunidade de S. Vicente de Fora que teve tantos e excelentes catequistas!

Naquele tempo, para que as crianças se sentissem motivadas na participação das actividades religiosas, o Pe. Correia da Cunha recorria à criatividade e adoptava estratégias que faziam com que as crianças participassem com muita alegria e motivação em campanhas dinâmicas de solidariedade para com outras crianças extremamente pobres e com fome. Lembro bem a campanha de partilha com as crianças da República do Biafra…
Não se participava na vida religiosa por um acto de rebeldia. O Pe. Correia da Cunha sempre repetia: temos de ser amigos uns dos outros.

Não podia deixar também de prestar uma merecida homenagem, aquele que Deus agraciou com o dom do serviço à evangelização, Carlos dos Anjos Barradas (1926-2008), Presidente da Catequese Paroquial nos anos sessenta.
Carlos Barradas generosamente colocou radicalmente o seu tempo e capacidade de regência em atitude de oferecimento, para responder à missão de serviço à Igreja e à Comunidade Paroquial de São Vicente de Fora.


Penso que os antigos catequistas, que estejam vivos, queiram perpetuar a memória de Pe. Correia da Cunha, para que seus filhos possam conhecer este grande homem de carácter e uma enorme figura duma importante época da Paróquia de São Vicente de Fora. Os vossos testemunhos são muito importantes. PARTILHEM.


Continua...





















.






.

1 comentário:

  1. Boa noite,

    Quero agradecer ao João Paulo o excelente trabalho produzido neste blog. Quem como eu anda nestas andanças desde 2004 conhece bem as dificuldades em manter activo um blog. Na verdade é difícil compatibilizar a sua profissão com a produção de textos para os blogs. O João Paulo foi para mim uma agradável surpresa.
    Mas passemos ao assunto que aqui hoje me traz.
    Fui catequista muito cedo na Igreja Paroquial de S. Vicente de Fora. Tudo começou, como já escrevi num recente comentário, por uma ocasional “investida” nos claustros do Antigo Convento. Daí para a frente frequentei a catequese e, impulsionado pelo bom Padre Cunha, depois de ter frequentado um curso de Catequista, comecei a dar catequese. Antes, no decorrer dos anos 60 do Século passado, andava ainda na catequese e ajudava à missa, em latim – claro está, conheci dois rapazes e duas raparigas mais velhos, que pretendiam proceder a escavações arqueológicas no chamado pátio dos corvos. O grupo juntava-se ao Domingo pela manhã e o agora Professor Fernando Ferreira aceitou-me no grupo, digamos que era a mascote do grupo de arqueologia de S. Vicente de Fora. Foi assim que me iniciei pela arqueologia e estranhamente a nível dos paroquianos não encontrava parceiro para a arqueologia.
    Foi assim que, a par das minhas actividades na paróquia, à luz de um gasómetro começámos a escavar o “carneiro” por detrás da Capela-Mor. Um dia voltarei a este assunto.
    Entretanto o Fernando foi incorporado no serviço militar obrigatório e deixei de ter contacto com o grupo chefiado pelo Fernando.
    Em 1970 calhou-me a vez de ser chamado ao serviço militar obrigatório que terminei em 1973. Certo dia tive conhecimento pelos Jornais de uma importante descoberta arqueológica naquela igreja e como o artigo não mencionava os nomes dos arqueólogos logo quis saber se alguém estaria a usurpar e a beneficiar do nosso anterior trabalho.
    Fui de imediato a S. Vicente e ali reencontrei os meus amigos aos quais se tinham juntado mais uns quantos jovens. Logo ali fui bem recebido e permaneci ligado ao grupo até hoje.
    Quando regressei a S. Vicente de Fora em 1973 ou 1974, já os rapazes e as raparigas do meu tempo tinham desaparecido: quer pelo casamento, quer por outros motivos. Enfim, tudo afinal me parecia estranho à excepção do grupo de arqueologia.
    Recordo-me de me ter sentido bastante triste com o comportamento dos novos “donos” dos espaços que durante mais de 10 anos foram também nossos.
    A vida é mesmo assim, tudo muda, tudo acaba, e recordei nesse tempo aqueles que nunca conheci e que durante séculos por ali andaram. Afinal cada um de nós faz parte de uma pequena parcela da vivencia em S. Vicente de Fora.
    Permaneci na arqueologia pese embora alguns interregnos justificáveis pela vida.
    Hoje, olhando para trás, recordo inúmeras mudanças – muitos rostos diferentes que por ali passaram e, se calhar, acabaram por, em certo dia, se sentirem como estranhos num local que pensaram ser para sempre seu.
    Um dia nesse passado tentei reunir gerações de amigos daquela paróquia. Pensei em juntar todos os que ainda vivos sentiam saudades de S. Vicente de Fora e dos seus amigos. Tentei e fui mal interpretado, ficou a intenção.
    Tudo isto para dizer ao João Paulo como me sinto feliz por ser ele o continuador deste “toca a reunir”. Finalmente quero enaltecer a qualidade da escrita do João Paulo. Ele sabe que tenho problemas graves de saúde. Porém contará sempre comigo mesmo que não possa assumir um compromisso. Como habitualmente não vou rever comentários. Deixo este desabafo e incentivos os jovens do meu tempo a escreverem. Fotos tenho muitas e estou a tentar digitalizá-las para as colocar no meu álbum do Google em POEMASDEAMOREDOR ou romasi.
    Um abraço para todos
    Rogério Martins simões

    ResponderEliminar